Capítulo 65: Como Era de Esperar

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3323 palavras 2026-02-07 16:23:50

— Ainda não houve retorno?
Duas horas depois.
As ruas já estavam sob toque de recolher...
E ainda assim, nada de resposta!
— Deixe pra lá, pode ir descansar, acho que esta noite não teremos retorno — disse Luo Yao, batendo levemente duas vezes na borda da mesa, dirigindo-se a Gong Hui.
Gong Hui tirou os fones de ouvido, mas não saiu imediatamente. Disse:
— Luo Yao, será que nosso plano não é idealista demais? Não existe outro jeito de atrair o “Kappa”?
Luo Yao ponderou por um instante antes de responder:
— Depois que Yoshida e Oikawa foram presos, “Lin Miao” ficou assustado como um pássaro ferido, certamente não vai se arriscar tão cedo. Mas agora, com o exército japonês avançando diretamente contra Jiangcheng, é justamente o momento em que ele precisa agir, e mesmo que não tentemos atraí-lo, seu superior vai ordenar que ele tome a iniciativa. Poderíamos esperar pacientemente, mas o tempo não espera por nós; quem sabe o que pode acontecer no próximo segundo?
— Eu também concordo em agir, mas não seria melhor não mirarmos um alvo tão grande?
— Você acha que por uma informação trivial o “Kappa” vai se arriscar? — Luo Yao soltou uma risada fria. — Estudei as informações que ele já transmitiu no passado, todas eram de grande valor. Se fosse uma informação comum, duvido que despertaria o interesse dele, ainda mais agora.
— Mesmo que você esteja certo, o Diretor Dai pode não aprovar nosso plano, não?
— Não me preocupo tanto com o Diretor Dai rejeitando o plano; minha preocupação é com o Quartel-General do Nono Distrito de Guerra... — Luo Yao respondeu, apreensivo.
A relação entre o Comandante Chen e Dai Yunong era um segredo para muitos, mas ele sabia bem: tratava-se de rivalidade interna no Partido Nacionalista, disputas de poder, até mesmo de questões pessoais.
Sem a colaboração do Quartel-General, mesmo que o plano fosse executado, o resultado seria bem inferior ao esperado.
O “Kappa” era cauteloso, não agia facilmente, mas perder três membros importantes de uma só vez era um golpe duro. Se não conseguisse reposição — ou mesmo se conseguisse — sua equipe não seria mais a mesma de antes.
O “Kappa” ainda tinha uma estação de rádio. O padrão de transmissão dela era inconfundível para Luo Yao, mas localizá-la era uma tarefa quase impossível.
Afinal, ninguém sabia quando ela era usada, em que frequência, com qual identificação. Talvez, com tempo e sorte, pudessem achá-la, se tivessem equipamentos e pessoal suficientes.
E, no momento, Luo Yao não tinha nem um, nem outro.
— Gong Hui, amanhã vá falar com o vice-prefeito Tang. Diga a ele que preciso de todos os registros sobre rádios clandestinas captadas pela estação de Jiangcheng, incluindo faixa, frequência e identificação — ordenou Luo Yao.
— Você quer encontrar o rádio do “Kappa” entre os dados que já temos? — Gong Hui perguntou, surpresa.
— Vamos tentar. Não sei se conseguiremos, mas não podemos só esperar. Quem sabe damos sorte — Luo Yao assentiu.
— Mas só temos um rádio, não vamos aguentar deixá-lo ligado vinte e quatro horas — retrucou Gong Hui.
— Peça ao vice-prefeito Tang que nos arrume mais dois rádios. Além disso, vocês também vão me ajudar a escutar; se surgir algo suspeito, eu faço a triagem.
— Nossa rede elétrica não vai aguentar, teríamos de adaptá-la, sem contar que o consumo diário de energia vai levantar suspeitas — ponderou Gong Hui.
— Dê um jeito. Compre uma geladeira usada e um ventilador. Assim, se alguém notar o aumento do consumo, teremos uma explicação plausível — sugeriu Luo Yao.

— Tudo bem.
...
Jiangcheng, Quartel-General do Nono Distrito de Guerra, noite iluminada.
O Nono Distrito de Guerra foi formado da fusão do antigo Nono Distrito com o Comando de Guarnição de Jiangcheng. O antigo comandante da guarnição, Chen Cixiu, tornou-se o comandante-chefe, e Xue, o antigo comandante do distrito, o vice-comandante.
A fusão tinha como objetivo unificar o comando durante a defesa de Wuhan, com as duas sedes funcionando lado a lado.
No escritório, Chen Cixiu, em uniforme de general, magro e de olhos fundos, mas com olhar firme, enfrentava uma avalanche de más notícias, poucas boas, quase todas abafadas pelas ruins.
O ataque japonês prosseguia feroz, a guerra na linha de frente era intensa; Jiangcheng ainda era retaguarda, mas já se podia sentir o cheiro da pólvora.
Jiangcheng não podia cair como Jinling; se isso acontecesse, Chen Cixiu carregaria, como Tang Shengzhi, uma infâmia eterna.
Cansado no corpo e, ainda mais, na alma, precisava resistir — era sua responsabilidade.
— Senhor, sua esposa preparou um lanche para o senhor — anunciou o secretário, entrando após bater à porta e aproximando-se. — Quer que eu traga aqui ou prefere comer lá fora?
— Lá fora mesmo, estou com fome e minha esposa me conhece bem — disse Chen Cixiu, levantando-se, massageando o nariz, após horas debruçado sobre a mesa.
— Oh, bolinhos de amido de batata! Faz anos que não como isso — exclamou ao levantar a tampa e ver o vapor subindo do prato. Um sorriso infantil iluminou seu rosto.
Sentou-se, provou um dos bolinhos e saboreou:
— É esse o sabor, delicioso.
— Senhor, o Diretor Liu do Departamento de Investigação pede audiência.
— O que ele quer aqui? — Chen Cixiu, de bom humor após as primeiras mordidas, ficou imediatamente de cara fechada ao ouvir o nome. O Departamento de Investigação, oficialmente subordinado ao Quartel-General, na prática não lhe obedecia, só espionava os próprios compatriotas.
— Ele disse que é urgente.
— Urgente? Vem me procurar tão tarde? — Chen Cixiu franziu o cenho.
— Ele não explicou, e não me atrevi a perguntar. — O secretário hesitou. — Se quiser, posso dizer que o senhor já foi descansar e pedir que volte amanhã?
Chen Cixiu balançou a cabeça. Com a guerra se aproximando, se algo desse errado por sua causa e Dai Yunong o denunciasse ao presidente, seria péssimo.
— Diga a ele que espere um pouco, deixo para vê-lo depois de terminar o lanche que minha esposa fez.
Chen Cixiu terminou todos os bolinhos, tomou até a última gota de sopa, levantou-se, massageou o estômago e só então mandou o secretário chamar o visitante.
— Senhor, o vice-diretor Dai acaba de enviar uma mensagem cifrada, pediu que eu a entregasse em mãos imediatamente — disse o Diretor Liu ao entrar, entregando a mensagem ao secretário, que a passou a Chen Cixiu.
— “Plano Pescaria”, seu vice-diretor Dai não tem mais o que fazer senão inventar esses joguinhos de criança? Vai enganar quem? — Chen Cixiu leu por alto e descartou, desdenhoso.
— Senhor, li o plano e acredito que seja bastante exequível — apressou-se o Diretor Liu. Dai Yunong não lhe dera ordens diretas, mas ele sabia que era seu dever defender a proposta.
— Já entregou a mensagem, pode ir — interrompeu Chen Cixiu, acenando para que saísse.

O Diretor Liu nada podia fazer. Ele era general de brigada, enquanto Chen Cixiu era general de exército e protegido do presidente; não havia como contrariá-lo. Só lhe restava bater continência e sair.
— Que plano ridículo de “Pescaria”! A guerra batendo à porta, e essa gente do Serviço Secreto nem consegue lidar com os espiões japoneses infiltrados em Jiangcheng! Só sabe causar confusão e ainda tem a cara de pau de vir me propor planos? — Chen Cixiu resmungou, assinou “visto” no telegrama e mandou arquivar.
...
Dai Yunong ainda aguardava resposta do Diretor Liu.
A resposta veio, mas o conteúdo não era nada agradável.
— Recebemos resposta do Diretor Liu. O senhor Chen olhou a mensagem, reclamou dizendo que era brincadeira de criança e não deu importância.
— Chen Cixiu, ousa me desprezar desse jeito? — Dai Yunong explodiu de raiva ao ouvir aquilo.
— Chefe, e quanto a Luo Yao? O que responderemos a ele?
— Nada. Não vamos responder nada — respondeu Dai Yunong, lançando a Mao Qiwu um olhar feroz, capaz de intimidar qualquer um.
Mao Qiwu ficou paralisado por um tempo antes de recuperar a fala. Pensou que Luo Yao ia se meter em problemas desta vez. Ah, quando os deuses brigam, quem sofre são os mortais.
...
Na manhã seguinte.
— Ainda nada do velho?
— Nada — Luo Yao balançou a cabeça, sem saber se seu plano havia sido visto como uma tentativa de autopromoção.
Um simples aprendiz ousando dar ordens aos próprios superiores só porque teve algum mérito?
— Quer que enviemos de novo? — sugeriu Gong Hui.
— Não adianta. Se o velho não respondeu, significa que podemos agir por conta própria — disse Luo Yao. — É arriscado, mas pode dar certo.
— Sem a colaboração do Quartel-General, como vamos nos passar por eles? E se o “Kappa” tiver infiltrados lá?
— Mesmo que tenha, não conseguirão acessar o núcleo do comando. Se pudessem, nem haveria guerra — respondeu Luo Yao. — Temos alguém do nosso grupo no Quartel-General?
— Temos, no Departamento de Investigação. Uns cinco ou seis são do nosso treinamento — disse Gong Hui.
Luo Yao assentiu:
— Se o velho não respondeu, é porque não se opôs. Sem oposição é consentimento. Deixe o Liu fazer o primeiro contato, colher informações, depois decidiremos.
Gong Hui refletiu e concordou:
— Certo.