Capítulo 100: Retorno Tardio

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3671 palavras 2026-02-07 16:24:09

— Ah...
— Você quer me matar de susto, Hui? Sentada sozinha na sala, sem luz e sem dizer nada? — Luo Yao chegou em casa, abriu a porta e acendeu a luz.
Viu alguém sentada no escuro, sem nenhum movimento.
— Fingindo, como se não soubesse se estou em casa ou não? — Gong Hui resmungou, soltando um longo suspiro pelo nariz, irritada.
— Cada vez que volto, preciso primeiro saber como está tudo aqui dentro. Não é cansativo? — Luo Yao perguntou. — Já jantou? Se não, trouxe uns bolos para você.
— Tem cheiro de mulher em você. E sua jaqueta, onde está?
— Hui, está imaginando coisas. Como eu poderia ter cheiro de mulher? — Luo Yao colocou os bolos sobre a mesa, sem se importar. — Tá aí, come se quiser.
Depois disso, Luo Yao tirou o casaco e pendurou no cabide.
— Xu Jihong encontrou algumas pistas usando técnicas especiais. A ligação feita por ‘Lin Miao’ no armazém pode nos levar ao número real.
— Não era um número falso? — Gong Hui perguntou, surpresa.
— Era, mas a ligação foi feita. Alguém instalou um dispositivo para redirecionar a chamada para outro número. Quando tentamos ligar de volta, só conseguimos ver um número falso. — Luo Yao explicou. — Xu Jihong já entendeu o funcionamento desse conversor e está testando. Logo teremos o resultado.
— Então estamos perto de descobrir quem está por trás de tudo?
— Se tudo correr bem, sim. — Luo Yao assentiu. — Neste fim de semana, volta comigo à Cafeteria Crepúsculo.
— Suspeita do velho Mu?
— Você também suspeita. — Luo Yao disse. — Não é tarde, vamos descansar. Amanhã é sábado, temos muitos compromissos.
— Papai ligou. Em alguns dias volta para Jiangcheng. Pode nos convocar.
— Falou sobre o que se trata? — Luo Yao perguntou.
— Só saberemos ao vê-lo. Provavelmente tem a ver com nossa próxima fase de infiltração após a queda de Jiangcheng. — Gong Hui analisou.
— Jiangcheng está dividida em grupos menores. Parece que o alto comando decidiu abandonar a cidade. — Luo Yao assentiu. Ele já suspeitava disso, pois tudo indicava que o velho pretendia retirar-se quando não conseguisse defender Jiangcheng.
Não havia como manter Jiangcheng. No máximo, seria uma forma de consumir tempo e força dos japoneses. Essa era a estratégia do velho: sacrificar tempo para ganhar espaço.
— Antes de abandonar, vão esvaziar tudo. Não podemos deixar recursos para os japoneses. — Luo Yao afirmou.
— Será que os japoneses vão repetir o massacre de Nanjing aqui?
— Difícil dizer. As tropas que tomaram Nanjing estão entre as que avançam sobre Jiangcheng, especialmente a Sexta Divisão, famosa por sua crueldade. Ninguém pode garantir que não repetirão o massacre. — Luo Yao sabia: o objetivo japonês era forçar a rendição do governo. Se cometerem outro massacre, pode ser contraproducente. Nenhum comandante japonês ousa arriscar tanto.
— Qin, faz uma tigela de macarrão para mim?
— Hã?
— Vai fazer ou não? — Gong Hui corou, tímida ao perguntar.
Sem motivo, Luo Yao sentiu um arrepio e recuou do degrau: — Tá bom, chega de manha. Eu faço, não tá vendo?
...
— Senhor Mu, desculpe incomodar de novo.
— Senhor Qin, não precisa de formalidade. Você e a senhorita Hui podem vir todos os dias, não incomodam. — O velho Mu mantinha sua elegância e seriedade.
— Estamos apoiando seu negócio. — Luo Yao sorriu. — Como anda o movimento esses dias?
O velho Mu riu: — Vai indo. Os japoneses estão chegando, quem tem dinheiro está fugindo. Eu mesmo penso em vender.
— Mas estamos na concessão francesa. Mesmo com a invasão, os japoneses não ousam entrar aqui, certo? Não há motivo para preocupação, senhor Mu. — Luo Yao estranhou.
— Quando os japoneses chegarem, não haverá vida fácil para nós, chineses. Mais cedo ou mais tarde, eles vão cobiçar a concessão. Melhor buscar um lugar seguro desde já.
— Lugares seguros estão raros. Já sabe para onde ir? — Gong Hui sorriu e tomou um gole de café.
— Têm alguma sugestão?
— Arrumei um emprego em Jiangcheng. Hui está comigo. Somos gente comum. Acho que os japoneses não vão nos incomodar muito. — Luo Yao respondeu. — Vamos ficar e observar.
— Pensei em ir para Xiangcheng, mas nem lá parece seguro. Só resta ir para o sudoeste. — O velho Mu suspirou.
— Xiangcheng é ótimo. A Academia Yuelu é uma das quatro grandes academias da China antiga, um lugar sagrado para os estudiosos. — Luo Yao comentou. — Se tiver oportunidade, quero conhecer.
— Me desculpem, tenho outros clientes para atender.
— Pode ir, não se preocupe. — Luo Yao respondeu.
...
O velho Mu recebeu um homem de trinta e poucos anos, levando-o para um pequeno cômodo, provavelmente uma sala de descanso ou escritório.
Mesmo com a porta fechada,
Luo Yao ainda conseguiu ouvir o que era dito lá dentro.
Após dez minutos, o velho Mu acompanhou o jovem até a saída. Parecia igual, mas nos olhos havia certa tristeza.
— Hui, o velho Mu quer vender a Cafeteria Crepúsculo por cinco mil dólares. O outro oferece no máximo mil. Não chegaram a um acordo.
— Vai vender a Cafeteria Crepúsculo? — Gong Hui se surpreendeu.
— Ele realmente quer sair de Jiangcheng. — Luo Yao fez um gesto de desprezo. — É compreensível, mas também muito conveniente.
— E agora?
— Compramos, e usamos como um dos nossos pontos na concessão francesa.
— Comprar? Você sabe administrar? — Gong Hui se espantou.
— Se sei preparar veneno, café não vai ser problema. — Luo Yao riu. — Você pode ser a dona.
— Eu?
— Você é a mais livre. Os outros têm identidades de cobertura, só você não. Não seria perfeito ser a proprietária?
— Mas não sei fazer nada disso.
— Você é a dona, pode contratar quem faça. Se o sabor for razoável, o negócio vai bem. — Luo Yao explicou. — Mas primeiro temos que convencer o velho Mu.
— Não invente moda...
— Sei o que estou fazendo. — Luo Yao assentiu. — Amanhã, deixe que Gu Yuan negocie com o velho Mu. Vamos tentar comprar a Cafeteria Crepúsculo por dois mil dólares!
...
Ao voltar para casa, Luo Yao encontrou Xu Jihong.
— Por que veio? Não combinamos que só apareceria aqui se fosse algo urgente? — Luo Yao não ficou feliz, temendo que duas mulheres brigassem, por isso restringia as visitas de Xu Jihong.
— Chefe, tenho algo importante para relatar. — Xu Jihong insistiu.
— Fale, o que houve?
Xu Jihong olhou para Gong Hui, indicando que só podia falar com Luo Yao, especialmente não com Gong Hui.
— Hui, pode nos deixar um momento.
Gong Hui, fria, concordou e entrou no quarto.
Xu Jihong subiu com Luo Yao, que a convidou a sentar:
— Xu Jihong, pode falar agora. O que há de tão urgente?
— Chefe, sabe para onde foi redirecionada aquela ligação?
— Você descobriu?
— Descobri. É para a Cafeteria Crepúsculo, onde você e Hui vão sempre. — Xu Jihong disse com seriedade.
— Tem certeza? — Luo Yao quase gritou.
— Absoluta. Inspecionamos as linhas e achamos uma conexão suspeita, ligada ao telefone da Cafeteria Crepúsculo. — Xu Jihong explicou.
— Foram à Cafeteria? — Luo Yao ficou tenso.
— Sim, se não fôssemos, não descobriríamos. — Xu Jihong não entendeu a reação.
— Agora tudo faz sentido... — Luo Yao sorriu. O velho Mu era realmente astuto, provavelmente percebeu que Xu Jihong e outros se disfarçaram de técnicos, levantando suspeitas. Com a linha revelada, sua identidade também estava. O jeito mais direto era fugir de Jiangcheng.
Mas não queria sair abruptamente, para não levantar mais suspeitas. Então vende o café, depois parte, tudo parece natural; se quisermos pegá-lo, será difícil. E ainda pode assumir nova identidade e continuar infiltrado.
E os garçons e cozinheiros do café, provavelmente são seus subordinados, pelo menos o barista com certeza é.
— Chefe, podemos monitorar a Cafeteria Crepúsculo?
— Monitorar? — Luo Yao balançou a cabeça. — Está na concessão francesa. Além disso, o ‘senhor’ está tão bem escondido que deve ser extremamente cauteloso. Qualquer movimento e ele foge, aí perdemos tudo.
— Chefe, você já suspeitava da Cafeteria Crepúsculo?
— Hã?
— Você e Hui vão lá todo sábado à tarde tomar café, não vão? — Xu Jihong lembrou.
— Como sabe disso? Só eu e Hui sabemos, nunca falamos para ninguém. — Luo Yao ficou surpreso.
— Eu...
— Estava me seguindo? — Luo Yao mudou de expressão, sem ter percebido.
— Na verdade, foi Hui quem contou. Ela disse que você a leva todo sábado para tomar café, jantar e ver filme. — Xu Jihong se assustou com o tom de Luo Yao, apressando-se para explicar.
— Ela realmente conta tudo para você! — Luo Yao resmungou, entendendo que Hui estava se gabando para Xu Jihong.
— Ela acha que pode ser sua companheira...
— Que companheira? Xu Jihong, aviso, pare com esses pensamentos. Trabalhe direito. O partido e a nação nos treinaram para lutar, não para namorar! — Luo Yao repreendeu severamente.
— Sim, chefe, entendi. — Xu Jihong ficou pálida. Luo Yao era temido na escola de treinamento, razão pela qual Li Fu e Wen Zishan reconheciam sua liderança.
— Avise todos para estarem de prontidão amanhã cedo na ‘Yu He Tang’! — Luo Yao ordenou de repente, decidido a não cometer o mesmo erro de antes com ‘Duo Men Erlang’.