Capítulo 101: Bolinhos
— Gu Yuan!
— Presente.
— Amanhã, leve dois colegas e, em nome de uma agência imobiliária, vá ao Café Crepúsculo conversar com o proprietário, o velho Mu, sobre a transferência do estabelecimento — disse Luo Yao logo cedo ao chegar à "Yuhe Hall".
— Chefe, está pensando em comprar o Café Crepúsculo primeiro?
— Exatamente. Quero garantir a posse antes de agir para capturar os envolvidos, tudo sem despertar suspeitas da polícia da concessão francesa — respondeu Luo Yao, assentindo com a cabeça.
— Entendido — Gu Yuan concordou.
— Liu e Man Cang, vocês dois liderem grupos do esquadrão especial e posicionem-se discretamente nas portas da frente e de trás do Café Crepúsculo. Mantenham distância e cuidem para não revelar suas identidades. Tragam todos os funcionários do café, nenhum pode faltar.
— Sim.
— Mu Yu e Xiao Mao, fiquem de vigia na residência do velho Mu. Assim que ele voltar para casa, reportem imediatamente.
— Sim, chefe.
— Su Jing e Xu Jihong ficam de plantão, prontos para consolidar e comunicar as informações — disse Luo Yao. — Se tudo correr bem com Gu Yuan, a operação secreta será esta noite, após o fechamento do café.
...
Após distribuir as tarefas, Luo Yao seguiu para seu trabalho na escola, como de costume.
— Professor Qin, bom dia!
— Bom dia!
— Professor Qin, parabéns...
— Hã? — Luo Yao ficou confuso. Que motivo teria para felicitações? Ele mesmo não sabia de nada.
— Professor Qin, você está mesmo com sorte! Conseguiu conquistar a flor mais bela da escola — disse outro colega, com inveja.
— Professor Zhang, como assim conquistei uma flor?
— Não disfarce, professor Qin. Todos percebemos que a professora Jiang sempre teve interesse em você. Agora que estão juntos, ninguém mais precisa se preocupar — o mais velho, professor Dong, sorriu e deu um tapinha no ombro de Luo Yao.
Ao ouvir isso, Luo Yao não sabia se ria ou chorava. Como assim ele e Jiang Xiaoyu formavam um casal? Quem espalhou esse rumor absurdo?
— Professor Dong, não é isso, deixe-me explicar...
— Explicar o quê? Vocês dois são solteiros, namorar é normal — respondeu Dong, fazendo uma careta divertida. — Professor Qin, estou torcendo por você!
Sem querer, Luo Yao viu-se envolvido num boato amoroso na escola.
Ele riu de si mesmo; quanto mais explicasse, mais aumentaria o mal-entendido. Melhor deixar que o tempo esclareça tudo.
Afinal, entre ele e Jiang Xiaoyu não havia nada de indevido.
Ao entrar na sala dos professores do primeiro ano, todos os olhares se voltaram para ele. Era evidente que o rumor sobre ele e Jiang Xiaoyu já era de conhecimento geral.
— Cof, cof... — diante da situação, Luo Yao, em ambas as vidas, nunca vivenciara algo parecido. Um pouco constrangido, disfarçou a tensão com uma tosse.
— Professor Qin chegou.
— Bom dia, professor Guo — respondeu Luo Yao, não podendo ignorar o cumprimento. A caminho de sua mesa, até os colegas que antes pouco lhe falavam, hoje o abordaram.
Ao chegar, viu que havia um embrulho de pano sobre sua mesa.
No encosto da cadeira, estava seu casaco — aquele que, na noite em que visitara a casa de Xia Yu com Jiang Xiaoyu, ao acompanhá-la de volta, cedeu-lhe para protegê-la da chuva e vento repentinos.
O casaco ficou um pouco molhado e acabou ficando com Jiang Xiaoyu. Ao chegar em casa, Gong Hui ainda lhe perguntou sobre o paradeiro do casaco.
— A professora Jiang deixou para você. Ela está na aula de leitura matinal. Coma enquanto está quente — recomendou uma colega, segurando uma xícara de chá e sorrindo enigmaticamente para Luo Yao.
Luo Yao suspirou e, após alguns segundos de hesitação, abriu o embrulho de pano azul.
Dentro havia uma marmita de alumínio, com um par de hashis em cima. Ao abrir, viu uma fileira de bolinhos de massa, ainda fumegantes, apetitosos e bem dispostos.
Ah!
Luo Yao suspirou internamente. Será que Jiang Xiaoyu estava interpretando algo errado? Ele não lhe dera nenhum sinal equivocado, certo?
(Jiang Xiaoyu era uma luz na vida de Luo Yao; os leitores já podem imaginar seu destino. Faço esse esclarecimento para evitar que pensem que estou escrevendo um romance, mas às vezes é preciso equilibrar as escolhas.)
O que fazer? Agora não era mais uma dívida de três lados, mas de quatro. Gong Hui nutria sentimentos por ele, aos quais podia responder com a justificativa de que, enquanto os invasores japoneses não fossem expulsos, não consideraria questões pessoais. Quanto a Xu Jihong, ela apenas competia com Gong Hui, podendo ser recusada diretamente. Mas Jiang Xiaoyu era uma jovem tão pura e simples.
Ele realmente não queria magoá-la.
E agora? Comer ou não comer os bolinhos?
Se comesse, seria como admitir o relacionamento com Jiang Xiaoyu. Se não comesse, ela ficaria magoada. Dilema complicado.
— Professor Qin, trouxe bolinhos? — um colega recém-chegado, ao ver os bolinhos quentes sobre a mesa, exclamou com olhos brilhando. — Que cheiro delicioso! Posso comer um?
— Claro, professor Fei — Luo Yao, aflito por não saber como lidar, viu ali uma solução. Jogar fora ou devolver seria cruel; comer seria o melhor, desde que não fosse ele a fazê-lo.
— Professor Qin, você é sempre tão generoso — Fei não hesitou, pegou os hashis e começou a comer. — Ah, recheio de carne e aipo, delicioso!
Enquanto comia e comentava, logo restaram apenas três ou cinco bolinhos. Fei percebeu, parou e desculpou-se:
— Professor Qin, desculpe, sem querer acabei...
— Não se preocupe, já tomei café da manhã. Professor Fei, faça o favor de acabar com todos eles — respondeu Luo Yao, sorrindo. Fei era um bom colega.
Se restasse metade, seria mais difícil de lidar.
— Então, não vou me fazer de rogado — Fei rapidamente devorou o restante.
Ah...
Ao redor, ouviu-se um murmúrio de desaprovação.
— O que foi, gente? Logo cedo, suspirando... Os japoneses ainda não chegaram! — Fei ainda não percebia o olhar dos colegas.
— Professor Fei, você acabou de comer o gesto de carinho da professora Jiang pelo professor Qin — revelou, finalmente, um colega.
— O quê? Carinho da professora Jiang? — Fei, professor de educação física, não entendeu de imediato.
— Não lhe dê ouvidos — respondeu Luo Yao. — Já comi, não aguentava mais. Além disso, bolinhos recém-saídos do fogo são melhores. Professor Fei, obrigado por comer todos.
Luo Yao fechou a marmita, embrulhou de novo no pano azul e, mais tarde, lavaria para devolver a Jiang Xiaoyu.
— Professor Qin, esses bolinhos foram feitos pela professora Jiang Xiaoyu? — Fei finalmente entendeu.
— Desculpe mesmo, professor Qin, não sabia que eram da professora Jiang. Vou compensar, prometo! — Fei, envergonhado, saiu apressado.
Luo Yao estava constrangido, mas não sabia o que dizer.
— Professor Qin, o mais difícil é lidar com o carinho de uma bela mulher; não desperdice a sorte que tem! — aconselhou o experiente professor Guo.
Luo Yao quis explicar, mas não sabia como começar.
Melhor preparar a aula; a primeira do dia era matemática. Embora fosse apenas um disfarce, não podia prejudicar os alunos.
Ding-ling-ling...
O sinal de término da aula de leitura soou.
Jiang Xiaoyu entrou abraçando os livros.
— Professor Qin, lavei seu casaco, já está seco. Trouxe para você. Além disso, o forro estava rasgado num ponto, costurei para você.
— Ah, muito obrigado, professora Jiang — Luo Yao apressou-se a agradecer.
— Comeu os bolinhos? — Jiang Xiaoyu perguntou, com o rosto corado e voz baixa.
— Comi, comi...
— Gostou?
— Estavam deliciosos — respondeu Luo Yao. Se não fossem bons, teria o professor Fei comido a marmita inteira?
— Se quiser comer de novo, é só pedir. Eu faço para você — Jiang Xiaoyu disse baixinho, o rosto tão vermelho que parecia sangrar.
— Não, não precisa, é muito trabalho. Professora Jiang, assim fico sem saber o que dizer — Luo Yao nunca enfrentara algo assim.
Jiang Xiaoyu e Gong Hui eram de tipos opostos. Gong Hui era espontânea, às vezes temperamental, mas sabia dosar suas atitudes. Jiang Xiaoyu era delicada e sensível, de sentimentos puros, impossível não querer protegê-la.
— Não dá trabalho, desde que o professor Qin goste.
Luo Yao ficou atônito. Não havia como continuar a conversa; pegou o plano de aula e saiu:
— Professora Jiang, conversamos depois, vou para a aula.
...
Café Crepúsculo, pequena sala de reuniões.
— Senhor Gu, vinte mil yuan é pouco. Só a decoração e o equipamento do café valem mais do que isso. Está sendo severo ao negociar.
— Senhor Mu, conhecemos os valores. O local é bom, e em tempos normais, esse preço seria injusto. Mas agora, com os japoneses prestes a invadir, muitos estabelecimentos em bons pontos estão sendo vendidos a preços baixíssimos. Hoje vale isso, amanhã pode valer um décimo — respondeu Gu Yuan, inflexível.
— Senhor Gu, não poderia aumentar um pouco?
— Não, este é o valor final. Se não vender, procuraremos outro lugar. Afinal, temos dinheiro e não faltam opções — insistiu Gu Yuan.
— Senhor Gu, se vocês comprarem o Café Crepúsculo e mantiverem o nome, empregando meus funcionários, posso aceitar esse valor de transferência — disse o velho Mu, após breve reflexão, fechando os olhos.
— Bem... — Gu Yuan hesitou. Luo Yao não especificara os planos para o café, e ele não podia decidir sozinho.
— Senhor Gu, esta é minha maior concessão.
— Senhor Mu, posso saber o motivo?
— Este é o fruto de cinco anos de trabalho. Não quero vê-lo desaparecer assim — explicou o velho Mu.
— Se é assim, por que não continuar administrando? Não parece que o café está falindo.
— Para ser sincero, recebi notícias de casa: minha mãe está muito doente e preciso voltar para cuidar dela. Não tive escolha senão abandonar este negócio — respondeu o velho Mu, com um sorriso amargo.
— Então o senhor é um filho dedicado, admirável. Está bem, prometo manter o Café Crepúsculo aberto.
— Obrigado. Traga o contrato, vou assiná-lo — finalmente, o velho Mu aceitou transferir o Café Crepúsculo a Gu Yuan por vinte mil yuan.