Capítulo 95: Esposa Virtuosa, Menos Desgraça para o Marido

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3585 palavras 2026-02-07 16:24:07

— Velho Gu, você tem certeza de que devemos fazer isso? — Liu Jinbao ainda hesitava. A proposta de Gu Yuan o deixava tentado, mas o caso envolvia o diretor do Departamento de Polícia Especial da cidade de Xiakou.

Jiangcheng agora era a capital temporária em tempos de guerra, sua importância incomparável. Xiakou, sendo um dos três distritos de Jiangcheng, via sua posição naturalmente elevada.

Han Liangze, este diretor do Departamento de Polícia de Xiakou, se estivesse no exército, teria pelo menos o posto de general de brigada.

Han Liangze estudou no Japão, formou-se na Escola de Comissários de Polícia de Tóquio — sim, a mesma instituição onde os tios dos dois atuais chefes do “C·C” estudaram. Han Liangze era várias turmas mais novo que aquele já lendário chefe, mas ao retornar ao país, foi visitá-lo, já então uma figura notória.

Embora esse chefe não tenha ficado especialmente impressionado com ele, ainda assim contribuiu um pouco quando Han Liangze começou sua carreira policial.

Lembrando-se das origens e dessa ligação, Han Liangze sempre manteve uma relação próxima ao “C·C”, embora externamente não mostrasse muita proximidade com os irmãos Chen.

(A esta altura, todos devem ter entendido que Han Liangze também possui outra identidade, certo? Hehe. Claro, Liu Jinbao e Gu Yuan não sabem disso, pois ainda não alcançaram esse nível.)

— E então, não sente nem um pouco de compaixão pelo que nosso líder passou? — Gu Yuan lançou-lhe um olhar de decepção.

— Se fosse sugestão de outra pessoa, eu apoiaria sem hesitar, mas vindo de você, Gu Yuan… — Liu Jinbao hesitou. Ele conhecia o passado conturbado entre Gu Yuan e Luo Yao.

Uma rivalidade por amor!

Será que você é tão bondoso assim?

— O quê? Você ainda acha que guardo ressentimentos daquele pequeno incidente do passado? — Gu Yuan mudou de expressão, como se dissesse “você realmente pensa pouco de mim”.

Liu Jinbao riu sem graça. Na verdade, ele não estava julgando Gu Yuan injustamente. Conhecia bem o lado rancoroso do colega; quem garante que, por trás da aparente defesa do líder Luo Yao, ele não teria outros planos?

— Esquece, não vou mais. Covarde. Vou falar com o irmão Mancang.

— Espere, irmão Gu Yuan! Deixe-me pensar mais um pouco, por favor — Liu Jinbao segurou Gu Yuan, que já saía, pedindo-lhe com insistência.

— Pensar mais no quê? Han Liangze está secretamente envolvido com os japoneses, isso não é invenção, é? — Gu Yuan insistiu.

Liu Jinbao assentiu. Duolong era claramente um espião japonês de alto nível enviado a Jiangcheng, e seu encontro com Han Liangze só podia indicar uma missão importante.

Agora Duolong fora forçado a sair de Jiangcheng antes do previsto, mas Han Liangze, mesmo sabendo da identidade do outro, manteve silêncio, o que mostrava intenções duvidosas.

Claro, ainda não havia provas suficientes para acusá-lo de traição e colaboração com espiões japoneses.

Um Da Chuan não era suficiente, e mesmo até a morte Da Chuan nunca revelou quem realmente era Duolong; o máximo que sabiam era que ele fora contratado como guia.

O que isso provava? Absolutamente nada.

Pedir autorização superior para investigar Han Liangze já seria complicado, quanto mais prendê-lo. Ele era o diretor do departamento, responsável pela segurança, um cargo crucial.

Sem justificativa, quem se atreveria a prendê-lo?

— Estamos apenas coletando provas. Se ele for inocente, não encontraremos nada. Mas se de fato recebeu dinheiro dos japoneses e se vendeu secretamente, aí sim teremos as provas do crime — Gu Yuan argumentou, paciente.

— Faz sentido, mas estamos agindo sem o conhecimento do líder, isso é iniciativa particular, não é correto… — Liu Jinbao ainda hesitava.

— Se ao menos o líder tivesse prendido Duolong na hora certa…

— Gu Yuan, não fale do que não sabe — Lin Jinbao o interrompeu, mudando de expressão. — O líder tinha seus motivos para não deter Duolong imediatamente.

— Que motivos? — Gu Yuan rebateu.

— Isso não posso lhe dizer. Você ainda não faz parte do núcleo do nosso grupo Assura. Quando o fizer, terá direito de saber — respondeu Liu Jinbao.

Essas palavras feriram o sensível coração de Gu Yuan, mas não havia o que fazer; ele era novato, e se não tivesse se oferecido, nem teria tido essa chance.

— Está bem, retiro o que disse. Mas não podemos perder essa oportunidade. Se Han Liangze realmente se aliou aos japoneses, considerando sua posição e influência, quais seriam as consequências?

— Isso…

— Capitão Liu, não hesite mais. Se você aprovar, eu cuido da operação. Se der certo, o mérito é seu; se falhar, eu assumo toda a responsabilidade! — Gu Yuan pressionou.

— Está bem, faremos como você sugeriu — Liu Jinbao finalmente cedeu ao plano de Gu Yuan.

— Senhora, chegou uma carta do senhor — de manhã, irmã Lan voltou das compras e, ao ver uma carta na caixa de correio, trouxe-a para dentro.

— Uma carta? Dê para mim — Xu Xin, embora fosse de gênio forte em casa, evitava ultrapassar certos limites, especialmente com a correspondência do marido.

Afinal, era esposa do diretor da polícia, e tinha noção política.

A carta não estava lacrada.

A curiosidade é humana. Se estivesse lacrada, Xu Xin não ousaria abrir, pois poderia tratar de assuntos oficiais, e um erro poderia causar problemas ao marido.

Mas aquela carta estava aberta. A curiosidade falou mais alto; pensou que, lendo e depois devolvendo, não haveria problema. Se houvesse algo sigiloso, bastava guardar segredo.

Após hesitar, Xu Xin abriu a carta e tirou uma folha.

Era um comprovante de retirada de mercadoria.

“Trezentas peças de couro!” Ao ver o conteúdo, Xu Xin se animou. A família havia conseguido um grande pedido militar para fabricar cintos táticos e porta-carregadores, mas o fornecimento de couro estava em crise, impossibilitando o cumprimento da encomenda.

Se não conseguissem entregar, o exército não aceitaria desculpas, exigiria responsabilidades e nem pagariam o restante.

Além de não lucrar, teriam prejuízo. Estavam todos aflitos, e até já haviam pedido ajuda a Han Liangze. Mal sabia ela que, mesmo negando verbalmente, o marido resolvera tudo discretamente.

Agora, com o comprovante, tudo se resolveria.

— Irmã Lan, avise o Han quando ele voltar que fui para casa, volto mais tarde — Xu Xin guardou o recibo na carteira, radiante, e saiu apressada.

— Entendido, senhora.

Departamento de Polícia de Xiakou, gabinete do diretor Han Liangze.

— Diretor, sua esposa no telefone.

— Minha esposa? Passe para cá — Han Liangze estranhou. Xu Xin raramente ligava para o departamento, a não ser em emergências; normalmente, esperava até ele voltar para casa à noite.

— Han, me ajuda, fui presa pelos seus subordinados… — Assim que atendeu, Han Liangze ouviu a voz chorosa da esposa.

— O que houve, Xu Xin? O que aconteceu? — Han Liangze se assustou. Como seus homens prenderiam sua própria esposa?

— Disseram que colaboro com japoneses, que sou traidora, que fui comprada por eles para vender segredos do país… — Xu Xin chorava e falava confusamente.

— Absurdo! Quem disse isso? Você nem conhece japoneses, como poderia colaborar com eles? Me explique com calma o que houve — Han Liangze, entre xingamentos e consolos, tentou acalmá-la.

— Hoje de manhã, irmã Lan voltou das compras, viu uma carta na nossa caixa, era para você, não estava lacrada. Fiquei curiosa, abri e vi que era um comprovante de retirada…

Ao ouvir isso, Han Liangze sentiu-se como se fosse atingido por um raio.

Aqueles trezentos couros deixados por Domon Jiro eram uma armadilha. Ele sabia que não podia tocar naquilo; serviria como prova de sua colaboração com os japoneses.

Não esperava que, passado tanto tempo, o adversário, sem conseguir incriminá-lo diretamente, usaria sua esposa desavisada como isca.

Tinha que ser Da Chuan!

Investigou muito, mas só soube que o sujeito estava sob custódia do Departamento de Inteligência Militar de Jiangcheng, sem saber exatamente onde.

Mas a verdadeira identidade de Domon Jiro não parecia ter sido revelada; se tivesse, já teria sido detido. Agora, seu maior medo era que Xu Xin falasse algo errado.

Aí estaria perdido.

Com provas materiais e testemunhais, estava acabado.

Han Liangze suava frio, mas percebeu que, ao permitirem que Xu Xin fizesse aquela ligação, ainda havia uma saída. Se já tivessem tomado depoimento…

— Diretor Han, aqui é Liu Jinbao. Como devemos proceder neste caso? — A voz de Liu Jinbao soou ao telefone.

— Capitão Liu, esse caso pode ser tratado pela nossa delegacia? — Han Liangze, ao ouvir Liu Jinbao, tentou se acalmar. Talvez ainda não fosse tarde demais.

— Receio que não. Este caso está ligado ao caso ‘Kappa’, sendo investigado conjuntamente pelo Departamento de Inteligência Militar de Jiangcheng e pelo Escritório de Investigação da Zona de Guerra. Só estou prestando apoio, não posso decidir nada — respondeu Liu Jinbao.

— Capitão Liu, deve haver algum engano. Como minha esposa, uma dona de casa, poderia colaborar com japoneses? Ela nem entende de assuntos nacionais. Vocês não estão errados? — Han Liangze enxugava o suor da testa, temendo que Xu Xin dissesse algo comprometedor.

— Fique tranquilo, Diretor Han. Investigaremos a fundo. Se cometemos algum erro, daremos satisfações a você e sua esposa — Liu Jinbao encerrou a ligação.

A chamada fora autorizada por Liu Jinbao, apesar da forte oposição de Gu Yuan, que queria primeiro obter o depoimento de Xu Xin e só depois avisar Han Liangze, para impedir que ele usasse suas influências.

Ao desligar, Han Liangze despencou na cadeira. Sabia que estava no momento mais perigoso — um passo em falso e estaria arruinado para sempre.

Pensou: tinha sido complacente demais com a esposa, e agora estava pagando o preço.

— Dong Cheng, chame o chefe Gu Mosheng aqui — Han Liangze, mais uma vez calmo, chamou Dong Cheng e deu a ordem.