Capítulo Trinta e Cinco: Consciência de Si Mesmo

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2746 palavras 2026-02-08 06:38:14

O soldado formiga Grandalhão parecia ter o espírito um tanto confuso. Depois de dizer a Sistemo que não era a rainha, ele voltou a transmitir: "Você é a rainha."
"Sim, sou eu."
Sistemo respondeu ao soldado formiga Grandalhão por meio da Transmissão Mental. Apesar de manter a calma exteriormente, seu interior estava tomado pelo pânico.
Aquela era a primeira vez que Grandalhão questionava sua identidade, mas Sistemo sabia que não seria a última.
Com o aumento da inteligência de Grandalhão, ele certamente voltaria a questioná-lo.
E quanto aos ovos e larvas de formiga que Sistemo havia lavado o cérebro, será que no futuro também não o questionariam?
Deveria desistir de controlar mentalmente esses ovos?
Ou encontrar um modo de limitar a inteligência dessas larvas?
A mente de Sistemo estava um tanto confusa; precisava encontrar uma solução para eliminar esses riscos.
E lidar com Grandalhão não seria nada fácil.
Mantê-lo por perto era como guardar uma bomba-relógio; se um dia Grandalhão percebesse algo errado, poderia tentar matá-lo.
Sistemo conhecia bem os soldados formiga, o tipo mais feroz de todas, que lutavam até a morte contra qualquer ameaça ao formigueiro, como verdadeiros loucos.
No entanto, ele precisava desesperadamente de Grandalhão: a construção do ninho de inverno dependia dele, assim como o armazenamento de alimento para sobreviver ao frio.
Sistemo estava profundamente indeciso...

Felizmente, Grandalhão só o questionou uma vez e, depois disso, nunca mais mencionou o assunto, como se realmente tivesse esquecido.
Contudo, desde então, seu comportamento tornou-se cada vez mais estranho.
Além de brincar frequentemente com a pedra semitransparente que Sistemo lhe dera, Grandalhão também passou a visitar uma poça próxima, que ainda não tinha secado por completo.
Nos momentos de folga, após concluir as tarefas que Sistemo lhe atribuía, Grandalhão ficava parado diante de seu reflexo na água, tocando-o com as patas, tanto de dia quanto de noite.
Parecia estar imerso em profundas reflexões.
Sistemo costumava observá-lo de longe, sem entender o que se passava em sua mente, mas pelo menos acreditava que, por ora, Grandalhão não se rebelaria contra ele.
Assim, passaram-se mais dois dias.
Em mais uma conversa, Grandalhão, tomado por algum pensamento desconhecido, perguntou de repente: "O que... eu sou?"
"Você é um soldado formiga", respondeu Sistemo.
"O que é um soldado formiga?"

"É uma formiga responsável por proteger o formigueiro. Existem muitos tipos de formigas. Você é um soldado, eu sou a rainha", explicou Sistemo.
Grandalhão ficou em silêncio por um tempo, refletindo, até que levantou uma nova dúvida:
"Por que... eu sou um soldado? Por que... você é a rainha?"
"Bem..."
Ao ouvir a pergunta e o tom de Grandalhão, Sistemo finalmente compreendeu a razão daquela dúvida inicial sobre sua identidade de rainha.
Grandalhão não suspeitava de sua história; era o desenvolvimento de sua inteligência que o fazia refletir sobre o mundo.
Grandalhão tomara consciência de si mesmo.
A consciência de si, ou autoconceito, é o reconhecimento do próprio estado de existência, o resultado da autoavaliação do próprio papel social.
Na experiência, distinguir-se de tudo e de todos ao redor é despertar o "eu", o autoconhecimento.
Sem dúvida, Grandalhão, após esse tempo de crescimento, já possuía uma inteligência própria, o que lhe permitia reconhecer-se como indivíduo.
Quando fitava sua imagem na água, não estava distraído, mas sim questionando quem era aquela criatura no reflexo.
E sua dúvida alcançava o patamar da filosofia: era como perguntar a um humano por que ele é humano.
Por que ele era um soldado formiga? Por que Sistemo era a rainha?
Uma questão sem resposta clara, difícil de ser solucionada.
Ainda assim, Sistemo poderia culpar o destino, dizendo que tudo era obra dele.
O destino, esse conceito tão nebuloso, é perfeito para explicar o inexplicável.
Mas Grandalhão certamente indagaria o que seria o destino, levando a uma sucessão interminável de perguntas, como uma criança curiosa.
Felizmente, Grandalhão não era uma criança chorona, mas sim um soldado formiga focado em seu papel.
Assim que Sistemo lhe ordenou que voltasse a comandar as operárias na construção da câmara de inverno, abandonou suas dúvidas e passou a executar as ordens, orientando as outras na edificação do ninho.
...

Grandalhão apenas se tornara consciente de si mesmo, sem desconfiar de Sistemo.
Mas o ocorrido não tranquilizou Sistemo por completo.
Se Grandalhão continuasse a evoluir intelectualmente, mais cedo ou mais tarde perceberia que Sistemo não era uma formiga, mas um gafanhoto.
Quando esse dia chegasse, ninguém saberia o que aconteceria.

Devido à ordem de Sistemo para que Grandalhão comesse sem parar, seu tamanho aumentou ainda mais, chegando aos 5,5 centímetros.
Embora não fosse páreo para Sistemo em força, suas enormes mandíbulas e o ferrão na cauda já representavam uma ameaça.
Sistemo sentia-se inquieto, temendo que, a qualquer momento, Grandalhão percebesse algo e se voltasse contra ele.
Sem alternativa, Sistemo ordenou que Grandalhão acelerasse a construção do ninho de inverno, ao mesmo tempo que passou a evitá-lo, reduzindo o contato entre os dois.
Já havia decidido: assim que Grandalhão terminasse o ninho e enchesse os depósitos de alimento, o mandaria de volta ao formigueiro, sem mais contato.
É claro que também cogitou eliminá-lo para evitar futuros problemas, mas não tinha coragem para tal crueldade.

O tempo passou lentamente, e o ninho de inverno de Sistemo foi, em grande parte, construído pela equipe de Grandalhão, alcançando quatro metros e meio de profundidade.
Apesar de parecerem pouco inteligentes, as formigas constroem ninhos subterrâneos perfeitos.
Os túneis interligam-se por todo o complexo, garantindo ventilação eficiente, e dezenas de depósitos foram escavados para armazenar alimento.
Nesse meio-tempo, as larvas de formiga sob controle mental de Sistemo começaram a eclodir, reunindo-se aos poucos ao seu redor.
As que nasceram primeiro, alimentadas em abundância, já estavam se transformando em pupas, sinal de um ciclo de crescimento relativamente curto.
Quando restavam apenas vinte e cinco dias de vida, Sistemo alcançou o nível doze.
Seu corpo cresceu ainda mais, chegando a dezessete centímetros, e sua habilidade Insecto Adaptação (12/21) evoluiu para (13/21).
A partir do nível onze, a cada avanço em Insecto Adaptação, a linhagem de gafanhoto lhe transmitia visões, e dessa vez não foi diferente: a imagem de enxames voando surgiu novamente em sua mente.
Ainda assim, não sabia o propósito daqueles voos em massa.
Com a evolução, sua habilidade Visão Aguçada (3/9) subiu para (4/9), aprimorando ainda mais sua visão.
Contudo, o que mais chamou atenção ao atingir o nível doze foi o talento Crescimento por Muda.
Desde então, sentia o sangue borbulhar, a carapaça coçar intensamente.
Seu corpo exigia que realizasse logo a terceira muda...