Capítulo Dezenove: O Reencontro com o Velho Druida
Observando o corpo do escorpião entre as fendas das pedras e o pequeno grupo de formigas, Cistema fez uma breve reflexão...
Com a aproximação da noite, o alcance das atividades da colônia de formigas começaria a diminuir, restando apenas algumas operárias patrulhando nas proximidades do formigueiro.
No entanto, ao descobrirem uma grande quantidade de alimento, as formigas são capazes de enviar, mesmo sob a escuridão, um exército de operárias para transportar esses recursos.
As formigas são criaturas assim: desde o verão, começam a estocar comida, preparando-se para enfrentar o rigor do inverno e a escassez de mantimentos.
Cistema recordou-se de uma pequena história de sua vida passada.
Nela, durante o verão, os músicos gafanhotos zombavam das formigas trabalhadoras que não sabiam aproveitar a vida, mas, quando veio o inverno, a preguiça dos gafanhotos foi severamente castigada pelo frio.
A história utilizava a preguiça dos gafanhotos para ressaltar a diligência das formigas.
E de fato, as formigas são seres notavelmente laboriosos.
— Mas, mesmo sem o frio do inverno, os gafanhotos não vivem tanto assim... — pensou Cistema, recordando-se da história, e refletiu sobre si próprio. Olhou para a seção de longevidade no [Registro de Informações Pessoais]: sessenta e dois dias.
Depois dessa noite, seu tempo de vida cairia para sessenta e um dias.
Qualquer um que soubesse do próprio tempo de vida se esvaindo em contagem regressiva sentiria um desconforto profundo.
Entretanto, Cistema também se sentia grato por possuir essa contagem regressiva, ao menos não seria surpreendido por uma morte súbita no final do outono.
Sem se demorar em pensamentos, Cistema encontrou um talo seco de grama e saltitou até o grupo de formigas.
Após um dia inteiro de batalhas e observações, Cistema já estava bastante familiarizado com as operárias dessas formigas de coloração castanho-escura.
Se soubesse lidar com o instinto de combate nato das formigas, elas se tornariam criaturas fáceis de manipular.
Normalmente, ao encontrarem um inimigo, essas formigas atacam mordendo com força e secretando um ácido com odor forte (feromônio). Ao sentirem esse cheiro, as demais formigas do grupo correm para o local, continuam secretando ácido, atraindo ainda mais formigas até que o adversário morra ou fuja.
O método de Cistema para afastar aquele grupo de formigas baseava-se nesse mesmo princípio: capturava uma formiga, fazia-a secretar ácido no talo de grama e, então, usava esse talo para atrair as demais para longe.
...
Desde agarrar uma formiga azarada e forçá-la a secretar ácido no talo seco, até atrair a maioria das formigas próximas ao escorpião, tudo correu conforme o planejado.
Passo a passo, conduziu as formigas até uma poça lamacenta a dois metros de distância, fincando ali o talo impregnado de ácido.
Como evitam água, as formigas começaram a circular incessantemente em torno da poça, sem saber se arriscariam atravessá-la para atacar o talo na lama.
Cistema não se preocupou mais com aquelas criaturas tolas e voltou imediatamente para perto do corpo do escorpião, a dois metros dali.
Ao impedir que esse grupo chamasse reforços do formigueiro, Cistema pôde testar o [Líquido Corrosivo] nas duas formigas restantes próximas ao corpo do escorpião.
Usar o [Líquido Corrosivo] para delimitar uma área segura era uma ótima ideia, desde que o efeito do líquido fosse realmente eficaz.
Após pouco mais de dez minutos, os resultados foram positivos: o [Líquido Corrosivo] era claramente repelente para as formigas.
Salvo situações especiais, se estivessem a três ou cinco centímetros do líquido, elas desviavam espontaneamente; mas se fossem provocadas, atacariam mesmo com o líquido logo à frente.
Usando suas patas traseiras vigorosas, Cistema lançou as duas formigas para longe e começou a delimitar sua área de segurança com mais [Líquido Corrosivo].
Mas não desenhou linhas contínuas, pois a quantidade do líquido era limitada; concentrou-o nas rotas mais usadas pelas formigas, deixando apenas alguns pingos dispersos em outros pontos.
Se, por azar, as formigas cruzassem o limite, teria que expulsá-las manualmente.
...
Na noite pós-tempestade, a atividade dos animais diminuiu drasticamente; nem mesmo encontrou roedores ou louva-a-deus, comuns no início de sua nova vida.
Apenas alguns insetos voadores passaram ocasionalmente, sem atrapalhar a refeição de Cistema.
A única desvantagem foi o cansaço mental que sentiu ao não descansar durante a noite.
O exoesqueleto do escorpião era menos flexível que o da crisálida de borboleta, mas muito mais duro; nem suas mandíbulas afiadas conseguiam deixá-lo marcado.
Felizmente, seu trunfo, o [Líquido Corrosivo], continuava eficaz.
Amolecendo o exoesqueleto do escorpião, em pouco tempo Cistema pôde provar a carne por baixo da carapaça.
O sabor misturava um aroma intenso de leite com notas de cereja ou morango, um pouco semelhante à consistência de pudim cremoso: uma experiência peculiar e difícil de descrever.
Talvez não fosse o mais saboroso dos alimentos, mas era o que mais agradava ao paladar de Cistema.
E isso porque a carne do escorpião já estava encharcada de água da chuva há dias, não estava fresca; se estivesse, seria ainda mais deliciosa.
Em termos de experiência, um pedaço de carne de escorpião oferecia cerca de uma vez e meia o valor de uma crisálida, correspondendo perfeitamente à regra de Cistema de que sabor e experiência caminham juntos: era um alimento de alto valor.
No entanto, o efeito dessa carne para a [Metamorfose Crescente] não era tão significativo, nem chegava à metade do valor da carne de formiga, mostrando que a metamorfose dos escorpiões era inferior à dos insetos.
Após uma noite inteira de alimentação, o efeito dessa carne para a [Metamorfose Crescente] caiu ainda mais.
Diante disso, Cistema precisou abandonar aquele alimento tão do seu agrado.
Ao amanhecer, com o abdômen ligeiramente inchado após uma noite de banquete, Cistema retornou à cavidade de uma árvore próxima ao formigueiro, onde pretendia descansar.
Apesar de algumas formigas passarem ocasionalmente por ali, graças à experiência com a delimitação de território, Cistema agora contava com uma barreira invisível: seu [Líquido Corrosivo].
Secretando esse líquido ao redor da cavidade, as formigas sentiam o cheiro e desviavam.
Porém, o [Líquido Corrosivo] era altamente volátil, e em poucas horas o odor desaparecia quase por completo; ainda assim, esse tempo era suficiente para que Cistema descansasse e se recuperasse.
Assim, repousou tranquilamente na cavidade, entrando em um estado de quase sono, enquanto mentalmente planejava seus próximos passos.
A busca por alimento do dia anterior fora relativamente bem-sucedida, mesmo que não permitisse subir de nível tão rápido quanto ao comer crisálidas sem parar.
Ainda assim, nesse ritmo, em três dias atingiria o nível nove; em pouco mais de uma dúzia de dias, chegaria ao dez, e sua [Metamorfose Crescente] atingiria o máximo.
...
Perto do meio-dia, o efeito do [Líquido Corrosivo] próximo à cavidade já estava fraco, e duas formigas chegaram a passar por ali, felizmente sem incomodá-lo.
Cistema já estava quase totalmente recuperado e decidiu, após mais alguns minutos, sair para uma nova ronda em busca de alimento.
Foi então que ouviu, a uns dez metros de distância, um canto de pássaro insistente.
Desde a tempestade, há muito não escutava um pássaro. Naquele canto, percebeu notas de sofrimento e tristeza.
As antenas dos insetos captam a direção do som com precisão, e Cistema logo percebeu que o pássaro não estava no céu, mas sim no chão.
— Será que está ferido? — supôs Cistema, imaginando que talvez tivesse sido atacado por algum predador da floresta. Não sentiu vontade de se aproximar, preferindo recuperar suas forças na cavidade.
No entanto, após alguns minutos, o canto não cessava; evidentemente, nenhum predador dera o golpe fatal na ave.
Cistema saiu da cavidade, decidido a dar uma olhada naquele pássaro desafortunado.
Entre as ervas daninhas da floresta, viu um pássaro de cerca de vinte centímetros, com penas castanhas e brancas entrelaçadas, debatendo-se no chão.
Parecia uma espécie de galinha-do-mato, porém um pouco menor.
Viu também manchas de sangue pelo chão; não sabia ao certo que ferimento a ave tinha, mas ela só conseguia se debater no mesmo lugar.
Logo, talvez atraídas pelo cheiro de sangue, surgiram grupos dispersos de formigas exploradoras. Não demoraria para o exército de formigas chegar em peso.
Cistema observava calmamente, decidido a aproveitar a oportunidade para roubar um pedaço da carne da galinha-do-mato.
Contudo, o espetáculo das formigas exterminando o pássaro ferido não aconteceu; em vez disso, passos quase inaudíveis começaram a ecoar pela mata.
Por fim, uma mão ergueu o pássaro que se debatia no chão — e o dono daquela mão era justamente o velho druida que Cistema tanto procurava...