Capítulo 97: Estabelecimento (Parte 1)
O Sistema percebeu que as ondas de energia que emanavam do globo ocular eram semelhantes às suas habilidades de transmissão mental e percepção. Quando tentou entrar em contato com o olho usando esse poder, imagens azuladas e estranhas surgiram em sua mente. Eram exatamente as cenas para onde o olho estava voltado, embora desfocadas e sem outras cores. Ainda assim, mesmo no escuro buraco de ratos, era possível distinguir o ambiente ao redor.
Ficou claro que aquele olho era um artefato mágico funcional, uma descoberta inesperada. Além disso, o Sistema notou que esse olho mágico tinha uma sinergia peculiar com o mapa encontrado no saco de couro: ao mirar o olho para o mapa, surgiam linhas e inscrições inéditas, como se fosse um mapa do tesouro. Infelizmente, tanto a função de mapa do tesouro quanto a capacidade de enxergar no escuro não eram de grande utilidade para o Sistema. Só serviria como um brinquedo para Sava, que gostava de coisas reluzentes.
Após quase uma hora vasculhando o fétido buraco de ratos, embora não tivesse capturado ratos suficientes, o Sistema obteve um saco de couro e dois pequenos itens mágicos. Em comparação com o que coletou no buraco, o tempo gasto esperando o efeito do veneno paralítico do rato foi muito maior. Talvez pela atuação do rato ou pela eficácia do dardo paralítico da pequena esfera de carne, passaram-se cinco horas até o rato conseguir mover seu corpo rígido e tentar fugir, apenas para ser morto por um Sistema impaciente, que junto a Sava esfolou e cortou o cadáver em pedaços adequados.
Como de costume, o Sistema provou sangue e carne do rato. No geral, o sabor era ligeiramente melhor do que o de ratos comuns, mas ainda limitado, com um toque adocicado de leite. Ainda assim, não superava o sabor de alguns insetos.
Usando o saco de couro e alguns galhos lisos, o Sistema mais uma vez empregou sua engenhosidade humana para montar um trenó de carga, colocando carne de rato embaixo e pupas de formiga em cima. Graças ao resistente saco, o trenó ficou bem feito. Mas apenas três dias depois, foi obrigado a abandoná-lo. Não por dano, mas porque, à medida que ele e suas formigas se afastavam da Floresta Lirt, o gelo no solo afinava e a temperatura subia.
Com a cinza vulcânica atuando como derretedor de neve, após três dias o trenó improvisado já não conseguia avançar no solo lamacento. Porém, nesse período, o Sistema viu muitos pequenos animais como ratos nas planícies de Warren, e com a fonte de alimento abundante, descartou algumas carnes de rato. A cada cem metros, encontrava um ninho de ratos ou de coelhos, e nesse tempo também localizou outro rato inteligente.
Esse rato marrom foi avistado do alto, a cerca de dois quilômetros de distância, arrastando um cadáver de ave junto com uma dúzia de ratos comuns. Ao avistar um grupo de dezesseis gnollos, o rato ficou apavorado e se escondeu com os ratos no buraco, sem voltar a aparecer. Parecia que os ratos inteligentes não tinham uma vida fácil nas planícies de Warren. Provavelmente eram vítimas de escravidão e caça, como os goblins antes do retorno do Senhor das Geleiras.
Entretanto, devido ao hábito dos ratos de cavar túneis, o Sistema imaginava que era difícil serem capturados e escravizados pelos gnollos, mas ocasionalmente poderiam ser caçados como petiscos. Não achou necessário procurar problemas com aquele rato, então, após observar a direção dos gnollos, ajustou sua rota para evitá-los. Não era que não pudesse vencer, mas simplesmente não valia a pena. Afinal, os gnollos eram inimigos poderosos, como aquele que perfurou o abdômen do Sistema com uma lança.
O Sistema e seu grupo de formigas seguiram caminho, e após vinte dias, ele finalmente escolheu um local próximo a um riacho para iniciar a construção do novo formigueiro. Não era que a marcha fosse lenta; na verdade, há dias já havia deixado para trás o mundo gelado do limite das planícies de Warren, entrando em uma região de clima ameno. Apesar de alguma cinza vulcânica ainda cair, nas pradarias densamente cobertas de ervas já não era tão visível, pois em um mês havia sido absorvida pela vegetação.
O ambiente era propício. O Sistema encontrou alguns de sua espécie, além de grilos, moscas e outros insetos. Mas demorou a escolher onde instalar o formigueiro, pois pretendia ali residir por muito tempo, exigindo cautela na escolha do local subterrâneo, considerando água, comida e segurança.
Na verdade, o método mais fácil seria simplesmente tomar um dos túneis dos ratos, pois eram amplos e ramificados; com algumas reformas, se tornariam excelentes formigueiros. Mas eram extremamente sujos e desordenados, o que não parecia uma boa ideia. Durante a caçada a um rato nas planícies de Warren, o Sistema descobriu que eles alimentavam larvas com fezes, prática nojenta. Isso o repugnava, mas pior foi quando, ao ver as larvas, ele instintivamente as percebeu com seus tentáculos e acabou comendo uma viva, surpreendendo-se com o sabor agradável…
Depois disso, passou a evitar os túneis dos ratos. Reformar seus ninhos já não era opção, pois, embora sua mente estivesse habituada à lógica dos insetos, ainda havia coisas inaceitáveis.
Em vinte dias, o grupo de formigas ganhou dois novos membros: cavaleiros soldados, que levaram um mês a mais para emergir do que as operárias comuns. Uma delas parecia ter adquirido o dom de Corpo Robusto ao ouvir os sons do mundo: com apenas quinze centímetros e menos de duzentos gramas, conseguia erguer uma pedra de cem quilos sem que o exoesqueleto rachasse.
A outra, como a maioria das formigas de metamorfose secundária, ainda não sabia qual habilidade havia adquirido. Entre as cinco formigas capazes de usar poderes adquiridos ao ouvir os sons do mundo, uma era uma operária grande, apelidada de “Escavadora”. Apesar de menos inteligente que os cavaleiros operários, era naturalmente apta a escavar e transportar. Após adquirir o poder de manipular terra e areia, superou em muito a capacidade elétrica do Gancho. Com esse dom, tornou-se ainda mais hábil na construção do formigueiro, sendo mais útil que todas as demais formigas juntas.