Capítulo Vinte e Um: A Rainha (Parte Um)
O enorme gafanhoto exibia um exoesqueleto de tom amarelo-seco, de aparência extremamente robusta, coberto por intricados desenhos desconhecidos, que mais pareciam nervuras de folhas. Possuía um par de olhos compostos dourados e profundos, além de longas antenas semelhantes às dos grilos. O imenso inseto desceu dos céus, pousando diante de Sistemo, exalando uma essência peculiar e agradável, que ele achou deliciosa.
Sistemo sentiu que o gafanhoto diante dele era de uma beleza incomparável. Diversas emoções difíceis de descrever surgiram em seu peito, até mesmo um impulso de se ajoelhar e prestar reverência. Porém, essa vontade de venerar era superada por um sentimento ainda mais forte: o desejo instintivo de acasalar. Este era um impulso gravado no sangue de todos os insetos – buscar um parceiro vigoroso, copular e perpetuar uma descendência ainda mais forte, para que sua linhagem jamais se extinguisse.
Contendo o tremor provocado pela excitação, Sistemo, dotado de uma alma humana, não conseguia imaginar como um gafanhoto com metade do tamanho do outro poderia se unir àquela criatura colossal. Além disso, se tentasse acasalar agora, estaria fadado à morte em três dias. O temor da morte foi suficiente para esfriar o entusiasmo que agitava seu corpo.
Sistemo observou atentamente a gigantesca fêmea diante de si. Ela não demonstrava maior interesse ou aproximação, apenas inclinava a cabeça, como se o examinasse. Isso o aliviou: se a fêmea estivesse decidida a acasalar, levando-o à destruição, dificilmente conseguiria resistir. Entre os insetos, a regra do acasalamento era simples: quanto mais forte o indivíduo, maior seu poder de atração sobre o sexo oposto; se fosse mais fraco, dificilmente despertaria interesse.
A fêmea diante de Sistemo era exatamente assim. Não pretendia unir-se a ele, e se tentasse forçar a aproximação, talvez fosse atacado por ela.
Assim, os dois gafanhotos, um grande e um pequeno, permaneceram se observando em cima de uma planta desconhecida. Sistemo sentia e refletia sobre o mistério que emanava dela – não uma fragrância de fêmea atraente, mas um aroma que despertava nele o desejo de se prostrar. A fêmea, com seus vinte e cinco centímetros, era como uma rainha entre os gafanhotos, protegida por um exoesqueleto sólido e enormes mandíbulas. Até mesmo predadores naturais como lagartos e aves teriam dificuldade em derrotá-la; caçadores comuns, como louva-a-deus ou grilos, só poderiam manter distância.
Sistemo supunha que aquela fêmea emitia esse aura mística por já ter completado sua terceira metamorfose. O que teria vivido para alcançar tal feito? Nascera com um dom especial ou experimentara algo extraordinário? Em meio a milhões de gafanhotos do bosque, o surgimento de um ser assim não era impossível. Que pena que os insetos tinham intelecto limitado e não podiam se comunicar, impedindo Sistemo de obter informações sobre essa terceira metamorfose.
Enquanto Sistemo se perdia nesses pensamentos, ouviu de repente uma voz suave:
— Vem? Juntos.
A voz era tênue, mas ele a captou nitidamente, agitando as antenas para localizar sua origem. Girou a cabeça, investigando os arredores, mas não viu nada.
— Tu, vem? Juntos.
Aquela voz estranha e delicada ecoou novamente em sua mente. Sistemo percebeu, enfim, que não era um som, mas uma espécie de comunicação telepática. E quem a transmitia era a fêmea diante dele.
— Vem? Juntos.
A Rainha dos Gafanhotos repetiu o chamado; parecia dotada de inteligência, mas sua linguagem era rudimentar, transmitindo mensagens de forma trôpega. Sistemo não pôde evitar expressar surpresa com suas feições de inseto. Comparado ao javali que cuspia fogo ou ao velho druida capaz de curar feridas, aquela gafanhota era ainda mais impressionante. Não só pela habilidade telepática semelhante à de um cérebro-colmeia, mas por ser uma de sua própria espécie – um parente distante, mas ainda assim um gafanhoto.
— Vem? Juntos.
A Rainha transmitiu o convite mais uma vez, e Sistemo finalmente se recompôs do espanto. Sentiu suas mentes conectadas, permitindo uma comunicação direta.
— Para onde quer me levar? — Sistemo experimentou transmitir sua própria mensagem mental, percebendo que bastava imaginar as palavras para que o pensamento chegasse à fêmea.
Ela inclinou a cabeça, lançando-lhe um olhar inquisitivo, e logo devolveu uma resposta hesitante:
— Tu, diferente.
— Tu... eu, muito especial, e... eles... diferentes.
Apesar da dificuldade de articular frases completas, Sistemo compreendeu o significado: ela queria dizer que ambos eram especiais, dotados de inteligência, diferentes dos demais gafanhotos.
— Queres dizer que nós temos inteligência, e não somos como os outros gafanhotos?
— Inteligência?
— Sim, inteligência — confirmou Sistemo.
A fêmea pareceu mergulhar em pensamentos, demorando a responder. Sistemo aguardou em silêncio. Logo, ela voltou a fitá-lo e transmitiu uma torrente de imagens em sua mente.
Eram visões familiares: cenas que Sistemo vira ao elevar sua Habilidade de Adaptação Inseto para o nível 11 — enxames de gafanhotos atravessando montanhas e oceanos, rumo a um destino misterioso.
— Juntos, vamos? — a fêmea enviou novamente a mensagem, e Sistemo compreendeu, finalmente, o convite da Rainha.
— Por que viajar para um lugar tão distante? O que há lá? — Sistemo questionou, imaginando que sua companheira talvez tivesse uma adaptação mais avançada, capaz de lhe revelar segredos.
A Rainha exibiu um semblante sonhador e transmitiu simplesmente:
— Quero ir, ver.
O mundo é tão grande, quero vê-lo.
A mensagem era pura e desprovida de segundas intenções. Se um humano dissesse algo assim, Sistemo provavelmente julgaria ser apenas um pretexto, mas a Rainha dos Gafanhotos não sabia mentir, nem queria. Seu único propósito era vivenciar a vastidão do mundo.
Sistemo balançou levemente a cabeça e transmitiu sua resposta:
— Não posso ir contigo, preciso ficar aqui.
— Por quê?
Diante do olhar interrogativo da Rainha, Sistemo decidiu ser sincero:
— Sessenta dias de vida é muito pouco, não quero desperdiçar meu tempo explorando o mundo.
A Rainha aparentou confusão, mas continuou a enviar mensagens:
— Tu, comigo, depois, acasalar, descendência.
Ela tentou construir uma frase longa, mas suas palavras se embaralharam. Ainda assim, Sistemo entendeu: ela sugeria que fossem juntos, e, ao se aproximar do fim de sua vida, ele poderia deixar descendentes com ela, perpetuando sua linhagem.
Transmitir o próprio sangue era um instinto essencial de todo inseto; mais temiam desaparecer sem prole do que a própria morte. Mas Sistemo era diferente. Para ele, viver mais tempo era preferível a deixar descendentes e morrer.
Diante da imensa fêmea, Sistemo ficou sem saber o que responder…