Velho Amor

Imperador Wang Ziqiun 3275 palavras 2026-01-30 16:14:57

Antes de o arco das mulheres virtuosas ser erguido, Dona Chen e Yuanjian Fei estavam hospedados temporariamente no colégio. Quanto à casa, Yuanlu Fei já havia mandado lacrar as portas.

Depois de muitos dias de pensamentos turbulentos, Yuanjian Fei finalmente encontrou Dona Chen e não pôde evitar perguntar:
— Você é mesmo minha mãe de sangue?

Dona Chen, segurando um rosário nas mãos, respondeu de modo ambíguo:
— Meu filho, seja ou não, daqui em diante só pode ser assim. Nós dois não temos outra escolha.

Yuanjian Fei pensou por um instante, sem conseguir entender, e mudou de abordagem:
— Então... minha antiga mãe, era realmente minha mãe verdadeira?

— Ela morreu por sua causa; seja ou não, você precisa reconhecê-la no coração. Saber ser grato e retribuir, entendeu esse princípio? — Dona Chen ainda não queria esclarecer totalmente.

Yuanjian Fei quase enlouqueceu e foi direto ao ponto principal:
— Então, quem afinal é meu verdadeiro pai?

Dona Chen se levantou, aproximou-se, afagou-lhe delicadamente a cabeça e disse em voz baixa:
— Lembre-se, não importa quem seja seu verdadeiro pai. O importante é que, do começo ao fim, você só pode ter aquele como pai. Se alguém lhe procurar no futuro, não o reconheça; mande embora.

O rosto de Yuanjian Fei empalideceu imediatamente, pois finalmente compreendeu: ele era realmente um filho ilegítimo!

Não era de se admirar que as últimas palavras de sua mãe não culpassem os caluniadores, apenas dissesse que fora forçada à morte pelos membros do clã; no fim, os caluniadores haviam acertado por acaso.

Dona Chen voltou caminhando até a cadeira, mexendo nas contas do rosário, e murmurou suavemente:
— Sente-se para conversarmos.

Yuanjian Fei se sentou obedientemente, pela primeira vez observando com atenção sua nova mãe.

Dona Chen não passava dos trinta e poucos anos, vivia à luz de lamparinas e entre recitais budistas, e sua pele era um tanto pálida. Não usava maquiagem nem adornos, mas seu rosto delicado ainda refletia alguma graça, e os olhos negros pareciam penetrar a alma.

Quando o olhar dela recaiu sobre ele, Yuanjian Fei rapidamente baixou a cabeça, sem ousar encará-la, sentindo no íntimo um certo respeito e temor.

Dona Chen suspirou e disse:
— Sei que você resiste a isso em seu coração, mas sua mãe, antes de morrer, confiou você a mim e pediu que se ajoelhasse para me reconhecer como mãe. Eu e você agora somos um só; daqui em diante, serei sua mãe amorosa.

— Mãe.

Yuanjian Fei pronunciou a palavra com certo constrangimento.

Dona Chen sentiu-se confortada e sorriu com ternura, advertindo:
— De agora em diante, não pode mais agir de modo impulsivo ou imprudente.

— Seu filho entende. — Yuanjian Fei, depois de tudo o que passou, ainda que não tivesse amadurecido, sabia que não podia mais manter suas antigas posturas.

Dona Chen explicou com cuidado:
— A herança deixada por sua mãe, o mais valioso não são os bens, mas sim o frio e imponente arco das mulheres virtuosas. Enquanto o arco permanecer de pé, ninguém ousará tocar em você, um órfão.

Yuanjian Fei ficou em silêncio, tomado por uma emoção súbita, quase chorando.

Dona Chen prosseguiu:
— Yuanlu Fei, diretor da Academia Pérola, obteve grandes benefícios nesta situação e agora tem prestígio até maior que o do chefe do clã; ele precisa proteger você. Aproveite-se disso, compreende?

Yuanjian Fei escutava atentamente, assentindo várias vezes.

Dona Chen acrescentou:
— Tanto o arco das mulheres virtuosas quanto Yuanlu Fei só podem protegê-lo por um tempo. Você precisa se esforçar para se destacar, entendeu?

— Mas eu realmente não sou bom nos estudos — lamentou Yuanjian Fei.

— Ainda que seja difícil, precisa ao menos passar no exame para letrado — insistiu Dona Chen. — Com um título, poderá gastar para obter uma recomendação oficial; nem que gaste toda a herança, tem que garantir um cargo, nem que seja pequeno. Se continuar escondido em Qianshan, só vai apodrecer aqui; de todo modo, precisa sair deste lugar.

Yuanjian Fei refletiu; de fato, não queria permanecer em Qianshan, onde tantos o desprezavam.

Dona Chen instruiu:
— O aluno que você assustou melhorou um pouco; vá até ele e peça desculpas pessoalmente.

— Por que eu deveria pedir desculpas? — Yuanjian Fei voltou ao velho temperamento, ainda exibindo sua arrogância.

Dona Chen aconselhou:
— Você não é bom nos estudos, e os outros membros do clã não têm intimidade com você; quem vai ajudá-lo no futuro? Você foi rebelde e carrega más reputações; precisa cultivar sua virtude. Seja para mostrar aos outros ou por verdadeira mudança, deve respeitar os mais velhos, ser amigável com o clã, unir-se aos colegas e tratar os vizinhos com generosidade. Assim, será visto como alguém virtuoso e filial; se alguém tentar tomar sua herança, ao menos hesitará diante da opinião pública. Se agir como antes, quando perder tudo, os outros ainda vão aplaudir.

Essas palavras foram incisivas. Combinando com tudo o que passara, Yuanjian Fei admirou-se sinceramente:
— Mãe, seu ensinamento é justo. Guardarei isso no coração.

Dona Chen sorriu:
— Ouvi dizer que aquele aluno é muito inteligente; aproxime-se dele. Na verdade, deve fazer amizade com todos os jovens promissores. Se fizer as pazes com aquele aluno, os outros verão que você mudou. Vá logo!

— Obedecerei, mãe. Estou indo — respondeu Yuanjian Fei, apressando-se a sair.

No fundo, ele queria fazer amigos, afinal, ainda era apenas um adolescente. Até seus antigos camaradas, e até mesmo o pajem com quem crescera, haviam fugido com suas famílias e levaram muitos bens da casa. Precisava de amigos, ao menos para ter com quem conversar e brincar.

Embora só convivesse com Dona Chen há poucos dias, Yuanjian Fei estava disposto a seguir seus conselhos.

“Tum, tum, tum!”

Pouco depois que Yuanjian Fei saiu, alguém bateu à porta.

Dona Chen só tinha uma criada de confiança, que havia ficado em casa para cuidar do lar e não a acompanhara à Academia Pérola.

Ela mesma foi abrir a porta e, ao ver quem era, apressou-se a fechá-la de imediato.

— Senhorita!

Wei Jianxiong esticou o braço, impedindo-a, e com sua força abriu a porta à força:
— Senhorita, não sou nenhum bandido; por que tanto medo?

Dona Chen recuou alguns passos, já sem a compostura de antes:
— Por favor, vá embora.

Wei Jianxiong, um homem rude, confessou timidamente:
— Desde que o senhor foi exilado para as fronteiras, procurei a senhorita por três anos, desde Yangzhou até Qianshan. A senhorita não quis me ver nem conversar; por isso, tornei-me servo na Lagoa dos Gansos. Nestes mais de dez anos, só esperei pelo Festival das Almas para, na ocasião em que a senhorita fosse ao templo, poder vê-la de longe, nem que fosse por alguns instantes...

— Pare com isso, vá embora! — Dona Chen estava visivelmente nervosa.

Wei Jianxiong continuou:
— Sei que sou humilde e não espero nada além disso. O senhor, no passado, salvou a mim e minha mãe; minha vida pertence à família Chen...

— Vá embora! — Dona Chen virou-se e gritou em voz baixa, ofegando de ansiedade.

Wei Jianxiong, mordendo os lábios, reuniu coragem:
— Senhorita, até hoje não me casei nem conheci mulher. Sempre que acompanhei o jovem Fei às casas de chá, mesmo que ele me oferecesse mulheres, sempre me mantive puro; nunca sequer toquei nas mãos delas...

— Insolente! Saia daqui!

Por fim, Dona Chen perdeu o controle, tremendo de raiva, e atirou o rosário em Wei Jianxiong.

Ele o pegou com as mãos, guardando-o cuidadosamente no peito, e se retirou do quarto dizendo:
— Senhorita, se houver algum problema, mande avisar. Mesmo que custe minha vida, certamente ajudarei. Se a senhorita não quiser permanecer em Qianshan, eu a levarei para outro lugar. Consegui juntar algum dinheiro nestes anos; poderíamos recomeçar em outro lugar...

— Saia!

Dona Chen não se conteve e gritou com fúria.

Wei Jianxiong, sem ousar insistir, fechou a porta e saiu correndo, envergonhado.

Dona Chen ajoelhou-se, juntou as mãos em oração, o peito arfando, e recitou de olhos fechados:
— Assim ouvi. Certa vez, o Buda estava no reino de Shravasti, no bosque de Jeta, no jardim de Anathapindika...

Era evidente que aquele encontro secreto não era o primeiro entre os dois.

...

Histeria, nome técnico “transtorno dissociativo conversivo”, ocorre devido a intenso abalo emocional, e na maioria dos casos se resolve espontaneamente em até um ano.

No “Clássico dos Literatos”, Fan Jin ficou louco de felicidade ao ser aprovado no exame imperial e, com um tapa, voltou ao normal — também um caso de histeria.

Nas duas primeiras semanas, Xu Ying se isolou completamente.

Se lhe davam comida, comia, mas não conversava com ninguém, apenas recitava livros sem parar, e ainda sabia procurar o banheiro sozinho.

Depois de terminar os “Analectos”, recitava “A Grande Aprendizagem”; depois deste, voltava aos “Quatro Livros Menores”.

Os Quatro Livros Menores não eram simples; embora fossem textos introdutórios, abrangiam inúmeros temas. Não era exigido decorá-los, bastava compreendê-los para moldar a visão de mundo e os valores dos estudantes.

Xu Ying conseguiu decorar todo o conteúdo, palavra por palavra, do início ao fim. Quando chegou ao “Cinco Caracteres para Discernimento”, que não possuía, memorizou apenas alguns trechos ouvindo os outros.

Então, Xu Ying foi pedir ao professor Pang Chunlai:
— Mestre, “corpo de serpente e cabeça de boi, dinastia sem literatura, quais são os versos seguintes?”

Pang Chunlai ficou surpreso e logo exultou:
— Sua histeria passou?

Xu Ying também se espantou, arregalou os olhos e balbuciou:
— Eu... eu...

— Está bem, está bem, não pense mais nisso — Pang Chunlai apressou-se em consolá-lo.

Naquele entardecer, Pang Chunlai dava aulas extras de matemática para Zhao Han, Ru He Fei e Xu Ying, enquanto Chun Fei cochilava ao lado.

De repente, Yuanjian Fei entrou e fez uma reverência a Pang Chunlai:
— Mestre, no passado fui rebelde e causei desordem na aula; peço perdão.

O mestre, por ter cometido uma falha, ficou desconfiado e apenas assentiu:
— Reconhecer o erro e corrigi-lo é virtude suprema.

Yuanjian Fei virou-se para Xu Ying e fez uma reverência:
— Colega Xu, não deveria ter lhe intimidado; perdoe minha insensatez.

— Não precisa pedir desculpas, está perdoado — respondeu Xu Ying, ainda temeroso, pois só de ver Yuanjian Fei sentia medo.

Yuanjian Fei também saudou Zhao Han, Ru He Fei e até Chun Fei:
— Colegas, de agora em diante me esforçarei nos estudos; só espero poder ser amigo de todos vocês.

Zhao Han, instintivamente, olhou para Pang Chunlai; mestre e aluno se entreolharam, sem entender o que se passava.

Zhao Han então riu, levantou-se e segurou a mão de Yuanjian Fei:
— Somos todos colegas, não há por que tantas formalidades. Sente-se logo e venha estudar matemática conosco.

Depois de ser repelido e ridicularizado por tantos, Yuanjian Fei ficou imensamente feliz ao ser o primeiro a ser aceito por Zhao Han, passando a vê-lo com grande apreço.

Entretanto, no íntimo, Zhao Han ficou ainda mais vigilante: fazer alguém perder o pai e levar outra à morte da mãe era um ódio irreconciliável.

E, para sua frustração, Pang Chunlai insistia para que ele estudasse matemática, dizendo que seria útil para comandar exércitos no futuro...