Capítulo Cento e Cinco: O Deus da Peste e da Maldição (Parte Final)
A mucosa da praga, em grau vinte e um de trinta: uma habilidade especial formada pelo código numérico, pela adaptação dos insetos, pela mucosa corrosiva e pelos germes da peste. Pode expelir, por glândulas, uma mucosidade ativa e corrosiva, impregnada de praga.
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A transformação nas glândulas da garganta prolongou-se por quase dez minutos antes de chegar ao fim completo; e, pela primeira vez, Sixtrem obteve uma habilidade acima do nível vinte e um.
Depois de conquistar essa habilidade, a força de combate de Sixtrem saltou de 6,3 para 71. Embora ainda não tivesse se tornado uma vida mágica, sua força superava a da Forma Gélida, que já o havia transformado em uma vida mágica.
Tal como Sixtrem vinha pressentindo havia muito, depois de as habilidades alcançarem o nível vinte e um, entravam em um novo patamar, e o poder gerado tornava-se ainda mais singular.
Mas, quanto mais se elevava o nível de uma habilidade ou talento, mais experiência era necessária; por isso, até então Sixtrem não havia desperdiçado experiência com a Arte de Fortalecimento de Habilidades para elevar qualquer poder ao nível vinte e um.
Já tendo escutado a voz do mundo e conversado com a vida mágica, a espírito de gelo Nélis, Sixtrem também formara sua própria teoria sobre os degraus do poder. Em linhas gerais, habilidades abaixo do nível dez pertenciam aos seres comuns; do nível onze ao vinte representavam o poder mágico; e do nível vinte e um ao trinta correspondiam ao poder transcendental.
Naturalmente, ser capaz de empregar um poder transcendental não significava que a própria vida já tivesse alcançado a transcendência; significava apenas que podia utilizar um poder desse nível.
Nem a intensidade da habilidade nem a quantidade dela se comparavam ao verdadeiro poder transcendental empregado por criaturas genuinamente transcendentais.
Era como pequenas aranhas ou escorpiões possuírem toxinas letais: embora seu veneno pudesse matar um elefante, seriam esmagados com facilidade por esse mesmo elefante.
Sixtrem deduzia que a habilidade de Shava era uma habilidade transcendental e, muito provavelmente, ainda superior à transcendência. Contudo, essa habilidade não lhe parecia nítida quando a examinava com sua percepção.
Além disso, sempre que a percebia, Shava apresentava reações estranhas; nos últimos tempos, Sixtrem também deixara de investigar mais a fundo a habilidade dela.
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Ao fechar a cortina luminosa formada pelo menu de ferramentas, Sixtrem passou a sentir com atenção a habilidade recém-adquirida.
Descobriu que as glândulas em sua garganta estavam muito mais vigorosas; calculava que poderia lançar essa mucosidade a dezenas de metros com facilidade e, se empregasse toda a força, até mesmo a algumas centenas de metros.
Mas, em comparação com a capacidade de lançamento das glândulas, a atividade da sua mucosidade corrosiva havia sido fortalecida de modo incomparável.
A cor da Mucosa da Praga agora já havia se tornado negro-arroxeada, exalando um fedor ainda mais intenso do que o da antiga Mucosa Corrosiva.
Parecia que, após se combinar com esses germes, a mucosidade corrosiva de Sixtrem tornara-se mais viva, mais intensa até do que um simples gel de slime.
Dentro de dez metros, Sixtrem conseguia controlá-la facilmente por meio da transmissão mental, como se comandasse os tentáculos do próprio corpo.
E, mesmo depois de muito tempo, o gel não perdia a atividade; Sixtrem estimava que, mesmo deixado de lado por uma hora, ainda poderia ser controlado normalmente.
Esse gel parecia transbordar de força. Sixtrem podia fazer com facilidade aquela massa saltar do chão; calculava que uma porção do tamanho de um punho infantil podia pular quase dois metros de altura, e, se a quantidade de gel aumentasse, poderia saltar ainda mais alto e mais longe.
Não apenas isso: Sixtrem também podia fazer esse gel assumir diversas formas diferentes. Podia até moldar a mucosidade em tentáculos e usá-los para agarrar um frasco sobre a mesa.
A corrosividade dessa mucosidade também parecia ter aumentado bastante. Sixtrem percebeu que o gel da Mucosa da Praga chegava até a corroer os frascos, que pareciam de vidro, deixando na superfície marcas de derretimento.
Continuando a manipular a forma desse gel, Sixtrem o transformou à vontade em inúmeras figuras. Chegou até mesmo a fazê-lo assumir a aparência de uma flor semelhante à Flor do Gelo.
Mas quanto mais complexa a forma, mais difícil era o controle.
Por fim, Sixtrem moldou o gel das glândulas da garganta em uma forma afiada de flecha e, mirando uma tábua sobre a mesa, lançou-o com a maior força possível.
Bang!
Devido ao impacto da mucosidade, a mesa apresentou claramente uma marca romboidal, como se tivesse sido perfurada pela lâmina de um punhal afiado, para então ser corroída pela Mucosa da Praga cheia de poder corrosivo.
“Como eu suspeitava, é um fluido não newtoniano. Se a velocidade for suficiente, talvez até perfure aço.”
Sixtrem controlou a mucosidade que corroera a mesa e a fez retornar, saltando de volta à boca para ser recolhida.
Como o gel mucoso podia mudar de forma à vontade, Sixtrem se lembrou de alguns pequenos experimentos de sua vida anterior.
Goma de mascar moldada em cone podia abrir um coco; pessoas corriam depressa em uma piscina cheia de solução de amido sem afundar, alcançando o efeito de andar sobre a água.
Parecia que seu gel mucoso também era um tipo de fluido não newtoniano. E esse tipo de fluido possuía uma característica marcante: quanto maior a força que recebia, mais intensa se tornava a coesão entre as moléculas do líquido, mais rígido ele ficava; e, quando essa coesão se tornava forte o bastante, podia até ser mais duro que pedra e aço.
E, sendo Sixtrem capaz de controlar o gel à vontade, sem dúvida levaria a natureza não newtoniana do fluido ao extremo, dando-lhe as flechas mais cortantes.
Infelizmente, naquele momento, a velocidade com que Sixtrem expelia a mucosidade ainda era lenta demais, muito aquém do efeito que desejava alcançar.
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Suspirando diante do efeito singular da sua Mucosa da Praga, Sixtrem não fazia ideia de que essa habilidade havia sido fixada no nível vinte e um não por causa da atividade do gel, mas porque, no interior dele, mais de uma dezena de germes da peste, após se devorarem mutuamente e se fundirem ao gel ativo, haviam deixado para trás essa essência pestilenta.
Caso contrário, contando apenas com a capacidade mutável do gel, a Mucosa Corrosiva no máximo teria sido fixada no nível vinte.
E a diferença entre o nível vinte e o vinte e um já era a de dois patamares distintos.
Sixtrem, naturalmente, ignorava o terror de uma peste de grau transcendental como aquela.
Ele apenas fantasiava, tomando como referência o talento da pequena bola de carne: no futuro, ao ativar o talento Transformação Corporal, seu corpo também poderia se converter em um gel mutável e infinito.
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Depois de levar embora todos os objetos úteis da caverna do feiticeiro homem-rato, embora Sixtrem ainda não tivesse a menor pista sobre como desfazer a maldição, a força que havia aumentado de modo inexplicável ainda lhe melhorou um pouco o humor.
Após vários dias sem descanso, Sixtrem finalmente, naquela noite, deitou-se sobre um confortável colchão de algodão e começou a hibernar.
Dormiu profundamente. Em circunstâncias normais, a menos que desmaiasse, Sixtrem só entraria em um estado de semi-sono e semi-vigília; mas, desta vez, ele realmente adormeceu.
E o Sixtrem adormecido não percebeu que, ao seu lado, o antigo livro de pele negra de repente emitiu um lampejo fugaz de luz violeta-escura.
Ao mesmo tempo, em seu sonho, Sixtrem sentiu-se como se tivesse sido lançado em um espaço sem sol nem lua, onde o olho de Sixtrem parecia incapaz de produzir qualquer efeito, incapaz de distinguir qualquer coisa ao redor.
Sixtrem percebeu que estava como dentro da água; naquele espaço, por mais que nadassse, parecia jamais alcançar um fim.
Mas, no momento em que decidiu desistir, entendendo que talvez estivesse sonhando e resolvendo simplesmente deixar-se levar pelas correntes daquele lugar, sua visão mudou de repente.
Diante dele surgiram sombras indistintas e, entre as fendas dessas sombras, Sixtrem viu um olho vermelho.
Aquele olho vermelho era muito peculiar, como se pudesse transmitir uma mensagem especial.
Sixtrem soube, de forma natural, que a presença que contemplava em sonho era o Deus da Praga e da Maldição, Rafal.
Não houve diálogo algum, mas, à medida que aquele olho vermelho o fitava, Sixtrem gradualmente recebeu uma imensidão de informações e passou a saber exatamente como o feiticeiro homem-rato havia aprendido aquela maldição nefasta.
Tudo por causa do poder concedido por aquela presença que Sixtrem vira em sonho: Rafal, o Deus da Praga e da Maldição.