Capítulo Setenta: O Anel de Sumi
O tempo que se seguiu foi marcado por um avanço ininterrupto. Sempre que encontravam uma fera espiritual solitária, Xiu Lang geralmente deixava que Chá Mu lidasse com ela. Chá Mu, um guerreiro de alto nível, cuja alma concedia poderes adicionais, demonstrava uma força de ataque brutal. Quando Xiu Lang lhe dava ordens, ele agia sem uma única palavra de reclamação. Se surgiam duas feras espirituais, era Xiao Dao quem entrava em ação, eliminando-as com extrema eficiência.
Dongfang Hongdou tinha uma personalidade exuberante e ardente; irritou-se apenas por um breve momento antes de voltar a conversar com Xiu Lang. Não demonstrava ressentimento algum pelas constantes provocações, e Xiu Lang começou a se sentir atraído por essa mulher destemida. Do seu ponto de vista, Dongfang Hongdou, com seu jeito espontâneo, era muito mais encantadora do que a silenciosa e orgulhosa Princesa Yun Zishan, que se mantinha reservada durante toda a jornada.
— Senhorita Hongdou, há uma fera espiritual de nível três adiante. Que tal desafiar essa criatura? — perguntou Xiu Lang, cuja sensibilidade era sempre superior à dos demais, permitindo-lhe detectar as feras antes de todos. Desta vez, ele não designou Chá Mu para o combate, mas sim Dongfang Hongdou, sugerindo que ela aproveitasse para praticar.
— Ótimo! Veja o que esta dama é capaz! — respondeu Dongfang Hongdou, que já estava ansiosa por uma oportunidade dessas. Ela controlou sua montaria e avançou velozmente, focando uma raposa branca que tentava fugir desesperadamente.
— Vamos! — gritou ela, envolta por uma aura espiritual, enquanto uma luz branca reluzia atrás de si. A silhueta de um arco longo prateado, com mais de três metros, surgiu no ar, destacando-se contra sua figura esculpida. Com o semblante sério, envolta em energia espiritual, Dongfang Hongdou bradou: — Técnica de alma espiritual: Arco de Prata Atirando na Lua!
Com seu grito, a imagem do arco foi tensionada até formar um círculo completo e uma flecha de energia disparou, perseguindo automaticamente a raposa branca fugitiva. Num piscar de olhos, a flecha alcançou o alvo, veloz como um raio, fulminante como um meteoro.
— Boom! — O impacto foi devastador. A pequena raposa foi destruída completamente pela técnica de Dongfang Hongdou, eliminada em um único golpe.
Dongfang Hongdou recolheu sua energia espiritual, a silhueta do arco desaparecendo aos poucos. Ela olhou orgulhosa para Xiu Lang, esperando sua aprovação.
— Uma fera espiritual de nível três merece mesmo uma técnica de alma espiritual? Na hora de enfrentar aquela criatura de nível quatro, não vi você usar isso… — Xiu Lang revirou os olhos, respondendo com indiferença, apesar de admirar internamente a potência daquela técnica. Não era à toa que era uma alma espiritual de nível celestial, de poder impressionante.
Dongfang Hongdou ficou um pouco desanimada, mordendo os lábios e murmurando: — É que eu estava nervosa, acabei esquecendo…
— A potência é ótima, só falta um pouco de experiência em combate. Com prática, o reino ganhará uma grande guerreira! — Xiu Lang, sem querer desmotivar Dongfang Hongdou, comentou casualmente, voltando-se para Chá Mu: — E você, irmão Chá Mu, como é o poder da sua técnica de alma espiritual?
Chá Mu sorriu modestamente: — Pode-se dizer que é razoável, o poder é similar ao de Hongdou.
Xiu Lang e Xiao Dao trocaram olhares ansiosos; ambos aguardavam com expectativa o Festival das Almas, curiosos sobre que tipo de alma espiritual poderiam despertar e se teriam técnicas tão impressionantes.
Yun Zishan, sentada orgulhosa em seu cavalo branco, também brilhava de expectativa, ansiosa pela própria cerimônia de despertar.
Ao longe, o céu se tingia de vermelho: era o entardecer.
Dongfang Hongdou, elogiada por Xiu Lang, voltou a se alegrar e passou a pressioná-lo para que saíssem do quinto pico. Ela não queria passar a noite ali, temendo não conseguir dormir.
Xiu Lang e Xiao Dao não se importavam, pois estavam acostumados a pernoitar nas montanhas. Ao olhar para Chá Mu, percebeu que ele também parecia hesitante. Sem alternativa, Xiu Lang reuniu o grupo e começou a recuar em direção ao quarto pico.
Na junção entre o quarto e quinto picos havia uma área plana com algumas cabanas rústicas de madeira, utilizadas como base pelos guardas reais.
Para surpresa de Xiu Lang e seus companheiros, ao chegarem lá, descobriram que todas as cabanas já estavam ocupadas.
— Princesa! — exclamaram alguns.
— Senhorita Dongfang! — outros se alegraram ao ver Yun Zishan e Dongfang Hongdou. Chá Mu também foi saudado, enquanto Xiu Lang e Xiao Dao foram completamente ignorados.
Os grupos de Xiu Kuang, Zuo Ming e Dongfang Mo Ran estavam todos acampados ali. Os doze guardas reais originais trabalhavam sob suas ordens, montando tendas e cuidando dos preparativos.
Vendo Xiu Lang e seu grupo saindo do quinto pico, Xiu Kuang, Zuo Ming e Dongfang Mo Ran ficaram visivelmente surpresos. Seus três grupos, junto com outros jovens das dez grandes famílias, haviam quase eliminado as feras do quarto pico e planejavam descansar ali antes de avançar lentamente ao quinto no dia seguinte. Não esperavam que o grupo de Xiu Lang tivesse já penetrado no quinto pico, e pelo olhar de Dongfang Hongdou, pareciam ter tido sucesso.
Dongfang Hongdou cumprimentou todos com entusiasmo, enquanto Yun Zishan mantinha o comportamento reservado, respondendo apenas com um aceno discreto e uma leve ruga na testa. Ela dirigiu-se ao capitão dos guardas reais:
— Há alguma cabana limpa disponível?
O capitão ficou constrangido, olhando para Xiu Kuang e os outros, sem saber como responder. Xiu Kuang rapidamente se ofereceu:
— Princesa, ceda-lhe minha cabana. As roupas de cama estão novas, ninguém as usou!
Yun Zishan franziu as sobrancelhas e sorriu suavemente:
— Não é necessário, obrigado, senhor Kuang. Nós mesmos montaremos nossas tendas.
Ela estendeu a mão esquerda, onde ostentava um belo anel violeta. Ao canalizar sua energia espiritual, o anel brilhou intensamente e muitos itens surgiram do nada no chão — todos materiais para montar tendas.
— Anel de Sumeru! — exclamaram Xiu Kuang, Zuo Ming e Dongfang Mo Ran. Xiu Lang e Chá Mu também reconheceram a peça, examinando o anel de Yun Zishan com curiosidade.
Todos sabiam sobre tal item, mas somente os chefes das famílias o possuíam; nem mesmo os anciãos tinham acesso a ele. Era um tesouro raro, legado da antiguidade, impossível de ser fabricado hoje, tornando-se cada vez mais precioso à medida que se perdia um exemplar. Yun Zishan era, de fato, favorecida por Yun Feiyang, e a riqueza da família real era indiscutível.
O Anel de Sumeru era um artefato espacial extraordinário, capaz de armazenar inúmeros objetos, facilitando a vida de seu portador. Com o tempo, sua raridade só aumentava.
O rosto de Yun Zishan suavizou-se com um sorriso doce; ela se voltou para Xiu Lang e pediu gentilmente:
— Senhor Lang, poderiam nos ajudar a montar? Eu não sei como fazer...
Sentindo os olhares hostis de todos ao redor, Xiu Lang franziu o cenho. A princesa parecia estar deliberadamente atraindo ressentimento para si. Nunca sorrira para ele antes, mas agora, diante de tantos observadores, mostrava-se extremamente afetuosa — era claro que estava lhe armando uma cilada.
— Xiao Dao, mãos à obra! — Xiu Lang respondeu, ignorando o desconforto, sem se importar com os olhares invejosos de Zuo Ming e outros, e começou a ajudar com Xiao Dao; Chá Mu também se apressou a colaborar.
Os materiais do Anel de Sumeru de Yun Zishan eram mais do que suficientes, e Xiu Lang e Xiao Dao, experientes nessas tarefas, rapidamente montaram cinco tendas em um canto distante da clareira, separadas dos demais, como se houvesse uma fronteira invisível entre eles.