Capítulo 68: Sendo Seguido
— Parece que estamos sendo seguidos — sussurrou Gong Hui, avisando Luo Yao, logo depois de saírem da Cafeteria do Crepúsculo e terem caminhado apenas alguns passos.
— Eu sei, é um dos homens de Lao Mu — respondeu Luo Yao, em tom tranquilo.
Gong Hui não resistiu ao impulso de olhar para trás, mas Luo Yao se virou e a advertiu: — Não olhe, você não é novata. Quer que ele perceba que já o notamos?
— Como você sabe que é um dos homens de Lao Mu? — Gong Hui se aproximou um pouco de Luo Yao e perguntou em voz baixa.
— Ele trocou de roupa, mas não de sapatos. Pelo som dos passos, eu reconheço — Luo Yao sorriu levemente, seguro de si.
— E agora, o que fazemos?
— Você não disse que em breve iria a um jantar? — perguntou Luo Yao.
Gong Hui hesitou, apenas então se lembrando de que realmente havia dito isso: — Eu só falei por falar, quem podia imaginar que aconteceria algo assim?
— Se não tivesse dito, provavelmente estaríamos voltando para casa em paz agora — disse Luo Yao. — E então, onde é esse jantar?
— No Hotel Deming. Dizem que tem um casamento hoje à noite — respondeu Gong Hui.
— Um casamento?
— Parece que sim, foi o Liu Jinbao quem me falou — Gong Hui respondeu, um pouco incerta. Só ouvira Liu Jinbao comentar de passagem, sem se aprofundar.
— Então por que ele não me contou?
— Que diferença faz para você se alguém vai se casar? — Gong Hui lançou um olhar de desdém para Luo Yao, achando-o presunçoso.
— Tudo bem, então vamos ao Hotel Deming — decidiu Luo Yao.
...
Ao entrarem no maior salão de festas do Hotel Deming, Luo Yao sentiu uma vontade quase incontrolável de estrangular Liu Jinbao. No grande estandarte vermelho estava escrito:
Felicidades aos recém-casados Hu Yisheng e Han Yun!
Gong Hui ficou paralisada.
Ela sabia do noivado entre Luo Yao e Han Yun e que, por causa disso, o pai de Han Yun, Han Liangze, vice-chefe de polícia de Xiakou, havia armado para que Luo Yao fosse enviado para o curso de treinamento especial. Assim, sua filha pôde ficar noiva do filho do homem mais rico de Xiakou, Hu Yisheng.
— Melhor irmos embora, não acha? — sugeriu Gong Hui.
— Ir embora? E para onde? O rastro ainda nos segue — Luo Yao lançou um olhar severo para Gong Hui. — Por que não me disse que eram eles os noivos?
— Eu não sabia, o velho Liu não contou — Gong Hui respondeu, sentindo-se injustiçada. Se soubesse, jamais teria trazido Luo Yao para o casamento do ex-amor e do rival.
Esse Liu Jinbao realmente deveria ter sido mais claro. Se soubesse que eram esses dois celebrando, nem morta traria Luo Yao. Agora, estava em apuros.
Luo Yao supôs que Liu Jinbao tinha boas intenções: não queria contar para não mexer em feridas do passado ou provocar confusão desnecessária. Quem diria que, por causa de uma frase solta de Gong Hui, no vai-e-vem do destino, acabariam ambos no casamento de Han Yun?
Ainda bem que, agora, Luo Yao já não parecia em nada com o homem de meio ano atrás. Por atuar em Jiangcheng, temia esbarrar em conhecidos e, por isso, sempre saía disfarçado. Para parecer mais maduro, deixara crescer um pequeno bigode e usava óculos de aro dourado, que lhe conferiam um ar culto e refinado.
Comparado ao tempo em que era apenas um ajudante na delegacia central de Xiakou, agora parecia outra pessoa. Mesmo Han Liangze, se o visse de frente, dificilmente o reconheceria. Quanto mais os antigos colegas, que não o identificariam de forma alguma.
— Já que estamos aqui, vamos beber uma taça de vinho e depois saímos — Luo Yao ajeitou o paletó com seriedade. — Daqui a pouco, achamos um lugar discreto para nos sentar.
— Quem vem ao casamento tem convite. Nós não temos nada disso — sussurrou Gong Hui, apreensiva.
— E isso é difícil? — Luo Yao sorriu com desdém.
De fato, para entrar numa festa de casamento bastava ter convite, mas raramente conferiam a identidade, já que os convidados eram todos conhecidos. Para um ex-aluno do curso de treinamento especial, obter um convite era simples demais.
Entraram sem dificuldade, pretendendo apenas sentar um pouco, tomar um vinho e sair logo. Mas o perseguidor não foi embora de imediato, continuava rondando do lado de fora. Luo Yao teve de se resignar em ficar sentado. Afinal, ninguém o reconheceria. Assistir ao casamento da "ex-noiva" era, de certa forma, uma experiência inusitada.
A noiva, Han Yun, estava belíssima. O noivo era igualmente atraente, com um ar elegante, formando um casal perfeito de aparência, embora, para Luo Yao, não passassem de um par de hipócritas. Han Liangze, naquela noite, parecia radiante, o rosto iluminado. Sua tia por afinidade ostentava joias exuberantes e um sorriso permanente. Já o sogro, barrigudo, não tirava os olhos da nora, diziam até que mantinha várias amantes. A sogra exibia um olhar enigmático, difícil de decifrar.
Luo Yao sentia-se estranhamente inquieto. De repente, uma figura conhecida cruzou seu caminho: Liu Yumei, que estava visivelmente mais magra do que meio ano atrás. Ela parecia dirigir-se em sua direção...
Liu Yumei achou o homem de óculos vagamente familiar, mas, ao se aproximar, não teve certeza de quem era. Luo Yao respirou aliviado quando ela parou não muito longe, conversou brevemente com um conhecido e logo se retirou.
Gong Hui tentou encontrar palavras para consolar Luo Yao, mas, na hora de falar, não soube o que dizer. Apenas permaneceu em silêncio ao lado dele.
Mas a intuição feminina é afiada.
Quando Luo Yao ficou tenso por um instante, ela logo percebeu a presença de Liu Yumei, uma mulher de corpo sedutor. Com certeza, conhecia Luo Yao e, talvez, bem de perto.
— O que foi, Lao Qin?
— Encontrei uma velha conhecida — Luo Yao sorriu, tentando parecer descontraído, e apertou suavemente a mão de Gong Hui.
— Uma ex-amante?
— Não — Luo Yao negou, sereno.
O coração não acelerou. Não estava mentindo.
Gong Hui sentiu-se subitamente aliviada.
Os noivos usavam trajes ocidentais, mas a cerimônia era tradicional, uma mistura de oriente e ocidente. Quando os recém-casados passaram para brindar à mesa de Luo Yao, ele também se levantou com os outros, ergueu a taça e brindou com Han Yun e Hu Yisheng.
Aquela taça de vinho selava de vez o seu rompimento com a família Han. Luo Yao não tinha mais ligação alguma com eles.
Han Yun não o reconheceu.
Na verdade, ela já o esquecera fazia tempo. Para ela, Luo Yao não passava de um sapo querendo comer carne de cisne.
— Vamos embora — disse Luo Yao, entediado, cochichando no ouvido de Gong Hui.
Ela também já não queria mais ficar.
— Esse sujeito é como chiclete, não desgruda — Luo Yao puxou Gong Hui levemente, franzindo as sobrancelhas.
— Ainda está lá fora. E se sairmos pelos fundos? — sugeriu Gong Hui.
— Se fizermos isso, estaremos revelando que temos algo a esconder — Luo Yao balançou a cabeça. Não queria levantar suspeitas.
— E se nos separarmos?
— Tão tarde assim, e eu deixaria você, uma mulher bonita, ir sozinha? — retrucou Luo Yao. — Não esqueça, estamos fazendo o papel de casal, ou pelo menos de namorados. Não faria sentido.
— Então, o que sugere?
— Nossas identidades resistiriam a qualquer verificação. Melhor fingirmos que não sabemos de nada, chamar um riquixá e voltar para casa — decidiu Luo Yao.
— Mas o velho Liu e os outros vêm depois?
— Fique tranquila. No máximo, ele nos seguirá até em casa, vai descobrir onde moramos e depois irá dar o relatório. Não vai ficar de tocaia a noite toda. Não quer correr o risco de ser pego pela patrulha depois do toque de recolher, não é? — respondeu Luo Yao.
— Certo.
...
Cafeteria do Crepúsculo, nove da noite, já fechada.
Uma sombra negra saiu de um beco, correu até a porta dos fundos da cafeteria, olhou para trás para se certificar de que não era seguido e entrou. Era uma entrada previamente combinada, esperando seu retorno.
Chis! Uma faísca iluminou a escuridão. A chama alaranjada destacou-se no breu: alguém sentado no sofá, segurando um cigarro entre os dedos, que só acendeu quando o fósforo estava quase no fim.
O ambiente mergulhou novamente na escuridão. Apenas as respirações de duas pessoas e o brilho vermelho da brasa do cigarro eram perceptíveis.
— Chefe, segui os dois desde que saíram da cafeteria. Foram até o Hotel Deming. Esta noite, a filha do chefe de polícia de Xiakou, Han Liangze, está se casando com o filho de Hu Youyu. Os dois foram ao banquete de casamento.
— Você viu com seus próprios olhos eles entrarem?
— Vi. Entraram com convites. Mas, no meio do banquete, saíram, chamaram um carro e voltaram para o número 26 da Rua Huanshan. Só voltei depois que os vi entrar e acenderem a luz.
Mais um fósforo foi riscado, iluminando o rosto de Lao Mu, cuja expressão era difícil de decifrar.
— Chefe, acha que esses dois têm algo de errado?
— Difícil dizer — Lao Mu balançou a cabeça. — Da Chuan voltou, trazendo ordens do General Okamura: precisamos obter urgentemente informações sobre a disposição das defesas da Fortaleza de Tianjiazhen.
— Chefe, isso quer dizer que devemos encerrar o silêncio? — perguntou, surpreso, o servidor que seguira Luo Yao e Gong Hui.
— Avise Lin Miao para encontrarmos amanhã na casa segura — ordenou Lao Mu, dando duas tragadas no cigarro.
— Hai!
— Idiota! Jiangcheng ainda não está em nossas mãos. Cuidado com cada palavra e cada gesto, mesmo diante dos nossos. Não quero deslizes! — ralhou Lao Mu severamente.
— Sim, chefe.
— Vá. Não deixe Da Chuan vir até aqui. Este lugar está cheio de olhos e ouvidos. Em tempos críticos como este, precisamos ser ainda mais cautelosos. Entendeu?
— Sim.
...
Os chineses pensavam que Lin Miao era o chefe do grupo de espiões japoneses infiltrados, mas estavam enganados. Lin Miao era apenas uma peça no tabuleiro de Lao Mu. Agora, exposta, precisava ser retirada.
O verdadeiro controlador da rede de espionagem japonesa em Jiangcheng era ele — um homem que vivia na cidade há mais de cinco anos e que, para muitos, era visto como um nobre, um cavalheiro polido. Talvez muitos não o tenham visto, mas certamente conheciam seu nome: Lao Mu.
Na última vez, por um erro de julgamento, quase comprometeu toda a equipe de comunicações. Se a ligação com o exterior fosse interrompida, seria um grande problema.
Felizmente, Yoshida arriscou-se para transmitir uma mensagem, dando-lhe a chance de agir, mas os inimigos haviam rastreado até a Livraria Songtao. Isso o surpreendeu.
Depois, ordenou silêncio absoluto e uma rigorosa autoverificação, mas jamais encontrou a razão pela qual Yoshida e Ikegawa foram descobertos.
Neste período, viveu como um pássaro assustado, sem entender que tipo de artifício os chineses haviam usado para identificar Yoshida e Ikegawa com tanta precisão.
Seria possível que os chineses tivessem acesso a equipamentos e técnicas de contraespionagem mais avançados?
Se fosse verdade, seria realmente assustador.
Mas, para manter contato com o Departamento de Inteligência do Estado-Maior do Exército Expedicionário, precisava usar o rádio. Arriscou-se algumas vezes e, até agora, o local não fora descoberto.
Isso lhe trouxe algum alívio.
Da Chuan fora enviado de volta para relatar a situação. Lao Mu não ousou usar o rádio por medo de expor novamente a localização, mas não esperava que o alto comando o enviasse de volta com uma missão ainda mais árdua.