Capítulo Vinte e Quatro: O Slime e a Colônia de Formigas
O exército de formigas, destemido e impiedoso, enfrentava os slimes de inteligência limitada, e Sistêmico sentia que era muito provável que ambos saíssem perdendo nessa disputa. O slime devoraria incontáveis formigas com seu corpo gelatinoso, mas o fluxo incessante de formigas poderia causar danos graves à massa gelatinosa do slime. O resultado da batalha era impossível de prever para Sistêmico. Tudo dependeria da dimensão da colônia de formigas; se fosse suficientemente vasta, o slime seria inevitavelmente submerso pela torrente de formigas. Ainda restava a dúvida sobre o grau de inteligência desse ser mágico chamado slime. Diante do perigo, ele escolheria lutar até o fim contra as formigas? Ou preferiria parar quando tivesse levado vantagem, saltando para longe depois de devorar algumas delas?
O slime não estava longe do formigueiro dessas formigas de cor avermelhada, apenas a cerca de doze metros. Sistêmico possuía um método para atrair o slime e fazê-lo mover-se; ele podia lançar galhos secos para despertar seu interesse. Após testes anteriores, Sistêmico descobrira que o comportamento do slime era bastante simples: sempre que havia vibrações mínimas anormais ao redor, ele se movia naquela direção. Se o slime mantivesse o comportamento que mostrara anteriormente e não vagasse sem rumo, Sistêmico tinha confiança de que, em cerca de cem lançamentos de galhos secos, conseguiria atrair o slime até o formigueiro.
Decidido, Sistêmico começou a agir rapidamente. Quase havia caído na armadilha olfativa do slime, o que o deixara irritado; por isso, mesmo sabendo que lançar galhos repetidamente consumiria muito tempo, ele optou por seguir em frente. Procurou galhos adequados, aproximou-se do slime por cima e lançou-os com precisão, repetindo o processo. O slime, de fato, era pouco inteligente e, conforme previsto, movia-se gradualmente em direção ao formigueiro. No entanto, a velocidade do slime era um pouco menor do que Sistêmico estimara; a cada galho lançado, o slime movia-se apenas cinco centímetros. Considerando a complexidade do terreno da floresta, Sistêmico calculou que seriam necessários mais de duzentos lançamentos para conduzir o slime até o formigueiro.
Mais de duzentos lançamentos de galhos secos levariam, no mínimo, sete a oito horas; quando terminasse, o céu já estaria escuro. A perspectiva de trabalhar à noite, somada ao cansaço, fez Sistêmico hesitar. Mas se perdesse essa oportunidade, o slime poderia desaparecer sem deixar rastros.
Após refletir, Sistêmico decidiu continuar, esforçando-se para tornar seus movimentos mais rápidos e eficientes. O início do processo foi extenuante, mas perto do meio-dia, o plano de atração teve um progresso inesperado: algumas formigas operárias de cor avermelhada apareceram perto do slime, explorando seu entorno. O slime saltou e engoliu as operárias em seu corpo gelatinoso. Pouco depois, mais operárias exploradoras saíram do formigueiro, e o slime continuou a devorá-las, aproximando-se cada vez mais do formigueiro.
A partir do meio-dia, Sistêmico não precisou mais lançar galhos; as formigas passaram a atrair o slime por conta própria, guiando-o até o formigueiro. Sistêmico percebeu que formigas e slimes eram, de fato, elos da cadeia alimentar naquela floresta. Mesmo sem sua intervenção, aquele slime inevitavelmente teria que enfrentar as formigas. Mas Sistêmico não conseguia determinar quem estava no topo da cadeia alimentar: embora parecesse que o slime devorava formigas uma a uma, talvez as formigas estivessem atraindo o slime como uma isca.
À medida que o slime se aproximava do formigueiro nas árvores podres, mais formigas patrulhavam o local, e o slime devorava-as com cada vez mais frequência, avançando rapidamente em direção ao formigueiro. Sistêmico observava os pequenos pontos avermelhados dentro da massa gelatinosa do slime, do tamanho de uma bola de futebol; eram os corpos das formigas, que o slime não conseguia digerir completamente em pouco tempo.
Quando o slime estava a meio metro do formigueiro, as formigas emergiram em massa, como uma enxurrada, e avançaram contra o slime! Essas formigas avermelhadas tinham mandíbulas menores e eram mais magras e ágeis do que as formigas de cor escura, mas eram muito mais rápidas. O slime saltou e rolou, devorando centenas de formigas, mas logo milhares delas já escalavam seu corpo gelatinoso, pisando umas sobre as outras.
O slime continuava a devorar formigas, mas Sistêmico percebeu que muitas operárias já estavam transportando fragmentos gelatinosos, do tamanho de grãos de arroz, de volta ao formigueiro. A batalha era brutal. Meia hora depois, devido ao excesso de formigas devoradas, o slime perdeu grande parte de sua viscosidade, e muitos corpos de formigas e fragmentos de gel se desprendiam continuamente de seu corpo.
Não demorou muito para que, talvez impulsionado pelo instinto de sobrevivência, o slime decidisse fugir ao invés de lutar até o fim. Ele saltou para longe do formigueiro, e cada salto fazia com que mais gel e corpos de formigas caíssem de seu corpo. Chegara ao formigueiro com o tamanho de uma bola de futebol, devorara incontáveis formigas e ainda assim mantinha o mesmo tamanho ao partir, evidenciando que as formigas haviam levado boa parte de seu corpo gelatinoso. Apesar de terem conseguido muitos fragmentos de gel, as formigas pagaram o preço de dezenas de milhares de vidas. O resultado era claramente um empate devastador.
Guiadas pelas formigas soldados de grande porte, as operárias sobreviventes começaram a transportar os corpos das companheiras, limpando os fragmentos de gel e levando-os ao formigueiro, em uma operação disciplinada.
Sistêmico não se deteve para observar as formigas, mas seguiu o caminho por onde o slime havia fugido. Ao longo dessa trilha, muitos fragmentos de gel e corpos de formigas estavam espalhados; ele poderia provar o gel do slime e alimentar-se das formigas para saciar a fome. O slime, ao saltar e perder gel, diminuiu de tamanho em quase um terço após percorrer pouco mais de dez metros, até que finalmente saltou para dentro de um lamaçal e parou ali.
Ao ver onde o slime parou, Sistêmico começou a experimentar o gel espalhado pelo caminho. Os fragmentos de gel, ainda recém separados do corpo do slime, não morriam imediatamente, mas se moviam lentamente no solo, tentando se reunir. Apenas os fragmentos maiores conseguiam se juntar, enquanto os menores perdiam completamente o movimento em poucos minutos fora do corpo do slime.
“Será que esta é uma forma de reprodução por divisão?” Sistêmico observou a esfera de gel de cerca de cinco centímetros que tremia diante dele, sentindo que compreendia cada vez mais sobre essa criatura mágica.
Sistêmico aproximou sua cabeça de inseto ao gel e começou a absorvê-lo. O pequeno fragmento parecia possuir vida própria; ao ser tocado pelas mandíbulas de Sistêmico, tentou saltar para devorá-lo. Contudo, era pequeno e fraco, sendo facilmente destruído pelas patas dianteiras de Sistêmico; os fragmentos dispersos logo começaram a se reunir novamente.
O sabor do gel era agradável, exalando um aroma intenso de iogurte, similar ao de cogumelos, porém mais forte. Era mais saboroso do que as pupas de inseto e, ao mesmo tempo, fornecia três vezes mais experiência. Ao absorver esses fragmentos, Sistêmico sentiu o gel vibrar suavemente em seu abdômen.
A vibração do gel dentro do abdômen não causava desconforto; pelo contrário, era agradável, como se recebesse uma massagem interna. Além disso, à medida que o gel era digerido, Sistêmico percebeu que ele exercia um efeito extraordinário sobre seu talento chamado “Crescimento por Muda”.