Capítulo Trinta e Sete: O Rei e o Cavaleiro (Parte II)

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2528 palavras 2026-02-08 06:38:28

Ninguém sabia ao certo por que o soldado formiga Grandalhão, afastado e mantido de sobreaviso, havia retornado, lançando-se sem hesitar contra o invasor. Nos dias que se passaram, com o seu constante crescimento, Grandalhão parecia ter elevado seu nível mais uma vez; seu corpo agora beirava os sete centímetros, o dobro do tamanho de uma formiga soldado vermelha comum.

Sistemo percebeu que as patas traseiras do rato exibiam um corte provocado pela mordida de Grandalhão, de onde escorria um pouco de sangue. Talvez devido ao efeito corrosivo do ácido da formiga, o rato encolheu-se e começou a lamber incessantemente o ferimento com a língua.

Aproveitando a confusão, Grandalhão posicionou-se à frente de Sistemo, protegendo-o com seu corpo.

“É agora, ataque-o!”

Sistemo sabia que, enquanto o rato lambia o próprio ferimento, aquela era uma oportunidade ímpar. Se havia um momento para atacar, era exatamente aquele.

No instante em que recebeu a ordem, Grandalhão obedeceu sem vacilar! Escancarou suas mandíbulas enormes, que, quando abertas ao máximo, tinham o dobro do tamanho de sua cabeça. As lâminas duplas de suas mandíbulas mediam seis centímetros. Mirando a cabeça do rato, Grandalhão investiu com toda a força.

Entretanto, antes que Grandalhão pudesse cravar suas mandíbulas na cabeça do rato, este, mais ágil, percebeu o movimento e, girando o corpo com destreza, arremessou Grandalhão longe com um golpe.

O rato não se deteve; correu na direção onde Grandalhão havia caído e, após duas mordidas rápidas, lançou-o mais uma vez para longe.

Caçadores de insetos são mestres em emboscadas fatais, mas claramente não foram feitos para confrontos diretos. Embora Grandalhão tivesse crescido até sete centímetros, seu corpo era esguio e leve, enquanto o rato, com seus quinze centímetros, pesava dezenas de vezes mais.

Grandalhão sofria pela desvantagem de peso e agilidade. Tentou o ataque surpresa, mas acabou sendo atacado pelo rato.

Crac... crac...

O rato segurava uma estrutura negra, mastigando-a com força. O som áspero dos dentes no silêncio da toca era ensurdecedor.

Grandalhão sacudiu a cabeça, atordoado pelo ataque do rato. Sistemo notou que a última pata do lado esquerdo de Grandalhão havia sumido — agora era triturada pelos dentes do rato.

Não se sabia se era por intimidação, ameaça ou zombaria.

O rato, ao invés de dar o golpe fatal, devorava a pata de Grandalhão diante de seus olhos.

Sistemo não captou, pela conexão mental com Grandalhão, nenhum sinal de medo ou inquietação. As emoções do soldado formiga se resumiam a duas: preocupação com Sistemo e raiva imensa do rato!

Grandalhão recompôs-se e, sem esperar nova ordem, lançou-se novamente contra o rato...

Mas, infelizmente, o resultado foi idêntico ao anterior. Desta vez, o rato arrancou com facilidade a pata dianteira direita e a do meio do lado esquerdo de Grandalhão, lançando-o mais uma vez longe.

Crac... crac...

O rato jogou de lado a pata meio comida e apanhou outra para roer. Sistemo até ouviu o som do rato sugando a carne do exoesqueleto da pata.

Mesmo que Grandalhão não tivesse sido ferido, jamais venceria aquele rato; com apenas três patas restantes, sua chance era ainda menor.

O destino de Grandalhão era presenciar, impotente, o rato devorar-lhe cada uma das patas, até ser torturado até a morte.

“Grandalhão, venha aqui.”

Sistemo enviou uma mensagem mental, chamando Grandalhão. Atordoado pelos ataques, Grandalhão sacudiu a cabeça, que agora ostentava fissuras de onde escorria um líquido branco e turvo.

Mas a vitalidade dos insetos é notável: mesmo sem três patas e com o crânio fraturado, Grandalhão aproximou-se de Sistemo quase com a mesma agilidade de sempre.

Enviando ondas de dúvida, Grandalhão demonstrava não compreender o que Sistemo pretendia.

Sistemo viu ao longe o rato devorar mais uma pata e apanhar outra para continuar o banquete.

Tomou, então, sua decisão.

“Grandalhão, esconda-se atrás de mim. Quando o rato me atacar, fuja. Volte para seu formigueiro, lá existe uma rainha verdadeira; eu, na verdade, não sou a rainha, sou apenas um gafanhoto.”

Sistemo organizou os pensamentos e transmitiu a mensagem com serenidade e sinceridade.

Curiosamente, embora antes temesse o fim ao ver o contador de vida esgotar-se, agora, diante da morte iminente, sentia-se em paz.

Em volta, as dezenas de larvas mal conseguiam se mover, fugir era impossível — somente Grandalhão tinha chance de escapar.

Sistemo só desejava que Grandalhão sobrevivesse.

...

Contudo, Grandalhão nada respondeu à mensagem de Sistemo — permaneceu em silêncio. Pela primeira vez desde que se encontraram, Grandalhão desobedeceu a uma ordem de Sistemo. Subitamente, virou o corpo e, com as três patas restantes, lançou-se com velocidade surpreendente.

Sacudindo as grandes mandíbulas, Grandalhão investiu mais uma vez contra o rato!

Crac... crac...

Mais uma vez, Grandalhão foi arremessado. Perdeu mais duas patas, restando apenas a dianteira esquerda.

Com o que lhe restava de mobilidade, Grandalhão arrastava-se pelo solo, tentando atacar o rato, mas agora era muito, muito lento...

Tão lento que, ao devorar-lhe todas as patas, Grandalhão sequer conseguiu alcançar o rato.

Desinteressado em sua presa mutilada, o rato aproximou-se e, com as patas dianteiras, virou e remexeu o corpo de Grandalhão como se fosse um saco de areia, jogando-o de um lado para o outro. Quando Grandalhão estava exausto de tanto sofrer, o rato finalmente o apanhou.

Parecia que o rato enfim daria cabo de Grandalhão...

E então, um milagre aconteceu!

Schi—!

Um jato de líquido semi-transparente, tingido de vermelho, espirrou da cabeça do rato.

Talvez por descuido, talvez por um ataque cuidadosamente preparado: o ferrão abdominal de Grandalhão atingiu em cheio o olho do rato.

O rato, em desespero, soltou um grito lancinante e rolou pela toca, saltando e debatendo-se. A dor do ferrão fora tão intensa que o rato, apavorado, fugiu...

...

Abandonado às pressas, Grandalhão foi soterrado por terra solta, mas não morreu. Com sua única pata restante e o abdômen, arrastou-se para fora, aproximando-se lentamente de Sistemo.

Minutos se passaram até que Grandalhão, enfim, chegou diante de Sistemo. Virou-se e escancarou suas enormes mandíbulas, apontando-as para a entrada da toca...