Capítulo 90: Inspetor Qin Ming

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3823 palavras 2026-02-07 16:24:04

— Ai...
— O que foi? Por que esse suspiro?
Gong Hui pensou por um bom tempo e decidiu não se preocupar mais com esse problema. Afinal, Luo Yao era o chefe da equipe, devia apenas obedecer às ordens.
— Eu ainda estou pensando em como esse “Lin Miao” conseguiu se infiltrar no depósito militar. Agora vejo que, com um pouco de esperteza, qualquer um conseguiria.
— O quê?
— Eu fiquei aqui observando por dez minutos. A guarda do depósito militar é pura formalidade. Qualquer ferido do nosso exército, vestindo o uniforme, entra sem sequer ser revistado.
Luo Yao sorriu amargamente.
— Talvez eles conheçam os soldados.
— Conhecem? O depósito militar tem tanta rotatividade... Você acha que os sentinelas memorizaram todos, como você faz?
Luo Yao resmungou.
— E agora? Daqui a pouco nós também teremos que entrar.
— Como não pensei nisso antes? Os veteranos são mesmo astutos.
Luo Yao suspirou, sentindo-se frustrado.
— Verdadeiramente um erro, um erro.
— Você ainda não disse como vamos entrar.
Gong Hui se apressou.
— Pra quê a pressa? Você acha que não estou preparado?
Luo Yao deu uma risada e tirou um documento do bolso, entregando a ela.
— Inspetor Qin Ming, do Departamento de Investigação do Comando da Zona de Guerra.
Gong Hui leu em voz alta.
— Quando você conseguiu esse documento falso?
— Não é falso, é verdadeiro. Se ligarem para o Departamento de Investigação do Comando, vão confirmar.
Luo Yao riu, guardando o documento no bolso.
— Por que você tem documento e eu não?
Gong Hui, insatisfeita, estendeu a mão.
— Você é minha subordinada, pra quê documento?
— Sabia que você diria isso.
Ela recolheu a mão, emburrada.
— Mão de vaca.
Luo Yao ficou sem graça. O documento tinha sido conseguido especialmente para essa missão. Sem essa identidade, como poderia comandar Ma Shiqing e os outros?
Com essa posição, tudo ficava em ordem, e até uma parte do mérito seria creditada ao Departamento de Investigação.
— Vamos atravessar agora?
— Não há necessidade de pressa. Se não acontecer nada, ficamos quietos, só observando. Se necessário, agimos.
Luo Yao balançou a cabeça.
— Vamos comer algo, estou com fome.
— A essa hora, não tem mais nada aberto. Não estamos em Jiangcheng.
Em cidades pequenas, às sete ou oito as tavernas já fecham. Agora, nem o fogão estará aceso.
— Tem um carrinho de wonton numa viela ali atrás. Vamos lá.
— Como você sabe?
— Ouvi alguém chamando os clientes...
Gong Hui guardou discretamente o pão seco que acabara de tirar.
— Chefe, duas tigelas de wonton, por favor.
Luo Yao a conduziu. Em cinco minutos chegaram ao carrinho, onde ainda havia bastante gente comendo.
Havia também alguns soldados nacionais levemente feridos, enrolados em ataduras. A comida no depósito apenas matava a fome, mas o sabor deixava a desejar. Os feridos saíam para comer melhor, o que era compreensível.
— Quer de carne de porco ou de carneiro?
— Tem diferença?
— O de porco custa dois centavos a tigela, o de carneiro um a mais.
O vendedor explicou animadamente. Ao lado, uma mulher de meia-idade, provavelmente esposa do dono, enrolava os wontons. Havia duas bandejas com recheios diferentes, já quase vazias, sinal de bom movimento.
— Uma tigela de cada, porco e carneiro.
Luo Yao perguntou a Gong Hui:
— E você, Xiao Hui, que recheio prefere?
— Você já não pediu?
— Pedi duas pra mim. Peça você mesma o que quiser.
— Quero uma de carneiro, com cebolinha, sem coentro.
Gong Hui lançou-lhe um olhar. Não era como se ele não soubesse de sua preferência.

Uma tigela de wonton de porco chegou primeiro. Luo Yao, ignorando o calor, começou a comer imediatamente. No almoço, não ousara comer muito, depois passou o dia correndo, e estava faminto.
Se não fosse por esperar Tian Youxi chegar ao depósito, já teria arrastado Gong Hui para comer.
Slurp...
Em instantes, devorou a tigela até a última gota, enquanto o wonton de carneiro ainda estava cozinhando.
Alguns soldados feridos terminaram de comer e, de repente, se levantaram, dirigindo-se à mesa deles.
— Cuidado, esses caras estão de olho em você.
Com essa proximidade, dava para ouvir claramente o que diziam. Tinham notado Gong Hui, uma moça bonita, e queriam puxar assunto.
Gong Hui lançou um olhar feroz para Luo Yao. Ela estava cheia de raiva, procurando alguém para descontar, e esses tolos vieram ao encontro do azar.
— Se for brigar, não faça aqui. Ainda quero comer meus wontons.
— Humpf!
...
— Moça, nunca mais vamos fazer isso, por favor, nos perdoe!
Os cinco homens estavam de joelhos, chorando e suplicando.
Pensaram que teriam sorte com uma bela mulher, mas acabaram apanhando de uma verdadeira leoa. Os ferimentos leves viraram graves.
— Por terem lutado contra os japoneses, vou deixar passar desta vez. Se houver uma próxima, corto suas coisas e dou aos cães!
Os cinco homens estremeceram, pensando que isso seria pior que a morte.
— Sumam daqui.
— Sim, sim, vamos sair já...
— Já sabem como explicar os machucados no rosto?
Luo Yao apareceu diante deles, frio.
— Sabemos, caímos sem querer.
O chefe respondeu apressado.
— Está enganando trouxa? Cinco caíram juntos desse jeito, estavam brincando de fila?
Luo Yao bufou.
— Então, o que dizemos?
— Dividam-se em dois grupos. Discutiram por besteira e brigaram. O motivo, inventem. Sumam!
— Sim, entendido!
No exército, brigas por qualquer motivo são comuns, nada de estranho.
...
— Xiao Hui, depois de digerir, é melhor voltarmos.
Luo Yao sorriu. Não era tolo, percebia que Gong Hui ainda estava irritada.
Se ela não extravasasse, não ficaria bem, e se ela não ficasse bem, ele também não teria sossego naquela noite.
Aqueles trouxas serviram de válvula de escape, o que ele até agradeceu, e por isso os alertou para não arranjarem mais confusão.
O depósito militar fechava por volta das nove da noite, mas não de forma rígida.
Depois desse horário, ainda havia gente entrando e saindo. Vestindo o uniforme nacional, ninguém barrava.
Civis comuns não tinham o uniforme, e bandidos não ousariam atacar um depósito fortemente protegido dentro da cidade.
Assim, a vigilância era frouxa por dentro, o que não era totalmente errado.
Mas quando as normas não são seguidas, abrem-se brechas. Grupos grandes não passariam despercebidos, mas um ou dois infiltrados era fácil.

Depois de um dia de viagem, “Lin Miao” também estava exausto. Descansou na hospedaria e então começou sua ação. Tirou do pacote uma farda de tenente subalterno do exército nacional.
Já havia preparado isso. Disfarçar-se de oficial superior não daria certo, pois eram poucos no depósito e eram conhecidos.
Tenente não podia ser patente muito alta; capitão já era comandante de companhia, até vice-comandante de batalhão. Um ferido assim seria notório. Tenente subalterno era mais comum, geralmente comandava pelotão, estava sempre na linha de frente, sofria baixas com frequência.
Além disso, já era oficial, com mais status e autoridade, menos sujeito a suspeitas ou barreiras.
O disfarce era perfeito.
Para dar mais realismo, “Lin Miao” ainda pegou um galho de árvore como bengala. Ele já era experiente em fingir mancar, simulando uma lesão na perna sem deixar falhas.
Na entrada do depósito, o sentinela apenas olhou para ele e o deixou passar sem perguntas. Claramente, o disfarce funcionou.
— Vamos também?
— Não vai trocar de roupa?
— Não precisa, todo mundo no exército sabe o que é o Departamento de Investigação. Andar à paisana é normal.
— Está levando arma?
— Sim, se não levar, e se houver luta?
Gong Hui revirou os olhos.
— Então vamos.
— Alto, quem são vocês?
O sentinela apontou a arma, barrando Luo Yao e Gong Hui.
— Irmão, somos do mesmo lado. Aqui está minha identificação.
Luo Yao mostrou o documento, sinalizando não ter más intenções.
— Desculpe, comandante.
— Não precisa bater continência. Viemos a trabalho, perdemos a hora da alimentação e precisamos descansar uma noite aqui. Peço sua compreensão.
Luo Yao recolheu o documento.
— Um momento, preciso pedir autorização.
O posto tinha telefone; o sentinela chamou outro para observá-los e foi buscar instruções.
— ...revistar... reter armas e documentos...
Luo Yao não tentou escutar a conversa ao telefone.
Ele e Gong Hui obedeceram.
Afinal, estavam em território alheio, não queriam problemas. Não estavam ali para passear.
O depósito era uma escola secundária adaptada. No campo de esportes, dezenas de tendas estavam montadas. O clima esfriava, muitos feridos dormiam ao relento, em condições difíceis.
Havia fogueiras acesas, com feridos deitados ao redor, alguns ainda abraçados às armas, lixo espalhado por todo lado.
O prédio servia de escritório, sala de cirurgia, enfermaria e também dormitório dos oficiais.
Tian Youxi foi alojado na sala dos oficiais. O grupo de escolta ficou em uma tenda próxima, a uns dez metros de distância.
— Viram, senhores? As condições aqui são limitadas, os quartos estão cheios. Terei de acomodá-los no depósito de materiais.
O chefe do depósito não apareceu, mandou um suboficial recebê-los e os levou ao depósito de suprimentos.
Luo Yao ficou impressionado com a administração displicente do exército nacional: reteram seus documentos, não checaram nada e ainda os levaram ao depósito central.
Ali ficavam os suprimentos militares, essenciais para apoiar a linha de frente, um verdadeiro local estratégico — e nem um sentinela na porta. Deixaram ele e Gong Hui entrarem sem problemas.
E se fossem inimigos?
Uma simples tocha poderia incendiar todo o depósito, causando perdas incalculáveis.
Não é de espantar que “Lin Miao” tivesse entrado com tanta facilidade.
Com uma disciplina dessas, como evitar a derrota?