Capítulo Vinte: Quem ousar me impedir, morrerá

O Rei dos Demônios Noite Demoníaca 3391 palavras 2026-02-07 12:36:42

— O que vamos fazer, Xiaolang? — A Senhora Ya olhava ansiosa para Xiaolang. Ela sabia muito bem quem era aquele jovem: o Filho do Fogo Fênix! O único herdeiro do Senhor de Fogo Fênix.

Ele não era como Sitú Zhantian, o Primeiro Filho da Cidade do Rei dos Remédios! A Cidade do Fogo Fênix era a maior do Oeste, e seu Senhor o mais poderoso da região! Já idoso, ele teve apenas um filho, que além de tudo era dotado para o cultivo e era seu favorito.

O Filho do Fogo Fênix nasceu com uma fortuna e privilégios incomparáveis. Na Cidade do Fogo Fênix, longe da autoridade imperial, o Senhor local mandava como um imperador, e ele era o príncipe herdeiro! A fama de seu comportamento dissoluto era conhecida por todo o Oeste do Império há anos. Neste mundo, os humildes não têm valor; muitos foram mortos por sua mão, incontáveis foram arruinados.

A Senhora Ya sabia bem a gravidade daquela noite. Ela havia ido com o Mestre Qi, junto aos instrutores das academias das dez cidades, para se encontrar com o Senhor de Fogo Fênix e definir as regras do torneio das academias. O Filho do Fogo Fênix apareceu rapidamente, não conversou com ela, e agora, após anoitecer, chegava sem ser convidado, com poucas palavras tentando forçá-la...

— Abrace-se a mim! — Xiaolang franziu o cenho, o olhar duro.

— Ah! — A Senhora Ya ficou atônita, com o rosto corado como pétalas de pessegueiro. Como podia pensar nisso num momento assim?

— Suba nas minhas costas, segure firme! — Xiaolang lançou-lhe um olhar frio, agachou-se levemente e, ignorando o embaraço dela, falou com voz repleta de intenção assassina: — Vou te levar para fora, nem que seja lutando!

A Senhora Ya hesitou, envergonhada, mas com leveza pulou sobre as costas de Xiaolang, agarrando-se como se fosse um polvo. Ela sabia que, se caísse nas mãos do Filho do Fogo Fênix, preferia morrer. Era melhor arriscar tudo ao lado daquele homem!

Sentindo os músculos firmes nas costas de Xiaolang, a Senhora Ya experimentou um calor jamais sentido. Sorriu com doçura, lágrimas nos olhos, certa de que, se morresse ali, já valeria a pena.

Xiaolang desceu silenciosamente as escadas, com o corpo arqueado, as mãos escondidas nas mangas, onde quatro facas de arremesso estavam preparadas, prontas para matar.

No salão do primeiro andar a situação era péssima: Mestre Qi e os três de Bu Xiaoman estavam todos dominados. Bu Xiaoman chorava, o rosto manchado de lágrimas; ao ver Xiaolang, brilhou uma esperança em seu olhar, mas logo se apagou, pois Xiaolang sequer olhou para ela.

Havia mais de dez pessoas no salão, todos guardas da Academia Fogo Fênix, não muito fortes, mas suficientes para dominar Bu Xiaoman e os outros. O pior era estarem naquele território, sem coragem de resistir.

Xiaolang ignorou Bu Xiaoman! Ele apenas tinha alguma simpatia pela primeira beleza da Academia da Neve Voadora, mas essa simpatia desaparecera por completo. Quando a Senhora Ya estava prestes a ser violada, nenhum deles ousou sequer gritar. De que vale a beleza de uma mulher sem virtudes brilhantes? Não passam de vasos decorativos.

— Vocês são muito audaciosos! — Xiaolang desceu com expressão austera, bradando com voz cheia de justiça: — Quem lhes deu a ousadia de prender gente da nossa academia? Viemos para o torneio do Noroeste! Somos convidados da Cidade do Fogo Fênix! Como podem agir assim? Não temem a ira do Senhor da Cidade? Não temem perder a cabeça?

Sua voz retumbou, incomodando os ouvidos dos presentes, palavras carregadas de retidão, cada frase um golpe. Os guardas se entreolharam, o ânimo enfraqueceu, mas não soltaram Mestre Qi e os outros.

— Abram passagem! — Xiaolang gritou novamente, liberando uma aura ameaçadora, um frio mortal invadindo o salão. Avançou passo a passo, olhar fulminante, voz de trovão: — Quero ver o Senhor da Cidade! Quero perguntar-lhe se esta terra ainda pertence ao Império, se ainda há leis! Pela lei imperial, artigo setenta e seis, quem ousar me impedir... tenho direito de matar!

A cada passo, sua presença se tornava mais intensa. Ao quinto passo, quatro facas prateadas deslizaram de suas mangas — ele mostrou sua arma.

Os guardas, impressionados pela presença e pela menção às leis, recuaram assustados. No Império havia leis rígidas, mas na Cidade do Fogo Fênix essas regras estavam esquecidas, deixando-os confusos.

— Quem me impedir morre! — Xiaolang lançou mais ameaça, envolto em energia misteriosa, braços prontos para arremessar as facas, e correu em direção à saída. Os guardas, aterrorizados, abriram caminho, liberando a porta!

— Maldição! — Xiaolang era veloz, cruzou o salão em instantes, mas não correu para fora; parou abruptamente, recuou depressa, os olhos inflamados de raiva!

O homem de preto que levava o Filho do Fogo Fênix havia voltado, bloqueando a porta, energia misteriosa pronta para atacar. Se Xiaolang tivesse avançado, estaria morto.

O homem de preto sorriu cruel, falando com voz fria: — O senhor está se recuperando. Até que ele ordene, ninguém sai daqui hoje!

Os guardas despertaram: claro, com o Filho do Fogo Fênix ali, do que deveriam ter medo?

Leis? Na Cidade do Fogo Fênix, a palavra do Filho do Fogo Fênix era a lei!

Recuperando-se? Aquele homem feriu o senhor sob o olhar de Meng! Queria desafiar o destino? Um guerreiro de vila, vestido como um humilde, ousou ferir o senhor?

Os guardas cercaram novamente Xiaolang e a Senhora Ya, mas com Meng ali, escapar era impossível!

Xiaolang não se irritou, não se apressou, mantendo-se sereno, olhos brilhando como um lobo solitário. Cresceu nas Montanhas da Morte, passou por perigos incontáveis; sabia que pressa não ajudava, para sobreviver era preciso confiar em si mesmo.

Mas a situação parecia sem saída! Meng era como uma fera invencível, capaz de matá-lo com facilidade — e ainda carregava a Senhora Ya...

— Meng, mate esse verme e aquela mulher! — Uma voz furiosa ecoou do pátio, o Filho do Fogo Fênix revelando seu desejo de matar. Para ele, ser ferido por Xiaolang era uma humilhação jamais vista; só a morte de Xiaolang e da Senhora Ya poderia apaziguar sua fúria.

Meng semicerrou os olhos; matar dois era trivial, contanto que o Filho do Fogo Fênix se acalmasse e não culpasse sua proteção falha, ele não se importava em exterminar todos da Academia da Neve Voadora.

Ele avançou lentamente, os guardas abriram caminho, energia misteriosa girando em suas mãos, pronta para ser liberada — algo que apenas guerreiros do nível Comandante de Batalha podiam fazer. E Meng era certamente mais forte que um Comandante comum!

— Quer minha vida? Então troque pela vida do seu senhor! —

Naquele momento, Xiaolang também se moveu. Sua mão esquerda se ergueu, mas não lançou a flecha envenenada, e sim um clarão disparou, mirando Meng.

Meng assustou-se, sem saber que tipo de arma era, desviou para o lado, mas viu nas mãos de Xiaolang quatro brilhos prateados.

Xiaolang lançou as facas, em quatro ângulos, bloqueando a esquerda e o avanço de Meng; sua figura era como uma pantera veloz, correndo para a porta, a manga esquerda revelando uma flecha preta.

Ele queria capturar de novo o Filho do Fogo Fênix!

Meng percebeu de imediato o plano de Xiaolang. Mas não enfrentou as facas para sair, desviou à direita, escapou facilmente, então correu para fora.

— Boom! — O primeiro clarão lançado por Xiaolang explodiu contra o muro do pátio, iluminando tudo. Apesar do barulho, não tinha poder letal. Era um sinal dado por Qianxun, mas Xiaolang usou para afugentar Meng.

O sinal foi disparado em linha reta, não ao céu, então Qianxun provavelmente não o viu. Do lado de fora, Xiaolang encostou-se ao muro esquerdo do pátio, amargurado: seu plano estava certo, conseguiu superar Meng, mas não feriu o Filho do Fogo Fênix, muito menos capturá-lo!

Pois diante do Filho do Fogo Fênix estava um guerreiro poderoso, envolto em armadura feita de energia misteriosa!

Armadura de energia misteriosa! Nível seis de Lorde de Batalha!

Uma armadura formada por energia; nem as flechas de Xiaolang, nem mesmo as armas do exército poderiam atravessá-la! Além disso, atrás desse guerreiro, uma sombra de serpente envolvia sua figura.

Um Guerreiro de Alma!

O status do Filho do Fogo Fênix era tão precioso que o Senhor da Cidade designou um Lorde de Batalha Guerreiro de Alma como guarda-costas!

Xiaolang sabia que, se avançasse, seria morto num instante. Era claro que aquele guerreiro não queria se envolver, mas hoje estava realmente sem saída!

— Hahaha, Meng, mate! Mate esse verme, mas não mate Liu Ya, quero diante de todos da academia... tomar ela! Hahaha! — O Filho do Fogo Fênix gritava atrás do Lorde de Batalha, o rosto do guerreiro mostrava resignação. Meng avançava friamente contra Xiaolang, passo a passo, como um ceifador de almas.

— Quem ousa ferir Liu Ya? Saiam do caminho! Quem me impedir, eu, Muding, não aceito nem se o velho do Fogo Fênix vier! Quem são vocês? —

Nesse momento, uma voz envelhecida e furiosa soou do pátio; Liu Ya brilhou de alegria, saltou das costas de Xiaolang, gritando: — Rei dos Remédios, salve-me!

Um velho de túnica cinza, rosto enrugado, entrou com dois guardas, o olhar turvo varreu o pátio até se fixar no Filho do Fogo Fênix. Ele bufou e gritou: — Liu Ya é minha nora, eu, Muding, quero ver você ousar tocar nela!