Capítulo Três: A Viúva Sedutora
Xiao Lang saiu do quarto e virou-se em direção ao quintal dos fundos. Apesar de o pátio estar em ruínas, ainda era espaçoso, especialmente a parte dos fundos.
A luz da lua, clara e encantadora, banhava todo o quintal.
— Haa!
Antes mesmo de chegar ao quintal, ouviu-se um grito estrondoso, e uma cena impressionante surgiu diante dos olhos.
Um corpo imenso erguia uma pedra gigantesca, com quase um metro de diâmetro, correndo desvairadamente pelo quintal dos fundos. O homem vestia apenas um calção preto, com o torso nu, exibindo músculos salientes como cordas grossas de boi no peito, nas costas e nos braços. Carregando uma rocha de milhares de quilos nas costas, ele corria feito um furacão pelo quintal, levantando poeira por onde passava.
Subitamente, como uma besta pré-histórica, o homem parou bruscamente, lançou a pedra ao lado e, no instante em que ela ia tocar o chão, segurou-a com ambas as mãos, amortecendo o impacto e pousando-a suavemente.
— Mano!
O grandalhão virou-se, os músculos tensos aos poucos se retraíram, e em seu rosto juvenil e inocente surgiu um sorriso tolo e constrangido, enquanto coçava a cabeça olhando para Xiao Lang.
Xiao Lang sorriu:
— Facão, sua força aumentou de novo. Deve estar com mais de sessenta forças de tigre, não?
— Agora já são setenta forças de tigre, mas... ainda estou muito atrás de você, mano! — Facão respondeu, envergonhado, sorrindo com ainda mais simplicidade.
— Muito bem, guerreiro de alto nível! Tente alcançar o posto de comandante de guerra no Festival da Alma este ano!
Havia alegria nos olhos de Xiao Lang. No Continente da Alma, as classes eram bem definidas, e cada uma delas se dividia em iniciante, intermediário e avançado. Por exemplo, um guerreiro de terceiro nível tinha força equivalente de dez a cem tigres: de dez a trinta forças de tigre era iniciante, de quarenta a setenta intermediário, e de setenta a noventa e nove, um guerreiro avançado.
Nesse mundo, a medida de forças de tigre era apenas um conceito, não significando que o guerreiro competisse diretamente com tigres. Segundo os cálculos de Xiao Lang, uma força de tigre equivalia a aproximadamente cinquenta quilos na Terra. Facão, com mais de setenta forças de tigre, tinha mais de três mil e quinhentos quilos de força. Carregar uma pedra de milhares de quilos correndo era algo trivial.
— Hehehe!
Facão apenas ria, sem dizer nada. Xiao Lang assentiu e instruiu:
— Vou sair. Proteja bem a tia!
— Se alguém quiser machucar a tia, primeiro terá que passar pelo meu cadáver!
Facão parou de sorrir e respondeu sério. Depois, voltou a rir e abriu um largo sorriso:
— Mano, vai de novo à Arena de Batalhas de Feras!
Xiao Lang assentiu levemente, assobiou, e um burrico magro veio contente. Xiao Lang montou e saiu do pátio, seguindo em direção à Cidade do Rei dos Remédios.
[...]
Xiao Lang não entrou na cidade, mas foi a uma mansão ao noroeste: Mansão Chuva e Névoa.
A Cidade do Rei dos Remédios era pequena, mas famosa em todo o Império da Guerra, pois ali havia remédios e um dos dois grandes reis dos remédios do império — o Rei dos Remédios Mu Ding.
A cidade era repleta de remédios e de riqueza, tornando suas noites animadíssimas. A Mansão Chuva e Névoa era o local de entretenimento mais luxuoso — sem concorrentes.
No local, havia apenas três espaços: o Pavilhão das Flores, a Pista de Corridas e a Arena de Batalhas de Feras.
O Pavilhão das Flores abrigava as damas mais encantadoras, satisfazendo os desejos mais secretos dos homens; a Pista de Corridas era o paraíso das damas da alta sociedade, em busca de preencher seus vazios emocionais e físicos. Xiao Lang, vindo de família humilde, não tinha dinheiro para tais prazeres, e sua aparência comum não conquistaria as damas ricas.
Seu objetivo era a Arena de Batalhas de Feras, onde era um gladiador.
Como o nome já diz, a arena era palco de combates contra feras selvagens e bestas espirituais, enfrentadas por seres humanos. Sangue, violência e brutalidade satisfaziam a ânsia por emoção e adrenalina dos ricos e poderosos.
Xiao Lang não entrou diretamente na mansão. Parou numa floresta ao lado, deu uns tapinhas no burrico, que seguiu sozinho entre as árvores, e tirou do embrulho um sobretudo negro, cobrindo o rosto com o capuz. Caminhou até a mansão, ignorando os outros espaços e indo direto para a arena.
A arena fervilhava. No Continente da Alma, todos valorizavam a força, e mesmo quem não lutava gostava de assistir à violência. Além disso, a arena era o maior cassino da cidade, frequentado por ricos e apostadores.
No momento, uma cena imprópria para menores tomava conta do ringue: um gladiador lutava até a morte contra um lobo de cabeça de ferro, ambos banhados em sangue. Era um combate corpo a corpo. O gladiador estava coberto de cortes, e a besta, uma fera espiritual de segundo nível, mancava, com ossos quebrados e olhos ferozes, uivando de dor.
— Mata! Mata! Mata!
— Acaba com o lobo de cabeça de ferro!
— Lobo, estraçalha esse verme!
A multidão gritava, torcendo e xingando, mais interessada em ganhar suas apostas do que na vida ou morte dos combatentes.
O lobo uivou e, com a cabeça ensanguentada que parecia ter dobrado de tamanho, avançou como uma flecha, saltando sobre o gladiador. Este, fraco pela perda de sangue, mal conseguiu reagir e foi atirado longe. O lobo aproveitou e cravou os dentes no pescoço do homem, que morreu com um grito, convulsionando.
A arena explodiu em vozes: alguns vibravam, outros xingavam por perder apostas, muitos se deixavam dominar pela loucura do sangue.
De repente, o burburinho diminuiu, e todos olharam para a entrada. Um silêncio estranho tomou conta do local. Os olhares convergiram para uma mulher que entrava, acompanhada pelo administrador da arena, o Cicatriz.
Era raro um ambiente tão agitado silenciar por causa de uma mulher, sinal de que ela era especial. E de fato, era muito famosa na cidade: a Viúva Selvagem.
— O que a Viúva Selvagem faz aqui? Será que os homens da Pista de Corridas já não a satisfazem?
— Veja bem, a Viúva Selvagem é mesmo uma deusa. Olhe esse rosto, esse corpo... Se eu pudesse passar uma noite com ela, morreria feliz!
— Cale a boca! Ela é a Segunda Senhorita da família Liu. Cuidado, os Liu podem estar ouvindo.
Entre olhares de desejo, inveja e desprezo, a Viúva Selvagem entrou no camarote mais luxuoso do segundo andar, acompanhada de uma dama da alta sociedade.
Na verdade, a dama que a acompanhava também era bela, mas os homens da arena pareciam ignorar sua existência, tamanho o poder de atração da Viúva Selvagem.
Acostumada ao assédio, a Viúva Selvagem entrou com naturalidade, indicou para que o administrador se retirasse, pegou uma xícara de chá e só então perguntou à dama ao lado:
— Senhora Qin, tem certeza de que esse gladiador é interessante?
A Senhora Qin, ao encarar o rosto cobiçado por todos os homens da cidade, suspirou, sentindo-se injustiçada pelo destino que favorecia tanto aquela mulher — capaz de enlouquecer homens e provocar inveja mortal nas mulheres.
Com um sorriso misterioso, ela respondeu:
— Esse gladiador vai te agradar. Pensei muito sobre isso, mas não consegui fisgá-lo. Senhora Ya, se você provar a carne, não esqueça de me deixar um pouco do caldo.
— Ah? Nem você conseguiu?
Ya franziu as sobrancelhas, surpresa. Sabia que a família Qin era de destaque na cidade e que a própria senhora era bonita — seduzir um homem não deveria ser difícil.
Nos olhos da Senhora Qin brilhou um ar de malícia, atiçando ainda mais a curiosidade de Ya antes de revelar:
— Ele é o homem mais fascinante que já vi. Pena... que é protegido do Senhor Ba. Não me atrevi a tocá-lo.
— Senhor Ba?
Ya curvou levemente os lábios, ainda mais charmosa. Como a Segunda Senhorita da família Liu, uma das três maiores da cidade, não temia o dono da Mansão Chuva e Névoa.
Sua curiosidade aumentou: que tipo de homem seria esse, capaz de atrair a Senhora Qin e ainda ser estimado pelo Senhor Ba, sendo um simples gladiador?
Logo a resposta se revelou.
Guiada pelo olhar da Senhora Qin, Ya voltou sua atenção para o ringue.
No palco, dentro da jaula, duas passagens laterais se abriam. Da esquerda, surgiu um jovem de feições absolutamente comuns.
— É esse o rapaz? — Ya perguntou, intrigada, mas viu que a Senhora Qin não desgrudava os olhos do jovem, cheia de desejo, e sequer respondeu. Ya franziu ainda mais o cenho, curiosa.
Xiao Lang não sabia que era observado pela mulher mais famosa da cidade. Seguiu tranquilo até o centro da arena, onde tantas vidas já haviam sido ceifadas.
Caminhava com leveza, pois, para ele, o combate era apenas um treinamento.
O silêncio era total. Todos os olhares se voltavam para ele: alguns admirados, outros ardentes, muitos cheios de desejo — especialmente das damas presentes.
Ele era o Rei da Arena, invicto em dezenas de combates nos últimos seis meses.
— Próxima luta: o gladiador invicto, Lobo Solitário, desafia o Tigre Fende-Terra, besta espiritual de terceiro nível!
Ao anúncio do administrador, a arena explodiu em gritos, todos apostando em Xiao Lang, mesmo com as odds baixíssimas. Acreditavam que, apesar do oponente ser uma besta espiritual de alto nível, ele não perderia.
— Isso promete! — murmurou Ya, divertindo-se. Mas logo seu interesse aumentou de vez: Xiao Lang, inesperadamente, lançou um olhar para o camarote onde estava. Os olhos negros e profundos cruzaram com os dela, fazendo seu corpo estremecer.
Naquele olhar, Ya viu selvageria, arrogância e indomabilidade.
Um cavalo selvagem — e a famosa Viúva Selvagem adorava domar cavalos selvagens.
Xiao Lang não se demorou. Entrou na jaula e, surpreendentemente, começou a tirar a roupa.
Os olhos de Ya se arregalaram, ela prendeu a respiração: diante dela estava a cena mais impressionante e bela que já vira.
Um dorso coberto de cicatrizes, cruzando-se como uma tatuagem misteriosa.
No Continente da Alma, cicatrizes eram medalhas de honra. Naquele jovem de dezesseis ou dezessete anos, havia incontáveis marcas profundas e antigas, cobrindo os músculos largos e definidos, compondo um símbolo misterioso que hipnotizou Ya.
Como ele ainda estava vivo?
Essa foi sua primeira pergunta. Era difícil imaginar alguém sobreviver a tantos ferimentos e ainda manter-se de pé. Um sentimento de pena brotou em seu peito: como teria sido a infância daquele rapaz?
O rugido de um enorme Tigre Fende-Terra trouxe Ya de volta à realidade. Trazido por guerreiros poderosos, o animal parecia capaz de despedaçar qualquer coisa.
Poderia aquele jovem enfrentá-lo? Ya também treinava, mas seu nível era baixo. Como conhecedora, sabia que aquela besta de terceiro nível era desafio até para comandantes de guerra de quarto nível. Um jovem de dezesseis ou dezessete anos — e ainda por cima um combatente plebeu — dificilmente teria mais que força de guerreiro iniciante.
Um guerreiro iniciante contra uma besta espiritual avançada de terceiro nível: morte certa.
Ya sentiu vontade de pedir ao administrador que parasse o combate, mas conteve-se, sentindo um interesse ainda maior pelo rapaz.
Aproximando-se e sussurrando para si mesma, prometeu:
— Rapaz, se você sobreviver hoje, terá direito a subir na minha cama.