Capítulo Cento e Um: A Maldição
O Sistema, evidentemente, não fazia ideia do medo que o feiticeiro rato sentia por ele naquela caverna, tampouco sabia que, nesses dias, o astuto feiticeiro rato lançava venenos diariamente e enviava ratos carregados de pestilência. Na verdade, a praga dos ratos era quase ineficaz contra insetos, serpentes e lagartos, que são animais de sangue frio. Desde que aprimorou o nível de Transmissão Mental e passou a perceber cogumelos e limos, o Sistema conseguia sentir todos os dias a presença abundante de seres fúngicos em seu corpo; a peste mortal dos ratos parecia-lhe apenas um tipo comum de bactéria.
Só quando uma ferida entrava em contato com essas bactérias da peste é que algum efeito se manifestava, mas isso apenas dificultava a cicatrização, sem causar impacto fatal aos insetos em curto prazo. Quando o Sistema fora atingido pela flecha envenenada da peste, ocorreu o mesmo: a flecha tornou a ferida difícil de curar, impossibilitando o uso da habilidade de regeneração acelerada. Felizmente, sua Transmissão Mental permitia-lhe sentir as emoções das bactérias; embora não pudesse controlá-las como fazia com os limos, podia detectar com precisão sua localização. Ao descartar parte da carne contaminada com a peste, sua regeneração acelerada voltou a funcionar; caso contrário, a cura da ferida poderia demorar dias.
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Aquela caverna dos ratos era visivelmente muito mais vastas que as comuns, chegando a quase trinta metros, com mais de dez níveis de túneis verticais e centenas de corredores interligados. Diferente das cavernas normais, ali não havia circulação de ar, aparentemente com apenas uma entrada. O labirinto subterrâneo era um verdadeiro quebra-cabeça: o Sistema procurou por mais de dez minutos, sem encontrar um único rato. Ainda que tivesse imagens do banco de dados em seu Menu de Ferramentas, inevitavelmente acabou perdido, circulando repetidas vezes pelos mesmos lugares.
Já Sava, que o acompanhava, não percebeu que estavam perdidos, permanecendo eufórica; parecia que, enquanto o Sistema estivesse ao seu lado, nada lhe preocupava. Mas não demorou para que, vagando sem parar pelo labirinto, o Sistema finalmente encontrasse o ponto crucial para romper o enigma. Descobriu que não apenas havia uma grande pedra à entrada da caverna servindo de ilusão, mas também “paredes” ilusórias dentro dos próprios túneis.
Essas “paredes” falsas, situadas em corredores mais largos e retos, eram realmente enganosas; se não fosse pela capacidade de identificar contornos de objetos no Menu de Ferramentas, talvez nunca tivesse descoberto os corredores ocultos. Talvez os ratos daquela caverna tenham considerado isso ao decidir não criar múltiplas saídas para o ninho: várias saídas gerariam fluxo de ar, e se o vento passasse pelas paredes, criaria uma brecha perceptível aos invasores. Com essas “paredes” ilusórias guiando o caminho, o Sistema encontrou facilmente o corredor correto.
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Os ratos talvez não compreendessem a arte de mesclar verdade e ilusão; todas as “paredes” ilusórias conduziam ao caminho certo e único. Cruzando duas dessas paredes, o Sistema finalmente encontrou alguns ratinhos tremendo de medo. Um deles, em especial, tinha um olhar diferente dos demais: embora também mostrasse terror, era mais humanizado. Aproveitando um momento de distração do Sistema, esse ratinho acelerou e correu na direção oposta ao destino, como se estivesse sob controle do feiticeiro rato, tentando afastar o Sistema e Sava.
Antes que conseguisse ir longe, foi cortado ao meio pela lâmina de Sava; os demais foram mortos logo em seguida, conforme indicação do Sistema.
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Depois de eliminar mais de dez ratinhos, o Sistema finalmente chegou ao aposento no fim da caverna, onde viu uma grande porta circular de madeira, com uma maçaneta metálica em forma de anel, por onde se filtrava uma tênue luz. O feiticeiro rato parecia não possuir armadilhas ofensivas, além das “paredes” ilusórias; o Sistema chegou sem ser atacado, e aquela porta de madeira não apresentava nada de estranho.
Sava empurrou facilmente a porta, revelando um quarto quadrado de mais de dez metros quadrados. O Sistema notou duas esferas cristalinas brilhando nas paredes, servindo de iluminação. O ambiente era limpo; pela primeira vez desde que chegara a este mundo, o Sistema viu uma cama coberta com manta de algodão, além de uma estante simples com dezenas de livros e uma estátua de pedra peculiar.
A estátua trazia gravada uma figura humana estranha, envolta por fumaça; o Sistema já havia visto algo parecido ao explorar outros ninhos de ratos, mas nunca com tal riqueza de detalhes. Observando brevemente a decoração, voltou-se para o feiticeiro rato sentado na cadeira, vestindo um manto cinzento. Nos olhos do feiticeiro, o Sistema percebeu o temor; contudo, era evidente que o medo não era do Sistema, mas de Sava, que já matara inúmeros ratos.
O feiticeiro não atacou, mas dirigiu palavras incompreensíveis a Sava, numa língua de ratos que nem o Sistema compreendia. Sava, claro, muito menos.
Um estalo, como de corrente elétrica, e as duas esferas brilhantes se apagaram subitamente. Num piscar de olhos, surgiu do nada um rato de olhos vermelhos, brandindo duas adagas prateadas contra a cabeça de Sava. O som metálico ressoava pelo aposento; Sava bloqueou as adagas, mas não matou o adversário de imediato.
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Sava era mais forte que o rato de olhos vermelhos, mas este atacava com velocidade superior, e parecia tomado por um frenesi, agindo com loucura. Sua força superava até mesmo a de um guerreiro gnoll comum, rivalizando com Sava. Como o alvo do rato vermelho não era o Sistema, Sava não sentia perigo, e por isso seu desempenho era limitado.
Rapidamente, o quadro mudou: o feiticeiro rato levantou-se da cadeira, estendendo seus dedos afilados. Com palavras desconhecidas, surgiu uma esfera de luz verde em sua ponta. O feiticeiro mirou o Sistema com a esfera, não Sava, que lutava contra o rato vermelho.
Tudo acabou ali... Se o feiticeiro não tivesse intervindo, o rato vermelho poderia lutar por muito tempo; mas, ao disparar a esfera verde, Sava, envolta por um halo branco como um deus descendendo à terra, partiu o rato vermelho ao meio. Sava se moveu rapidamente, interceptando a esfera verde de dez centímetros diante do Sistema.
O feiticeiro não continuou atacando; caiu em um estado de histeria, gritando insanamente, com o rosto tomado de terror, olhando agora para o Sistema, não mais para Sava. Com o gesto protetor de Sava, o feiticeiro percebeu quem era prioritário entre os dois. Sem compreender a natureza dos poderes de Sava, provavelmente pensava que ambos eram seres extraordinários, brincando com ele.
Quando o Sistema julgava ter a vitória nas mãos e que poderia capturar o feiticeiro derrotado, seu Instinto transmitiu uma sensação de inquietação. Não teve tempo para pensar: o corpo do feiticeiro inflou de forma grotesca, como um balão, e explodiu no momento em que Sava desferia um golpe.
Sava se colocou à frente do Sistema, bloqueando toda a carne negra detonada. Contudo, embora impedisse sangue e carne negra, não conseguiu deter uma estranha luz negra que, contornando Sava, adentrou o corpo do Sistema.
O Sistema sentiu-se muito mal...