Capítulo Vinte e Três: Criaturas Mágicas Perigosas
O que exalava um aroma especial não era a planta parecida com um jarro-de-macaco diante de Sistemo, mas sim uma árvore desconhecida a uns dez metros de distância. A aparência da árvore era banal, semelhante a um choupo comum, com uma grossura equivalente à de uma coxa humana.
Sistemo já havia provado as folhas dessa árvore antes; em seu registro de informações constava exatamente o dado sobre essa planta. O sabor era levemente adocicado e, em relação ao peso, a quantidade de experiência adquirida ao consumir essas folhas era cerca de um vigésimo da obtida ao comer pupas de insetos.
Ao se aproximar, Sistemo sentiu de forma ainda mais clara o aroma peculiar da árvore. Embora envolto pela umidade da floresta, uma onda de calor seco o envolveu. Essa sensação ardente não era forte; se não fosse pela sensibilidade natural de suas antenas de inseto, provavelmente ele não teria notado.
Saltando até um dos galhos, Sistemo começou a comer as folhas. O sabor era exatamente como descrito nos registros: apenas levemente adocicado, mas a experiência adquirida era cinco vezes maior do que a habitual. Era o segundo alimento, depois do corpo da lagartixa, que fornecia uma experiência desproporcional ao sabor percebido.
Sistemo moveu-se saltando entre os galhos, observando atentamente a árvore, tentando descobrir o que ela tinha de diferente. No entanto, além daquela aura quente, nada mais encontrou.
“Seria uma planta de um mundo mágico?”
Lembrou-se do javali envolto em chamas e daquele velho druida de presença natural. Sistemo deduziu que tanto essa árvore quanto a lagartixa pertenciam a espécies mágicas, dotadas de poderes sobrenaturais. A razão para a experiência extra devia-se à absorção de energia especial impregnada na planta, o que contribuía para seu progresso de nível.
Contudo, seu corpo não conseguia digerir aquela energia especial, por isso seu paladar não era capaz de distinguir o sabor peculiar da planta. Talvez, à medida que acumulasse energia especial suficiente, uma transformação profunda ocorresse em seu corpo, resultando em uma mudança de qualidade.
Ainda assim, todas essas eram apenas suposições baseadas em sensações sutis do próprio corpo; a realidade podia ser bem diferente. Nem sua habilidade derivada de geração de informações próprias, nem a herança sanguínea, traziam qualquer dado sobre esse tipo de força mágica.
Sistemo imaginava que, após sua terceira metamorfose, talvez desvendasse algum mistério, pois fora na terceira metamorfose que a rainha gafanhoto adquirira a habilidade de comunicação mental.
Por desconhecer os efeitos dessas folhas, Sistemo comeu apenas algumas antes de partir, temendo que mudanças desconhecidas prejudicassem o avanço do talento de metamorfose.
No fim das contas, Sistemo ainda sabia muito pouco sobre aquele mundo. Desde sua chegada, além da rainha gafanhoto, não havia encontrado ninguém com quem pudesse dialogar; tudo precisava ser descoberto por conta própria.
...
Continuando a explorar saltando, não demorou para Sistemo encontrar uma nova criatura mágica. Não era uma planta exalando aroma peculiar, mas sim uma massa gelatinosa de cor marrom-clara, do tamanho de uma bola de basquete, liberando uma aura levemente ácida.
A criatura movia-se lentamente pelo solo, absorvendo galhos apodrecidos e folhas secas, como se estivesse se alimentando. Era um limo, muito semelhante ao slime dos jogos de fantasia do mundo anterior de Sistemo. Essas criaturas, geralmente fracas, alimentavam-se de matéria vegetal ou detritos em decomposição, sendo muitas vezes os primeiros monstros enfrentados pelos protagonistas de tais jogos.
A substância gelatinosa do slime era cheia de líquido corrosivo, capaz de digerir muitos resíduos da floresta, funcionando como um limpador natural. Além da aura ácida que contrastava com o calor da árvore mágica, esse slime exalava também um aroma fresco de ervas, o que despertou o interesse de Sistemo.
Observando o slime mover-se lentamente entre as folhas mortas, Sistemo decidiu provar aquela substância gelatinosa. Não só pelo aroma apetitoso, mas também porque o líquido digestivo do slime talvez pudesse aprimorar sua própria habilidade de produzir muco corrosivo.
Sistemo foi saltando em direção à criatura. Porém, ao se aproximar a um metro do slime, sentiu seu sangue estremecer violentamente. Sua intuição de inseto disparou um alarme!
...
Sistemo parou imediatamente, sua mente clareando num instante. Havia algo estranho em seu comportamento: alguém tão cauteloso como ele jamais se aproximaria de um slime sem precaução, muito menos com a intenção de provar sua substância.
Girou as antenas sobre a cabeça; o aroma peculiar de ervas invadiu novamente seu pensamento, levando sua mente a um estado inusitado de relaxamento. Desta vez, contudo, Sistemo estava alerta.
Sacudiu a cabeça para recobrar a lucidez. Após uma breve reflexão, pegou um galho seco de cinco centímetros, saltou até um galho acima do slime e lançou o galho na direção da criatura.
Quando o galho atingiu o slime, a massa gelatinosa se contraiu violentamente e saltou, engolindo o galho num instante. O aroma de ervas não era sinal de um sabor delicioso, mas sim um ardil para atrair insetos – uma armadilha letal.
Slimes podiam ser facilmente destruídos por humanos, mas eram predadores mortais para insetos. Diante daquele desfecho, Sistemo estremeceu. Sem o alerta de sua intuição, teria sido devorado pelo slime.
Embora seu corpo, graças ao muco corrosivo, fosse resistente a líquidos ácidos e não fosse facilmente digerido, ainda assim morreria por asfixia se fosse engolido pela massa gelatinosa. Espécies mágicas de outros mundos não eram tão simples quanto nos jogos: tinham hábitos complexos e, muitas vezes, predavam insetos.
Diante desse aprendizado, Sistemo decidiu redobrar a cautela ao encontrar seres desconhecidos, evitando erros como o ocorrido.
...
Saltando para longe dali, logo encontrou algumas formigas vermelhas. Seguindo suas trilhas, rapidamente localizou o formigueiro, diferente do formigueiro das formigas negras e marrons. Este estava estabelecido dentro de uma árvore podre.
As formigas vermelhas tinham cerca de 0,8 centímetros e o formigueiro era um pouco menor que o das formigas negras, mas ainda assim havia muitas indo e vindo. Observando os milhares de formigas ao redor, Sistemo teve uma ideia:
E se ele atraísse o slime até a entrada do formigueiro?