Capítulo Vinte e Seis: A Serpente das Correntes de Ferro
A rigor, o Monte Sumeru não era tão extenso, abrangendo apenas algumas dezenas de léguas. Para pessoas comuns, atravessá-lo por inteiro talvez levasse dez ou quinze dias, mas para guerreiros com força superior a dez tigres, o percurso poderia ser feito em poucos dias.
Claro, isso supondo que não encontrassem feras místicas pelo caminho.
Neste momento, toda a periferia do Monte Sumeru estava ocupada por dezenas de guerreiros, que iam eliminando sistematicamente as feras místicas nos arredores. Entre as dez academias de artes marciais presentes, a maioria dos participantes encontrava-se no estágio de Mestre de Batalha, afinal, o regulamento do torneio estipulava que os competidores deviam ser menores de dezoito anos. Para essa idade, mesmo que suas famílias fossem abastadas, alcançar o ápice de Mestre de Batalha já era considerado um feito notável.
Guerreiros nesse estágio podiam abater facilmente feras místicas de primeiro nível e, com algum esforço, enfrentar as de segundo nível. No entanto, derrotar feras de terceiro nível era tarefa árdua. Por isso, a maioria dos alunos das academias preferia permanecer na periferia, abatendo rapidamente feras de primeiro e segundo nível para obter o máximo de insígnias possível.
Apenas dois grupos destoavam: o grupo da Academia Neve Voadora e o da Academia Fênix de Fogo.
Xiao Lang avançava obstinadamente, seguido inesperadamente por Bu Xiaoman e Situ Zhantian, de modo que o pequeno esquadrão adentrou de imediato as profundezas do Monte Sumeru, em busca de feras místicas de terceiro nível para caçar.
Já o grupo da Fênix de Fogo, liderado pelo jovem senhor Fênix de Fogo, era composto unicamente por Mestres de Batalha no auge, incluindo três alunos com vasta experiência em combate. Sendo a Fênix de Fogo a campeã de todas as edições anteriores do torneio, era natural que também buscassem as regiões mais profundas da montanha.
Em um trecho plano do Monte Sumeru, cinco pessoas cercavam uma fera mística de terceiro nível, um rinoceronte de olhos vermelhos, travando um combate feroz.
Engano. Na verdade, eram quatro pessoas e um pequeno burro, todos observando Xiao Lang enfrentar sozinho o rinoceronte de olhos vermelhos.
Os cavalos dos quatro já haviam sido tomados pelo terror devido à presença da poderosa fera mística, exceto o pequeno burro, que não demonstrava o menor sinal de medo. Os quatro chegaram a conjecturar sobre a identidade daquele burro anormalmente veloz, mas, por mais que se esforçassem, não conseguiam desvendar o mistério.
Xiao Lang empunhava uma adaga e movia-se velozmente pela relva, enquanto atrás dele, o rinoceronte de olhos rubros, coberto de sangue, investia furioso em sua perseguição.
À frente, um antigo carvalho obstruía o caminho, mas, em vez de desviar, Xiao Lang acelerou ainda mais em direção à árvore. O rinoceronte, semelhante a um tanque em movimento, vinha logo atrás, e suas presas alvas brilhavam ameaçadoras.
A menos de um metro do carvalho, Xiao Lang saltou ágil como um macaco, pisando no tronco e subindo rapidamente. Impulsionado pela velocidade, seus pés tocaram o tronco numa sucessão de passos, elevando seu corpo a sete ou oito metros do chão; então, com um impulso final, lançou-se para trás em um salto mortal.
Com um estrondo, as presas afiadas do rinoceronte colidiram com a árvore, fazendo-a estremecer violentamente. Folhas amarelas despencaram, tingindo o ar de ouro.
No exato momento do salto, os olhos de Xiao Lang brilharam com intensidade. Ele empunhou a adaga com as duas mãos e a cravou com força na cabeça do rinoceronte.
Ouviu-se um ruído arrepiante: o impacto entre a adaga e o crânio do rinoceronte produziu um som que fazia a pele arrepiar. A força era tamanha que a lâmina se partiu, mas o punho de ferro de Xiao Lang, envolto em energia mística, desferiu um golpe brutal no crânio já fissurado.
O rinoceronte soltou um urro trágico, e, com um baque seco, sangue e massa encefálica se espalharam pelo chão. Seus olhos escarlates reviraram e, embora o corpo permanecesse de pé — as presas cravadas no tronco —, as patas traseiras vacilaram até que a vida se esvaiu por completo.
Apenas Bu Xiaoman reprimiu um suspiro, cobrindo a boca; os outros três mantiveram-se em silêncio, trocando olhares surpresos.
O rinoceronte de olhos vermelhos, uma fera mística de terceiro nível inferior, embora imponente e dotado de força equivalente a várias dezenas de tigres, não era impossível de matar; eles próprios, no Monte do Diabo, só conseguiram abatê-lo depois de uma hora de luta conjunta, e mesmo assim, só sobreviveram graças à intervenção dos guardas de suas famílias.
Porém, Xiao Lang dera cabo da criatura em um décimo do tempo, com movimentos tão suaves e precisos que mais pareciam uma exibição artística do que um combate. A diferença era gritante, impossível de ignorar. Mais impressionante ainda: ao final, Xiao Lang mal tinha marcas de sangue — apenas algumas gotas respingadas na mão pela pancada fatal.
Os três sabiam que Xiao Lang ocultava sua verdadeira força. Se lutasse a sério, talvez liquidasse o rinoceronte em um único golpe.
— O que estão esperando? Vamos! — exclamou Xiao Lang, retirando uma insígnia vermelha do ventre da fera e guardando-a na bolsa. Com um salto, montou no pequeno burro e lançou um olhar gélido para os quatro que permaneciam imóveis. Pensou consigo mesmo que precisaria encontrar uma maneira de se livrar deles; além de não ajudarem em nada, eram um peso morto.
Durante toda a tarde, Xiao Lang protagonizou um espetáculo solo. Bu Xiaoman e Mu Feiyu tentaram auxiliar, mas só complicaram, precisando ser salvos duas vezes por Xiao Lang. Por fim, ele os obrigou a apenas assistir, para não atrapalhar.
A sorte de Xiao Lang era notável: em uma única tarde, encontrou diversas feras místicas de terceiro nível, inclusive uma abelha fantasma no auge do terceiro nível, que eliminou com facilidade graças à sua força esmagadora. Ao todo, abateu oito feras de terceiro nível, obtendo excelentes resultados.
Ao entardecer, Xiao Lang encontrou uma caverna na montanha. Embora a entrada fosse ampla, conseguiu obstruí-la com algumas pedras encontradas por perto e sinalizou para os quatro descansarem lá dentro.
— Não vai entrar para descansar? — perguntou Bu Xiaoman, intrigada.
Xiao Lang deu de ombros: — Vou meditar aqui fora. Lá dentro é muito apertado; se formos atacados por alguma fera mística, ninguém conseguirá escapar. Aqui fora, posso avisar com antecedência.
Bu Xiaoman entrou desapontada. Xiao Lang, porém, sorriu friamente. Não confiava suas costas a companheiros como aqueles, especialmente a Situ Zhantian. Encontrou uma grande árvore próxima, armou algumas armadilhas sob ela e preparou-se para passar a noite nos galhos.
— Amanhã, cada um seguirá seu caminho — murmurou Xiao Lang. Levar consigo um grupo de inúteis era pior do que deixá-los caçar feras de primeiro e segundo nível por conta própria. Embora todos fossem Mestres de Batalha, e Situ Zhantian um dos mais avançados, faltava-lhes experiência real; em combate contra feras místicas, mal conseguiam usar metade de seu potencial. Enfrentar feras de terceiro nível era suicídio.
Alimentou-se de um pouco de pão e água, sentando-se em posição de lótus no galho para cultivar sua energia mística. Embora os combates do dia não tivessem exigido muito de sua energia e vigor, ele tinha o hábito de meditar sempre que possível.
No entanto, algo estranho aconteceu.
Não havia se passado muito tempo desde o início da meditação quando Xiao Lang, com sua percepção aguçada, detectou a aproximação de uma fera mística — e ela vinha diretamente em direção à árvore onde ele repousava!
À luz do luar, seus olhos brilharam como lâminas, vasculhando os arbustos abaixo até distinguir o invasor: uma serpente de correntes, fera mística de terceiro nível no auge.
A serpente não era grande; seu corpo exibia padrões que lembravam elos de corrente de ferro. De longe, imóvel, facilmente poderia ser confundida com uma corrente abandonada.
De súbito, os arbustos voltaram a se agitar — e Xiao Lang logo se deu conta, com expressão grave, de que várias serpentes de correntes avançavam em sua direção.
Franziu a testa, sem compreender: por que só ele era o alvo, se estavam ali também Situ Zhantian e os outros, cujas auras eram ainda mais intensas? Por que as serpentes de correntes miravam apenas a ele?