Capítulo 72: Investigações

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 4033 palavras 2026-02-07 16:23:54

Sede da Polícia Geral de Verão do Porto.

Depois de muitos esforços, Han Liangze finalmente assumira o cargo de chefe da polícia, não mais como interino, mas agora como o verdadeiro comandante. Sua filha também já estava casada, e o sogro era o homem mais rico de Verão do Porto. Este era, sem dúvida, o auge de sua vida.

Mas quem não pensa no futuro, logo terá preocupações imediatas!

E sua preocupação era: quanto tempo mais conseguiria manter-se como chefe da Polícia de Verão do Porto? Não que alguém estivesse ameaçando sua posição, mas porque o exército japonês estava prestes a invadir Jiangcheng. Conhecendo o governo nacionalista e a capacidade de luta de suas tropas, ele estava certo de que Jiangcheng dificilmente seria defendida.

E, se Jiangcheng caísse, o que seria deles? Ele não era como os cidadãos comuns, que poderiam simplesmente ir embora em busca de outro lugar. Sendo o chefe de polícia, abandonar seu posto e seus subordinados seria considerado deserção, crime severamente punido em tempos de guerra — poderia até custar-lhe a vida.

Por outro lado, se ficasse, o que seria de seu destino quando os japoneses entrassem em Jiangcheng? Era impossível não se preocupar.

— Diretor, o novo comandante interino do Batalhão de Especiais, Liu Jinbao, chegou. — As palavras do secretário Dong Cheng interromperam os pensamentos de Han Liangze, lembrando-lhe do compromisso daquela manhã: receber o recém-nomeado comandante interino Liu Jinbao.

A nomeação viera diretamente do alto comando, passando por cima do próprio chefe de polícia. Em tempos extraordinários, o envio direto de um antigo membro do Batalhão de Especiais era claramente uma decisão incomum.

Liu Jinbao passara mais de meio ano em treinamento especial (no curso para policiais especiais da Escola Central de Oficiais de Polícia); era natural que, ao regressar, fosse promovido — pelo menos, não haviam colocado alguém desconhecido no posto.

Contudo, Han Liangze tinha outro motivo para encontrar Liu Jinbao.

Vestindo botas de couro pretas e o uniforme novo, Liu Jinbao entrou com passos firmes no escritório de Han Liangze, chapéu nas mãos, pernas juntas.

Postura de sentido, saudou:

— Relatando ao diretor Han, o novo comandante interino e vice-comandante do Batalhão de Especiais, Liu Jinbao, apresenta-se para serviço!

— Comandante Liu, venha, sente-se. — Han Liangze levantou-se apressado, recebendo-o com sorriso aberto. — Secretário Dong, traga um chá para o comandante Liu.

— Obrigado, diretor Han.

— Não precisa de tanta cerimônia, Jinbao. Você já trabalhou aqui antes; agora que retorna, tudo é diferente. — Han Liangze falou com simpatia.

— Onde quer que eu vá, sou sempre subordinado ao diretor Han. — Liu Jinbao respondeu humildemente. — Fiquei meio ano fora, o batalhão vai precisar muito do seu apoio daqui em diante.

— Apoio, claro, terá todo o apoio! — Han Liangze riu, mas logo franziu o cenho e perguntou: — Se não me engano, além de você, havia outro selecionado para o treinamento especial?

— O senhor se refere a Luo Yao, do setor de estatística da secretaria?

— Isso, isso mesmo, Luo Yao. Veja só, até esqueci o nome dele...

— Diretor Han, ouvi dizer que ele é seu sobrinho por afinidade. Como pôde esquecer o nome dele? — Liu Jinbao não queria tocar no assunto, mas não resistiu ao ver a atuação de Han Liangze.

— Sim, mas nosso grau de parentesco é distante. — Han Liangze sorriu, um tanto constrangido. — E ele, como está? Por que não voltou ao departamento com você?

Distante? Era pura mentira: as famílias tinham até prometido casamento desde o berço!

— Ele ainda não concluiu o curso, só deve ser designado no final do ano. — Liu Jinbao, claro, não contou a verdade.

— É mesmo? E há chance de ele... — Han Liangze insinuou.

— Acho que não. Ele está estudando telecomunicações, normalmente esses vão para a sede central. Eu, que fiz o curso de operações, voltei para o batalhão. — explicou Liu Jinbao.

— Entendi, obrigado, Jinbao.

— Não há de quê. Se não houver mais nada, vou para o trabalho. — Liu Jinbao levantou-se e despediu-se.

— À vontade.

...

— Comandante Liu?

— Senhor Gu... — Liu Jinbao virou-se ao ver Gu Muhan, abrindo um sorriso.

— De volta? — Gu Muhan sorriu de leve. — Eu estava curioso sobre o novo comandante do Batalhão de Especiais, então era você.

— Tenho que agradecê-lo pela recomendação, sem isso eu não estaria aqui hoje.

— Foi mérito seu. Que tal um drink à noite? — Gu Muhan convidou.

— Com um convite seu, por maior que seja o compromisso, compareço. — respondeu Liu Jinbao rapidamente.

— Está cada vez mais afiado nas palavras. Então, como de costume, no mesmo lugar. — Gu Muhan riu, passando por ele.

...

À noite, Liu Jinbao chegou e Gong Hui abriu a porta.

— Mas que cheiro de álcool, quanto você bebeu? — Gong Hui perguntou tapando o nariz, com olhar de desaprovação.

— Acabei de voltar, tinha que socializar, não deu pra evitar, tudo ex-chefe e colegas antigos. — Liu Jinbao respondeu com um sorriso sem graça.

— Está bem, entre logo.

— Onde está o chefe?

— Lá em cima.

— O dia todo de novo? — Liu Jinbao, surpreso.

— Sim, não desceu nem para comer, fui eu quem levou tudo lá em cima. — Gong Hui assentiu.

— O chefe é incansável, deveria descansar um pouco; se cair, ficamos todos perdidos.

— Liu, suba. — uma voz chamou.

— Já vou! — Liu Jinbao respondeu, subindo apressado e, em menos de três segundos, entrou no quarto de Luo Yao.

— Gu Muhan te convidou para jantar?

— Como você sabe? — Liu Jinbao ficou surpreso. Sabia que Luo Yao era bom de ouvido, mas não tinha mencionado Gu Muhan a Gong Hui.

— Seu antigo chefe. Agora, no comando da polícia, ele supervisiona seu batalhão. — Luo Yao tirou o fone de ouvido. Na verdade, reconhecera o cheiro de carneiro; tinha memórias marcantes desse sabor, já que Gu Muhan o convidara para jantar uma vez e servira o mesmo prato.

— Pois é, se o capitão Hong não tivesse saído, nem teria chance como comandante interino. — Liu Jinbao riu, sentando-se numa cadeira.

— E o primeiro dia de volta, como foi?

— Tranquilo, mas todos olham diferente agora. — E fez um gesto: — Antes, olhavam assim; agora, assado...

— Inveja?

— Claro! Quem mandou não querer se inscrever na época? Agora estão todos arrependidos. — Liu Jinbao riu.

— Perguntaram de mim?

— Perguntaram, vários.

— Vários?

— Três, para ser exato. O primeiro foi o diretor Han, cedo já pediu para eu ir lá, só queria saber de você, se voltaria para Jiangcheng...

— E o que você disse?

— Falei que você ainda não se formou e dificilmente voltaria para Jiangcheng.

— E os outros dois?

— Gu Muhan e Liu Yumei. — respondeu Liu Jinbao.

Gu Muhan perguntar não surpreendia Luo Yao, mas Liu Yumei... Trabalhavam juntos há pouco mais de meio mês, e se não fosse pelo escritório, talvez nem conversassem. Ela era divorciada e não tinha boa fama por ali.

Claro, isso era só boato; Luo Yao nunca a vira em situação comprometedora.

— E o que respondeu?

— O mesmo que ao diretor Han: você não volta mais para Jiangcheng. — Liu Jinbao abaixou a voz, curioso. — Mas Liu Yumei pareceu decepcionada. Vocês têm algo?

— Nada, só dividimos o escritório.

— Liu Yumei é a flor do setor, tem um monte atrás dela, mas nunca deu bola pra ninguém. Até o diretor Han já se interessou, mas a esposa dele é uma fera, coragem não lhe falta, mas falta-lhe o atrevimento. — Liu Jinbao riu.

Luo Yao sorriu. Conhecia um pouco de Liu Yumei: apesar da aparência ousada, no fundo era bem conservadora.

Para uma mulher bonita, divorciada, sobreviver num ambiente masculino exigia certa habilidade.

— Não é realista assumir o comando total do batalhão tão cedo. Escolha alguns de confiança, promova-os, garanta sua influência, evite conflitos com Gu Muhan, pois ele certamente vai escolher alguém para competir com você. O que for essencial, dispute sem recuar; o que puder ceder, ceda. — aconselhou Luo Yao.

— Mas o que exatamente devo disputar?

— Tudo que envolva casos de espionagem japonesa, segure firme. É nosso interesse central. Quanto aos traidores ou comunistas, pode deixá-los para outros. — Luo Yao foi claro.

— Traidores podemos ignorar, mas os comunistas... o alto comando diz que são a maior ameaça. — Liu Jinbao não entendeu.

— Agora os comunistas também lutam contra os japoneses. Quer ser apontado pela população como traidor dos seus? Nossa disputa com eles é entre irmãos, não se compara aos japoneses. Se começarmos a brigar agora, só ajudamos o inimigo. O que os outros fazem é problema deles, vamos cuidar dos nossos. — explicou Luo Yao.

— Entendido. — Liu Jinbao assentiu. Não compreendia muito, nem queria pensar sobre isso; Luo Yao era o chefe, ele que assumisse os riscos.

Gong Hui ouviu, um brilho diferente passou em seu olhar, mas logo disfarçou.

— Vá, volte cedo. Ainda mora no mesmo lugar?

— Mudei, agora tenho um quarto individual na sede, qualquer lugar serve. — respondeu Liu Jinbao.

— Ficar na sede dificulta movimentos, mude-se quando possível. Fale com Gong Hui, ela é a responsável pela logística do grupo. Se faltar dinheiro, procure por ela também. Sobre as receitas extras no departamento, saiba distinguir o que pode e não pode aceitar. — Luo Yao instruiu.

— Entendi, vou indo.

— E não venha sempre aqui sem motivo, não é seguro. Quando houver reunião, será na casa de Yan Ming, avisarei antes. — concluiu Luo Yao.

...

— Liu foi para a polícia, vai se ocupar por lá. Estamos ficando sem pessoal. Será que peço ao meu pai para mandar mais alguns? — Depois que Liu Jinbao saiu, Gong Hui subiu e perguntou.

— Ainda não é preciso. Você não tem alguns contatos no setor de investigações da zona de guerra? — indagou Luo Yao.

Gong Hui assentiu: — Eles ainda não sabem o que realmente queremos. Só acham que trabalhar conosco é melhor do que sofrer desprezo no departamento.

— Não podemos “roubar” gente tão abertamente, senão vão nos denunciar. — Luo Yao sorriu. — Já começaram a envolver-se no plano com Clifford?

— Já. Song He, secretário do comandante do Nono Distrito de Guerra, teve a noiva cobiçada pelo general Qian Zhibin, vice-diretor de transporte de equipamentos. Como não podia competir, afogou as mágoas na bebida e assim conheceu o senhor Clifford...

— Que histórias mais absurdas! — Luo Yao balançou a cabeça. — No fim, se o país perder tudo, a culpa será dessa corrupção e abuso de poder. É a revolta do povo, impossível negar.