Capítulo 71: O Mensageiro de Satã!

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3700 palavras 2026-02-07 16:23:53

— Daqui a pouco, escreva tudo que sabe, sem ocultar nada. Vou verificar cada informação. — advertiu Ro Yao.

— E-eu entendi.

— Tome, beba este copo de água. Não diga que não somos humanitários. — Ro Yao colocou o copo diante de Criffer.

— Obrigado. — Criffer ergueu o copo, grato, e bebeu toda a água de uma vez.

— Há mais uma coisa. Preciso da sua ajuda.

— Do quê?

— Preciso que nos ajude a encontrar Lin Miao.

— N-não, impossível! Ele vai me matar! — Criffer gritou apavorado.

Ro Yao soltou uma risada seca: — Senhor Criffer, pense bem. Não estou pedindo, é uma ordem. Sabe de que crimes está sendo acusado? Sabe qual seria a punição no seu país?

Criffer não era tolo. Já havia traído Lin Miao e sabia muito bem como os japoneses tratam “traidores”. Mas perder a liberdade também era uma dor insuportável; ele não queria apodrecer numa cela escura.

— O que quer que eu faça?

— Você é um intermediário de informações. Sabe que tipo de notícia interessa a Lin Miao? — Ro Yao percebeu que Criffer já hesitava; era o típico ocidental egoísta, sabia muito bem escolher o que era melhor para si.

— Quer que eu o atraia com informações?

— Exatamente.

— Faz tempo que ele não aparece. Não tenho ideia de onde ele esteja.

— Não precisa saber onde está; só precisa fazê-lo saber que você possui uma informação que ele deseja. — Ro Yao sorriu levemente.

— Ele é muito cauteloso. Embora eu negocie informações, ele nunca comprou nada diretamente de mim. — respondeu Criffer.

— Por quê?

— Depois que me apresentou ao senhor Mimu, do consulado japonês em Shanhai, quase sempre tratei apenas com ele. Se havia informação, era com Mimu que eu negociava. Lin Miao só intermediava de vez em quando, falávamos pouco. — explicou Criffer.

— Não se preocupe com isso. Agora só faça o que eu mando e garanto que embarcará em segurança para Hong Kong. — disse Ro Yao, sorrindo.

— Não! Meu voo para Hong Kong é hoje ao meio-dia, todos sabem. Se eu não aparecer, vão desconfiar!

— Houve um ataque aéreo japonês em Jiangcheng, os voos estão suspensos. Você terá que ficar por aqui por enquanto, serve como desculpa? — Ro Yao explicou.

— Droga! Eles não vão acreditar nisso...

— Pare de reclamar e não tente me enganar. Faça exatamente o que eu disser e nada lhe acontecerá. Mas, se tiver outra intenção, mato você na hora. — Ro Yao advertiu. — Você é um espião, nada do que faz é protegido por lei. Se morrer, nem o governo do Império Britânico poderá defendê-lo, muito menos querer se envolver. Entendeu?

— Entendi... — Criffer revirou os olhos castanhos, assentindo com dificuldade.

— Assim é melhor. Cooperar é bom para ambos. Agora vou mandar trazer papel e caneta, escreva tudo que sabe. — Ro Yao riu baixo. — Ah, e aquela água que você bebeu... você já esteve em Xiangxi, não?

— Ah... — Criffer sentiu ânsia, mas não conseguiu vomitar, ficando lívido. Esse chinês era assustador, parecia o próprio mensageiro do diabo!

...

— E então, ele falou?

— Falou. Mande alguém levar papel e caneta, vigie para que ele escreva tudo que sabe. — Ro Yao assentiu. — E prepare algo para ele comer. Só depois que escrever, deixe levar a comida. Com gente assim, não se deve ser bonzinho demais.

— Ro, você é bom mesmo. — Tang Xin mostrou o polegar. Criffer era britânico, diferente dos nossos, e estrangeiros não podiam ser tratados de qualquer forma para evitar incidentes diplomáticos.

— Não é nada demais. É como acertar a cobra no ponto certo: pegando o calcanhar, tudo se resolve. — explicou Ro Yao.

— E o que faremos com Criffer? — perguntou Tang Xin.

— Ele será útil para nosso plano de "pesca". Você sabia que foi Lin Miao quem o apresentou aos japoneses para fornecer informações?

— O quê? Ele tem ligação com Lin Miao? — Tang Xin se espantou. Quando Ro Yao lhe pediu para investigar Criffer, já achou estranho, pois ele também era alvo de investigação das autoridades.

E, de fato, envolvido em casos de espionagem.

Quando Ro Yao pediu a verificação, Tang Xin suspeitou que Criffer poderia ter ligação com o grupo japonês "Kappa", e não esperava que as coisas realmente se conectassem.

— Agora não precisamos agir diretamente, temos alguém pronto para usar. — Ro Yao apontou para a sala de interrogatório. — É um estrangeiro. Os japoneses não confiam neles, mas ainda assim preferem a um de nós.

— Mas para Lin Miao acreditar nas informações, não será fácil. — Tang Xin concordou. Contato direto com Lin Miao era arriscado e difícil de estabelecer confiança, mas Criffer já tinha esse vínculo.

O problema era a fonte das informações de Criffer.

Lin Miao não era ingênuo. Informações confidenciais sobre o posicionamento da fortaleza de Tianjiazhen eram segredo militar, fora do alcance de Criffer.

— Teremos que mudar o plano. Ele não pode acessar mapas de defesa da fortaleza, mas notícias, sim. — disse Ro Yao.

— Você quer dizer, o trajeto e o horário da transferência da cópia dos planos de defesa de Tianjiazhen para Jiangcheng? — Tang Xin, experiente, logo entendeu.

— Exato. Eles não vão assaltar pelo caminho, só tentar roubar durante o trajeto. Bastará entregar as informações falsas a Lin Miao. — explicou Ro Yao.

— Brilhante. — Tang Xin bateu palmas, rindo. — Assim fica muito mais fácil para nós.

— Sim, desde que Criffer se encontre com Lin Miao, seguimos o rastro e descobrimos a estrutura da rede de espionagem japonesa. Não podemos errar como da última vez, quando fomos apressados. — alertou Ro Yao.

— Da última vez fomos precipitados demais. Se tivéssemos esperado, talvez Lin Miao tivesse aparecido e não estaríamos nesta situação.

— Quando ele terminar de escrever, solte-o. Não coloque ninguém para vigiá-lo. — ordenou Ro Yao.

— E se ele fugir? — perguntou Tang Xin.

— O monge pode fugir, mas o templo continua. Sabemos onde mora em Hong Kong, ele também sabe quem somos. — Ro Yao sorriu frio. — Aqui em Jiangcheng, quem tentar nos enganar terá que arcar com consequências impossíveis de suportar.

— Boa ideia — concordou Tang Xin. — Faremos como você sugeriu.

...

A Livraria Songtao agora se chamava "Livraria Amigo Íntimo". O dono era Yan Ming, e o único assistente era Qiao Sanyang, conhecido como Pequeno Nordeste.

Ao ver Ro Yao disfarçado entrar, Yan Ming chamou logo:

— Sanyang, já não há mais cliente, pode fechar a loja.

— Sim, já vou.

— Chefe, o que faz aqui? — Yan Ming apressou-se em recebê-lo. — A loja ainda está uma bagunça, devia ter avisado antes.

— Daqui para frente, me chame de senhor Qin.

— Sim, senhor Qin.

— Você pode cuidar da loja sozinho. Quero que o Gato Florido siga um homem para mim. — Ro Yao tirou uma foto: era Criffer. — O nome dele é Criffer, mora no terceiro andar do antigo prédio Jingming, no antigo bairro britânico. Diga ao Gato Florido para apenas observar de longe e anotar tudo que ele fizer e disser.

— Entendido. — Yan Ming guardou rapidamente a foto.

— Embora essa livraria seja nosso ponto de contato, cuide bem dela, pois ainda será útil no futuro. — lembrou Ro Yao.

— Pode deixar.

— E traga mais livros de apoio sobre matemática para o ensino médio. — pediu Ro Yao.

— Já entendi.

Ro Yao usava como disfarce a identidade de professor de matemática do colégio privado Shakou Shangzhi, por isso pediu mais livros didáticos, para justificar suas visitas frequentes à livraria.

— Está bem, vou indo. Qualquer coisa, aviso por telefone. — disse Ro Yao, batendo de leve no telefone preto do balcão.

...

— Voltou. Ainda não comeu, quer que eu compre algo? — Gong Hui abriu a porta para Ro Yao.

— Não precisa, hoje vamos cozinhar em casa. Comprou ingredientes?

— Não, devia ter avisado antes... — Gong Hui ficou sem graça.

— Não tem nada, nem verduras?

— Ainda sobrou um pouco, mas estão murchas...

— Murchas servem, é só branquear. Vamos comer macarrão. Tem farinha?

— Tem sim, comprei um pacote essa semana.

Lavar as mãos, sovar a massa, abrir a massa, suar (como esse termo apareceu aqui, nem o autor sabe)...

Meia hora depois, uma panela de macarrão artesanal estava pronta. O macarrão foi servido em tigelas, duas folhas verdes por cima, dois ovos pochê e algumas gotas de óleo de gergelim.

Não podia faltar o cheirinho delicioso de gordura de porco e um pouco de alho picado.

O aroma era realmente tentador.

Gong Hui, vinda do norte, sempre gostou de massas. No sul, adaptou-se ao arroz, mas nada supera uma boa massa.

Ela não imaginava que Ro Yao tivesse tal habilidade, um simples macarrão tão saboroso, quase tão bom quanto o da própria mãe.

Enquanto comia, Ro Yao contou a ela sobre a captura de Criffer e os próximos passos do plano.

— Qin, e se Lin Miao não aparecer? — perguntou Gong Hui. (Para evitar deslizes, ambos usavam nomes falsos em casa.)

Ro Yao parou, colocou os hashis sobre a mesa:

— Não posso garantir, mas se Lin Miao não aparecer, significa que não está mais na cidade ou que tivemos azar. Pela minha intuição, ele ainda se esconde em algum canto de Jiangcheng.

— Hoje à noite vamos ouvir novamente?

— Sim, continuaremos. Se dermos sorte, pode ser que algo aconteça hoje. — Ro Yao assentiu. Não podia perder nenhuma oportunidade.

Quem sabe, talvez hoje mesmo o "Terceiro Canal" seja ativado para contato.