Capítulo Sessenta e Um: Salvá-lo

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2417 palavras 2026-02-07 16:43:08

— Contenha-se, Rong Wuwang! Mantenha a calma! — exclamou Sheng Mingshu, envolvendo-o com os braços e prendendo-lhe as mãos.

O veneno estava tomando conta dele, e a situação era crítica.

Mingshu quis pegar as agulhas, mas a força com que ele se debatia era tamanha que ela não conseguia soltar as mãos.

Apertou ainda mais as mãos, segurando-o com firmeza.

— Mate... mate-os todos! — os vasos saltavam sob sua pele, o rosto estava vermelho como sangue, mas o corpo emanava um frio assustador.

Sheng Mingshu o segurava junto ao peito, temendo que, daquele jeito, ele realmente viesse a perecer em seus braços.

Franziu as sobrancelhas; mesmo empregando toda a sua força, só conseguia imobilizá-lo por um instante. Seu corpo delicado não se comparava ao porte imponente de Rong Wuwang; mesmo abraçando-o, só alcançava o tórax dele.

Ouvia as batidas aceleradas do coração sob o peito do homem. Após mais um “mate-os” sussurrado, os olhos de Mingshu se tornaram profundos.

— Está bem! Matá-los-ei todos! — encostou o rosto no peito dele, as mãos já arroxeadas pela força do aperto que impedia a livre circulação do sangue.

Sua voz era calma, mas firme. — Quem você quer que eu mate? Eu o farei por você! Se um não for suficiente, mato dois! Mataria quantos desejar, até que esteja satisfeito! Rong Wuwang, acalme-se, sim?

O homem, que se debatia furiosamente em seus braços, surpreendentemente começou a se aquietar.

Sheng Mingshu não ousou aliviar a pressão das mãos. Quis verificar seu estado e, ao erguer o olhar, encontrou um par de olhos profundos, úmidos, como os de um cervo assustado na floresta — frágeis, tomados pelo medo e pela mágoa.

O coração de Mingshu falhou uma batida. Desviou rapidamente o olhar, aproveitou a brecha para soltar as mãos, ignorando o formigamento nos braços, e fincou as agulhas de prata certeiras no centro das sobrancelhas e nas têmporas de Rong Wuwang.

A força do homem se dissipou de súbito; cambaleou e tombou para frente.

Mingshu, ágil, enfiou as mãos sob os braços dele para tentar ampará-lo, mas subestimou o peso de um homem de quase três metros. Ambos caíram pesadamente ao chão.

Rong Wuwang já estava inconsciente, o corpo largado sobre Sheng Mingshu, esmagando-a a ponto de quase lhe tirar o ar. Com as mãos apoiadas sobre os ombros dele, de repente sentiu um frio gélido em seu pescoço.

Hesitou por um instante, depois encontrou forças para empurrá-lo para o lado.

Tocou o pescoço onde sentira o frio, ergueu a mão na penumbra e viu que a ponta dos dedos brilhava com uma umidade cristalina.

Virando um pouco o rosto, observou Rong Wuwang deitado ao seu lado. Sobre os longos cílios dele, pendiam pequenas gotas d’água.

Aquele homem... ela realmente não o compreendia.

Com muito esforço, arrastou-o para a cama e abriu o estojo de agulhas, onde repousavam ordenadas as pratas, de diferentes tamanhos e espessuras.

Esse estojo de agulhas fora feito, anos atrás, pelo mestre dela, nas montanhas Bugushan, com grande empenho. O material era raro; as agulhas haviam sido mergulhadas por quarenta e nove dias em preciosos elixires e depois repousaram sob a luz do luar durante meses.

Tão finas quanto fios de cabelo, ao olhar de perto, era possível ver nos cabos intricados desenhos — feitos para ajudar as agulhas a absorver o elixir.

Mingshu desabotoou a camisa de Rong Wuwang. Ao ver as calças encharcadas, lembrou-se do quanto ele detestava ser tocado ali e, então, pegou alguns panos limpos e enxugou o excesso de umidade.

Depois, segurando uma agulha entre os dedos, aproximou a ponta do fogo da vela; ao notar que um líquido esverdeado escorria, retirou-a rapidamente. Com a outra mão, deslizava os dedos sobre o corpo dele até localizar o ponto exato do meridiano, onde fincou a agulha.

Repetiu o processo, aquecendo outra agulha, pressionando o próximo ponto vital e cravando-a com precisão.

Bloqueou cada um dos principais pontos energéticos do corpo dele.

Só então Mingshu soltou um suspiro, limpando o suor que cobria a testa com um lenço.

— Agora dependerá de você mesmo se irá se recuperar.

Pela primeira vez, Sheng Mingshu observou longamente o rosto adormecido dele. Era de uma beleza singular: o dorso do nariz alto, quase adunco, traços marcantes e profundos. Talvez pela ação do veneno, era muito mais pálido que outros homens.

Se não fosse o temido Lorde dos Nove Mil Anos, só a aparência já seria suficiente para torná-lo famoso na capital.

Rememorando o rugido de dor que ele proferira há pouco, os pensamentos de Mingshu se dispersaram.

— Por que será que você precisa ser tão cauteloso, sempre tramando?

Avaliando o tempo, Mingshu pegou uma agulha mais grossa e longa, posicionou-a sobre o mar de energia de Rong Wuwang e cravou-a sem hesitar.

Imediatamente, o rosto dele se contraiu de dor.

Com os lábios comprimidos, Mingshu manteve a respiração suspensa, afundando a agulha mais um pouco.

O homem, antes desacordado, abriu os olhos de repente, levou a mão ao peito e vomitou um jato de sangue negro.

Os olhos de Rong Wuwang, cheios de ferocidade, fitaram Sheng Mingshu diretamente.

Uma vez desperto, não era nem um pouco adorável.

Sob o olhar dele, Mingshu estendeu a mão e, sem titubear, arrancou com destreza a longa agulha cravada em seu abdômen.

Rong Wuwang arregalou os olhos, sentindo o sangue revolver-se em todo o corpo; estava prestes a reunir energia, mas ouviu a advertência suave dela:

— Se quiser sobreviver por mais alguns anos, é melhor comportar-se. Custou muito para eu desbloquear seus canais e expulsar o sangue envenenado do coração. Não o faça voltar para lá.

Enquanto dizia isso, Mingshu limpava cuidadosamente a ponta da agulha com um lenço embebido em álcool de arroz, retirando uma a uma do corpo dele, limpando e guardando.

...

Rong Wuwang recostou-se novamente na cama. Tinha lembranças vagas do que acontecera antes de perder a consciência e percebeu, surpreso, que a dor diminuíra bastante e o corpo parecia mais quente.

Deitou-se reto, a voz rouca:

— Quando estarei completamente curado?

Sabia, desde o ventre materno, que o veneno não seria eliminado de uma só vez.

— Não é de todo ingênuo — Mingshu sorriu. — As agulhas servem para expulsar o veneno, mas não para resolver o problema. Seu corpo está enfraquecido; o veneno, ao mesmo tempo em que o prejudica, também o sustenta — já é parte de você. Para curar de vez, será preciso substituir o sangue com um tipo especial de inseto mágico das terras de Miao.

— Mas a técnica dos insetos de Miao é complexa. Não posso garantir cem por cento de sucesso.

Rong Wuwang já ouvira falar da lenda dos insetos de Miao, mas não pensara que um dia dependeria deles.

A garganta dele oscilou.

— Quais são as chances de êxito?

— Cinquenta por cento.

— Isso basta. — Depois de anos vivendo pior que a morte, metade já é mais que suficiente. Fechou os olhos por um momento e, em voz baixa, disse: — Confio em você.

Sheng Mingshu desviou o olhar, impassível. Guardou as agulhas no estojo, virou-se de costas para Rong Wuwang.

— O veneno está em você há muito tempo. Por ora, só posso suprimir com as agulhas. Em breve, concluirei o que prometi. Dou minha palavra.

Rong Wuwang permaneceu em silêncio, deitado, as mãos pousadas sobre o abdômen, o indicador a acariciar levemente o dorso da mão. Um sorriso tênue despontou-lhe nos lábios.

— Está bem.

Mingshu apertou os lábios.

— Descanse bem esta noite.

Virou o rosto, e ao terminar de falar, saiu abraçando o estojo sem olhar para trás.

Na noite silenciosa, as lembranças de Rong Wuwang foram se reconstituindo.

Ela o abraçara, prometendo matar todos por ele.

Um sorriso radiante finalmente despontou em seu rosto, o mais luminoso que já exibira em toda a vida — mas, oculto pela escuridão, ninguém o viu.

Do outro lado, Sheng Mingshu retornava apressada ao pátio. Yi Qin esperava sentada no batente da porta. Ao vê-la, levantou-se rapidamente e tomou-lhe os objetos das mãos.

Com expressão preocupada, Yi Qin perguntou:

— Aconteceu algo grave? O rosto da senhora está tão vermelho!