Capítulo Quarenta e Quatro: Gnoll

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2517 palavras 2026-02-08 06:39:09

Ao contrário do que a Rainha lhe concedeu com a Transmissão Mental, aquilo que Sistemo permitiu que Sawa adquirisse com a Regeneração de Membros Amputados apresenta uma diferença essencial. Na verdade, habilidades como Regeneração de Membros Amputados, que não têm nenhuma relação com o poder espiritual, são completamente impossíveis de serem transferidas por meio da Transmissão Mental.

O que Sistemo fez ao conferir a Sawa a habilidade de Regeneração de Membros Amputados não foi uma transferência, mas sim um tipo de ativação. Ele utilizou o dom de Adaptação de Inseto presente no sangue de Sawa para despertar uma habilidade latente de Regeneração de Membros Amputados que talvez já existisse nela.

Por isso, ao obter essa capacidade, a própria habilidade de Sistemo não se extingue.

A experiência com os tentáculos em Sawa, sem dúvida, ofereceu a Sistemo uma nova perspectiva para seu futuro. Se ele pode ativar a Regeneração de Membros Amputados em Sawa com a combinação da Transmissão Mental e do Feitiço de Fortalecimento de Habilidades, então também pode tentar ativar habilidades únicas em si mesmo, tirando proveito do dom de Adaptação de Inseto — afinal, os insetos apresentam uma infinidade de poderes extraordinários.

Sistemo julgou que essa ideia valia a tentativa.

Após ponderar por mais algum tempo, Sistemo envolveu a Sawa inconsciente com seus tentáculos e a levou de volta a uma câmara vazia em seu ninho temporário. Depois de acomodá-la, ele examinou as larvas de formiga que ali se encontravam.

Percebeu que o primeiro grupo de formigas, que havia entrado no estágio de pupa, estava prestes a emergir; em um ou dois dias, se transformariam em formigas adultas. Os dois espécimes que mais lhe chamavam a atenção — a jovem formiga macho e a jovem formiga fêmea — estavam saudáveis, e, ao perceberem sua presença, emitiram os mesmos sinais afetuosos de antes, sem demonstrarem qualquer estranhamento pela ausência de contato nos dois últimos dias.

Depois de confortar todas as larvas e pupas, Sistemo dirigiu-se a uma câmara especial. No canto desse espaço repousavam dois discos dourados — os olhos da Rainha Gafanhoto. Sistemo não podia consumir o cadáver da Rainha, então acabara por tomar-lhe os olhos.

Enrolando delicadamente os dois olhos com seus tentáculos, Sistemo deixou o ninho, abriu as asas e subiu velozmente aos céus. Seu voo era agora muito mais rápido e poderoso que o da Rainha.

Quanto mais subia, mais sentia o vigor do vento e, junto dele, o frio cortante que lhe endurecia o corpo. O corpo de um gafanhoto é leve e, sob ventos tão fortes, manter o equilíbrio era uma tarefa difícil.

No início, Sistemo tentou voar contra o vento, mas, ao ganhar altura, sentiu uma sensação estranha no corpo. Voar não dependia apenas de força bruta.

Alterou levemente o ângulo e o ritmo do bater de asas; acompanhando a rajada de vento, deixou-se levar na direção favorável. De repente, seu corpo acelerou quase ao dobro, aproveitando a força do vento para atingir ainda mais altitude.

À medida que subia, o ar tornava-se rarefeito e o frio mais intenso, mas, por fim, Sistemo alcançou as nuvens.

“Eu já disse, nuvens são apenas uma forma de água. Vê? Se parecem com neblina...”, murmurou para si, comunicando-se mentalmente.

Contudo, ao olhar para baixo, Sistemo ficou momentaneamente absorto. Voar sempre foi um sonho da humanidade e contemplar o mundo do alto das nuvens era, sem dúvida, uma sensação maravilhosa.

Debaixo do denso manto de nuvens, Sistemo avistou cadeias de montanhas geladas que se estendiam por milhares de quilômetros, uma floresta verdejante sem fim e, na beirada oposta, uma vasta pradaria. Próximo a um lago, enxergou bandos de borboletas alaranjadas cruzando o céu em revoada.

Graças ao Olho de Sistemo, obtido na terceira metamorfose, sua visão tornara-se extraordinária — ele pôde distinguir até mesmo a entrada de seu ninho temporário entre as frestas da floresta, embora os detalhes das formigas ali de guarda escapassem ao olhar.

Focalizando a floresta e observando com atenção, logo avistou, a vários quilômetros dali, num pântano, dois slimes que procurava há tempos. Mais distante, cerca de dez quilômetros, percebeu o que parecia ser uma aldeia de criaturas de pele verde. Viu também seres com corpos de cachorro e faces humanas, semelhantes aos gnolls dos mundos de fantasia.

Esses gnolls pareciam estar em conflito com os goblins.

O frio nas nuvens era severo, e o ar, rarefeito. Sistemo permaneceu ali por pouco tempo antes de descer.

Guardou os olhos da Rainha em seu esconderijo no ninho e partiu em direção à aldeia dos seres de pele verde. Não era que tivesse algum interesse especial nos goblins ou nos gnolls, mas queria observar esses povos inteligentes para compreender melhor aquele mundo.

Seu primeiro contato com esses seres remonta aos primeiros dias após seu despertar, quando um javali que cuspia fogo passou correndo à frente, perseguido por três criaturas verdes armadas com porretes. Naquele tempo, seus olhos compostos não enxergavam ao longe e seus sentidos sobre o entorno eram imprecisos. Pensando bem, o fogo daquele javali nem era tão ameaçador, caso contrário não teria sido perseguido por três criaturas tão franzinas.

Ao escutar as vozes do mundo, Sistemo aprofundou sua compreensão sobre o sistema de poderes daquele lugar. O javali de fogo e o slime, assim como ele e a Rainha Gafanhoto, estavam em processo de transformação em seres mágicos.

No entanto, em comparação com a Rainha e ele próprio, Sistemo percebia que o poder mágico do javali e do slime era diferente. Não lhe transmitiam a sensação de “ouvir a voz do mundo”.

“Será que é porque são descendentes de seres mágicos, e seu poder provém do sangue herdado?”, especulou, mas a verdade lhe escapava.

O ninho formado por montes de ervas, o ambiente sujo e desordenado... À medida que se aproximava, Sistemo sentiu o fedor de fezes através de seu olfato apurado.

Pela primeira vez, lamentou a habilidade de Olfato Aprimorado. Talvez o cheiro fosse delicioso para larvas, mas o corpo de um gafanhoto o detestava.

Essas criaturas de pele verde não possuíam a técnica de construção dos humanos; sequer sabiam erguer casas de barro, contentando-se com abrigos precários de galhos e capim. Talvez servissem para barrar um pouco do vento noturno, mas jamais resistiriam à chuva.

Pousando num galho, Sistemo passou a observar e escutar atentamente o intercâmbio entre as duas espécies abaixo.

Naquela aldeia de criaturas verdes, havia cerca de vinte goblins; de gnolls, apenas três. Os gnolls eram corpulentos, medindo cerca de um metro e noventa, enquanto os goblins pareciam frágeis, com pouco mais de um metro e vinte.

Os três gnolls patrulhavam a vila, dirigindo-se aos goblins em uma língua desconhecida. Os goblins, por sua vez, mostravam-se visivelmente assustados...