026【Eu sigo as ordens do senhor】

Imperador Wang Ziqiun 3205 palavras 2026-01-30 16:13:49

Fei Yinhuan partiu rapidamente, juntando-se a Hu Mengtai para subir a montanha em direção ao colégio situado na encosta, onde se dedicariam ao estudo. Restaram apenas Zhao Han, Fei Ruhe e o pajem Fei Chun.

Fei Ruhe tinha onze anos, provavelmente devido ao excesso de comida, crescendo alto, robusto e rechonchudo. Com um físico desses, seria um desperdício não praticar artes marciais; era o tipo ideal para um general, pois os grandes comandantes da Antiguidade eram todos corpulentos. Já o pajem Fei Chun, ao contrário, tinha feições delicadas, herança dos excelentes genes dos pais — seu pai antes fora pajem do jovem senhor, sua mãe, criada da velha senhora, ambos escolhidos a dedo pela aparência.

Quando patrão e servos estavam juntos, Fei Chun parecia mais um senhorzinho, enquanto Fei Ruhe tinha todo o ar de um acompanhante. Vendo Fei Yinhuan afastar-se, Fei Ruhe esboçou um sorriso sarcástico, cruzou os braços sobre o peito e semicerrando os olhos, olhou Zhao Han com desdém.

Aquele jovenzinho não era, evidentemente, nenhum tolo; só não empregava a esperteza nos estudos. Diante do pai, mostrava-se submisso, mas entre as crianças devia ser um pequeno tirano, sempre a importunar os outros, jamais sendo importunado. Fora liberado da escola em meio às aulas.

Zhao Han sorriu e lembrou-lhe gentilmente: “Senhorzinho, está na hora de voltar ao salão de estudos.” Fei Ruhe manteve o sorriso frio, sem responder; depois de uma longa espera, virou-se e fez um sinal com a boca para Fei Chun.

Fei Chun finalmente entendeu e bradou, em tom severo: “Atrevido! Ainda não se ajoelhou para saudar o senhor? Não pense que o jovem senhor vai sempre protegê-lo; aqui no Colégio Pérola, o senhorzinho é o seu dono! E lembre-se: eu sou o pajem principal, você é o secundário, daqui em diante obedecerá a mim!”

Zhao Han fingiu um olhar assustado e perguntou: “Senhorzinho, é mesmo assim?”

“Senhor é senhor, pajem é pajem”, Fei Ruhe ergueu o punho em ameaça. “Daqui pra frente, vai obedecer direitinho. Se meu pai perguntar, diga que me esforço muito, só que sou lerdo. Meu pai mandou que você me supervisionasse nos estudos e disse até que pode me bater, mas não leve isso a sério. Se não acredita, tente me bater...”

Mal terminou de falar, Zhao Han desferiu-lhe um pontapé.

O peso de Fei Ruhe era tanto que, mesmo sem Zhao Han usar força total, não caiu de imediato. Recuou dois passos, olhou a marca do pé no peito e, atônito, disse: “Você teve coragem de me bater?”

Zhao Han fingiu confusão e devolveu: “Senhorzinho, não foi o senhor que mandou obedecer?”

Fei Ruhe, irritado, retrucou: “Eu não disse pra bater de verdade!”

“Mas eu levei a sério”, respondeu Zhao Han.

Fei Ruhe exclamou, furioso: “Você é louco?”

Zhao Han então inclinou a cabeça, simulando ser meio retardado: “Obedeci à ordem do senhorzinho de bater no senhorzinho, onde está o erro?”

De fato, não parecia haver erro algum, mas Fei Ruhe estava prestes a explodir de raiva.

Fei Chun apressou-se em alertar: “Senhorzinho, esse desgraçado está zombando de você!”

“Eu sei disso, não preciso que me diga!” Fei Ruhe, já vermelho de raiva, ergueu o punho e avançou para cima de Zhao Han. “Agora você vai apanhar!”

Era evidente que o menino tinha algum treino; seus movimentos eram firmes e o soco, bem direcionado, foi direto ao rosto de Zhao Han.

Zhao Han ergueu o braço para se defender, sentindo o osso latejar; o gordinho era realmente forte! Outro soco veio, Zhao Han esquivou-se de lado e golpeou de volta no flanco macio.

Fei Ruhe não se esquivou, ao contrário, recuou o braço para laçar o pulso de Zhao Han, enquanto a outra mão avançava rápido, tentando agarrá-lo para derrubá-lo.

Zhao Han livrou-se e, em seguida, virou-se e fugiu.

Não eram do mesmo peso; só um tolo enfrentaria corpo a corpo. Melhor correr em volta do pavilhão e cansá-lo.

“Não fuja!”

Fei Ruhe o perseguiu furioso, ambos correndo em volta do quiosque. Fei Chun, satisfeito, assistia à cena e ainda incentivava: “Senhorzinho, acabe logo com ele, dê-lhe um soco mortal!”

Depois de duas voltas ao redor do pavilhão, Zhao Han mudou de direção e correu para cima de Fei Chun, desferindo-lhe um chute certeiro no peito.

“Não venha... ai!” Fei Chun, que apenas observava, levou o chute e caiu de costas, braços e pernas para o ar, sentindo-se sufocado, incapaz de se levantar.

Fei Ruhe vinha logo atrás, gritando: “A briga é entre nós dois, por que bate nele?”

“Falam demais, incomodam!” respondeu Zhao Han, correndo.

Fei Ruhe gritou: “Se é homem, pare de fugir e lute comigo!”

“Se for capaz, me alcance!”, replicou Zhao Han, ainda decidido a continuar a perseguição.

Continuaram a correr em torno do pavilhão, Fei Ruhe demonstrando grande resistência física.

“Outra vez?” Fei Chun, que mal tinha se levantado, viu Zhao Han vir em sua direção e fugiu assustado.

“Lute comigo, pare de persegui-lo!”

“Isso mesmo, não venha atrás de mim!”

“Pois vou perseguir, se tem coragem, não fuja!”

“Seu idiota, você que não tem coragem!”

“Briguem entre vocês, só me deixem fora disso, pode ser?”

“...”

Fei Ruhe perseguia Zhao Han, que perseguia Fei Chun, e, no fim, já não se sabia mais quem corria atrás de quem.

De repente, Zhao Han segurou no corrimão, usou o impulso e saltou para dentro do pavilhão.

Fei Ruhe diminuiu o passo, tentou pular atrás, mas logo que estava a meio caminho, tudo escureceu diante dos olhos.

Zhao Han, em cima do banco do pavilhão, aproveitou a altura e desferiu-lhe um pontapé no rosto, deixando a marca do sapato na cara do pequeno senhorzinho.

Determinado a não perder a vantagem, Zhao Han ainda emendou mais dois chutes, deixando Fei Ruhe tonto. Percebeu então que o garoto era resistente, difícil de machucar.

Fei Ruhe protegeu o rosto com os braços e recuou, buscando abrir distância.

Zhao Han saltou o corrimão e continuou o ataque, acertando o abdômen desprotegido de Fei Ruhe, que imediatamente levou as mãos à barriga, expondo novamente o rosto gorducho.

“Pof!”

Um soco no nariz, sangue jorrou.

Fei Chun, à frente, arfava assustado e gritou: “Você... você... que ousadia... fez o senhorzinho sangrar!” E, de repente, virou-se e correu: “Se for pra bater no senhor, bata só nele, por que me persegue também? Ai!”

Zhao Han largou Fei Ruhe e foi atrás do pajem, que acabou sendo espancado até se encolher no chão, protegendo a cabeça com as mãos.

Fei Ruhe, enfim recobrado, berrou tapando o nariz: “Desgraçado, vou te matar!”

“Venha, se conseguir me alcançar, pode bater à vontade”, provocou Zhao Han.

E lá foram eles outra vez, correndo ao redor do pavilhão. Depois de duas voltas, Zhao Han voltou a saltar para dentro.

Fei Ruhe, sem tanta agilidade, temendo outra emboscada, parou do lado de fora e gritou: “Venha pra fora!”

“Entre você!” riu Zhao Han, claramente se divertindo.

Fei Ruhe, furioso, correu em volta do pavilhão e entrou, mas Zhao Han já tinha saltado para fora.

Fei Ruhe, já à beira de um ataque de nervos, rugiu: “Entre aqui!”

Zhao Han respondeu rindo: “Venha você para fora!”

“Não saio daqui!”

Zhao Han, então, ignorou-o e foi atrás de Fei Chun.

“Uuuh, uuuh...” Fei Chun, ao ser alcançado, desatou a chorar, cheio de mágoa: “Você está brigando com o senhorzinho, por que sempre bate em mim? Ai, não bata mais, pelo amor de Deus!”

Fei Ruhe, do pavilhão, indagou: “É mesmo, por que bate nele?”

Zhao Han, com toda razão, explicou: “Você é difícil de bater, ele é fácil, lógico que escolho o alvo mais fraco. Não percebe a lógica?”

Tinha mesmo lógica, e Fei Ruhe ficou sem resposta.

Fei Chun, agarrado à cabeça, chorava: “Senhorzinho, salve-me, ele vai me matar!”

Fei Ruhe, já raciocinando friamente: “Se eu for te salvar, ele com certeza foge e volta a te bater depois. Já que vai apanhar de todo jeito, é melhor eu economizar minhas forças.”

“Senhorzinho, que sabedoria!” elogiou Zhao Han.

Fei Chun chorava em desespero: “Por que não paramos com essa briga, está bem?”

“De jeito nenhum!” Fei Ruhe recusou na hora.

“O senhorzinho disse que não, então obedeço”, Zhao Han continuou a bater.

Fei Chun, soluçando: “Senhorzinho, ele te escuta, diga para parar, senão vou morrer!”

Fei Ruhe, já de cabeça doendo e completamente desarmado, exclamou: “Chega, chega, parem já!”

“Obedeço, senhorzinho.” Zhao Han levantou Fei Chun com cuidado e perguntou, atencioso: “Irmão Fei Chun, doeu muito? Quer que eu massageie?”

Fei Chun, com o rosto inchado, forçou um sorriso: “Obrigado pela preocupação, irmão, não doeu nada.”

Zhao Han riu: “Senhorzinho, Fei Chun disse que não doeu, então fui cuidadoso. Afinal, somos irmãos, não se pode guardar rancor; da próxima vez, bato igual.”

“Não vai ter próxima! Nunca mais brigamos”, apressou-se Fei Chun. “Briga feita, agora somos irmãos.”

Ouvindo seus dois pajens conversarem assim, Fei Ruhe não sabia se ria ou se chorava. Apontou para Zhao Han e disse: “Você é engraçado, gostei de você, vou aceitá-lo como meu pajem.”

Zhao Han virou adulador na hora: “Senhorzinho, sua força é imensa, sua habilidade marcial notável, admiro muito!”

Fei Ruhe ficou satisfeito, rindo alto: “Vamos para o bambuzal brincar. Vejo que tem talento, daqui em diante vai treinar comigo todo dia!”

Zhao Han apontou para a sala de aula: “Senhorzinho, ainda estão tendo aula no salão.”

“Aula do quê?” Fei Ruhe, impaciente, retrucou. “Mal consegui sair, não vou me entregar de novo!”

Zhao Han disse: “Vou anotar, senhorzinho faltou à aula hoje.”

Fei Ruhe ficou furioso: “Merece apanhar!”

Zhao Han sorriu, cerrando os lábios.

Fei Chun tremia de medo, rosto desolado: “Senhorzinho, melhor voltarmos a estudar. Amanhã treinamos artes marciais, não custa esperar.”