Capítulo Sete: Crisálidas e Clarões
Com a evolução e a metamorfose, as mandíbulas de Sístemo estavam muito mais resistentes, capazes agora de cortar facilmente as folhas maduras das plantas. As folhas de 78g que ele escolhera, e que eram suficientes para fazê-lo evoluir, tinham um sabor agradável, lembrando a melancia de sua vida anterior, embora fossem um pouco mais duras e de sabor suave.
À medida que se alimentava dessas folhas, a informação registrada em [Leitura de Dados] mudou de 78g para 93g, indicando que diferentes indivíduos da mesma planta apresentavam certas variações e, portanto, efeitos distintos em seu crescimento. Além disso, percebeu que a habilidade [Leitura de Dados] ainda precisava de aprimoramento, exigindo a coleta de mais dados.
Para potencializar o uso da [Leitura de Dados], Sístemo decidiu que, dali em diante, provaria um pouco de cada espécie vegetal, enriquecendo assim seu banco de informações.
...
No entanto, após consumir quatro ou cinco folhas para aplacar a fome, Sístemo sentiu uma inquietação crescente.
Uma insatisfação profunda.
Comparadas às folhas, o sabor dos ovos de inseto era infinitamente superior. Agora que a fome estava amenizada, aquelas folhas antes apetitosas se tornaram difíceis de engolir.
Se fosse um gafanhoto comum, provavelmente se acomodaria ao instinto, alimentando-se tranquilamente das folhas e crescendo até se transformar em um adulto. Mas Sístemo era fundamentalmente diferente dos outros.
Não era apenas o dom dos [Códigos Numéricos] que acelerava seu desenvolvimento corporal. Sua maior diferença em relação aos outros insetos era a inteligência. Sem ela, mesmo com atributos superiores, teria morrido sem chances diante do sapo.
A inteligência não só lhe permitia pensar meticulosamente, mas também lhe conferia ambição e avidez.
Enquanto se alimentava, Sístemo observava o entorno, desta vez não apenas atento aos perigos ocultos, mas também à procura e reflexão sobre possíveis fontes de carne próximas.
Ele queria comer carne...
...
Sístemo cogitava métodos para conseguir alimento animal.
Na história humana, o que levou a espécie ao domínio da Terra foi justamente a inteligência, e o primeiro uso dessa inteligência foi no manuseio de ferramentas e na produção de fogo.
Sístemo olhou para seus membros. Uma expressão complexa tomou conta de seu rosto de inseto: não possuía dedos, o que tornava extremamente difícil fabricar ferramentas e, mesmo que tivesse, faltavam-lhe materiais adequados.
Seria possível imitar os humanos do período paleolítico, lascando pedras para fazer lâminas afiadas? Ou então, como no neolítico, polir pedras para criar armas cortantes? Impossível! O tempo gasto usando uma lâmina de pedra seria melhor aproveitado mordendo o adversário várias vezes com suas próprias mandíbulas.
A única matéria-prima útil que lhe ocorria eram os fios de seda de aranha, com os quais, carregados de substância pegajosa, poderia confeccionar várias armadilhas ou armas.
Mas, refletindo melhor, Sístemo descartou a ideia: além da dificuldade de cortar um pedaço de seda sem ficar preso, quantas linhas seriam necessárias para montar uma armadilha? E quanto tempo aquilo demandaria? E, claro, a aranha concordaria em ceder sua seda? Talvez, ao crescer mais e ficar mais forte, pudesse forçá-la a entregar a teia; mas, quando chegasse a esse ponto, já não teria necessidade da seda — bastaria enfrentar a aranha diretamente.
...
Sístemo não conseguiu pensar em nenhum método eficaz para fabricar ferramentas ou armadilhas, pelo menos não com seu corpo atual.
Se quisesse comer carne, o meio mais eficiente ainda era utilizar a habilidade [Leitura de Dados] para localizar ovos de insetos escondidos na floresta.
Em segundo lugar, poderia caçar insetos herbívoros mais fracos, como aqueles que sugavam a seiva das plantas.
Porém, o uso prolongado da [Leitura de Dados] era mentalmente exaustivo.
Decidido, Sístemo comeu mais algumas folhas e logo começou a saltar em busca de carne.
Agora, com a habilidade [Leitura de Dados] ativável, ele agia com muito mais audácia e determinação.
Embora objetos distantes, mesmo delineados pela habilidade, permanecessem turvos, dentro de um ou dois metros tudo lhe era perfeitamente visível.
Bastava ativar [Leitura de Dados] por alguns segundos para que todos os assassinos camuflados ao redor ficassem expostos.
Em poucos minutos, Sístemo identificou uma louva-a-deus disfarçada de galho seco e uma aranha-marmoreada mimetizando uma flor.
Durante a busca, encontrou três gafanhotos semelhantes a ele, de tamanhos e colorações distintas — provavelmente subespécies, seus parentes distantes.
Viu ainda insetos parecidos com moscas e abelhas pousando em folhas para descansar, e dezenas de formigas devorando o cadáver de uma libélula.
A floresta abrigava inúmeras espécies de insetos, mas Sístemo não encontrou, de imediato, ovos nem presas fáceis.
Caçar outros gafanhotos de tamanho semelhante seria muito difícil; capturar uma mosca ágil, irrealista; e atacar um grupo de formigas por um cadáver de libélula seria suicídio — como se uma zebra desafiasse um bando de hienas.
...
Restava-lhe saltar sem cessar, aproveitando ao máximo a [Leitura de Dados] antes de esgotar sua energia mental.
Após cerca de quinze minutos, quando já pensava em desistir, descobriu finalmente uma fonte segura de alimento — uma fonte abundante, suficiente para alimentá-lo por várias semanas.
No tronco de uma árvore de casca enrugada e formato peculiar, encontrou dezenas de crisálidas de borboleta ou mariposa, cujas cores e formas se camuflavam perfeitamente com a casca. Sem a [Leitura de Dados], teria sido impossível notá-las.
Cada crisálida media cerca de seis centímetros, três vezes o tamanho de Sístemo, e estavam presas por fios de seda à casca.
A metamorfose simultânea em um mesmo local e a posterior eclosão coletiva são estratégias comuns das borboletas para perpetuar a espécie, pois, nos primeiros minutos após emergirem, estão extremamente vulneráveis; eclodindo em grupo, aumentam as chances de sobrevivência.
As mandíbulas de Sístemo salivaram involuntariamente diante daquele alimento rico em proteínas.
Se conseguisse devorar todas as crisálidas, seu crescimento seria exponencial, acelerando sua transformação em adulto.
De imediato, atacou uma das crisálidas com suas mandíbulas!
Contudo, a casca, oval e escura, impedia que suas mandíbulas fizessem força suficiente; mesmo no máximo esforço, não conseguiu causar dano àquela proteção rígida.
Após alguns minutos de tentativas frustradas, Sístemo expressou, quase humano, uma decepção profunda: havia encontrado uma fonte abundante e nutritiva de alimento, mas era incapaz de aproveitá-la.
“Parece que só resta procurar uma lâmina de pedra para quebrar essa casca, mas com esse corpo não consigo agarrar e usar pedras com força.”
“Será que devo esperar o momento exato em que as crisálidas se abrirem para atacar?”
“Mas quem sabe quanto tempo levará até elas virarem borboletas? E se demorarem um mês? Vou esperar um mês inteiro?”
“Nesse caso…”
BUM!!
Um estrondo ao longe interrompeu o raciocínio de Sístemo. No instante seguinte, ele viu, a dezenas de metros, um clarão fulgurante no meio da floresta.
O solo tremeu e o estrépito se aproximou rapidamente, acompanhado de choques violentos e sucessivos. Sístemo percebeu que algumas árvores ao longe estavam sendo derrubadas.
Poucos instantes depois, uma criatura envolta em chamas, envolta em ondas de calor, passou rugindo a poucos metros de onde ele estava...