Capítulo 111: O Banquete de Aniversário
"Ué? Parece que consigo controlar o movimento da minha alma espiritual?"
Xiao Lang explorava novamente sua estranha alma espiritual no quarto, quando descobriu um fato fascinante: ele parecia ser capaz de controlar o movimento daquela videira roxa com o poder da mente.
Ele observava a projeção da videira, que flutuava continuamente ao redor de seu corpo. Com cerca de dez metros de comprimento, a imagem era etérea, como um sonho, assemelhando-se a uma fita de seda arroxeada.
"Vá!"
Xiao Lang concentrou sua vontade na videira e apontou para a frente. A videira roxa disparou imediatamente. No entanto, após percorrer três metros, ele sentiu que sua força se esgotava e não conseguia mais comandá-la, fazendo-a retornar apressadamente.
*Ziu! Ziu!*
Xiao Lang divertia-se imensamente fazendo sua alma espiritual voar pelo quarto. Sendo uma projeção, ela podia atravessar paredes, o chão e qualquer objeto sólido. Parecia ter a mesma natureza que a energia profunda exteriorizada, possuindo uma espécie de consciência. Contudo, Xiao Lang percebeu que o limite de alcance era de apenas três metros; além disso, perdia o controle.
"Por que minha alma espiritual pode se mover? Será que as almas dos outros também conseguem?"
Confuso, ele se lembrou subitamente da Lâmina Demoníaca Sedenta de Sangue de Xiao Qingyi. Qian Xun havia comentado que, ao controlá-la, Xiao Qingyi fora capaz de decepar Situ Xiaoxiong. Deduzindo que outros também deveriam possuir essa habilidade, ele deixou o assunto de lado.
Após meditar por uma hora, sentiu sua energia profunda aumentar rapidamente, o que lhe trouxe um imenso prazer. Com a velocidade de cultivo triplicada, ele supôs que logo alcançaria o nível de um guerreiro de elite.
Guerreiros de baixo nível não devem praticar energia profunda por muito tempo de uma só vez, pois o corpo precisa de tempo para adaptar seus meridianos à conversão da energia espiritual. Como seu corpo ainda não era robusto o suficiente, ele costumava praticar apenas uma vez pela manhã e outra à noite, dedicando o restante do tempo ao fortalecimento físico.
Naquele dia, porém, após o treino, ele não foi ao quintal com Xiao Dao para o fortalecimento corporal; sentou-se no quarto, preocupado.
Era o aniversário de Dongfang Hongdou. O que ele deveria dar de presente?
Seus sentimentos por ela eram complexos. Francamente, ele gostava daquela mulher decidida e intensa. Dongfang Hongdou era impecável em todos os aspectos, mas, no fundo, Xiao Lang sentia uma resistência instintiva em se tornar seu parceiro romântico.
Talvez fosse porque ele ainda não se sentia plenamente integrado a este mundo e temia assumir responsabilidades. Ou talvez porque a perfeição dela o fizesse sentir-se inferior, ele, um jovem criado na região selvagem que se considerava de origem humilde.
O ser humano é uma criatura peculiar. Embora Xiao Lang tivesse vivido duas vidas, não era um santo, nem sua mente era inabalável. Ele era como um jovem ingênuo: sentia pânico, confusão e, por vezes, inferioridade.
Ele possuía um instinto de combate formidável, sobrevivera a inúmeras provações e conseguia matar com indiferença. Tinha muitos méritos, mas também falhas, como a hesitação em assuntos do coração.
Sendo uma pessoa sensível, ele não ousava aceitar um relacionamento levianamente, temendo feri-la. Liu Ya era uma exceção, pois sua identidade e personalidade eram diferentes; não se tratava de feri-la. Se ela quisesse partir em busca de outro, embora Xiao Lang pudesse se sentir desconfortável, jamais perderia o controle.
Após muito refletir, em vez de pedir ao Velho Chan que comprasse algo luxuoso, ele pegou papéis roxos e começou a dobrar tsurus.
Depois de uma hora, Xiao Lang tinha noventa e nove tsurus, que acomodou em uma caixa. Com o tempo se esgotando, tomou banho e trocou de roupa. Evitou os trajes pomposos, optando por um manto de guerreiro preto, novo em folha.
Despediu-se de Xiao Qingyi e, sob seu olhar encorajador, partiu com Qian Xun.
A carruagem era simples; ele não quis incomodar o Velho Chan. Eles seguiram pela estrada principal em direção ao sul da capital imperial.
*Tac, tac, tac!*
A meio caminho, quatro carruagens luxuosas passaram em disparada. Os pedestres se afastavam, pois nas bandeiras das carruagens estava estampado um enorme caractere "Xiao".
A carruagem de Xiao Lang não possuía insígnias e foi ultrapassada sem que os outros parassem.
— Jovem mestre, é o Mestre Kuang e os outros! — disse Qian Xun, que conduzia a carruagem, reconhecendo os guardas. Xiao Lang apenas respondeu de forma indiferente.
*Zii!*
A última carruagem parou de repente. A janela se abriu, revelando um rosto bonito: era Xiao Kuang. Seus guardas certamente haviam notado Qian Xun e o avisado. Ele olhou para o cocheiro e perguntou:
— É o Xiao Lang que está aí dentro?
Qian Xun fez uma reverência, mas Xiao Kuang soltou uma risada desdenhosa e seguiu viagem sem dizer mais nada.
— Hmph! — Qian Xun bufou, mas não pôde fazer nada; as regras do clã Xiao eram rigorosas e, como servo, ele precisava engolir o descontentamento.
— Vamos, Qian Xun. Por que se importar com um idiota? — a voz de Xiao Lang soou de dentro, calma e sem vestígios de raiva. Ele apenas sentiu uma pontada de dor de cabeça; a festa seria, sem dúvida, muito "animada".
A mansão Dongfang estava, de fato, movimentada. O pátio externo estava repleto de carruagens luxuosas de jovens nobres, e a entrada estava guarnecida por inúmeros guardas.
Xiao Lang desceu em silêncio e entrou com Qian Xun. Os guardas não o reconheceram, mas o mordomo responsável pela recepção o identificou imediatamente e veio ao seu encontro. Com um sorriso cortês e palavras sinceras, ele não demonstrou qualquer desfeita e conduziu Xiao Lang até um salão lateral. Qian Xun foi levado para outro local; em banquetes daquele nível, guardas não tinham acesso ao salão principal.
— O jovem mestre Lang, do clã Xiao, chegou! — anunciou o mordomo antes mesmo de Xiao Lang entrar. Assim que ele cruzou a soleira, inúmeros olhares se voltaram para ele.
O salão estava lotado de nobres em trajes luxuosos. Dongfang Hongdou estava sentada no lugar de honra, vestindo um traje palaciano vermelho. Com uma maquiagem leve, exalava elegância e uma beleza estonteante.
Xiao Lang acenou para ela, que exibia um semblante radiante, e percorreu o salão com o olhar. Havia muitos rostos conhecidos, e outros tantos que ele não conhecia. Todos estavam ali: curiosos para ver a beldade do clã Dongfang, outros tentando se aproximar dela, pretendentes ou simplesmente aqueles que queriam ver o espetáculo que seria a presença de Xiao Lang.
— Ora, se não é o nosso "Jovem Marquês"! Há quanto tempo! Como vai o senhor? Fiquei tão preocupado esses dias, temendo que o senhor tivesse cometido alguma loucura... — uma voz sarcástica ecoou. Xiao Lang nem precisou olhar para saber que era Zuo Ming, o jovem herdeiro do clã Zuo. O salão explodiu em risadas, que só diminuíram quando o rosto de Dongfang Hongdou se fechou.
Ignorando os olhares de escárnio e desprezo, Xiao Lang sorriu levemente e, sem sequer olhar para Zuo Ming, caminhou diretamente até Dongfang Hongdou.
— Hongdou, feliz aniversário. E... você está linda esta noite.
Xiao Lang entregou a caixa de presente, mantendo uma postura natural e serena.
— Obrigada. É o melhor presente que já recebi. É lindo, estou muito feliz! — Dongfang Hongdou abriu a caixa e, ao ver os tsurus, sorriu de forma tão radiante que pareceu iluminar o salão, despertando a inveja de muitos presentes.
Xiao Lang então caminhou calmamente até um assento vazio ao lado de Cha Mu, sentou-se e começou a conversar casualmente, tratando os inúmeros olhares que o observavam como se fossem apenas ar.