040【Técnica Celestial?】

Imperador Wang Ziqiun 3148 palavras 2026-01-30 16:15:13

Mais um entardecer se aproxima.

Após o fim das aulas, Fei Chun foi incumbido de esperar na cantina para pegar a comida, enquanto Pang Chunlai, acometido por dores de barriga, correra ao banheiro.

Fei Yuanjian permanecia na sala de aula, inquieto, como se sofresse de hiperatividade. Não queria ter de estudar aulas extras todos os dias, mas, excetuando Zhao Han e alguns outros, os colegas não brincavam com ele; alguns ainda o ridicularizavam ao vê-lo.

É tão difícil assim ser um bom aluno?

A situação de Fei Ruhe não era diferente: folheava o "Compêndio de Algoritmos", mas seus pensamentos já haviam voado para longe — matemática era ainda mais difícil que os clássicos.

Por fim, não se conteve e disse:
— O mestre foi ao banheiro há tempos e não voltou. Deve estar com dor de barriga. Acho que hoje podemos dispensar a matemática.

— Pois é, pois é, não precisamos mais estudar! — apressou-se em concordar Fei Yuanjian. Ele estava ali para fazer amigos, não para ralar nos estudos. Com sua base de conhecimento, se quisesse mesmo se esforçar, teria que voltar ao jardim de infância e recomeçar pelos livrinhos infantis.

Xu Ying não ousava dizer nada. Já não sentia tanto medo, mas ainda havia um abismo separando-o dos filhos de famílias abastadas.

Zhao Han sorriu:
— Então, por que não vão treinar artes marciais no bambuzal?

Fei Ruhe, que já se levantava, tornou a se sentar, rindo sem graça:
— Se você não vai, então eu também fico por aqui.

Ele também estava com a consciência pesada, pois participara na confecção dos cartazes, e não ousava ficar a sós com Fei Yuanjian.

— Haha, então eu também fico para estudar — concordou Fei Yuanjian, com um sorriso tolo. Não tinha mesmo para onde ir. Havia feito muitos inimigos entre os colegas e, caso se afastasse do grupo, era alvo fácil para uma surra coletiva.

Fei Chun correu para lá e para cá, até finalmente trazer as refeições de todos.

Pouco depois, Pang Chunlai voltou à sala, pegou seus hashis e disse:
— Vamos comer enquanto estudamos. A matemática é mais útil do que os clássicos. No futuro, seja para serem oficiais locais, marchar em campanha ou administrar os negócios da família, a matemática será indispensável.

— Sim — responderam Fei Ruhe, Fei Yuanjian e Fei Chun, cabisbaixos e desanimados.

Xu Ying, ao contrário, sentou-se corretamente, ansioso por aprender algo novo.

Quanto a Zhao Han, permaneceu calado durante todo o tempo, mergulhado no estudo dos termos técnicos antigos.

Por exemplo, "comprimento" e "largura", que muitas vezes eram chamados de "amplitude" e "profundidade". Se não se entendesse essa nomenclatura, por melhor que fosse em matemática, não entenderia nem o enunciado do problema.

Ou ainda as unidades de tempo: horas, quartos-de-hora, vigílias, períodos.

Um dia tinha doze horas, sendo cada hora equivalente a duas horas modernas. Isso todos sabiam.

A contagem dos quartos-de-hora, porém, era mais complicada: antes, um dia tinha cem quartos, depois, com a chegada dos relógios ocidentais, passou para noventa e seis. Ouviu dizer que em Pequim sugeriram mudar para cento e oito — uma confusão só.

Além disso, havia unidades pouco usuais como segundos, mang, hu e outras.

Zhao Han ficou surpreso ao descobrir que, na China antiga, já existia a semana, em uso há dois mil anos.

A semana comum tinha sete dias; a semana embolismal, oito. Na época de Qin e Han, servia para definir os dias de trabalho: os funcionários do governo trabalhavam apenas seis dias por semana. Devido à dificuldade nos cálculos dessas semanas, acabaram por abandoná-las, preferindo dividir o mês em três períodos de dez dias, mais simples e direto.

A palavra "semana" também existia, mas designava especificamente o sétimo dia do sétimo mês, e passou a ser usada como data de casamento.

Aproxima-se a semana — aproxima-se o casamento.

Zhao Han já dominava o uso dos bastões de contagem e, relutante em estudar mais, passou a atormentar Pang Chunlai com perguntas sobre unidades e termos técnicos.

≡⊥=‖_×

Consegue adivinhar o significado acima?

É a versão com bastões de contagem (os decimais devem ser meio espaço mais baixos).

Na verdade, quando se acostuma, não difere muito dos números arábicos — apenas mudam os símbolos.

Vendo que Zhao Han só se interessava pelos termos técnicos e não gostava de estudar o básico, Pang Chunlai sorriu e propôs um problema:
— Zhao Han, você consegue resolver isto?

É que Zhao Han progredia rápido demais e demonstrava falta de interesse, então era preciso desafiá-lo com uma questão difícil!

Xu Ying, Fei Ruhe, Fei Yuanjian e Fei Chun leram a questão, ficando todos boquiabertos.

A questão era mais ou menos assim: “No front restam apenas 280 mil shi de mantimentos, consumindo-se sete mil por dia. Se for enviada uma remessa, ela chegará em 25 dias, consumindo-se mil por dia no caminho. Pergunta-se: quanto de mantimentos deve ser enviado para que as tropas resistam por 90 dias?”

Xu Ying tentou pensar no método de resolução, mas sua mente era um borrão — tinha acabado de começar a aprender multiplicação.

Fei Ruhe não se conteve:
— Mestre, isso é sacanagem!

— Não pedi que vocês resolvessem — respondeu Pang Chunlai, sorrindo para Zhao Han —, mas se não souber resolver, trate de estudar direito!

Zhao Han não respondeu de imediato. Perguntou:
— Depois que a caravana de mantimentos cumprir sua missão, ela permanece no front por noventa dias, retorna imediatamente ou, após entregar os suprimentos, não importa o que aconteça com ela? O enunciado é ambíguo, há três respostas possíveis.

Pang Chunlai gargalhou:
— Que mente meticulosa! Muito bem, resolva as três.

Zhao Han pegou um papel de rascunho, chamou a quantidade de mantimentos de X e começou a montar as equações.

Equação de primeiro grau — coisa de ensino fundamental.

Logo, apresentou as três respostas.

Os estudantes ficaram admirados; fossem bons ou maus alunos, todos olhavam Zhao Han com reverência.

Pang Chunlai pegou o rascunho de Zhao Han. Uma sequência de códigos misteriosos lhe dava dor de cabeça: as equações modernas, para ele, eram como texto cifrado.

— De que país são esses caracteres? — perguntou, confuso.

Zhao Han arriscou:
— O mestre conhece Xu Guangqi?

Pang Chunlai assentiu:
— Nunca o vi pessoalmente, nem sei seu nome de cortesia, mas já ouvi falar muito dele. Depois da derrota em Sarhu, recebeu ordens para treinar novas tropas em Tongzhou. Dizem que, após a ascensão do novo imperador, foi nomeado Inspetor das Forças Armadas, segundo os boletins da corte.

Inspetor das Forças Armadas era o responsável pelo recenseamento militar: oficiais, efetivos, treinamento, mantimentos, armamento etc.

O cargo atual de Xu Guangqi era justamente esse — reorganizar o exército de Da Ming.

Vendo que Pang Chunlai nunca o vira, Zhao Han sentiu-se à vontade para inventar:
— Um missionário ocidental, de nome Matteo Ricci, trouxe os “Elementos de Geometria” ao Da Ming. Xu Guangqi traduziu a obra. Meu pai teve a sorte de lê-la em vida. Esses números vêm do Ocidente.

— Conte-me mais — disse Pang Chunlai, curioso. Enquanto os alunos comiam e resolviam questões, ele aproveitava para aprender aritmética ocidental.

Zhao Han escreveu os algarismos arábicos e os sinais matemáticos, anotando a equivalência em caracteres chineses abaixo.

Pang Chunlai não se impressionou com os números arábicos, mas ficou pasmo com a conveniência dos símbolos de operação ocidentais. No entanto, para adotá-los, seria preciso usar também os algarismos arábicos.

O sistema dos bastões não servia, pois o “4” se parecia com o sinal de multiplicação, e o “2” com o de igualdade.

Pang Chunlai precisou comparar as duas grafias, depois voltou-se para as equações de Zhao Han.

— Isto é a Técnica da Origem Celestial! — exclamou, batendo na mesa.

Xu Ying e os três Feis, com os hashis na mão, olhavam, sem entender absolutamente nada.

A Técnica da Origem Celestial era justamente a álgebra.

Pang Chunlai continuou:
— Esta é a versão ocidental da Técnica da Origem Celestial, com apenas uma incógnita. Consegue resolver com duas, três, quatro incógnitas?

Zhao Han perguntou, curioso:
— O mestre consegue resolver com bastões até quatro incógnitas?

Pang Chunlai balançou a cabeça:
— Há quem saiba, mas eu não. Ouvi dizer que Zhu Shijie, grande matemático da dinastia Yuan, criou o método das quatro incógnitas. Mas só li seu “Introdução à Matemática” — nunca vi o “Jade dos Quatro Elementos”. Enfim, chega de conversa. Vou propor um problema; resolva com a técnica ocidental.

Logo, formulou uma questão.

Zhao Han resolveu-a com uma equação de duas incógnitas e entregou o rascunho.

Pang Chunlai, ainda não familiarizado com os algarismos arábicos, foi conferindo devagar e, depois, bateu palmas, elogiando:
— Maravilhoso, maravilhoso!

Resolver equações de duas incógnitas com bastões era, na verdade, rápido; não perdia em eficiência para as equações. Mas expressar o método no papel era bem mais trabalhoso do que com equações.

Se a questão fosse do segundo grau com duas incógnitas, a Técnica da Origem Celestial ficava ainda mais complicada!

Pang Chunlai gargalhou:
— Que técnica engenhosa! Ensine-me, por favor.

Um aluno ensinando o professor?

Xu Ying e os três Feis ficaram ainda mais perplexos; Zhao Han parecia realmente extraordinário!

Pang Chunlai disse aos quatro:
— Vocês também aprendam juntos.

A partir daí, o ritmo de aprendizado de matemática disparou; até Fei Yuanjian achou muito mais fácil.

Afinal, ninguém ali era tolo.

A relação de Fei Yuanjian com os demais sempre fora sutil.

Todos os dias, como chiclete grudado, estudavam juntos, treinavam artes marciais, aprendiam matemática. Xu Ying logo o aceitou, mas os outros mantinham certa distância, com reservas.

O tempo passou rápido e logo chegou o solstício de inverno.

O pórtico das mulheres virtuosas já estava concluído, mas a autorização do governo ainda não chegara.

Esse tipo de coisa precisava de aprovação por várias instâncias, e era concedida em nome do imperador.

Mas, no final da dinastia Ming, bastava pagar.

Quem queria mais rápido procurava o inspetor; quem não tinha pressa, o magistrado local. Enviada à corte, o imperador nem lia: o gabinete repassava direto ao Ministério dos Ritos, e os oficiais, recebendo o suborno, aprovavam.

O pórtico da castidade era privilégio de quem tinha dinheiro!

O governo fornecia só trinta taéis, o que não dava nem para começar, e ainda era preciso subornar. Quem não tinha dinheiro ou posição jamais conseguiria, a não ser que algum oficial quisesse melhorar sua imagem.

A moralidade sufoca? Desculpe, se sua família não tem dinheiro, nem o direito de ser oprimido você possui.

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