035【Não era algo conhecido por toda Jiangxi】

Imperador Wang Ziqiun 2743 palavras 2026-01-30 16:14:29

Pang Chunlai morava aos pés do Monte Han Zhu, onde havia algumas cabanas de palha em ruínas, que diziam ter sido erguidas às suas próprias custas. Fazia as refeições na escola privada, cuidava sozinho de todas as outras tarefas, sem sequer contratar um criado. Presumia-se que tomava poucos banhos, por pura preguiça de aquecer água, já que nem havia quem vendesse lenha no campo; era preciso ir recolher gravetos por conta própria.

De volta à cabana, Zhao Han ajudou a preparar a tinta, enquanto Pang Chunlai começava a redigir histórias picantes. Zhao Han, ao vê-lo incapaz de enxergar tanto de perto quanto de longe, com um olhar ora de presbiopia, ora de miopia, indagou: "Mestre, quando foi que adquiriu esse problema nos olhos?"

Os olhos de Pang Chunlai quase tocavam o papel; ele escrevia com uma postura peculiar e respondeu, autoirônico: "No quadragésimo sétimo ano do reinado Wanli, fui com o exército combater os tártaros. Não matei nenhum tártaro, quase fui capturado para ser escravo. Ao fugir, caí de um penhasco e um galho arranhou meus olhos. O esquerdo quase cego, o direito só enxerga de perto."

Zhao Han silenciou-se, sem saber o que dizer. Pang Chunlai, de súbito, ergueu a cabeça e, sorrindo, perguntou: "Adivinha quantos anos tenho?"

"Sessenta?" arriscou Zhao Han.

Pang Chunlai soltou uma gargalhada: "Tenho quarenta e cinco."

Quarenta e cinco? Ninguém duvidaria se dissesse setenta. Fei Yinghuan também passava pouco dos quarenta, mas aparentava ter apenas trinta e poucos; quem imaginaria que era da mesma idade do mestre Pang!

Pang Chunlai, agora, estava completamente grisalho, os cabelos quase todos brancos, poucos fios negros. De toda a família, restara só ele; apenas o olho direito lhe servia. Quem sabe que outras agruras já não tivera de enfrentar? Não era de se estranhar que enredasse e incitasse crianças a rebelar-se.

Sem capital para rebelar-se ele próprio, e incapaz de iludir adultos, só lhe restava cuidar das crianças, cultivando-as pouco a pouco. Talvez até Xu Ying fizesse parte desse plano de formação de rebeldes.

O sujeito odiava tanto os tártaros quanto a corte imperial!

Pouco depois, Pang Chunlai já havia escrito um texto, com um estilo semelhante ao de romances populares, de modo a ser compreendido por quem tivesse alguns anos de estudo.

Zhao Han mergulhou na leitura, olhou para Pang Chunlai e pensou: que azar nascer nesta época! Se tivesse nascido séculos depois, seria um grande influenciador nas redes sociais.

Diz-se por aí: começa-se com uma imagem, o resto é pura invenção. O mestre Pang nem imagem tinha.

Logo no início, já trazia um toque de polêmica moral! Sugeria que a senhora Zhang, aos quarenta, sem filhos, teria seduzido o sobrinho-neto e preparado, antecipadamente, um presente de aniversário para o marido septuagenário.

E quem era esse sobrinho-neto? Ora, sendo a senhora Zhang de linhagem elevada e a família Fei numerosa, não faltavam candidatos; que os leitores se esbaldassem em suposições.

A trama da tia envolvendo-se com o sobrinho-neto e concebendo um filho era explosiva, muito mais polêmica do que envolver-se com um criado, e garantia rápida disseminação em poucos dias.

Pang Chunlai ordenou: "Ajude-me a fazer algumas cópias com a mão esquerda."

Escrever com pincel até dava para o gasto, mas fazer Zhao Han escrever com a esquerda era como forçar um pato a voar.

Após alguns poucos caracteres, Pang Chunlai já franzia a testa: "Deixe disso, vá chamar Fei Ruhe."

Zhao Han, aliviado, largou o pincel e correu para a escola buscar Fei Ruhe.

Fei Ruhe, sem entender nada, veio acompanhado do pajem Fei Chun. Parado ao lado, olhou de relance para o papel e, ao ver o teor picante, ficou com expressão estranha.

Pang Chunlai já havia copiado seis ou sete exemplares. Disse a Fei Ruhe: "Você e seu pajem, colem isso nos lugares mais visíveis da Academia Han Zhu e da escola."

Fei Ruhe não era tolo e riu: "Mestre, procure outro. Se meu pai descobrir, ele me espanca até a morte."

"Seu pai não vai te bater," respondeu Pang Chunlai. "Mesmo sendo um ramo colateral, sua família foi parar longe, no Lago E, e aqui no vilarejo pouco recebeu de herança, tampouco infiltrou muitos parentes no Monte Han Zhu. Se isso der certo, sua família ainda sai ganhando. Seu pai está na montanha e, sendo o único letrado da geração, o diretor da academia irá procurá-lo primeiro, juntos vão reformar os costumes da Academia Han Zhu."

"Não vou fazer," teimou Fei Ruhe.

Pang Chunlai voltou a seduzir o garoto: "Você treina artes marciais todo dia, quer ser general quando crescer?"

Fei Ruhe inflou o peito: "Quero ser um grande herói!"

"O quê?" Pang Chunlai achou ter entendido errado.

"Quero ser um grande herói, fazer justiça, tirar dos ricos e dar aos pobres!" Fei Ruhe revelou seu grande ideal.

Pang Chunlai não se conteve: "Então comece roubando a própria família Fei, que é a mais rica do condado. Nem precisa roubar, quando for o chefe, reparta as terras e lojas do Lago E entre os camponeses pobres; isso sim é ser um grande herói! Só tirar dos outros, sem tocar no próprio bolso, é pura hipocrisia, que herói é esse?"

Fei Ruhe não pôde rebater, murmurou: "Se não puder ser herói, ser general serve."

Pang Chunlai, com paciência, orientou: "Para ser general, não basta treinar artes marciais. Só saber lutar na linha de frente é coisa de brucutu."

"E o que mais preciso treinar?" perguntou Fei Ruhe.

"Estratégia militar!" respondeu Pang Chunlai.

Fei Ruhe já sentiu a cabeça latejar: "Já li 'A Arte da Guerra', não aguento terminar um capítulo sem dormir. E aqueles mapas de formação, só me dão sono."

Pang Chunlai zombou: "Estratégia militar vai muito além disso! Sabe como montar acampamento? Sabe como organizar mantimentos? Sabe como treinar e disciplinar tropas?"

"Não sei," admitiu Fei Ruhe.

Pang Chunlai acariciou a barba e riu, malicioso: "Eu sei, o mestre pode te ensinar."

Fei Ruhe não acreditou: "Não venha me enganar, um velho mestre de escola sabe disso tudo?"

Pang Chunlai bateu na mesa: "Sou filho de uma família militar do nordeste, combati tártaros em várias batalhas, como não saberia essas coisas?"

Fei Ruhe, acostumado a ouvir as histórias do tio sobre as guerras do nordeste, desdenhou: "Se fossem tão bons assim, não teriam sido derrotados pelos tártaros."

"O que tenho eu com isso? De que adianta minha estratégia se ninguém escuta? Mesmo escutando, têm de seguir! Mas só traem os aliados e fogem do campo de batalha!" Pang Chunlai estava mesmo irritado. "Tenho a arte da guerra no peito, só quero saber: vai aprender ou não?"

Fei Ruhe inclinou a cabeça, pensativo, e arriscou: "Posso tentar aprender? Se não conseguir, volto a treinar para ser herói."

"Pode," Pang Chunlai lhe passou os textos, "leve e cole por toda a academia, espalhe à noite, não deixe que te peguem no flagra."

Fei Ruhe e Fei Chun saíram correndo com os papéis, sentindo uma excitação travessa: fazer travessuras em segredo sempre dá um certo prazer.

Pang Chunlai prosseguiu, copiando mais de uma dezena de exemplares, e entregou a Zhao Han: "Vá colar em Henglin e na foz do rio."

A mansão ancestral da família Fei em Henglin ficava a vários quilômetros da vila de He Kou; Zhao Han teria de correr a noite inteira. Por isso, era necessário trazer Fei Ruhe e seu pajem para cuidar da Academia Han Zhu, pois sozinho seria impossível.

Zhao Han foi primeiro à mansão ancestral em Henglin, correu cinco quilômetros até ficar exausto. No escuro, sem ver ninguém, ouvia apenas alguns latidos de cachorro.

Na porta da mansão, lanternas estavam acesas. Zhao Han se escondeu nas sombras, espalhou cola de arroz no papel e correu para colar no portão principal. Assim que terminou, disparou para a porta lateral, colando mais em cada uma, e depois foi ao templo ancestral da família Fei.

Depois de tudo, já era meia-noite.

O vento frio soprava sobre o rio Xin, fazendo Zhao Han tremer. Seguiu pela margem até chegar à vila de He Kou.

Ali, o comércio era próspero, mesmo à noite havia barcaças carregando ou descarregando mercadorias. Após cruzar a ponte, Zhao Han não hesitou, temendo ser reconhecido. Chegou ao "Arco dos Três Homens" e colou os últimos cartazes nas colunas do monumento.

Pobre Fei Hong, cuja reputação fora ilibada em vida, o mais jovem premiado do império, agora, mesmo após a morte, era alvo de tamanha afronta. O arco erguido em sua homenagem, como primeiro-ministro, agora coberto de textos escandalosos, narrando a suposta traição de sua nora com um parente mais novo...

A gravidade era pequena, mas a ofensa, imensa!

O sol foi nascendo, a névoa pairava sobre o rio, e os cartazes nas colunas do arco já estavam encharcados pelo sereno da noite.

O monumento, solitário na vila de He Kou, era o ponto mais movimentado do condado; comerciantes e viajantes de todo o sul passavam por ali, vindos de Huguang, Jiangnan, Zhejiang, Fujian, Guangdong.

Não era apenas um escândalo local, mas uma fofoca que se espalharia por todo o sul do país!

Antes do meio-dia, um comerciante de fora, aproveitando uma pausa enquanto os empregados carregavam o barco, foi passear. Chegou para admirar o "Arco dos Três Homens", mas, ao ver as colunas cobertas de papéis, se aproximou curioso e ficou boquiaberto — ora, ora!