Capítulo Noventa e Um: Compor um Poema?

O Rei dos Demônios Noite Demoníaca 2436 palavras 2026-02-07 12:37:52

— Perdão, peço desculpas! —

Instantes depois, um jovem cavalheiro dirigiu-se ao outro ao lado, curvou-se em sinal de desculpa e levantou-se rumo à porta lateral. Da mesma forma, uma jovem dama, corando intensamente, saiu discretamente por outra porta, ambos certamente impelidos pelo excesso de bebida.

— Que bela oportunidade!

Os olhos de Saulo brilharam de imediato; abaixou a cabeça, fez um gesto de cortesia para ambos os lados e, murmurando um pedido de desculpas, fingiu ir ao toalete para aproveitar a chance e dar no pé.

Ninguém deu maior atenção, prosseguindo nas conversas animadas, e Nicanor ainda acenou levemente para Saulo em sinal de compreensão. Yara Violeta também percebeu, mas virou o rosto fingindo não ver: afinal, necessidades humanas são coisa comum.

— Saulo, está pretendendo fugir?

Mal Saulo se virou e preparava-se para escapar sorrateiramente, uma voz fria soou, abafando de pronto qualquer murmúrio ao redor. Todos os olhares se voltaram para ele, e Yara Violeta o fitou, surpresa.

O corpo de Saulo estremeceu e um sorriso constrangido surgiu-lhe no rosto. Era a voz de Rubra do Oriente, que evidentemente percebera suas intenções. Com um sorriso amargo, assumiu um ar de espanto e respondeu:

— Por que diz isso, senhorita Rubra? Só estou indo ao banheiro!

Mal as palavras saíram-lhe da boca, percebeu que cometera um deslize. Falar assim não era claramente provocar Rubra do Oriente?

Como era de esperar, o semblante de Rubra do Oriente se carregou de indignação, sua energia mística se manifestou, pronta para explodir.

— Haha, fique tranquila, não vou fugir, volto já! — apressou-se Saulo, sorrindo de modo bajulador, com um olhar suplicante, e girou nos calcanhares para tentar sair.

Todos notaram a tensão entre eles, mas preferiram silenciar. O olhar de Yara Violeta tornava-se ainda mais intrigado: Saulo parecia ter ofendido mesmo Rubra do Oriente? E estava querendo fugir?

Rubra do Oriente bateu o pé e se levantou furiosa, vendo que Saulo tentava escapar, e gritou:

— Saulo! Experimente fugir! Amanhã mesmo empunho minha espada e invado a casa de sua família!

Saulo parou imediatamente. Aquela garota era realmente louca e com certeza faria o que prometeu — se causasse um escândalo na mansão dos Saulo, sua tia o esfolaria vivo. Fez um muxoxo resignado e voltou, com o rosto cheio de lamento:

— Minha senhora, o que mais deseja? Nem ao banheiro posso ir...

Percebendo o clima tenso, Yara Violeta interveio, tentando suavizar:

— Rubra, o que houve? Saulo te incomodou? Conte-me, que eu resolvo!

— Não é nada, apenas um pequeno desentendimento.

Saulo quase saltou de susto; se aquela tola da Rubra do Oriente falasse qualquer coisa, mesmo uma palavra, sua reputação estaria arruinada para sempre. Tomando a dianteira, sorriu humildemente para Rubra do Oriente:

— Senhorita Rubra, admito meu erro. Permita que eu me redima, bebo três copos como punição, que tal?

E, sem hesitar, Saulo bebeu três copos grandes em sequência, mais rápido até que Nicanor, e ainda eram copos cheios. Só então lançou um olhar disfarçado para Rubra do Oriente, aliviando-se ao vê-la um pouco menos zangada.

Rubra do Oriente bufou, olhos faiscando de raiva:

— Três copos e acha que está tudo resolvido? Não é tão simples! Hoje, se não me agradar, nem pense em sair daqui. Tente fugir e verá!

Os olhos de Saulo brilharam — parecia que havia margem para negociação.

Desde que não causasse um escândalo, qualquer condição seria aceitável, afinal, havia visto aquilo que não devia. Batendo no peito com confiança, declarou:

— Se a senhorita Rubra quiser, aceito qualquer condição para apaziguar sua ira. Até se quiser que eu dance a dança da saia de palha, eu aceito!

— Ah!

Diversas jovens caíram na risada. Aquela era uma dança de macacos, e Saulo, um nobre de família tradicional, se dispôs a dançá-la em público? Logo, todas começaram a incentivar Rubra do Oriente a aceitar.

Yara Violeta sorriu de modo sutil. Ver Saulo rebolando como um bobo em plena festa tornaria tudo ainda mais divertido.

— Que falta de decoro! — exclamavam muitos poetas e damas, balançando a cabeça desaprovadores. Achavam Saulo vulgar, inadequado para aquela ocasião refinada, e se fosse outro, já teriam repreendido com palavras duras.

Tâmio, curioso, observava os dois. Lembrava-se de como, no torneio de caça, Saulo domara Rubra do Oriente como um gatinho, e agora se perguntava o que ele teria aprontado para estar tão submisso.

Rubra do Oriente corava intensamente, a ponto de quase enlouquecer. Após o ocorrido no Pavilhão das Ondas, pensara até em tirar a própria vida. Mas, refletindo melhor, decidiu não facilitar para Saulo, e foi atrás dele, decidida. Ao vê-lo tentando fugir, ficou ainda mais irada.

Agora, após toda a confusão, sentia-se um pouco melhor, mas estava sem saída: fazer Saulo dançar era divertido, mas não era punição suficiente — afinal, ele viu o que jamais deveria ter visto. Uma dança bastaria?

Com todos pressionando, Rubra do Oriente suspirou e, buscando ganhar tempo, declarou com tom ameaçador:

— Imagina que é tão simples! Não quero saber de dança de macaco. Se... se você compuser três poemas e todos aplaudirem, eu te deixo ir!

Na verdade, ela não sabia bem como puni-lo e tentava apenas adiar a decisão, planejando melhor a vingança depois. Só tinha uma certeza: Saulo não sairia impune.

No entanto —

Saulo explodiu em gargalhadas, com o rosto iluminado de euforia:

— Fazer poemas, embora eu nunca tenha estudado, já que a senhorita pede, vou improvisar. Melhor ainda: farei cinco poemas, todos terão de aprovar, e assim damos o assunto por encerrado. Caso algum não agrade, eu mesmo me corto com uma faca — cinco poemas, cinco cortes — contanto que a senhorita Rubra acalme seu ânimo!

Ao terminar de falar, um burburinho se espalhou pelo salão.

Ninguém sabia se Saulo, criado entre as montanhas e feras místicas, seria capaz de compor sequer um poema. E ele mesmo se colocava numa situação difícil: cinco poemas, e todos deveriam aprovar? Era uma façanha e tanto, já que havia ali verdadeiros mestres das letras, e não se agradavam facilmente com versos toscos.

E ainda prometia se ferir caso fracassasse? Seria loucura ou arrogância extrema, desdenhando de todos os poetas presentes?

— Bravo, Saulo, que coragem!

— Por favor, Saulo, mostre-nos seus poemas, aguardamos ansiosos!

— Que espírito destemido!

Uma multidão apoiou a ideia, enquanto Zé Minho e outros torciam para que Saulo passasse vergonha. Saulo, conhecendo bem seu passado humilde, temia pelo pior. Tâmio, por sua vez, olhava preocupado, sem entender que ideia maluca passava pela cabeça de Saulo.

Yara Violeta, com os olhos ainda mais brilhantes, divertia-se: Saulo ousava dizer que faria poemas? Aquilo prometia ser o momento mais divertido da noite.

Diversas jovens estavam entusiasmadas, animadas por presenciar um espetáculo tão inesperado; não estavam ali em vão. Já os poetas, em geral, torciam o nariz, aguardando para rir de Saulo.

Rubra do Oriente, mais uma vez encurralada, rangeu os dentes:

— Muito bem! Quero ver que talento tem você, Saulo!

— Está feito!

Saulo regozijou-se por dentro. Um problema que não fazia ideia de como resolver acabou sendo solucionado de maneira simples. Depois daquela noite, mesmo que Rubra do Oriente ainda viesse importuná-lo, ao menos não faria um escândalo...