Capítulo Cinquenta e Cinco: Eu Vou Jogar Algumas Rodadas Com Você
Xiao Kuang foi imediatamente levado pelos guardas para receber cuidados médicos, mas, exceto por Xiao Qinglong e Xiao Ye, ninguém parecia se importar com seu estado. A maioria dos presentes dirigiu o olhar ao imponente Zuo Ming, que permanecia altivo no centro do grande salão.
Vinte anos e já havia atingido o auge do Comandante Marcial!
Não importava o preço que a família Zuo tivesse pago, Zuo Ming tinha motivos de sobra para se orgulhar. Nos primeiros quarenta anos, a trajetória de um guerreiro era seu tempo de ouro; quanto mais jovem e elevado fosse seu nível, maiores seriam suas conquistas futuras. Por isso, os jovens prodígios eram tão valorizados pelas famílias, pois representavam a esperança de conduzi-las à glória.
Nesta geração, cada uma das quatro grandes famílias tinha seu Primeiro Filho: Zuo Ming pela família Zuo, Xiao Kuang pela família Xiao, Dongfang Moran pela família Dongfang. A família Ni era envolta em mistério, raramente permitindo que seus filhos e filhas aparecessem em público. Na capital imperial havia ainda Chá Mu, herdeiro da família Chá, também com vinte anos e um talento impressionante. Esses quatro eram reconhecidos como os maiores prodígios de sua geração.
Naquele dia, Zuo Ming tomou a dianteira, rompendo antes dos demais para o patamar de Comandante Marcial e tornando-se o líder entre os Quatro Príncipes.
Havia, na verdade, várias jovens talentosas nas famílias, como a Princesa de Manto Púrpura, presente no salão. Mas, por serem mulheres, diziam que seus corpos eram dominados pelo yin, e, por mais extraordinário que fosse seu dom na juventude, dificilmente alcançariam grandes feitos. Raríssimas eram como Zuo Pingping, capazes de se tornar verdadeiras lendas e ocupar altos cargos familiares.
Zuo Pingping sorria radiante, seus olhos fixos em Xiao Busi, repletos de satisfação. Era evidente que ver Zuo Ming destroçar Xiao Kuang assim, diante de todos, provocando humilhação em Xiao Busi, alegrava profundamente seu espírito.
Zuo Ming também estava satisfeito. Na verdade, já havia alcançado esse novo patamar dias antes, mas Zuo Pingping pedira à família que mantivesse segredo. No início, ele não compreendeu, mas agora percebia claramente: era uma jogada para envergonhar Xiao Busi naquele dia, ao tempo que dava a ele a chance de brilhar.
De relance, percebeu que a Princesa de Manto Púrpura mantinha o olhar preso nele, o que o deixou ainda mais satisfeito. Seu porte tornou-se mais ereto, e, olhando com desdém para Xiao Lang, sorriu friamente e disse com naturalidade:
— Parece que a geração da família Xiao não tem talentos... Perdão por minha ousadia!
Comparada ao golpe anterior, aquela frase feria ainda mais. Xiao Busi, que até então mantinha a cabeça baixa e tomava chá com indiferença, não pôde evitar: pousou a xícara com força, revelando sua irritação.
Foi então que Xiao Lang terminou de devorar sua segunda coxa de cervo. Ergueu o rosto manchado de gordura, parecendo um faminto reencarnado, e lançou um olhar ao dorso desolado e à expressão sombria de Xiao Busi. De repente, falou:
— Ei, da família Zuo, espere um pouco!
O tom não era alto, mas conseguiu atrair todos os olhares. Inúmeros presentes fitavam aquele jovem aparentemente insignificante, até covarde. O que ele poderia dizer ou fazer numa situação daquelas?
O rosto de Xiao Qinglong escureceu; ele lançou a Xiao Lang um olhar severo, como a exigir que não se metesse. Qualquer palavra agora só traria mais constrangimento à família Xiao. Até Xiao Busi olhou de volta, intrigado com a atitude de Xiao Lang.
Sorrindo para Xiao Busi, Xiao Lang pegou o lenço que uma criada lhe entregou e limpou as mãos engorduradas. Depois, levantou-se com ânimo, fez um leve muxoxo e, olhando serenamente para Zuo Ming, disse com um sorriso:
— Prometi ao avô que jamais desposaria uma mulher da família Zuo. Mas... pisar nos jovens da família Zuo, isso posso sim. Vamos lá, estou satisfeito, posso brincar um pouco com você!
Os olhos de Xiao Busi brilharam intensamente, quase intimidando quem os encarasse. Já o rosto de Xiao Qinglong ficou ainda mais carregado: Xiao Lang, ao se oferecer assim, só traria mais humilhação à família.
O salão explodiu em murmúrios!
Muitos estavam perplexos, mas logo deram lugar ao deboche e ao escárnio.
Comandante Marcial! Aquele que podia liberar energia mística ao redor do corpo! Xiao Lang, com dezessete anos e sequer treinado pela família Xiao, mesmo que Zuo Ming não usasse o poder do espírito, poderia derrotá-lo facilmente. Até Xiao Kuang perdera com um único golpe. Não estaria Xiao Lang se oferecendo para ser humilhado?
O desdém no rosto da Princesa de Manto Púrpura se intensificou. Para ela, quem bancava o arrogante sem ter força era um tolo. As jovens da família Zuo sorriam com deslumbramento, seus olhos radiantes; estavam ansiosas para ver como acabaria aquele insensato que tantas vezes as envergonhara indiretamente.
— Tem certeza? — perguntou Zuo Ming, surpreso, mas logo retomou o ar de desprezo. — Acho melhor sentar-se, costumo não medir forças. Se te machucar, temo a fúria do velho Xiao!
Xiao Lang caminhou preguiçosamente até o centro do salão, bateu as mãos e sorriu:
— Melhor assim. Também sou meio desastrado. Se te machucar, espero que o patriarca Zuo não se ofenda! Venha, se hoje conseguir me ferir ou matar, mérito seu!
Arrogante, insano! Um tolo!
Era o que todos pensavam de Xiao Lang. Nos olhos de Xiao Qinglong passou um lampejo de escárnio, mas logo sua expressão se tornou preocupada e ele sussurrou para Xiao Busi:
— Patriarca, o senhor vê...?
— Deixe-o se divertir! — respondeu Xiao Busi, com um gesto largo e decisivo. A batalha era inevitável. Todos então voltaram-se para Xiao Lang, curiosos para saber se aquele jovem obscuro era apenas um idiota ou se escondia algum talento.
Afinal, o filho do lendário Xiao Qingdi seria um inseto ou um dragão?
— Jovem Xiao, por favor! — disse Zuo Ming, esboçando um sorriso cruel e abrindo os braços com elegância; seus olhos cintilavam de alegria, mal contendo o contentamento.
Xiao Lang não hesitou. Seu corpo disparou à frente como um leopardo libertado, levemente arqueado, olhos de fera: frios e cruéis. Uma aura assassina, selvagem e sedenta de sangue, envolveu Zuo Ming, que ficou momentaneamente paralisado.
Os olhos de Xiao Busi brilharam novamente, enquanto o sorriso de Zuo Pingping congelava. Todos os poderosos no salão perderam o ar de escárnio, substituindo-o por seriedade.
Aquela sede de sangue emanada por Xiao Lang não era algo que se encontrasse em qualquer guerreiro: só alguém que já havia manchado as mãos com sangue incontáveis vezes poderia exalar tal presença. Nenhum dos jovens príncipes da capital se aproximava daquela intensidade.
O rosto de Zuo Ming mudou de cor, o desprezo desapareceu, dando lugar à gravidade. Sob a aura de Xiao Lang e fitado por aqueles olhos gélidos, sentiu que não enfrentava um garoto de dezessete anos, mas sim uma besta mística, sedenta e violenta!
Zuo Ming atacou!
Antes pensara em conceder a Xiao Lang o primeiro golpe, mas agora não ousava subestimá-lo. Cercado por energia mística, saltou alto e, com a perna, traçou cinco sombras no ar: usou sua Perna Sem Sombra, disposto a derrotar Xiao Lang num só movimento.
De fato, digno de sua linhagem!
Xiao Lang não parou, seus olhos se estreitaram ainda mais. Nem mesmo Si Tu Zhantian ou o Príncipe Fênix de Fogo poderiam rivalizar com Zuo Ming; a velocidade de reação deste era incomparável aos outros jovens.
— Hya! — gritou Zuo Ming, sem hesitar, mirando o peito de Xiao Lang. Sua energia mística, de um azul profundo, condensou-se numa lâmina em forma de meia-lua, que cortou o ar de cima para baixo em direção ao peito do adversário.
O silêncio era absoluto. Todos olhavam o suposto tolo, que avançava mesmo diante daquele ataque, e suspiraram: talvez tivessem superestimado o jovem da família Xiao.
Três metros. Dois. Um!
Os olhos de Xiao Lang se contraíram bruscamente e seu corpo parou, de repente. Do movimento ao repouso, não houve o menor vacilo. A lâmina de energia cortava o ar em sua direção quando ele fez algo que deixou todos incrédulos.