Capítulo Quarenta e Seis: Xiao Imortal

O Rei dos Demônios Noite Demoníaca 2571 palavras 2026-02-07 12:37:01

O Reino da Guerra possui uma história longa e imponente, erguendo-se no Continente das Almas há mais de mil anos! Ao longo desses séculos, incontáveis vezes o Reino do Sangue no Norte cobiçou estas terras férteis, tentando tomá-las para si, mas todas as investidas terminaram em fracasso.

Nos últimos cem anos, a família real do reino enfraqueceu, especialmente nesta geração, cujo imperador se tornou notório por seu desregramento e inércia. Ainda assim, o Reino da Guerra permanece firme no Oriente; jamais os exércitos inimigos pisaram sequer um passo em seu território.

A razão disso reside nos quatro grandes clãs supremos e em um Deus da Guerra!

Clã Esquerdo, Clã Nível, Clã Oriental e Clã Xiao!

Um soberano do Reino do Sangue já dissera: “Enquanto os Quatro Grandes Clãs existirem e o Deus da Guerra viver, o Reino da Guerra jamais cairá!” Tal declaração revela a importância vital dessas famílias para o reino.

Hoje, o Clã Xiao encontra-se em festa.

O vasto solar da família ocupa milhares de hectares e, entre descendentes, servos e criadas, abriga quase dez mil pessoas. O portão principal está decorado com lanternas e faixas festivas; incontáveis servidores e guardas aguardam ansiosos. O patriarca, Xiao Qilong, ladeado pelos anciãos e figuras importantes da família, permanece à porta, erguendo os olhos para o céu ocidental.

O filho de Xiao Qingyi e de Xiao Qindi está prestes a regressar!

Normalmente, como chefe do clã, Xiao Qilong desfruta de imenso prestígio e poder, sendo também primo de Xiao Qingyi. Não deveria, portanto, receber pessoalmente alguém que há tantos anos se recusa a retornar ao seio da família.

Porém, hoje, Xiao Qilong não apenas se vê obrigado a fazê-lo, mas deve demonstrar alegria, como se estivesse sinceramente jubiloso com o retorno da prima.

O motivo é claro: Xiao Imortal!

Desde que Xiao Imortal foi aprisionado no Monte Dragão-Tigre, o clã Xiao passou a agir com extrema discrição. Nos últimos vinte anos, apenas Xiao Futuoso interveio algumas vezes, sempre com máxima cautela.

Mas após a batalha na Cidade da Fênix Flamejante, onde o poderoso Clã Fogo foi exterminado por Xiao Futuoso e um centena de Guardiões Sangrentos, o reino inteiro logo soube da façanha. O retorno de Xiao Imortal marcou uma virada: o Clã Xiao exibiu suas garras, impondo-se de modo tirânico para reafirmar ao mundo sua força e supremacia.

A recepção solene de hoje, liderada por Xiao Qilong, também serve para transmitir um recado de Xiao Imortal: ele se importa com sua filha e... com seu neto!

Um rugido de dragão ecoou, fazendo com que todos do Clã Xiao se retesassem, buscando a origem. No céu ocidental, uma nuvem negra aproximava-se velozmente: cem dragões demoníacos de asas duplas desciam, pousando diante do grande solar.

Xiao Qilong, de estatura imponente, vestia-se com elegância, sua compleição robusta e altiva exalando natural autoridade. Antes mesmo de os dragões tocarem o solo, avançou a passos largos para recebê-los, e ainda ao longe, usou um tom de leve censura, repleto de afeto:

— Haha! Qingyi, finalmente resolveu voltar? Sabes o quanto sofremos procurando por ti todos esses anos? Não poderias ser um pouco menos teimosa?

— Saudações, senhorita Qingyi!

Todos os altos membros do clã, sorridentes, curvaram-se em reverência atrás de Xiao Qilong.

Xiao Lang e Pequena Adaga estavam atrás de Xiao Qingyi, ajudando-a a descer do dragão demoníaco. Xiao Lang observava o entorno com curiosidade; antes, do alto, apenas vislumbrara a vastidão do solar, mas agora, diante do portão de três metros de altura e das muralhas majestosas, sentiu-se profundamente impressionado. Não à toa, são chamados de um dos quatro clãs supremos — tamanha imponência não encontra par sequer entre as maiores famílias da Cidade do Rei dos Remédios.

— Lang, empurre-me para dentro!

A voz suave de Xiao Qingyi trouxe Xiao Lang de volta à realidade. Ela lançou apenas um olhar impassível para Xiao Qilong e os demais, ignorando suas palavras como se não as tivesse ouvido.

Os poderosos atrás de Xiao Qilong sentiram-se constrangidos, alguns demonstrando visível desagrado. Xiao Qilong, porém, manteve o sorriso caloroso, voltando-se para Xiao Lang com afeto:

— Este é o filho de Qingdi, Xiao Lang, certo?

Que astúcia profunda e que rosto impenetrável!

Xiao Lang semicerrava os olhos, mas nada disse; Pequena Adaga, por sua vez, era ainda mais reservado. Vendo que Xiao Qingyi não demonstrava qualquer afeição por aqueles parentes, ambos permaneceram em silêncio, pouco importando quem fosse o anfitrião.

— Chamem-no de segundo tio. Estes são os anciãos do clã. Cumprimentem-nos, vocês dois!

Após um olhar de Xiao Qingyi, Xiao Lang e Pequena Adaga curvaram-se respeitosamente:

— Saudações, segundo tio. Saudações, veneráveis anciãos.

— Muito bem! Filho de tigre não nasce gato! O filho que Qingyi educou por tantos anos é, de fato, extraordinário!

Xiao Qilong soltou uma gargalhada, seus olhos tomados de admiração e o semblante afável. Até Xiao Lang teve de reconhecer: o chefe do clã possui mesmo uma presença notável.

— Vamos, entremos. O patriarca deve estar ansioso!

Xiao Qilong aproximou-se, tomou o braço de Xiao Lang e, empurrando a cadeira de rodas, guiou todos com um sorriso para dentro do solar.

Ao atravessar o jardim, Xiao Lang e Pequena Adaga sentiram-se como visitantes deslumbrados, tamanha a beleza do lugar. Logo na entrada, depararam-se com um jardim imenso, repleto de flores e plantas que Xiao Lang jamais vira. Ao longe, podiam-se ver pavilhões luxuosos; após alguns minutos de caminhada, chegaram a uma vasta praça onde centenas de jovens do Clã Xiao treinavam, lançando olhares curiosos para o grupo.

Sem deter-se, o cortejo atravessou a praça até um pátio nos fundos, onde finalmente pararam diante de uma residência privada.

Com respeito, Xiao Qilong anunciou à porta:

— Patriarca, Qingyi e o filho de Qingdi retornaram!

A porta rangeu e abriu-se sozinha, enquanto uma voz idosa soou:

— Deixem-nos entrar. Os demais, retirem-se!

— Pai...

O rosto de Xiao Qingyi, até então impassível, transfigurou-se de emoção ao ouvir aquela voz, lágrimas brilhando em seus olhos. Xiao Lang, empurrando a cadeira e acompanhado de Pequena Adaga, adentrou o pátio.

O lugar era simples, quase desolado: apenas um pequeno pavilhão e, diante de um túmulo solitário, erguia-se um ancião esguio de cabelos brancos e túnica negra, de costas para eles, a coluna reta como uma espada.

— Pai!

Xiao Qingyi, agora com a voz embargada, chamou novamente. O velho, então, virou-se devagar; seu rosto expressava carinho, mas os olhos estavam tomados de culpa.

— Minha pequena Qingyi voltou para casa? Sofreste muito nestes anos, não?

— Pai!

Xiao Qingyi já não pôde conter-se. As lágrimas jorraram. Seu poder espiritual brilhou e a cadeira de rodas avançou rapidamente; ela lançou-se nos braços do velho, chorando amargamente.

A temida Lâmina Sangrenta do reino, Xiao Qingyi, naquele instante parecia uma criança indefesa diante do pai.

— Pronto, pronto, já está em casa! Enquanto eu viver, ninguém mais te fará mal. Toda injustiça que sofreste, o pai irá reparar!

Xiao Imortal chorava copiosamente, afagando os ombros da filha enquanto, em seus olhos, lampejava um brilho mortal.

— Qingyi não sofreu, a inútil sou eu, que permiti que o pai sofresse no Monte Dragão-Tigre!

Xiao Qingyi ergueu o rosto, tomada de remorso, e então virou-se abruptamente, ordenando:

— Lang, Pequena Adaga, ajoelhem-se e cumprimentem seu avô!

Xiao Lang e Pequena Adaga ajoelharam-se pesadamente, tocando a testa no chão três vezes, exclamando com respeito:

— Vovô!

— Bom, bom, muito bom!

Xiao Imortal, sorrindo, repetiu o elogio três vezes, apressando-se em erguer os dois. Fixando os olhos em Xiao Lang, de súbito emanou uma aura de suprema autoridade e, com orgulho, declarou:

— Meu filho, voltaste para casa. A partir de hoje, ninguém mais poderá te humilhar! Se alguém ousar fazê-lo, quebre-lhe as pernas — o avô te protegerá!

Xiao Lang levou a mão ao nariz e sorriu:

— Qualquer um?

Xiao Imortal hesitou, então caiu na gargalhada:

— Sim, qualquer um!