Capítulo Trinta e Quatro: Cipós

O Rei dos Demônios Noite Demoníaca 2362 palavras 2026-02-07 12:36:53

Xiao Lang ainda não tinha morrido, mas naquele momento sentia-se pior do que se estivesse morto!

Quando caiu no fundo do poço, Xiao Lang sentiu como se seu corpo tivesse pousado sobre uma camada macia de algodão, sem sofrer o menor dano.

Ele não sabia a que altura estava do topo, mas já não era possível ver qualquer claridade da abertura acima. E, de modo extremamente estranho, havia uma tênue luz esverdeada no fundo do buraco.

Seu corpo estava terrivelmente fraco, não tinha forças nem para se levantar, podendo apenas virar a cabeça com esforço. Foi então que viu que estava cercado por incontáveis trepadeiras finas, que o amorteceram e evitaram sua morte na queda.

Justo quando sentia um alívio imenso por ainda estar vivo, percebeu que algo estava errado!

Por que aquelas trepadeiras emitiam um brilho esverdeado?

Logo em seguida, algo ainda mais aterrorizante aconteceu: incontáveis trepadeiras dispararam em sua direção, envolvendo seu corpo num instante. Desses caules brotaram espinhos afiados, fazendo-o sentir como se milhares de agulhas perfurassem sua pele ao mesmo tempo.

— Uuuu!

A pequena Fera Ilusória Branca voava inquieta no ar, soltando baixos gemidos, mas não ousava se aproximar. Seus olhos estavam cheios de tristeza enquanto voava de um lado para o outro, totalmente perdida, sem saber o que fazer.

No momento seguinte, algo ainda mais assustador aconteceu. Envolto pelas trepadeiras, Xiao Lang foi arrastado rapidamente em direção a uma passagem subterrânea, desaparecendo num piscar de olhos por um túnel. As inúmeras trepadeiras que preenchiam o fundo largo do poço retraíram-se como uma legião de serpentes, sumindo nas paredes e no solo ao redor, desaparecendo sem deixar vestígios.

Se algum guerreiro estivesse ali naquele instante, certamente morreria de susto diante de trepadeiras que se moviam e ainda por cima capturavam pessoas…

— Nunca imaginei que eu, Xiao Lang, acabaria morto nas mãos de simples trepadeiras. Será que essas plantas ganharam vida e querem devorar minha carne e meu sangue?

Mesmo se estivesse em plena forma, sentia que, preso por essas trepadeiras, não teria chance de escapar. Sabendo que seu fim era inevitável, já não sentia tanto medo, nem forças para gritar. Apenas se perguntava, intrigado, sobre a natureza dessas plantas misteriosas.

No instante seguinte, porém, seu coração, que estava calmo, voltou a se agitar, porque percebeu que o ferimento em seu ombro esquerdo, causado pela besta mecânica, estava cicatrizando numa velocidade assustadora. Aquele brilho esverdeado das trepadeiras era, na verdade, um tipo de seiva; ao tocar seu ferimento, a substância acelerava a cura. Ao mesmo tempo, os espinhos das trepadeiras injetavam essa seiva diretamente em seu corpo, que começou a ficar aquecido, e a dor dos espinhos desapareceu.

— Que coisa estranha é essa?

Xiao Lang pensava consigo mesmo, espiando pelo entrelaçado das trepadeiras e vendo que era arrastado por um corredor cavernoso, sem saber ao certo qual seria seu destino.

Pouco depois, foi levado a uma imensa caverna, do tamanho da praça central da Cidade do Rei dos Remédios. Por entre as trepadeiras, viu uma cena que jamais esqueceria.

Por toda a caverna, brotavam trepadeiras do chão, alinhadas como soldados em silêncio, havia ao menos dezenas de milhares delas. Na linha de frente, uma trepadeira roxa, fina e altiva, erguia-se como um rei inspecionando seu povo.

A caverna, iluminada pelo brilho verde das plantas, parecia dia. No canto, Xiao Lang viu uma pilha de ossos: humanos, bestas místicas e animais, ao menos milhares deles, todos empilhados em perfeita ordem.

— O que será isso…? Será mesmo uma espécie de espírito vegetal?

Enquanto seus olhos percorriam os montes de ossos, pensou, entristecido, que talvez em breve seus próprios restos se juntariam àquela pilha.

E, de fato, pouco tempo depois, foi arrastado para a frente. Estranhamente, as trepadeiras se abriram por si, formando um corredor. Xiao Lang foi levado até diante da trepadeira roxa, e as verdes que o envolviam se soltaram e sumiram no solo.

— Devo me sentir honrado?

Talvez fosse digno de pena ou de orgulho servir de alimento para o rei das trepadeiras. Xiao Lang não sabia bem o que pensar.

E assim foi.

A trepadeira roxa envolveu-lhe imediatamente o corpo, e um espinho rasgou seu peito, penetrando fundo. Em seguida, a planta inteira entrou em sua ferida e desapareceu, deixando a lesão fechar-se sozinha, sem que Xiao Lang sentisse qualquer dor. Era tudo muito estranho.

— Que diabos é isso…?

Ele respirava ofegante, arrepiado. Saber que uma estranha trepadeira invadira seu corpo era suficiente para enlouquecer qualquer um.

— Não perca a cabeça, Xiao Lang, mantenha a calma!

Desde pequeno, abandonado pela tia e lutando pela vida entre as feras místicas, Xiao Lang fora forjado num espírito forte. Forçou-se a acalmar e fechou os olhos, tentando perceber qualquer mudança em seu corpo.

Contudo…

A trepadeira parecia ter desaparecido, sumindo sem deixar rastro, e Xiao Lang não sentia nada de diferente.

Enquanto tentava entender o que se passava, sentiu de repente uma perturbação em sua mente. Em meio à névoa, percebeu que dentro de sua consciência surgira a imagem de uma trepadeira roxa, que tentava devorar sua alma, ou melhor, tomar o controle de seu corpo!

— Ela quer consumir minha alma, transformar-me num morto-vivo, tomar posse do meu corpo!

Xiao Lang entendeu imediatamente as intenções daquela planta misteriosa. Ficou completamente perdido, sem saber como reagir. Mas, do fundo de sua alma, ouviu um grito:

“Não! Antes morrer do que me tornar um fantoche!”

— Não! Eu, Xiao Lang, não virei um morto-vivo, nem que seja preciso morrer para isso!

Com um grito furioso, abriu os olhos, os músculos se retesaram e, num surto de energia selvagem digna de uma besta ancestral, liberou uma aura feroz que fez as trepadeiras ao redor tremerem de medo.

Logo em seguida, fechou novamente os olhos, o corpo desabou, pálido como a morte, imóvel no chão da caverna.

As inúmeras trepadeiras, assustadas pelo seu poder, haviam recuado, mas logo voltaram a cercá-lo, balançando-se ao seu redor como uma multidão de curiosos sussurrando.

Muito tempo se passou, até que, de repente, uma luz púrpura irrompeu do corpo de Xiao Lang, fazendo as trepadeiras próximas se agitarem ainda mais. Mas, logo em seguida, a luz púrpura sumiu, substituída por um brilho negro. As plantas, tomadas pelo pavor, recuaram apressadamente.

Depois de um tempo, a luz púrpura envolveu novamente o corpo de Xiao Lang. Assim, luz púrpura e negra alternavam-se, como se a trepadeira roxa e a alma de Xiao Lang travassem uma batalha dentro dele, numa luta estranha e misteriosa.

Não se sabe quanto tempo passou, até que ambas as luzes desapareceram. Xiao Lang permaneceu imóvel, estendido no chão da caverna, como se já estivesse morto…