Capítulo Setenta e Um: Como Você Quiser
Gu Hézhen vagou pelo mundo todos esses anos e, pela primeira vez, encontrou alguém ainda mais audacioso do que ele, o que o deixou furioso.
— E daí que vocês são muitos? Não vão conseguir me impedir!
Rong Wuwang arqueou as sobrancelhas, seu rosto sereno, como se não desse importância ao que ele dizia; sua voz era calma e firme.
— Ah, é? Tente então.
Sheng Mingzhu observava os dois rivais, reprimindo a fraqueza e a dor que sentia no corpo. Ela conhecia bem as habilidades de Gu Hézhen: em venenos, era dos melhores, mas em lutas, só servia para apanhar.
Ainda mais agora, com tantos guardas de elite do Palácio do Príncipe presentes do lado de fora, ele sozinho não teria chance contra todos.
Rong Wuwang era implacável, não tolerava nem mesmo o menor deslize. Se eles realmente se enfrentassem ali, Gu Hézhen dificilmente conseguiria se manter em Pequim no futuro.
Ela rapidamente avaliou a situação, e ao ver Gu Hézhen sacar agulhas de prata envenenadas, seus olhos se arregalaram de espanto.
— Rong Wuwang!
Ela pressionou o peito, gastando todas as forças para soltar aquele grito. Os olhares dos dois se voltaram para ela: um preocupado, o outro frio e sombrio.
— Vai continuar defendendo ele?
Sheng Mingzhu franziu a testa e engoliu o gosto de sangue que subia à boca, erguendo a mão para selar rapidamente dois pontos de acupuntura. Seu rosto pálido, mas os olhos firmes.
— Não — encarou Rong Wuwang com determinação — quero apenas lhe dizer que me restam poucos anos de vida.
A frase leve, mas impactante, fez o coração de todos estremecer.
— Irmã, pra que tanta explicação? — Gu Hézhen reclamou, mas guardou as agulhas, aproximando-se para tratar Mingzhu.
Rong Wuwang permaneceu junto à porta, o rosto belo e profundo mostrando um instante de confusão.
Mingzhu apertou os lábios.
— O veneno antigo já danificou minha saúde. Se tivesse repousado alguns anos, ainda haveria esperança. Mas essa flecha veio para matar; sobreviver já é um milagre.
Gu Hézhen era discípulo direto do mestre do monte, insuperável na medicina. Não contestou as palavras dela, e um traço de compaixão escapou em seu olhar, o que fez Rong Wuwang cerrar os punhos lentamente.
— O que pode salvá-la? — perguntou sem demonstrar emoção, provocando em Gu Hézhen uma raiva que quase o fez ir até ele para insultá-lo.
E insultou mesmo:
— Só agora você pensa nisso? Antes nem aparecia! E agora se faz de preocupado!
Rong Wuwang lançou-lhe um olhar frio, e Gu Hézhen, desafiador, encarou de volta.
Parecia que os dois estavam prestes a brigar novamente; Mingzhu sentiu um cansaço profundo.
Ela puxou suavemente a manga larga de Gu Hézhen.
— Se realmente quer me salvar, não enfrente o Palácio do Príncipe. Já sou casada; preciso depender do meu sogro para viver daqui em diante. Aparentemente você me defende, mas na verdade me empurra para outro abismo.
Essas palavras eram para Gu Hézhen e também para Rong Wuwang, mostrando que ela não tinha intenção de partir e justificando a atitude de Gu Hézhen.
Ela apostava que Rong Wuwang, por consideração ao passado, permitiria que Gu Hézhen sobrevivesse.
Gu Hézhen, impulsivo mas atento, percebeu sua intenção e ficou ainda mais frustrado.
— Por que não confia em mim uma vez? Se digo que posso te levar, é porque posso!
— Gu Hézhen! — Mingzhu repreendeu com firmeza — Está querendo morrer? Esqueceu o último desejo do mestre?
Os olhos de Gu Hézhen vacilaram, e seu rosto tornou-se visivelmente sombrio.
Ela se apoiou e aproximou-se de Rong Wuwang.
— Ele não tem má intenção, só estava preocupado comigo e acabou desafiando o senhor. Peço que seja magnânimo e não se zangue com ele.
Seu olhar era franco, sua posição já declarada; se Rong Wuwang insistisse, pareceria mesquinho.
Ele sorriu levemente; para protegê-la, ela estava usando todos os recursos.
— Você pediu, então é assim que será.
A frase soava como se ele fosse generoso com Mingzhu, mas, no fundo, tudo dependia de sua vontade.
Rong Wuwang segurou o pulso de Mingzhu, passou o braço pelos ombros frágeis dela, e passou provocativamente ao lado de Gu Hézhen.
Com movimentos suaves, tirou o manto dos próprios ombros e o colocou sobre Mingzhu, ajeitando cuidadosamente sua gola antes de se sentar no trono ao lado.
Temendo o temperamento imprevisível dele e preocupada com Gu Hézhen ainda não estando seguro, Mingzhu decidiu sentar-se ao lado de Rong Wuwang. Mas, de repente, ele a puxou com força.
Ela confiava que ele não a machucaria, mas mesmo preparada, o gesto a surpreendeu.
Rong Wuwang abriu as pernas e a acomodou entre elas, segurando-a para que se sentasse em sua coxa.
Gu Hézhen observou a cena, involuntariamente franzindo as sobrancelhas.
Antes eles apenas fingiam diante dos outros, mas agora, diante de Gu Hézhen, irmão de infância, Mingzhu sentiu-se envergonhada, querendo levantar-se, mas Rong Wuwang a segurou firme pela cintura.
O gesto era evidente; se Mingzhu insistisse em sair, ele poderia desconfiar e irritar-se. Além disso, os comportamentos extravagantes de Gu Hézhen já haviam dado a ela a fama de “princesa libertina”.
Já que o orgulho dura apenas um dia, ela decidiu não se incomodar, relaxando e apoiando-se totalmente na perna de Rong Wuwang.
Se alguém queria se exibir, o desconforto não era dela.
Sentindo seu corpo relaxar, Rong Wuwang também diminuiu a força, beliscando levemente sua cintura.
Ela estava cada vez mais magra, sem um grama de gordura.
Mingzhu olhou surpresa para ele, sem acreditar.
Mesmo nesse momento, ele não perdia a chance de tocá-la; realmente, quando o desejo falava mais alto, nada mais importava.
Rong Wuwang percebeu o mal-entendido, seus olhos longos e escuros com um toque de provocação, sem intenção de explicar.
Gu Hézhen, na posição perfeita para observar tudo, registrou cada gesto dos dois. Seus olhos de raposa, antes brilhantes, tornaram-se opacos, e ele desviou o olhar.
— Você realmente tem um jeito de salvá-la?
Quanto mais detestável, mais se aproximava; aquele eunuco fazia de propósito!
Gu Hézhen sorriu com desprezo:
— E daí? Vai deixá-la ir comigo?
Rong Wuwang ignorou, envolvendo a cintura dela, os dedos brincando com os dela, cobrindo sua mão com a própria.
— Qual é o método?
Gu Hézhen zombou:
— Você está louco ou eu? Por que eu deveria te contar?
O comentário imprudente deixou Mingzhu preocupada, temendo que Rong Wuwang perdesse a paciência e o matasse ali.
Mas ele manteve o rosto impassível, os dedos acariciando a mão de Mingzhu, causando-lhe cócegas e vontade de se afastar, mas ele a segurou com firmeza.
O que ele estava tramando? Mingzhu olhou intrigada, até que ouviu a voz ao seu lado:
— Se o que diz for verdade, deixarei que ela vá com você.