Capítulo Noventa e Cinco — Confronto na Rua Longa

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2464 palavras 2026-02-07 16:45:09

A saúde de Ming Shu ainda não estava completamente restabelecida. Ela vinha se preparando para este momento há muito tempo; até mesmo o tratamento com agulhas do dia anterior foi planejado pensando no que enfrentaria hoje. Todos em Liancheng vinham sendo esmagados por um longo período, e Ming Shu sabia que só faltava um líder para que o povo se revoltasse. Ela estava disposta a assumir esse papel.

Sua identidade como princesa imperial pouco valia na capital, mas ali, em Liancheng, era uma moeda poderosa. Desde o momento em que entrou na cidade, Ming Shu já tinha seus planos traçados e, após cuidadosas investigações e testes, finalmente alcançou o resultado desejado.

Yao Zhongliang era, de fato, um ministro corrupto de sua geração. Ele governava o território como um rei há tanto tempo, e os homens da corte confiavam nele, pois, afinal, o lugar mais perigoso era também o mais seguro; nunca imaginaram que poderiam ser apanhados em flagrante. Assim, quando o governador chegou, Yao Zhongliang apenas enviou mensageiros à capital para saber das novidades, sem tomar outras precauções. Isso deu a Ming Shu tempo suficiente para reagir.

Se Yao Zhongliang tivesse ao menos praticado algumas boas ações, se não tivesse abusado do poder e agido de maneira tirânica em Liancheng, os planos de Ming Shu jamais teriam êxito. Ela mesma não imaginava que bastaria enviar Yi Qin para espalhar algumas notícias e, imediatamente, teria tantos seguidores. Isso só demonstrava o quanto o povo de Liancheng odiava Yao Zhongliang, um sentimento que já fervia como água em ebulição.

Tão vil e corrupto, merecia a morte.

Quando Ming Shu revelou sua identidade de princesa imperial, todos ficaram estupefatos. Especialmente os estudantes, que até então estavam desanimados, quase dispostos a desistir. Oprimidos por tanto tempo, ao vislumbrarem uma luz de esperança, tentaram lutar por si mesmos, mas uma só palavra de Yao Zhongliang era suficiente para apagar essa luz. Não esperavam, porém, que justo quando estavam prestes a perder as esperanças, alguém surgisse do nada para reacender a chama em seus corações.

"Princesa imperial?"

"Isso não significa que ela é da família real?"

"Pff, que ignorância! A princesa imperial é irmã do imperador, não é?"

As pessoas murmuravam, cada qual mais espantada, até arregalarem os olhos: "Então isso quer dizer que ela é..."

Não se sabe quem foi o primeiro, mas de repente um som de alguém ajoelhando se espalhou como uma chuva de gotas ao redor. Ming Shu sentiu os ouvidos doloridos com a comoção, quando todos, em uníssono e com lágrimas de sangue na voz, clamaram: "O governador de Liancheng, Yao Zhongliang, não é digno de ser um ministro, não merece ser nosso governante! Pedimos à princesa imperial que julgue com justiça!"

Os atos de Yao Zhongliang eram indescritíveis de tão numerosos; o povo não precisou enumerá-los, pois tudo estava implícito. Ao dizer "não é digno de ser um ministro", afirmavam que ele era desleal, traidor, indigno da confiança da família imperial e do povo. "Não merece ser nosso governante" indicava que abusava do cargo, usava o poder para benefício próprio, cometendo atos inferiores até mesmo aos animais. O velho ditado diz que a água pode carregar um barco, mas também pode virá-lo; Yao Zhongliang jamais imaginou que seria derrubado pelas mãos de Ming Shu.

Ao ouvir que ela era a princesa imperial, Yao Zhongliang sentiu um instante de pânico. Mas logo lembrou que Liancheng era seu domínio, e Ming Shu estava ali há apenas um dia e uma noite; mesmo que tivesse provas, não adiantaria, pois enquanto ela não saísse de Liancheng, sua presença seria encoberta sob o céu da cidade. Assim, Yao Zhongliang rapidamente recuperou a compostura, endireitou-se e sorriu com malícia: "Princesa imperial? Nunca ouvi falar desse título. A princesa imperial não está na capital? Dizem que se casou recentemente; não estive presente, mas enviei generosos presentes."

"A princesa imperial jamais estaria em Liancheng. Sabe que fingir ser da família real é crime de morte?"

"Guardas, prendam essa farsante que se atreve a se passar por princesa imperial!"

Ao ouvir isso, o povo ficou tomado de fúria. Queriam rasgar Yao Zhongliang em pedaços. Sofriam há tanto tempo sob seu domínio, e quando finalmente alguém aparecia para defendê-los, Yao Zhongliang inverteu tudo, ignorando até mesmo a princesa imperial. Um sentimento de tristeza invadiu seus corações. Quando seria dissipada a nuvem negra que pairava sobre Liancheng? Não suportavam mais viver assim...

"Yao Zhongliang, tem certeza de que quer enfrentar a família imperial? Pense bem. Seus crimes são imperdoáveis, mas ninguém é tolo. Se revelar quem te protege, poderá ser julgado com clemência. Mas se insistir em se rebelar, não apenas a família imperial, mas até aqueles que te encobrem não te pouparão. Vivo, você é um perigo constante."

O coração de Yao Zhongliang tremeu. Ele sabia disso. Mas ali era Liancheng; ele se achava um governante hábil, e embora o povo não suportasse, também o temia. Se conseguisse eliminar aquela princesa imperial, a vida voltaria ao normal, e talvez o povo até o temesse mais. Assim, poderia controlar ainda mais o destino dos habitantes, e suas ações ficariam ainda mais impunes.

Jamais imaginou que a chegada da princesa imperial poderia, de fato, ajudá-lo. O sorriso não deixava seus lábios, e a confiança brilhava em seus olhos, cheios de ambição: "Você diz que é princesa, mas eu também posso dizer que sou o imperador!"

Yao Zhongliang gargalhou: "Princesa imperial, sua identidade pouco importa. O importante é que estamos em Liancheng, e aqui, quem manda sou eu."

Ele bateu palmas, e todos os guardas e servidores apareceram ao seu redor.

"Escutem bem: tudo o que aconteceu hoje deve ser mantido em segredo. Essa princesa imperial entrou na cidade com poucos acompanhantes, não representa ameaça. Mas se insistirem em me desafiar, não terei piedade."

"Liancheng não tolera traidores. Se escolherem a princesa imperial, terão o mesmo destino que ela!"

O povo olhou para Ming Shu. Não queriam morrer! Mas se ela não pudesse protegê-los, de que adiantaria segui-la? Melhor sobreviver em Liancheng como podiam, com a esperança de algum dia serem livres.

Ming Shu não culpou o povo ao redor. Eram todos vítimas, oprimidos; não cabia a ela julgar suas escolhas. Eles deveriam viver em paz, mas por causa da incompetência da família imperial, ela e o irmão, ainda tão jovens, não puderam protegê-los, permitindo que o ministro corrupto prosperasse. Já havia perdido essa batalha em sua vida passada, não cometeria o mesmo erro agora.

"Yao Zhongliang, você é mesmo irredutível. Veja quem está aqui."

Ming Shu bateu palmas; era apenas uma jovem frágil, mas sua presença não era inferior à de Yao Zhongliang.

Ele sorriu com desdém: "Princesa imperial, recomendo que se renda, não perca nosso tempo."

Yao Zhongliang não imaginava que Ming Shu tivesse algum trunfo a mais.

Ela balançou levemente a cabeça, como se risse de sua obstinação.

"Então observe com atenção."

Yao Zhongliang seguiu o gesto de Ming Shu e viu uma figura familiar amarrada, cercada pelos homens do Salão do Vento Sul.

Era—

"Fei Fei?!"