Capítulo 120: Um negócio de alto retorno com pouco investimento

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2444 palavras 2026-03-31 17:39:24

— A cauda foi eliminada completamente? — sussurravam em um dos camarotes do convés inferior.

— Foi limpa.

O homem tinha o rosto quadrado, mas seus traços pareciam desordenados, como um conjunto de porcelanas derrubadas, tão confuso que ninguém queria olhar duas vezes.

Desde pequeno, ganhara o apelido de “Maruán” por sua aparência, e com o tempo, todos passaram a chamá-lo assim, esquecendo seu nome verdadeiro.

— Que azar! — disse o homem à sua frente com um olhar gelado — As garotas de hoje em dia não têm noção. Disse para levá-las para comer bem, tomar bebidas finas, mas ainda assim fizeram alvoroço. Acabei de ver duas pessoas no convés superior ouvindo o choro dela, não sei se desconfiaram.

Maruán respondeu:

— Como poderiam desconfiar? Tem tanta gente nesta embarcação, uma garota chorando não é nada estranho.

O outro sentia um desconforto no peito, mas sabia que falar com Maruán era inútil.

Maruán era um homem forte, porém sem inteligência.

Eles o haviam levado justamente porque, além da força bruta, não representava ameaça alguma, facilitando o controle do grupo. Caso contrário, jamais teriam permitido sua presença.

— Está bem, volte para seu posto. Fique atento aos movimentos dentro dos camarotes, especialmente no convés superior, observe se há algo estranho com os nobres lá em cima. Se acontecer algo, me informe imediatamente.

— Entendido.

Maruán era obediente, a única qualidade que possuía. O homem confiava a tarefa a ele e, apressado, foi até a cabine de Wu Dao, certificando-se de que ninguém o notava antes de entrar.

Wu Dao estava fumando calmamente.

Ele segurava uma remessa de ervas imortais de altíssima qualidade, preparadas por métodos especiais, muito superiores às versões inferiores espalhadas por aí. Além do efeito mais potente, essas ervas restauravam a juventude e a vitalidade do corpo.

Além de sua equipe, ninguém sabia que Wu Dao já passava dos sessenta anos.

Por fora, parecia ter pouco mais de quarenta.

Tudo graças às ervas imortais.

Wu Dao havia trazido seu grupo até a região dos Miao com o intuito de negociar novamente com os locais.

Nunca havia contado a ninguém sobre isso, nem mesmo aos seus acompanhantes, pois ninguém sabia de onde exatamente havia conseguido as ervas.

Não era por egoísmo, mas o negócio era grande demais para dividir.

Se monopolizasse o comércio das ervas imortais, em menos de um ano se tornaria o comerciante mais rico de Qisheng, podendo então contratar outros para abrir essa rota comercial.

Assim, não precisaria se preocupar que alguém descobrisse seu segredo lucrativo.

Porém, o destino pregou-lhe uma peça: ele achava que a rota era segura, mas acabou cruzando com um grupo bem distinto.

Não viu as pessoas que moravam no convés superior, mas pelo porte sabia que eram nobres ou ricos.

Wu Dao considerou propor um negócio conjunto, mas, pensando na posição deles, temia que, ao descobrirem o segredo, os fizessem desaparecer para não compartilhar os lucros. Por isso, mantinha seu objetivo em sigilo absoluto.

Além disso, percebeu que havia indivíduos suspeitos entre seus próprios homens.

Assim, tornou-se ainda mais cauteloso.

— Alguma novidade? — perguntou, entrecerrando os olhos ao ver um dos seus chegar.

— O alvo foi eliminado, mas sinto um pressentimento ruim.

— Quando a garota chorou, alguém no convés superior parecia estar observando.

— Não sei se foi notado.

Wu Dao sentou-se abruptamente.

— Como? Fomos vistos?

— Não tenho certeza — o homem balançou a cabeça, inseguro — Pedi para Maruán ficar de olho. Se acontecer algo, saberemos primeiro.

Wu Dao deitou-se novamente.

— Cuidado. E aquela mulher que enviamos para cima, trouxe alguma informação?

— Não.

O rosto de Wu Dao mudou, e ele praguejou:

— Inúteis!

Ele havia planejado todo aquele absurdo justamente para que a mulher investigasse os nobres no convés superior, dando-lhes uma vantagem psicológica.

Quem imaginaria que ela voltaria de mãos vazias?

Perderam tempo e recursos, embora a mulher ainda servisse para conquistar outros aliados no submundo.

Agora que estava retida no convés superior, não podiam resgatá-la sem se expor.

Mas se ela caísse nas mãos deles, quem sabia o que faria para sobreviver?

Se revelasse algo sobre eles, mesmo sem mencionar as ervas imortais, certamente levantaria suspeitas.

— Se não há como salvá-la, encontre uma oportunidade para matá-la.

Nos olhos de Wu Dao brilhou uma luz cruel. Sempre fora implacável com quem causava problemas.

Quando necessário, não hesitava em matar.

Homens morrem por dinheiro, aves morrem por alimento. Ele carregava um segredo capaz de enriquecer alguém da noite para o dia; não podia haver falhas.

Matar era inevitável, e não era a primeira vez que faziam isso.

— Vá cuidar das mercadorias. Não podemos permitir que algo assim aconteça novamente. Trouxemos apenas algumas reservas extras desta vez, e se a quantidade for insuficiente, o comprador ficará insatisfeito. Certifique-se de que o estoque esteja completo.

— Sim.

O homem fez uma reverência e saiu.

Wu Dao voltou a fumar tranquilamente.

Essas ervas imortais que ele possuía não eram como as de má qualidade vendidas por aí, compartilhadas livremente por todos.

Embora o preço fosse mais alto e eles mais econômicos, para os comerciantes das ervas os lucros eram consideráveis.

Quanto mais pessoas precisassem delas, maior o volume de negócios.

Quando a demanda superasse a oferta, os preços subiriam, e enriquecer da noite para o dia deixaria de ser um sonho.

Enquanto conseguisse trazer essas ervas, o preço poderia subir ainda mais.

Um negócio tão vantajoso assim justificava até mesmo arriscar a vida.

Claro, desde que ele fosse o único a sair vivo.

Wu Dao semicerrava os olhos, sorrindo lentamente.

Para esse dia, havia se empenhado ao máximo, inclusive envolvendo muitas pessoas. Essa jornada não podia falhar.

Se os nobres do convés superior tentassem impedir seu caminho, não hesitaria em derramar sangue naquele navio.

Uma rajada de vento entrou pela janela entreaberta, clareando sua mente.

Ele levantou-se para fechá-la e deitou-se novamente, fumando.

Mal sabia que, ao passar pela janela, o aroma das ervas se espalhou e foi levado pelo vento até o convés superior.

Enquanto isso, Sheng Mingshu, que lia em seu quarto, sentiu um cheiro estranho e franziu o nariz.

— Senhora? Está se sentindo mal? — perguntou Yiqin, oferecendo um lenço.

Sheng Mingshu franziu a testa.

— Não, é um cheiro muito estranho...