Capítulo Sessenta e Nove: A Captura
Há muitos médicos experientes no palácio, todos os remédios necessários estão disponíveis, e eu fico mais tranquilo deixando a Princesa aqui. Quando ela estiver melhor, ordenarei que a leve de volta para casa.
A voz de Sheng Mingzhe era a de um soberano. Diante do temperamento firme de Rong Wumang, que talvez dissesse algo desrespeitoso, antes que a situação se agravasse, Sheng Mingshu esforçou-se para abrir a boca, apesar do mal-estar.
— Isto nada tem a ver com o senhor; os assassinos vieram para atacá-lo, o senhor também é vítima. Sei que Vossa Majestade se preocupa comigo, mas prometo cuidar de mim mesma e mandarei notícias frequentes ao palácio para sua tranquilidade, está bem assim?
Vendo a irmã insistir, Sheng Mingzhe não teimou mais e deixou os dois partirem.
— Você realmente o protege — Rong Wumang caminhava devagar, carregando-a nos braços, temendo machucá-la.
Sheng Mingshu esboçou um leve sorriso.
— O imperador é meu único parente neste mundo, meu único apoio; só podemos contar um com o outro. Ele tem um coração bondoso, mas os assuntos do governo ainda estão nas mãos da imperatriz viúva. Não o assuste tanto.
— Ele é o herdeiro do trono, quem ousaria assustá-lo? — Rong Wumang apertou os lábios; sua voz era grave, mas clara. — Nossa família lhe deve duas vidas. Se não se importar, também posso ser seu apoio.
Os cílios de Sheng Mingshu tremeram; ela repousou a cabeça no peito dele, sorrindo em silêncio.
Promessas de homens, às vezes, basta ouvir pela metade. Ela não permitiria confiar cegamente em um homem, pois isso seria o verdadeiro abismo.
Voltaram de carruagem para casa.
Sheng Mingshu, desde que retornou à cama, não tocou o chão com os pés; pela primeira vez experimentou a sensação de ser mimada.
Yiqin entrou com os olhos inchados de tanto chorar, trazendo o remédio recém-preparado e, colher por colher, alimentou Sheng Mingshu.
Vendo os olhos da jovem inchados como os de um peixe-dourado, Sheng Mingshu não conteve o sorriso e a consolou:
— Sua senhora escapou da morte e terá boa sorte daqui em diante. Não chore, menina, você fica feia assim.
Yiqin, tocada pela brincadeira, não pôde deixar de fazer uma careta séria.
— Desde que entrou na mansão, a princesa nunca cuidou de si mesma. Diga-me, quantas vezes se feriu este ano? Em todas, arriscou a vida. Antes foi pelo senhor, agora, para salvá-lo novamente...
Sheng Mingshu puxou levemente a manga da criada, sinalizando para que não continuasse.
— Então você está me culpando, é? Não teme ser punida por mim?
Rong Wumang, que permanecia ao lado da cama, escutou as palavras de Yiqin.
De fato, ela já fizera tanto por ele, planejara tanto...
— Yiqin — disse ele em tom calmo, ao que ela se curvou respeitosamente —, você é leal e serve há anos a princesa. Daqui em diante, aprenda artes marciais com Ping'er e An'er. Elas foram treinadas desde pequenas na mansão com os guardas secretos; entre as mulheres, são as melhores.
— Se aprender bem, poderá proteger a princesa, e não ficará apenas olhando sem poder fazer nada.
Yiqin arregalou os olhos; metade de sua vida aprendera etiqueta palaciana e servir sua senhora. Como poderia lidar com espadas e artes marciais? Era evidente que ele queria se vingar do que ela acabara de dizer.
Sem ter como protestar, Yiqin olhou para Sheng Mingshu, quase chorando.
A princesa fez um sinal para que ela se retirasse e, olhando para a estátua de Buda ao lado da cama, suspirou.
— Yiqin não teve má intenção, por que brinca assim com ela?
Rong Wumang sentou-se e ajeitou uma mecha do cabelo de Mingshu.
— Não estou brincando, falo sério.
Os olhos de Mingshu ficaram surpresos; não pôde evitar pensar consigo mesma: "Que homem mais rancoroso".
— Diga o que quiser — respondeu ele, sorrindo cheio de carinho.
Assim, a questão do treino de Yiqin estava decidida.
Entre eles, a atmosfera tornara-se mais íntima do que antes.
O olhar de Mingshu brilhou; na porta do palácio, ela quis tratar de outro assunto com Rong Wumang. Umedeceu os lábios secos e puxou o dedo dele.
— Hoje, ao eliminar seus inimigos na corte, tudo correu bem? Está satisfeito?
Ela nunca falaria isso sem motivo. Rong Wumang a encarou, intrigado.
— Que plano você está tramando agora?
Ela sorriu suavemente.
— Não vou ocultar. Apesar do atentado, tive a chance de pedir uma recompensa. Soube que o imperador anterior lhe concedeu uma montanha, que está abandonada. Pode dá-la para mim?
Rong Wumang lembrou-se do ocorrido. Quando jovem, gostava de caçar, e o imperador, querendo se aproximar dele, concedeu-lhe uma montanha. Com o tempo, a situação mudou, ele perdeu o interesse e o lugar foi abandonado.
Com seus belos olhos, Rong Wumang a observava enquanto Sheng Mingshu falava.
— Se decidir me dar, não pode perguntar para que servirá, nem questionar nada. Retire todos os seus homens. Considere como compensação pela flecha que levei hoje.
— Você não perde uma chance de me ganhar — ele disse, resignado. — Se quer, é sua.
Os olhos de Mingshu brilharam; ela envolveu o dedo dele.
— Então está combinado. Dada, é minha. Não pergunte mais.
Antes, mesmo que fosse algo inútil, Rong Wumang jamais cederia; precisava de controle absoluto. Mas agora, diante do olhar brilhante dela, ele sorriu e disse apenas:
— Está bem.
Enquanto conversavam, ouviram ao longe passos ritmados de soldados marchando pelo pátio. Em seguida, um comandante com armadura prateada, espada à cintura, ajoelhou-se à porta.
— Senhor! O homem foi capturado!
O olhar de Sheng Mingshu escureceu, sabendo tratar-se do caso dos assassinos.
Rong Wumang cobriu-a com o edredom, acariciou-lhe o rosto.
— Descanse bem.
Ela sorriu gentilmente; os assuntos dos homens, ela não interferiria.
— Vá, tenha cuidado.
Rong Wumang levantou-se; ainda havia sangue de Mingshu em sua roupa oficial. Os olhos frios, saiu e viu o pátio repleto de guardas.
— Deixem dois para proteger, os demais, aos seus postos.
— Sim!
Na masmorra úmida e escura, um homem estava acorrentado a uma tábua, o corpo coberto de sangue e feridas, cercado por instrumentos de tortura assustadores.
Rong Wumang sentou-se a um metro de distância, paciente.
— Depois de tanto tempo, ele não falou nada?
Os guardas responderam:
— Ele só quer morrer, não abre a boca de jeito nenhum.
— Morrer é fácil, acaba logo com o sofrimento — Rong Wumang levantou os olhos, sombrios. — O correto é fazê-lo desejar estar morto.