Capítulo Setenta e Sete: O Poder de Sava (Parte Um)

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2708 palavras 2026-02-08 06:41:59

Sobre o mestre da aranha branca, Sistêmio nada sabia, e tampouco tinha tempo para se preocupar com esses assuntos. O sangue de tom vermelho-acastanhado, mesmo tocando a ponta gelada de seu tentáculo, o Gelo Cortante, não congelava nem se solidificava; pelo contrário, parecia evaporar rapidamente, exalando um cheiro metálico ainda mais intenso.

Esse aroma denso e peculiar despertava em Sistêmio uma excitação e um ímpeto assassino. Ele sentiu um impulso quase incontrolável de despedaçar a aranha branca diante de si. No entanto, ao receber uma nova mensagem mental daquela criatura, que continuava a contar, Sistêmio foi aos poucos se acalmando...

Atacar novamente, de forma impensada, seria o mesmo que buscar a própria destruição. Instintivamente, Sistêmio girou seus tentáculos e levou o sangue que neles restava à boca; o sabor doce e picante invadiu-lhe a mente mais uma vez. Imediatamente, largou os tentáculos, perplexo com o fato de, mesmo em tal situação, seu corpo de inseto ainda ser dominado pelo instinto de se alimentar.

...

As sensações advindas de sua intuição estavam corretas – ele não corria perigo de morte. Mas isso não significava que seu inimigo fosse fraco; apenas que este não tinha intenção de matá-lo, mas sim de capturá-lo.

As feridas na cabeça e no corpo da aranha branca cicatrizaram em poucos instantes. Exceto pelo exoesqueleto branco ainda manchado de sangue, já não era possível notar diferenças em relação à sua aparência anterior.

Quando Sistêmio perfurou o cérebro da criatura com seu Gelo Cortante, também canalizou energia gélida. Agora, percebia que tanto o golpe quanto o frio eram inúteis contra aquela aranha. Restavam-lhe o Muco Corrosivo e o Muco Congelante, mas Sistêmio suspeitava que tampouco surtiriam efeito.

Não podia vencer em combate, nem conseguiria fugir. Lamentava não ter trazido sua mais poderosa guerreira, Savá. Enfrentar sozinho aquela aranha branca era uma temeridade. Embora não corresse risco de morrer, não desejava ser capturado pelo mestre da aranha para servir de cobaia.

...

Apesar da situação adversa, Sistêmio ainda detinha uma vantagem incomparável: a aranha branca diante dele era ainda menos inteligente do que supunha.

Usando vinte e seis membros para perfurar o corpo da criatura, não provocou nenhuma reação extrema; apenas alguns segundos de dor e raiva, e logo tudo retornou ao normal – a aranha voltou a contar seus tentáculos.

O maior efeito do ataque foi apenas bagunçar o ritmo da contagem da aranha. Quando Sistêmio recolheu e moveu os tentáculos, a aranha recontou alguns, mas logo se confundiu e teve de recomeçar do início...

Assim, Sistêmio encontrou um método: passou a usar sua inteligência, propondo à aranha branca todo tipo de problema matemático, atrasando assim o momento em que ela tentaria capturá-lo.

Ele sabia que, caso Savá percebesse sua ausência por tempo demasiado, viria procurá-lo. Desde que renasceu pela segunda vez em casulo, Savá havia ganho a capacidade de sentir sua presença – mesmo a quilômetros de distância, podia encontrá-lo com precisão.

Assim, Sistêmio, enquanto propunha questões simples à aranha, aguardava a chegada de Savá e pensava em possíveis artimanhas para eliminar aquela criatura de inteligência tão limitada.

...

E de fato, como previra Sistêmio, após alimentar-se, Savá estranhou a ausência de seu rei e decidiu sair do formigueiro. Mas tudo tomou outro rumo quando encontrou a operária Bleca.

As duas formigas foram até uma superfície de gelo próxima e começaram a jogar o antigo passatempo de Sistêmio e Bleca: o jogo dos cinco alinhados.

Savá, que ainda demorava para resolver até operações de soma e subtração abaixo de dez, não era páreo para Bleca. Contudo, possuía uma criatividade peculiar. Inventou um novo jogo de tabuleiro, no qual era capaz de empatar ou até vencer Bleca, cuja habilidade de cálculo era notável.

O jogo inventado por Savá era o três alinhados: bastava alinhar três peças para vencer. Tão simples que, com sua inteligência, Savá quase sempre ganhava quando fazia a primeira jogada. Bleca, apesar de inteligente, sofria cada vez que tinha de entreter Savá nesse jogo tedioso...

...

Sistêmio, por sua vez, nada sabia dessas distrações próximas à colônia. Se soubesse, teria reduzido o tabuleiro de cristal a pó.

Esperou por muito tempo, mas Savá não apareceu. Sistêmio percebeu que o tempo lhe escapava. A aranha branca ainda respondia seus problemas de matemática, mas tornava-se visivelmente inquieta. Era questão de tempo até perceber o estratagema e dedicar-se à missão de capturá-lo.

A solução mais segura que Sistêmio concebeu foi convocar o Senhor da Geleira. Se conseguisse, bastaria um raio de frio supremo e tudo ao redor seria reduzido a fragmentos de gelo – inclusive a aranha branca.

Como membro da Legião Invernal, Sistêmio tinha a capacidade de transmitir mensagens ao Senhor da Geleira, mas nunca estivera nas Montanhas de Lirt. Por isso, jamais dominara completamente essa habilidade.

Após refletir, Sistêmio decidiu finalmente atrair a aranha branca até a aldeia dos goblins gigantes do gelo, esperando contar com a ajuda de outros membros da Legião Invernal.

Poderia também levá-la até seu próprio formigueiro; bastava mover-se pouco mais de cem metros e teria Savá ao seu lado. Mas, assim, colocaria suas formigas em perigo.

Após quase uma hora de perguntas, a aranha, que não sabia mentir e respondia a tudo, revelou cada vez mais informações. Descobriu que seu verdadeiro corpo não era de uma aranha, mas de um inseto mutante, capaz de assumir diversas formas.

Seu poder estranho permitia transformar o corpo em várias armas e dispor de muitos métodos de ataque à distância. Não temia golpes perfurantes nem impactos contundentes; mesmo cortada ao meio, regenerava-se. Em suma, o corpo daquela aranha pouco diferia do de um limo.

Ainda assim, Sistêmio confiava em Savá, mas não queria que mais formigas morressem inutilmente. Já perdera cinco operárias e não desejava ampliar esse número.

...

— Você quer capturar criaturas como eu, não é? — Sistêmio transmitiu mentalmente à aranha branca.

Ao ouvir isso, a aranha abriu levemente as patas dianteiras, assumindo postura agressiva, claramente lembrando-se de sua missão. Sistêmio, atento, enviou novo sinal mental para evitar um ataque súbito:

— Eu conheço um lugar onde há muitas criaturas como eu.

A aranha suspendeu a pose de ataque, inclinou a cabeça em sua direção. Quando percebeu que a criatura se acalmava, Sistêmio relaxou um pouco.

— Siga-me e você cumprirá a missão que seu mestre lhe deu.

Transmitindo sua mensagem mental, Sistêmio abriu as asas e alçou voo, desviando dos fios de teia entre as árvores, indo em direção à aldeia dos goblins. Para não agitar a aranha, reduziu ao máximo sua velocidade.

Após alguns minutos de voo, os longos sensores em sua testa começaram a tremer irregularmente, e um sorriso surgiu em seu rosto de inseto. Finalmente, Savá, por quem tanto esperava, estava a caminho...