Capítulo Sessenta e Um: O Deus da Guerra
— Vagante, Pequena Lâmina, venham prestar reverência ao tio Duque Solitário!
Xiao Qingyi mantinha sua postura habitual, serena e indiferente, com a leveza de uma nuvem. Xiao Lang e Pequena Lâmina imediatamente juntaram as mãos para cumprimentar, pois alguém que era tratado por Xiao Qingyi dessa maneira certamente era um aliado.
O homem de meia-idade examinou atentamente Xiao Lang e Pequena Lâmina, sorrindo levemente:
— Filho do Imperador Verde? Muito bom. Pequena Lâmina também é excelente. Qingyi, você cuidou dessas crianças por dezessete anos; realmente não me decepcionou!
Pela primeira vez, Xiao Qingyi deixou escapar um sorriso sutil, e o salão pareceu aquecer com a súbita mudança. Olhando alegremente para Xiao Lang e Pequena Lâmina, ela sorriu:
— Entre esta geração de jovens nobres, quantos podem receber elogios do Deus da Guerra do continente? Deve haver poucos no vasto império, não?
O homem de meia-idade riu e respondeu:
— Poucos? Na verdade, nenhum.
— Deus da Guerra... você é Duque Solitário, o Deus da Guerra?
Pequena Lâmina coçou a cabeça, sorrindo com simplicidade, enquanto Xiao Lang ficou espantado. O nome “tio Duque Solitário” soava familiar, mas “Deus da Guerra” era um título famoso, retumbante como trovão.
No Império da Guerra, nos últimos décadas, entre as figuras mais célebres, além dos poderosos como Xiao Imortal, havia apenas um — o Deus da Guerra, Duque Solitário!
Ele era o único capaz de inspirar admiração e reverência em todos os cidadãos do império, um homem de origem humilde que viveu uma trajetória lendária. Aos catorze anos foi premiado com louvor imperial, tornando-se o primeiro da classe, mas renunciou à pena para alistar-se, tornando-se um simples secretário nas tropas do Norte. Em mais de vinte anos, subiu passo a passo, até se tornar o comandante supremo do exército do Norte, enfrentando centenas de batalhas sem jamais ser derrotado.
Quatro grandes famílias permanecem indestrutíveis, o Deus da Guerra não mata, o Império da Guerra não cai!
Esta frase foi dita há dez anos pelo grande mestre do Império do Sangue, Vestes Sangrentas. Ela não apenas consolidou a fama das quatro grandes famílias, mas colocou Duque Solitário ao lado delas, demonstrando o quanto ele era temido.
O que surpreendeu Xiao Lang foi que este personagem lendário, quase um deus, não era um ancião, mas sim um homem de meia-idade, elegante e refinado, que parecia incapaz de matar uma galinha.
Duque Solitário era de uma beleza impressionante, o tipo de homem cuja atratividade só aumentava com o tempo, aparentando ter entre trinta e quarenta anos. Essa idade era justamente quando um homem deixa para trás a juventude e adquire maturidade e profundidade. Xiao Lang pensou, se Duque Solitário fosse ao “Hipódromo” da Cidade do Rei dos Remédios, certamente todas as damas ficariam enlouquecidas...
Duque Solitário mantinha-se sereno, com um sorriso discreto no rosto, exalando uma aura semelhante à de Xiao Qingyi — ambos pareciam capazes de enfrentar o fim do mundo sem alterar o semblante. Os olhos brilhavam com confiança e simpatia, despertando simpatia instantânea.
Ele sorriu suavemente, olhando para Xiao Lang com gentileza:
— Eu sou Duque Solitário. Quanto ao título de Deus da Guerra, é apenas uma fama vã. Pelo contrário, Xiao Lang, você tem sido o nome mais comentado na capital imperial ultimamente. Filho do Imperador Verde, realmente supera o mestre; parece que o título de primeiro jovem nobre da capital é seu por direito!
Enquanto Duque Solitário falava, Xiao Lang não tirava os olhos dos dele, percebendo que suas palavras inspiravam grande confiança, sem um traço de falsidade. Quando Xiao Lang se preparava para responder humildemente, Xiao Qingyi agitou a mão:
— Vão tomar banho, estão suados dos pés à cabeça; que apresentação é essa!
Sorrindo com resignação, Xiao Lang deixou o salão com Pequena Lâmina. Duque Solitário retirou o olhar de Xiao Lang, e o sorriso desapareceu de seu rosto. Fitando o rosto de Xiao Qingyi, tão belo quanto uma obra de arte, seus olhos brilharam intensamente, mas permaneceu em silêncio. Xiao Qingyi não se incomodou com o olhar de Duque Solitário, bebendo chá com tranquilidade, sua beleza alheia ao mundo.
Duque Solitário desviou o olhar para as pernas de Xiao Qingyi, deixando transparecer uma expressão de sofrimento e suspirou:
— Dezessete anos, você me evitou por dezessete anos! Não quis retornar à família Xiao, mas poderia ter ido para o Norte. Embora eu não tenha o direito de ser seu amado, ao menos somos amigos, não?
O olhar de Xiao Qingyi encontrou o dele, com um sorriso gentil nos olhos, balançando ligeiramente a cabeça:
— Foi falta de sorte minha. Na época, as batalhas no Norte estavam intensas, e eu não queria te envolver. Depois... enfim, tudo passou, não vale a pena recordar.
O rosto de Duque Solitário assumiu uma expressão amarga, seus olhos tornaram-se sinceros e firmes. Ele encarou Xiao Qingyi com determinação:
— Sorte? Qingyi, você sabe, nunca me casei... esperei por você. Esta noite voltei às pressas só para te ver; logo devo retornar ao Norte. Você não pode me dar uma esperança?
Xiao Qingyi finalmente se comoveu, abaixando os olhos, como se temesse enfrentar o olhar ardente dele. Depois de um longo silêncio, suspirou suavemente:
— Mais meio ano. Dê-me mais meio ano!
— Está bem!
O rosto de Duque Solitário brilhou repentinamente, rejuvenescendo, tornando-se ainda mais atraente. Ele riu em voz alta:
— Se você me der uma resposta, não só meio ano, mas dez anos, eu espero!
Xiao Qingyi se emocionou ainda mais, seus cílios tremendo de tanta emoção. Erguendo o olhar para Duque Solitário, ela suspirou com amargura:
— Duque Solitário, por que tanto esforço? Há tantas mulheres excelentes no mundo. Eu estou paralisada, envelheci, não vale a pena...
— Há milhares de águas neste mundo, mas só existe uma Xiao Qingyi!
O olhar apaixonado de Duque Solitário, suas palavras firmes e sua postura incomparável deixaram Xiao Qingyi um pouco desconcertada. Ela pegou a xícara de chá, fingindo beber para escapar do momento.
De repente, o olhar de Duque Solitário tornou-se ameaçador; embora parecesse um intelectual frágil, inspirava mais temor do que um assassino. Olhando pela janela, disse:
— Já descobri algumas pistas sobre quem tem tentado assassinar vocês. Fique tranquila... assim que puder, encontrarei cada um deles e os destruirei!
Xiao Qingyi não se surpreendeu com a capacidade de Duque Solitário, pelo contrário, comentou:
— Eu sei que são do Pavilhão Dragão Negro. A morte de meu irmão também envolve o Pavilhão Dragão Negro, e meu pai já está tomando providências. Duque Solitário, todos dizem que sua inteligência é sobrenatural; você consegue identificar quem está por trás do Pavilhão Dragão Negro?
Duque Solitário franziu levemente o cenho, ponderando:
— Provavelmente há influência do Império do Sangue por trás do Pavilhão Dragão Negro. Além disso... suspeito que uma das outras três grandes famílias esteja envolvida. Quanto a qual delas, ainda não tenho provas concretas, então prefiro não me adiantar.
Xiao Qingyi ficou surpresa e perguntou com dúvida:
— Embora as quatro famílias disputem entre si, não acho que se uniriam ao Império do Sangue para prejudicar a família Xiao. Se o império caísse, elas também não sobreviveriam. Duque Solitário, será que você está enganado?
— Hmpf!
Duque Solitário colocou as mãos atrás das costas, postando-se diante da janela:
— Conseguiram matar o Imperador Verde, perseguir vocês por mais de dez anos... você acha que sem o apoio de uma família poderosa e sem informantes dentro da própria família Xiao, o Pavilhão Dragão Negro teria conseguido? E ainda estar tão seguro, oculto no império?
Xiao Qingyi ficou sem palavras, relutante em acreditar, mas incapaz de refutar. Duque Solitário virou-se e lhe deu um sorriso caloroso, dizendo com orgulho:
— Não se preocupe tanto. Espere por mim mais meio ano; assim que resolver os assuntos do Norte, voltarei e investigarei tudo a fundo. Seja quem for... se ousar te ferir, eu, Duque Solitário, o farei desaparecer. Estou indo, cuide-se!
Duque Solitário fitou Xiao Qingyi profundamente, virou-se com elegância e partiu. O guerreiro de armadura negra o seguiu de imediato; duas silhuetas, uma branca e uma negra, desapareceram na brisa da noite, com passos firmes, sem um traço de hesitação.
Xiao Qingyi não acompanhou Duque Solitário; permaneceu sentada na cadeira de rodas, perdida em culpa e amargura, com lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto sem motivo aparente. Depois de um bom tempo, enxugou as lágrimas, olhou para fora da porta e murmurou suavemente:
— Duque Solitário, perdoe-me, de coração, foi falta de sorte minha...