Capítulo Cinquenta e Cinco — Sobrevivendo no Limite (Parte Final)
Das seis patas de Sistemo, restavam apenas a dianteira direita e a do meio do lado esquerdo em condições razoáveis. Por algum motivo desconhecido, o tentáculo da pata dianteira direita havia perdido completamente a função, aparentemente destruído pelo congelamento e totalmente inutilizável.
Sistemo controlou as duas patas restantes para ajustar o ângulo do corpo, preparando-se para apontar a glândula situada em sua garganta na direção do casulo distante, pronto para lançar seu [líquido corrosivo].
Contudo, ao movimentar a pata dianteira direita, Sistemo percebeu uma fissura evidente na base da articulação, apesar de, à primeira vista, parecer intacta.
Com um leve estalo, a fissura na articulação se ampliou ainda mais.
Infelizmente, a pata dianteira direita se desprendeu do corpo, restando apenas um feixe de músculo conectando-a ao tronco.
Assim que a pata se separou, os três tentáculos em seu interior irromperam repentinamente pelo orifício circular, agitando-se no solo como vermes.
Observando por um momento o membro e os tentáculos que se contorciam no chão, Sistemo balançou o corpo involuntariamente e, com sua última pata remanescente, recolheu o membro caído.
Sistemo levou o membro à boca e começou a mastigá-lo.
Mais uma vez, Sistemo percebeu uma estranheza em suas emoções.
Ao devorar a própria pata, não sentiu qualquer desconforto; pelo contrário, deleitou-se com o sabor da própria carne.
Especialmente os tentáculos ainda ativos no interior do membro, que podiam ser considerados um dos alimentos mais saborosos que já provara: macios, elásticos, com uma textura semelhante à do queijo, mas com um sabor e sensação muito superiores.
“Talvez, quando os tentáculos voltarem a crescer, eu possa comer alguns de vez em quando. Com a [regeneração de membros perdidos], logo estarão de volta...”
Pensamentos estranhos surgiam na mente de Sistemo, que não conseguia entender como, mesmo diante do perigo iminente, ainda era capaz de pensar nessas coisas.
No entanto, consumir os grandes pedaços do próprio corpo espalhados pelo solo era, sem dúvida, um excelente meio de recuperar parte de sua vitalidade.
Sistemo desistiu de atacar o casulo naquele momento, optando por, com sua última pata e o abdômen, arrastar-se até outro local, onde estavam metade de um olho destruído e uma coxa quebrada que ainda tremia de vez em quando.
Enquanto isso, a glândula em sua garganta voltou a secretar [líquido corrosivo], que ele manipulou para envolver os pequenos fragmentos do corpo espalhados pelo chão e o sangue que havia derramado antes.
Sistemo não pretendia desperdiçar nenhum alimento proveniente do próprio corpo e decidiu consumir e recuperar tudo.
Coxa, meia asa e os fragmentos do exoesqueleto alado, metade de um olho e mais uma pata...
Apesar de buscar pelos pedaços, Sistemo constatou que muitos estavam incompletos ou distantes demais para recuperá-los, e outros talvez tivessem se perdido durante o choque com os galhos, sem serem encontrados.
Ao consumir e digerir esses fragmentos, sua vitalidade começou a aumentar gradualmente, recuperando-se até atingir 43%, onde se estabilizou.
Logo, uma coceira invadiu cada uma das feridas espalhadas por seu corpo e, em menos de meia hora, todas haviam se transformado em crostas de sangue.
Sistemo já não corria mais risco de vida; se fosse verão, bastaria evitar predadores para restaurar-se por completo.
Mas agora...
Sistemo sabia que o momento crucial para sua sobrevivência havia chegado.
A neve que caía do céu não dava sinais de cessar, pelo contrário, tornava-se cada vez mais intensa.
Com o passar do tempo, a temperatura continuou a cair, e surgiram manchas brancas no solo. Os flocos de neve que haviam caído instantes antes ainda não haviam derretido quando novos flocos já cobriam os anteriores.
Sistemo sabia que lhe restava pouco tempo; à noite, a temperatura naquela floresta certamente cairia abaixo de zero.
Com seu corpo naquele estado, era impossível percorrer os vários quilômetros até o ninho temporário.
Restava-lhe apenas uma opção: usar o casulo próximo para ativar a [resistência ao frio] de sua [adaptabilidade de inseto].
Infelizmente, já não possuía tentáculos capazes de conferir a habilidade de [percepção], e Sistemo não sabia se conseguiria obter a [resistência ao frio].
Além disso, não tinha certeza de quão eficaz seria essa habilidade.
De qualquer forma, não havia mais alternativas.
...
Sistemo arrastou-se com dificuldade pela pilha lamacenta de folhas secas, posicionando-se de modo a lançar o [líquido corrosivo] da glândula de sua garganta.
O ângulo do disparo desviou um pouco, faltando cerca de três centímetros para atingir o casulo.
No entanto, após a terceira metamorfose, Sistemo havia aprimorado consideravelmente o controle sobre o líquido, podendo manipulá-lo por cerca de três minutos a até dois metros de distância sem perder a atividade.
A substância viscosa e corrosiva dissolveu facilmente os fios de seda que prendiam o casulo à casca da árvore, e o casulo acinzentado despencou com sucesso.
Por sorte, o casulo rolou na direção de Sistemo e, ao parar, estava a apenas dez centímetros dele.
Bastaram menos de cinco minutos de rastejo para Sistemo se aproximar do casulo.
O casulo, ao tocar o solo, emanou uma sensação de inquietação e se remexeu constantemente.
Como de costume ao se alimentar de casulos, Sistemo secretou o [líquido corrosivo] para corroer a dura carapaça do casulo, que rapidamente passou do marrom ao amarelo claro.
Contemplando o casulo corroído, Sistemo interrompeu o movimento seguinte.
Se quisesse apenas devorá-lo, bastaria rasgar e sugar com suas mandíbulas.
No entanto, para examinar o casulo e, com base em suas capacidades internas, ativar a [resistência ao frio], a ausência de tentáculos tornava isso difícil.
Após refletir, Sistemo rompeu a crosta de sangue em sua meia coxa e inseriu a extremidade sangrenta no interior do casulo.
Usar o próprio sangue para sentir o sangue do outro era seu último recurso.
Após a terceira metamorfose, além dos tentáculos de sensibilidade extrema, seu sangue também adquirira certa capacidade perceptiva.
Sistemo concentrou-se...
Já havia examinado casulos semelhantes duas vezes antes, o que tornou o processo atual muito mais simples do que imaginara.
Em poucos minutos, Sistemo sentiu a presença da [resistência ao frio] no casulo.
Talvez, como diz o ditado, gafanhotos não duram muito após o outono; Sistemo percebeu que o sangue do gafanhoto tinha pouquíssima afinidade com a [resistência ao frio], deixando claro que não era um inseto apto ao inverno.
Se não tivesse passado pela terceira metamorfose, seria impossível adquirir tal habilidade...
...
...
Com o retorno inesperado do Senhor das Geleiras, a Floresta de Lirthe começou a ser coberta por neve.
Após cinco dias e quatro noites de nevasca, a Floresta de Lirthe ficou tão branca quanto as Montanhas de Lirthe, coberta por uma camada de meio metro de neve.
Sistemo, que estava envolvido em seu estudo aprofundado do casulo, foi soterrado pela neve espessa. Desde que inserira metade de sua coxa no interior do casulo, permanecera imóvel, como se estivesse morto.
Contudo, naquele dia, algo se moveu sob a neve que o enterrava: um tentáculo marrom emergiu da camada branca...