Capítulo 10: Pedindo Dinheiro Emprestado
Os cinco dividiram-se em dois grupos.
Liu Jinbao, Gu Yuan e Mancang formaram um grupo. Luo Yao e Gong Hui formaram o outro.
A cidade de Yueyang, embora não se comparasse a metrópoles como Xiakou, possuía sua vida noturna; nas ruas mais movimentadas do centro havia até locais de entretenimento como salões de dança.
Luzes coloridas, vinho, música e dança. Claro, o porte e a sofisticação não chegavam nem perto dos grandes centros.
Luo Yao e Gong Hui, ambos jovens de idades similares, caminhavam juntos como um casal. Em determinado momento, Gong Hui se aproximou mais dele.
— Luo Yao, como você soube que eu estava naqueles dias? — A presença dos outros três antes impediu Gong Hui de perguntar, pois era algo íntimo e ela se sentia constrangida de ser descoberta.
— Eu apenas deduzi — Luo Yao não sabia bem como explicar; não podia dizer que ouvira, embora houvesse realmente uma pitada de suposição.
— Só deduziu? Você acha que sou fácil de enganar? — O tom de Gong Hui mudou de imediato, percebendo um certo descaso nas palavras de Luo Yao, o que a desagradou.
— Não, eu realmente deduzi. Mas não foi um palpite qualquer — Luo Yao tentou se explicar, sem querer se aproximar demais, nem provocar mal-entendidos —. Quando desembarcamos de manhã, percebi que você estava com o rosto pálido e fazia movimentos protegendo o abdômen. Depois, você quase não falou no caminho, foi direto para o quarto assim que chegamos à hospedaria e lá permaneceu trancada. Ao chamar você para almoçar, nem abriu a porta e, através dela, percebi que sua voz estava fraca. Sei que as mulheres enfrentam mensalmente esse período, então deduzi que seria isso.
— Isso não é suficiente para chegar a essa conclusão. E se eu tivesse pego um resfriado no barco? — Gong Hui refletiu um pouco e retrucou.
Luo Yao ficou um tanto sem saída. Seria capaz de dizer que sentiu um leve cheiro de sangue do lado de fora do quarto, ouviu ela murmurar sozinha e, a partir daí, deduziu a situação? Não ousaria, afinal, eram apenas conhecidos.
Não queria parecer um qualquer ou mal-intencionado.
— Se fosse um resfriado, sua respiração e o modo de falar seriam diferentes. Basta prestar atenção para perceber — improvisou Luo Yao.
— É mesmo? — Gong Hui soou desconfiada.
— Tenho um ótimo ouvido. Quando você desceu para comer, fez um gesto disfarçado na esquina da escada, não foi? — Luo Yao sorriu.
— Ah, você... — Gong Hui corou instantaneamente, sentindo-se envergonhada.
— E como conseguiu dinheiro para me comprar aquelas coisas?
— Sou policial há pouco tempo, mas desde que fugi de Jinling até Xiakou, passei por inúmeros postos de controle. Se não tivesse me prevenido, o pouco dinheiro que tinha teria sido confiscado — respondeu Luo Yao.
— Então você já estava preparado.
— É o que dizem: prevenir é melhor que remediar — Luo Yao sorriu sem graça —. Mas, por favor, não conte a ninguém. Se meus superiores descobrirem, posso me complicar.
— Se não encontraram nada com você, é problema deles. Não tem nada a ver contigo — Gong Hui respondeu com um resmungo —. Fique tranquilo, não direi uma única palavra.
— Ótimo — Luo Yao não se preocupou. Mesmo que soubessem, não temia; ninguém explicara o motivo da revista, nem havia regras proibindo guardar dinheiro.
— O que acha da missão do nosso grupo?
— Eu? — Luo Yao riu. — Não tenho força nem habilidade, então sigo os mais experientes.
— Você realmente não sabe atirar?
— Não, nunca toquei numa arma em toda minha vida — respondeu Luo Yao sinceramente; na memória de sua alma anterior não havia experiência alguma com armas de fogo.
— Vamos receber treinamento com armamento nesta missão. Se você nunca pegou numa arma, não conseguirá acompanhar o ritmo. Posso te ensinar, se quiser.
— Você vai me ensinar? — Luo Yao se surpreendeu.
— Claro! Sou excelente atiradora, muita gente queria aprender comigo, mas nunca aceitei — Gong Hui sorriu, orgulhosa.
— Então está combinado. Quando chegarmos a Xiangcheng, você me ensina a atirar.
— Combinado.
— E agora, para onde vamos? — Gong Hui percebeu que esquecera de perguntar a Liu Jinbao onde ficava a delegacia.
— Venha, vou te levar a um lugar primeiro — Luo Yao sorriu. Percebera que, apesar do jeito reservado, Gong Hui era uma boa pessoa, só um pouco distraída.
Um traço comum em muitas mulheres.
...
Após uma maquiagem simples e uma falsa barba, Luo Yao parecia bem mais velho.
— Um cassino? Você me trouxe a um cassino? — exclamou Gong Hui, surpresa ao chegar diante do estabelecimento.
Luo Yao assentiu:
— Se não fosse por você, eu não teria coragem de vir.
— E o que viemos fazer aqui?
— Emprestar dinheiro, ora — respondeu Luo Yao, rindo.
Gong Hui entendeu de imediato:
— Então estou aqui como sua guarda-costas?
— Exatamente! Não tenho outra opção, então farei uma jogada grande e resolvo de uma vez nossa despesa de viagem.
— E acha que vai conseguir? — Gong Hui duvidava.
— Só tentando para saber.
...
Uma hora depois, o responsável pelo cassino, conhecido como Wei Terceiro, sentava-se à frente de Luo Yao, enxugando o suor nervosamente. Não fazia ideia de onde aquele casal havia surgido.
Perderam algumas partidas no início, mas logo começaram a ganhar sem parar.
O sucesso de Luo Yao deixava Gong Hui espantada. Se tivessem apostado as habilidades em jogos quando dividiram os grupos, ela teria perdido feio!
O lucro do cassino numa noite raramente passava de trezentos a quinhentos yuan. Em menos de meia hora, haviam perdido tudo. Nem mesmo o melhor jogador, Liu das Mãos Rápidas, conseguiu vencê-los.
Diante de Luo Yao, o dinheiro já somava quase dois mil yuan!
— Poderia me dizer seu nome, amigo? — perguntou Wei Terceiro, seguindo as regras do submundo.
Luo Yao sorriu:
— Não precisa de tanta formalidade. Eu e minha irmã estamos só de passagem, precisávamos de algum dinheiro para seguir viagem.
— Se era uma emergência, por que não falou? Também sou generoso com os amigos. Se quiser fazer amizade, será bem-vindo — respondeu Wei Terceiro, aliviado ao perceber que não estavam ali para causar problemas.
— Preferimos não dever favores. O que ganhamos, gastamos com tranquilidade — disse Luo Yao, recolhendo o dinheiro.
— Considere-me seu amigo, então — declarou Wei Terceiro, percebendo que ambos, apesar de jovens, não eram pessoas comuns. Ela, sobretudo, não tirava os olhos dele e mantinha a mão na cintura o tempo todo. Levantou-se e fez uma saudação.
— Vamos, Xiao Hui — disse Luo Yao, chamando Gong Hui.
Wei Terceiro não se moveu, mas seus subordinados estavam inquietos:
— Terceiro, vamos deixar que saiam assim?
— Não viu a arma na cintura dela? Se tentarmos impedir, ela atira sem hesitar. O que vale mais, esse dinheiro ou nossa vida? — respondeu Wei Terceiro. — Em poucos dias recuperamos a quantia. Mortos, de nada serve o dinheiro.
— Será que são tão perigosos assim?
— Se duvida, vá atrás deles. Mas, fora deste estabelecimento, não me responsabilizo... — Wei Terceiro sorriu friamente.
— Descubram de onde vieram esses dois!
...
— Senhorita Gong, quer metade do dinheiro? — Só depois de garantir que não eram seguidos, Luo Yao relaxou e se dirigiu a Gong Hui.
— Não quero. Você que ganhou, não fiz nada.
— Sem você eu não teria ousado ganhar tanto. Fiz as contas, o que vencemos equivale ao lucro de uns cinco dias para eles.
— Você consegue calcular isso? — Gong Hui se espantou.
— Estudei matemática. Num cassino desses, basta observar por algum tempo e comparar as porcentagens para estimar o lucro diário — Luo Yao disse, satisfeito consigo mesmo.
— Por isso parou enquanto estava ganhando?
— Exato. Esse prejuízo é o máximo que eles toleram. Se ganhássemos mais, poderiam tentar nos impedir de sair, o que prejudicaria a reputação do cassino. Para eles, o prestígio vale mais do que essa quantia.
— Não tem medo de que ataquem depois que sairmos?
— Por isso você veio comigo. Se fosse sozinho, teria pego só um trocado — Luo Yao riu, continuando a caminhar.
Desde que saiu de Xiakou, Luo Yao percebia uma mudança sutil em sua própria atitude, talvez resultado da fusão de sua segunda alma.
Não sabia se era bom ou ruim, mas sentia-se feliz naquele momento.
— E agora, para onde vamos? — perguntou Gong Hui.
— Vamos esperar pelos outros. Devem estar voltando.
De bom humor após a vitória, Luo Yao começou a assobiar enquanto caminhavam de volta à hospedaria.
— O que vamos dizer quando voltarmos? — Gong Hui questionou.
— Dizemos a verdade, só não revelamos o valor exato. Melhor guardar metade. E o dinheiro fica contigo, já que vou dormir no mesmo quarto que os outros...
É preciso ser discreto, mesmo com os próprios companheiros.
— Não se preocupe, guardo para você — respondeu Gong Hui, séria.
Luo Yao apenas sorriu, tranquilo.