Capítulo 84: Tentativa

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3358 palavras 2026-02-07 16:24:00

— O que você quer é arriscado demais, vai precisar pagar mais! — disse Clive.

— Você tem mesmo autoridade para decidir por coronel Qian? — retrucaram.

— Prometi a ele que, quando tudo desse certo, o ajudaria a ir para Hong Kong e depois para o exterior — Clive fez uma pausa e explicou: — O que ele está fazendo vai acabar vindo à tona, por isso, esse plano já estava traçado há bastante tempo.

— Podemos ajudar com isso, sem problemas.

— Não será preciso, ele quer ir para a Inglaterra, e acredito que posso ajudá-lo melhor do que vocês — respondeu Clive com confiança.

— Muito bem, contanto que suas informações sejam realmente valiosas, o Império do Grande Japão jamais deixará de recompensar amigos que nos são úteis.

Logo, esse encontro terminou.

Lin Miao, após uma série de procedimentos complicados, voltou para casa disfarçado novamente de trabalhador de caldeira, velho, feio e ainda coxo de uma perna.

...

— Não é necessário tomar nenhuma medida contra ele, apenas vigiem à distância — Luo Yao havia montado um centro de comando temporário na “Yi He Tang”, chegando até a transferir para lá o trabalho de escuta da “Estação Três”.

— E o interrogatório de Da Chuan? — perguntou.

— Não há quem o faça falar — suspirou Liu Jinbao, franzindo a testa. — Já se passaram mais de três dias desde o desaparecimento dos seus homens, e esse Duolong ainda age como se nada tivesse acontecido. Realmente estranho.

— Ele deve saber que os homens estão em nossas mãos, talvez esteja esperando que você vá procurá-lo — ponderou Luo Yao.

— Então, se ele já está exposto, por que ainda não foi embora?

— Se fugir, aí sim ficará evidente. Com as provas que temos, podemos realmente confirmar que sua identidade foi revelada? Afinal, a relação dele com Da Chuan não passa de patrão e empregado. O patrão obrigatoriamente conhece o passado do funcionário, tudo o que ele fez? Mesmo que você o prenda, ele pode simplesmente alegar desconhecimento, dizer que o contratou recentemente, apresentar provas e então, o que você fará?

— Então o que fazer? Se Da Chuan não abre a boca, não podemos agir contra Duolong?

— Desde quando o Departamento Militar precisa de provas para agir? E quanto mais tempo deixarmos, menos ele ousará se mover — Luo Yao deu uma risada. — Agora, quem está ansioso não somos nós, são ele e Han Liangze.

— Você realmente vai prender o chefe Han?

— Como assim “eu quero prender”? Se ele não fez nada, se é inocente, por que eu o prenderia? — sorriu Luo Yao. — Mas, se ele realmente tem ligações com espiões japoneses, eu mesmo o levarei à justiça.

Se Duolong e Da Chuan são espiões japoneses, sem dúvida Duolong é o principal e Da Chuan o subordinado. Agora que Da Chuan foi capturado, as tarefas dele recairão sobre Duolong.

Duolong certamente veio de fora.

Se precisa contatar os espiões japoneses infiltrados em Jiangcheng, o contato local só pode ser Da Chuan.

Com a perda desse braço direito, Duolong terá dificuldades para agir em Jiangcheng; ou ele age pessoalmente, ou simplesmente fica quieto, esperando.

— Conseguimos identificar quem recebeu o telegrama cifrado enviado por Da Chuan do Departamento de Telégrafos? — perguntou Luo Yao.

— Já entramos em contato com a estação de Taiyuan. O destinatário do telegrama, chamado Su Wendong, é o responsável por uma empresa chamada Nichin, que compra peles na região e as revende para o interior. É um negócio grande — explicou Liu Jinbao.

— O telegrama dizia para a Nichin preparar trezentos couros de boi em três dias e enviá-los por trem para Jiangcheng. Parece que Duolong encontrou um comprador por aqui, não? — indagou Luo Yao.

— Ainda não sabemos quem é o comprador, mas Duolong alugou um armazém recentemente, provavelmente para guardar esses couros.

— E Han Liangze?

— Vai e volta do trabalho, participa de eventos sociais, nada fora do comum — respondeu Liu Jinbao. — Mas aprovou o meu pedido de verba para informantes.

— Não só ele, preste atenção também ao secretário dele, Dong Cheng. Eles têm uma relação quase de pai e filho — alertou Luo Yao.

— Está anotado, vou designar alguém para isso — Liu Jinbao assentiu.

— Por ora, deixemos Da Chuan de lado. Nosso princípio é responder à ação com calma — disse Luo Yao, mal terminando a frase, quando um subordinado do grupo de operações especiais de Liu Jinbao entrou apressado chamando-o para fora.

— Qin, Duolong foi à Sétima Delegacia registrar um desaparecimento. Disse que seu guia em Jiangcheng está sumido há três dias, que não conhece bem a cidade e pediu ajuda da polícia para encontrá-lo — informou Liu Jinbao.

— E como a Sétima Delegacia reagiu?

— Há um registro, claro, mas com a situação atual, mesmo que abram um processo, dificilmente vão destacar policiais para procurar alguém. Praticamente, não adianta nada.

— Só registrar o desaparecimento após três dias... será que ele é despreocupado ou está fazendo isso de propósito? — ponderou Luo Yao.

— É uma atitude suspeita, certamente há um propósito maior. De acordo com nossa observação, nos últimos dias, Duolong só saiu para alugar o armazém, não encontrou ninguém além disso e passou a maior parte do tempo em casa — analisou Gong Hui.

— Se Da Chuan era o contato entre ele e os espiões japoneses locais, então ao procurar a polícia, Duolong estaria usando o departamento para avisar os espiões locais do desaparecimento? — complementou Yan Ming.

— Esse raciocínio faz sentido. Se for isso, ele não entendeu como funciona a polícia de Jiangcheng atualmente. Duvido que consiga o que quer — riu Liu Jinbao.

— Mas há alguém que pode ajudá-lo — disse Gong Hui.

Han Liangze!

— Ele não procurou Han Liangze diretamente, e desaparecimento de pessoa é caso pequeno demais para chegar ao chefe da polícia — comentou Liu Jinbao. — Se Han Liangze se envolver, estaria se comprometendo.

— E se Duolong quiser justamente envolver Han Liangze? — Luo Yao, com um brilho nos olhos, indagou.

— Então teremos um espetáculo e tanto — Liu Jinbao também se animou, rindo.

— Em nome da Sétima Delegacia, espalhem cartazes de desaparecimento de Da Chuan por toda a cidade, não deixem nenhum local sem aviso — ordenou Luo Yao. O inimigo agiu, então ele também deveria responder.

— Mas você não disse que era para deixar Duolong de lado?

— Já que ele fez um movimento, também devemos agir, não acha, Liu?

— Qin, que plano é esse? Não estou entendendo nada — Liu Jinbao, confuso, perguntou.

Gong Hui, com um olhar atento, pareceu captar a intenção de Luo Yao e disse:

— Você quer testar o velho Mu do Café Crepúsculo?

— Esta é uma oportunidade rara — Luo Yao assentiu.

Além do velho Mu, havia outra pessoa que queria testar: Han Liangze. Queria saber até que ponto esse tio estava envolvido, e se valeria a pena, pela memória da mãe falecida, tentar salvá-lo.

No fim das contas, poucos parentes lhe restavam nesse mundo. Seu coração ainda não se endurecera. Não se ressentia por não ter recebido a filha em casamento, sentia até certo alívio.

Mas, se Han Liangze realmente estivesse decidido a se comprometer, não haveria alternativa senão agir com justiça, acima dos laços familiares.

...

Assim que Han Liangze viu os cartazes do desaparecimento espalhados pela Sétima Delegacia, percebeu que estava em apuros e imediatamente chamou seu confidente Dong Cheng ao escritório.

Depois de algumas instruções ao ouvido, mandou-o sair e pegou o telefone para ligar ao chefe da Sétima Delegacia.

Na delegacia, todos estavam intrigados.

Desaparecimentos nunca foram grandes casos, agora menos ainda. Antes, sumiços de vinte e quatro horas nem eram registrados, três dias mal serviam para abrir um processo.

Encontrar alguém era difícil, pois o efetivo de policiais de registro civil era pequeno, e os casos de desaparecimento se acumulavam às centenas. Mesmo que a maioria não fosse resolvida, era impossível dar conta de todos os casos, especialmente de um forasteiro.

Só duas coisas poderiam motivar os policiais: poder ou dinheiro.

O problema era que esse caso já tinha sido esquecido. Todos os dias, apareciam muitos registros; quem poderia lembrar de cada um?

No entanto, o nome Sun Jiachuan era conhecido por todos na Sétima Delegacia, do chefe até o mais simples dos patrulheiros.

Um comerciante de peles vindo do norte, chamado Duolong, contratara um guia chamado Sun Jiachuan, que desapareceu há três dias durante um serviço.

E a investigação revelou algo ainda mais sério.

O chefe da Sétima Delegacia sentiu um calafrio na nuca. A captura diante do Departamento de Telégrafos teve testemunhas demais. Comparando as informações do desaparecimento e as fotos fornecidas por Duolong, não havia dúvida.

A frase “Prendam o espião japonês, afastem-se todos os curiosos!” fora ouvida por inúmeras testemunhas.

Tratando-se de um “espião japonês”, o caso já fugia à competência do chefe da Sétima Delegacia. Prestes a notificar a central, o telefone tocou: era Han Liangze.

— Chefe Han, sim, não, não fomos nós que espalhamos os cartazes... — o chefe estava tão nervoso que mal conseguia articular as palavras.

Quando finalmente entendeu toda a situação, Han Liangze estava coberto de suor.

Esse tal Sun Jiachuan fora levado por “à paisana” como “espião japonês”, mas de que órgão? Polícia, Alfândega ou Departamento Militar? E, após o ocorrido, Dumen Erlang não o avisou imediatamente, só registrou o desaparecimento três dias depois. O que estava tramando?

E o mais assustador: alguém, em nome da Sétima Delegacia, espalhou cartazes de desaparecimento pela cidade, tornando o caso público!

Quem teria feito isso? Com qual objetivo?

Seria um ataque direto a ele?

Tudo isso parecia uma névoa densa envolvendo o coração de Han Liangze, obscurecendo sua visão e prendendo-o, como correntes de ferro das quais não conseguia se libertar.