Capítulo 78: A Notícia

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3397 palavras 2026-02-07 16:23:57

Num piscar de olhos, setembro chegou e todas as escolas primárias, secundárias e superiores de Jiangcheng começaram as aulas uma após a outra.

Embora os aviões dos invasores japoneses atacassem todos os dias, o aprendizado das crianças não podia ser interrompido; o início das aulas era inevitável.

Luo Yao também precisava cumprir seu dever de trabalho disfarçado.

Os bombardeios do exército japonês contra Jiangcheng não faziam distinção de alvos.

Especialmente em locais de grande aglomeração de pessoas.

O objetivo era espalhar medo e pânico, enfraquecer o moral do povo e do exército chinês na resistência à invasão, forçando os chineses a se submeterem ao jugo e à tirania dos invasores.

Embora tais métodos desprezíveis fossem rigorosamente proibidos e condenados pela comunidade internacional, para os poderosos, as queixas e protestos dos fracos não despertavam nem piedade, nem remorso.

A guerra... os chineses já a enfrentam há milênios; será que temeriam um pequeno país da Ásia Oriental?

Malditos japoneses, que desprezo!

Com um jato de urina, eu afundaria seus navios de guerra no Pacífico para servirem de abrigo para tubarões.

Empunhando a régua de três palmos, Luo Yao sentia-se como se estivesse em outra vida ao subir na plataforma da sala de aula. A alma de suas memórias parecia despertar de repente.

Ensinar e educar é uma missão sagrada, mas muitos a veem apenas como meio de ganhar dinheiro — bons professores se tornaram quase uma raridade.

— Colegas, eu sou o professor de matemática deste semestre. Meu nome é Qin Ming, Qin como o da Dinastia Qin e Ming como o de clareza — disse Luo Yao, pegando o giz branco e escrevendo “Qin Ming” no quadro-negro.

— Para conhecer rapidamente o nível de matemática de vocês, nesta primeira aula não darei conteúdo novo, mas sim um pequeno teste.

Embora ser professor fosse somente uma fachada, Luo Yao não queria menosprezar o papel. Ensinar é uma responsabilidade pesada, que ele pretendia honrar.

Dedicou um dia inteiro a elaborar pessoalmente a prova diagnóstica e a preparar e otimizar as aulas seguintes.

Chegado o fim do teste, Luo Yao pediu que o último aluno de cada grupo recolhesse as provas.

— Os resultados deste teste não serão divulgados. O objetivo é que eu compreenda a real situação de cada um e, se necessário, darei aulas de reforço após o expediente para quem tiver mais dificuldades — informou Luo Yao ao recolher as folhas.

...

— Professor Qin, o senhor tem um telefonema.

— Certo, já estou indo.

— Entendi, obrigado, chefe. Guarde para mim, estarei aí em breve — respondeu, ao telefone, ao receber a ligação de Yan Ming, da livraria.

Liu Jinbao queria vê-lo por um assunto urgente.

Com as provas debaixo do braço, Luo Yao saiu pelo portão do Colégio Shangzhi e pegou um riquixá em direção à livraria Amigo Fiel.

— Professor Qin, que bom que veio! Separei aqui os livros que pediu — Yan Ming correu ao seu encontro assim que Luo Yao entrou, pediu ao jovem Dongbei que cuidasse da loja e conduziu Luo Yao para os fundos.

— Lao Liu, o que houve? — Luo Yao perguntou ao ver Liu Jinbao, que já o aguardava.

— Lao Qin, lembra de Da Chuan e daquele comerciante de artigos de couro que você pediu para eu investigar discretamente? Aconteceu algo inesperado — Liu Jinbao respondeu apressado.

— Inesperado? Que tipo de surpresa? — Luo Yao não compreendia.

— O comerciante de artigos de couro chama-se Duolong, veio do norte, está em Jiangcheng há menos de uma semana e, veja só, já conseguiu contato com o nosso diretor Han — explicou Liu Jinbao.

— Han Liangze? Como ele foi se envolver nisso? — Luo Yao franziu o cenho, pego de surpresa.

— O secretário de Han veio hoje cedo me perguntar se a equipe de inteligência precisava de reforços, dizendo que o diretor poderia designar pessoal de outros departamentos. O estranho é que Han nunca se meteu nos assuntos da equipe antes, mesmo agora como diretor. Normalmente, só daria um parecer superficial; se alguém pedisse reforço, a solicitação viria da nossa equipe, nunca dele. Desconfiado, interroguei todos os subordinados, revisei os casos e só o que você me recomendou tem relação com ele — explicou Liu Jinbao.

— Tem certeza disso?

— No começo, não tinha, então pus alguém de olho no diretor Han. Adivinha só? — Liu Jinbao mostrava certa excitação nervosa.

— Han é um policial experiente, acha mesmo que seu pessoal pode vigiá-lo?

— Até o tigre cochila. Além disso, faz anos que ele não trabalha na linha de frente. Dessa vez, cometeu um pequeno deslize — Liu Jinbao riu.

— Fale logo o principal.

— Hoje de manhã, o diretor Han trocou de roupa, saiu discretamente pelos fundos, pegou um riquixá e foi encontrar-se com Duolong na casa de chá Guangde, na Rua Xinglong — contou Liu Jinbao.

— Lao Liu, nada de espalhar isso por aí. Como Han Liangze soube que foi você? E se for Dong Cheng testando você? — Luo Yao indagou.

— Não sei se está me testando. Mas, se o diretor Han realmente estiver envolvido no caso “Kappa”, o que você fará? — Liu Jinbao perguntou.

— Apesar de ser meu tio, desde que desfez o noivado e não deixou minha prima casar comigo, já não temos mais laços sentimentais — Luo Yao respondeu, relutante em tocar no assunto, mas sem alternativa. — Se ele realmente fizer algo prejudicial ao país ou à nação, serei eu mesmo quem o prenderá.

— Assim fico mais tranquilo.

— Acha que eu daria preferência por laços pessoais? — Luo Yao lançou um olhar irritado a Liu Jinbao.

— Se o diretor Han percebeu que estou investigando Duolong e me perguntar, o que faço? — Liu Jinbao quis saber.

— Diga que uma denúncia anônima apontou o assistente de Duolong como alguém suspeito, então você designou alguém para monitorar e investigar discretamente. Não é exatamente isso que nossa equipe faz hoje em dia? Não podemos deixar um espião japonês escapar, mas também não podemos acusar um inocente injustamente — recomendou Luo Yao. — Ele é apenas um entre vários alvos sob suspeita.

— Devo relatar isso proativamente?

— De jeito nenhum. Só fale se ele perguntar, nunca por iniciativa própria. Além disso, pode solicitar um fundo especial para pagar fontes de informação, o que também serve como teste para ele.

— Entendido. Continuo com a vigilância sobre os dois?

— Sim, mas sem pressão excessiva. Dois agentes vigiando onde ele mora já é suficiente. Se pressionar demais, eles se retraem e você não pega prova alguma.

— Entendi — assentiu Liu Jinbao.

...

— Como foi que investigar Da Chuan acabou envolvendo Han Liangze? — Gong Hui perguntou surpresa enquanto arrumava a mesa para o jantar.

— Como vou saber? Da Chuan agora é assistente de Duolong, o comerciante de artigos de couro. Dois meses atrás, trabalhava como garçom no Café Crepúsculo. Se há conexão entre eles, ainda não podemos afirmar — Luo Yao sorriu, balançando a cabeça.

— E se Han Liangze realmente estiver envolvido? — Gong Hui serviu arroz para Luo Yao e para si, sentando-se.

— Será julgado conforme a lei.

— Mas ele é seu tio, você teria coragem?

— Mesmo que fosse meu tio de sangue. Se infringiu a lei, prendo qualquer um. Se Han Liangze se tornar traidor, serei o primeiro a puni-lo — Luo Yao respondeu.

— E Han Yun?

— Uma coisa não tem a ver com a outra. Hoje em dia, não se pune familiares pelo erro de um.

— Agora que Liu tirou os homens de lá, como saberá como eles se comunicam? — Gong Hui perguntou, mastigando arroz. — Eu sou uma cara nova, quer que eu vigie Duolong?

— Não, não siga Duolong, siga Da Chuan. É por ele que vamos encontrar o ponto fraco. Quanto a Duolong, podemos investigar com calma — disse Luo Yao.

— Você é mesmo ardiloso, até uma armadilha para Han Liangze preparou? — Gong Hui, já acostumada aos métodos de Luo Yao, percebia suas intenções.

Esse homem sempre pensa três passos à frente, cada movimento tem seu segredo.

— Suponha que Duolong seja mesmo um comerciante honesto, não seria tudo mais simples? — Luo Yao questionou.

— Autoengano?

— Duolong é de fora, podemos deixá-lo quieto por ora, mas Da Chuan não pode escapar. Qualquer atitude suspeita, agiremos. Não podemos sempre esperar de braços cruzados, devemos agir. Tanto surpreendendo quanto atraindo o inimigo — Luo Yao concluiu.

Gong Hui ficou meio perdida, sem entender exatamente o que Luo Yao queria dizer.

— Vamos comer logo. Pela sua expressão, aposto que não entendeu nada — Luo Yao a olhou de soslaio. — Da Chuan é com você. Qualquer contato dele com o pessoal do Café Crepúsculo, aja imediatamente.

— Certo, certo...

— Já estou satisfeito, vou corrigir as provas. Amanhã tenho aula, e ser professor exige responsabilidade — Luo Yao levantou-se após comer, limpou a boca e subiu, deixando toda a louça para Gong Hui.

Gong Hui, resignada, balançou a cabeça. Se isso continuasse, acabaria virando uma “dona de casa cansada”. Não, por que pensou nisso?

Tum, tum...

— A Cheng chegou, vá abrir a porta — a voz de Luo Yao veio do andar de cima.

Gong Hui suspirou. Ter um chefe de ouvido tão apurado era difícil, não dava para esconder nada dele. Espere, por que hoje a comida não tinha pimenta? Será que... Gong Hui corou. Como ele sabia que ela estava menstruada hoje?

Do lado de fora, era mesmo A Cheng.

Gong Hui o deixou entrar.

— Senhorita Hui, o chefe Ma pediu que eu avisasse você e o senhor Qin: o peixe mordeu a isca — anunciou A Cheng ao entrar, aceitando um copo d’água de Gong Hui.

— A Cheng, suba e explique melhor.

— Sim, senhor Qin — respondeu ele, subindo apressado, sem ousar perguntar demais sobre o relacionamento dos dois.