Capítulo 87: A Porta Rota

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3507 palavras 2026-02-07 16:24:02

— Au, au... —
Alguns latidos de cachorro ecoaram, mas logo desapareceram.
Em seguida, ouviu-se o farfalhar de passos, o som de alguém correndo rente ao chão, nítido na escuridão da noite, anunciando os últimos três segundos antes da captura.
Bang!
O ferrolho da porta foi arrebentado por uma força descomunal, produzindo um estrondo que despertou todos na casa, que se preparavam para sair do quarto e averiguar o que estava acontecendo.
— Departamento de Fiscalização, todos presos! Quem resistir será abatido! — Uma tropa de soldados armados e agentes à paisana invadiu a loja de madeira, dominando rapidamente todos os presentes.
Seiya, que dormia abraçado com uma mulher, acordou sobressaltado e, ao tentar sacar uma arma debaixo do travesseiro, viu um lampejo de aço: sua mão, junto com o punhal, foi cravada na tábua da cama.
Seiya gritou de dor.
A mulher ao seu lado, ao presenciar a cena, soltou um grito apavorado.
A porta foi empurrada e as luzes do quarto acenderam.
— Senhor Seiya, você está preso. — Liu Jinbao foi o primeiro a entrar, olhando para Seiya que ainda lutava, sem piedade, com um sorriso de escárnio.
Seiya percebeu que estava exposto e tentou morder a cápsula de veneno escondida na boca, mas já estavam atentos: uma mão surgiu por trás de sua cabeça e golpeou seu pescoço.
Antes mesmo de concluir o gesto, Seiya desmaiou.
— Chefe Song, os de fora ficam contigo. Este aqui, eu levo comigo. — Liu Jinbao apontou para Seiya na cama e falou para Song Yüe, que o acompanhava.
— Entendido. — Song Yüe assentiu; a operação era conduzida principalmente por eles, e ele estava ali para compartilhar os méritos. Os demais não eram todos subordinados de Seiya, a maioria eram trabalhadores da loja, mas era preciso identificar quem era quem antes de liberar.
...
— Yan Ming, ainda bem que você agiu rápido; se trouxéssemos um cadáver, o sucesso dessa missão seria bem menor.
— Hehe, o chefe me mandou com você, não é pra pegar carona no mérito, tenho que contribuir. — Yan Ming riu; Seiya foi capturado facilmente porque Yan Ming já havia entrado no quarto e agiu no momento exato em que Seiya despertou.
Montanha, prédio número 1 na Rua Alfândega.
— Chefe, Xiu Luo acaba de informar por telegrama: capturaram com sucesso o espião japonês infiltrado em Jiangcheng, codinome do departamento de inteligência japonês: Rato do Campo.
— Rato do Campo? Depois de tanta preparação, só me trouxeram um ratinho? — A voz de Dai Yunong mostrava insatisfação.
— Foi um achado inesperado. — Mao Qiwu respondeu. — Eles já tinham informações sobre esse Rato do Campo, só esperaram para agir agora, em consonância com a operação “Pescaria”.
— O prazo de um mês está acabando. Se não agir logo, mesmo que dê certo, será punido por ultrapassar o limite. — Dai Yunong disse.
— Chefe, assim você está sendo injusto...
— Posso ser justo com todos, menos com ele; esse rapaz é ousado demais, se não colocar rédeas, ele vai me causar problemas!
— Ele não é o Rei Macaco, não vai furar o céu, vai? — Mao Qiwu sorriu; sabia que Dai Yunong falava por impulso, mas tal tratamento exclusivo era privilégio raro.
— Responda: a operação “Pescaria” só pode ter sucesso, não pode falhar. Prometi ao presidente. — Dai Yunong ordenou.
— E quanto à última mensagem, responde?
— O que você acha?
— Melhor não responder, para não pressioná-lo. — Mao Qiwu disse, sério.
— Você também está do lado dele, hein? — Dai Yunong sorriu e resmungou; para garantir o plano de Luo Yao, ele estava sob grande pressão.
Se der certo, todos comemoram; seja perdoado ou recompensado, tudo é possível, e Chen Cixiu poderá se vingar.
Mas se falhar, não basta uma reprimenda; Chen Cixiu irá atacar a organização, pois já tem argumentos e previsão.
Nessa hora, qualquer defesa será inútil.
Dai Yunong apostava seu futuro nessa operação; se falhasse, o pior seria ver todo o esforço da organização militar sendo apropriado por outros.
Por isso, embora estivesse na Montanha, Dai Yunong acompanhava cada detalhe em Jiangcheng, monitorando o plano “Pescaria”.
...
Por sugestão de Luo Yao, Cleaver marcou um encontro com Lin Miao, conforme combinado previamente.
— Senhor, Cleaver quer me encontrar, aceitei; penso em marcar para amanhã à tarde, no seu local? — No setor de departamentos do shopping, Lin Miao ligou de um telefone público após trocar de roupa.
— Não marque aqui, escolha outro lugar. — Uma voz grave respondeu.
— Sim, então mudarei o local.
Após a breve ligação, Lin Miao saiu do shopping, trocou de roupa novamente e foi embora.
Não sabia que seus passos já estavam sendo vigiados.
— Verifique imediatamente este número para onde foi ligado. — Luo Yao anotou um número e entregou a Gong Hui.
Gong Hui ficou boquiaberta; seria mesmo possível?
— Ainda bem que usaram um telefone com disco, senão eu não teria percebido. Embora a voz do outro lado estivesse distorcida, senti algo familiar. — Luo Yao explicou.
— Com o número, não dá pra identificar o dono?
— Talvez sim, talvez não.
...
— Número inválido?
— Sim, parece ser um número da Concessão Francesa, mas ao ligar, não existe. — Gong Hui confirmou o palpite de Luo Yao.
— Vocês ligaram para esse número?
— Claro, como saberíamos que era inválido sem ligar? — Gong Hui respondeu, imperturbável. — Será que você ouviu errado?
— Não, vamos ao shopping ver aquele telefone. — Luo Yao decidiu conferir pessoalmente.
Desconectaram a linha.
Luo Yao pediu a Gong Hui para discar novamente o número que havia anotado e confirmou que não havia se enganado.
— É esse número, não errei. Certamente estamos ignorando algum detalhe ou algo que não pensamos. — Luo Yao estava seguro, confiante em sua audição.
— E agora? Perdemos a pista.
— Não, é uma nova pista. Agora entendo por que, após tanto tempo de vigilância sobre Lin Miao, além daquele cachorro, ele não tinha quase nenhum contato social. É estranho: como sabia das informações do mercado clandestino de espionagem de Jiangcheng? — Luo Yao disse. — Agora está claro: ele é apenas uma peça manipulada, há alguém acima dele.
— O tal “senhor” do telefone?
— Exato, e suspeito que Lin Miao não seja o verdadeiro “Kappa”; talvez o verdadeiro seja esse “senhor”. — Luo Yao esfregou as mãos, empolgado.
Essa descoberta quase invalida todas as informações sobre o grupo “Kappa”.
Luo Yao ainda desconfiava que esse “senhor” fosse o velho Mu, dono do Café Crepúsculo; embora essa sensação fosse forte, sem provas concretas, não podia acusar ou afirmar.
— Devo relatar isso ao papai? — Gong Hui perguntou.
— Por ora, não. O plano “Pescaria” está num momento crítico, nem Lin Miao é tão importante agora; quando terminar a missão, reportamos. — Luo Yao ponderou e decidiu aguardar.
— Estamos arriscando tudo; se falharmos, mesmo sem punição severa, podem nos mandar vigiar uma prisão pelo resto da vida. — Gong Hui comentou.
— Seja preso ou guardando cela, com companhia tudo é mais fácil. — Luo Yao riu alto; não se importava, só se arrependeria se perdesse a chance de combater os japoneses.
— Você brinca, mas se não capturar ninguém, quero ver se vai rir. — Gong Hui lançou um olhar de reprovação.
...
Na manhã seguinte, Luo Yao recebeu uma ligação de Yan Ming, feita da livraria “Amigo Íntimo”, informando que Lin Miao marcou com Cleaver para as duas da tarde no Salão de Chá Qīngjiāng, na Rua Fuchang.
A Rua Fuchang ficava perto do armazém abandonado da Administração Ferroviária de Pingjiang, onde Lin Miao morava; ele escolheu um lugar familiar.
Só em lugares conhecidos a pessoa sente-se segura.
Ao olhar o horário das aulas, Luo Yao percebeu que tinha aula à tarde; teria que pedir para trocar.
Com quem trocar?
O melhor seria trocar com o professor seguinte, mais prático, mas não sabia quanto tempo levaria.
Só podia adiar para o dia seguinte ou posterior...
— Professor Qin, conferindo o horário? Vai trocar de novo?
— Sim...
— Professora Guo, não tenho escolha, minha vida está cheia de problemas ultimamente; quando passar, tudo volta ao normal. — Luo Yao ficou sem jeito; trocava tanto de aula que os colegas já se irritavam.
Quando ele trocava, os outros professores tinham que ajustar também; isso bagunçava o horário, os alunos ficavam perdidos sem saber qual seria a próxima aula.
Os professores reclamavam e os alunos também.
Por sorte, Luo Yao era diplomático, sempre trazia guloseimas para todos e sua competência era reconhecida; caso contrário, o diretor já teria chamado para uma conversa.
— Professor Qin, posso trocar com você? — Jiang Xiaoyu, com o rosto ruborizado, ofereceu.
— Professora Jiang, assim não dá; está mimando demais o professor Qin. Se virar esposa dele, vai ser dominada! — Os professores casados começaram a provocar.
— Não digam bobagens, somos apenas colegas. — Luo Yao apressou-se a defender Jiang Xiaoyu e, virando-se, falou com um sorriso: — Professora Jiang, se puder, cobre uma aula pra mim; depois eu retribuo.
— Sem problema, sou coordenadora do 3º ano; resolva seus assuntos e depois conversamos. — Jiang Xiaoyu ficou ainda mais vermelha.
— Obrigado, vou te convidar para jantar depois.