Capítulo Noventa e Três: O Casulo da Geada (Parte Um)

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2726 palavras 2026-02-08 06:43:13

Os insetos, em geral, são de natureza teimosa; ainda assim, Sombra decidiu assassinar o velho druida. Não era pelos milhões de gafanhotos de sua espécie, mas simplesmente por Kun.

Sistem não sabia ao certo o que havia acontecido entre Sombra e Kun, tampouco questionou. Diante de tanta determinação, não havia o que argumentar.

A conversa entre eles se estendeu por cerca de duas horas. Durante esse tempo, quatro gnolls parecem ter percebido sua presença, mas Sombra facilmente abateu três deles, restando apenas um, morto por Shava.

Através desse diálogo, Sistem compreendeu a origem da tragédia que assolava aquela floresta: a história de dois grandes dragões gêmeos.

Mais precisamente, tratava-se do Senhor do Abismo, o Dragão Infernal Ogen, e do Soberano das Geleiras, o Dragão Glacial Ora. Gêmeos, nascidos do mesmo ovo, um de fogo, outro de gelo; a razão da discórdia primordial entre eles já se perdera no tempo. Por milênios, ambos se enfrentaram, e o conflito só se intensificava.

A devastação presente na Floresta de Lirt era consequência de mais um ataque do Dragão Infernal Ogen contra Ora. Os gnolls, por sua vez, eram novos seguidores de Ogen no mundo principal, enviados para conquistar a floresta e exterminar as criaturas de gelo remanescentes.

Sobre outros detalhes, Sombra também nada sabia; os acontecimentos de trezentos anos atrás entre o velho druida e Ora eram-lhe desconhecidos, mas estava claro que o desaparecimento anterior de Ora tinha relação com o dragão do inferno.

A partir das mensagens mentais de Sombra, Sistem também compreendeu melhor o papel dos druidas do enxame de insetos, mesmo aqueles distantes no abismo. Descobriu que o envio da esfera de carne por Fistandin para capturá-lo fora mera coincidência, sem conexão com a tragédia que assolava a Floresta de Lirt.

Insetos frágeis, submetidos a experimentos e pesquisas dos druidas do enxame no abismo; no mundo principal, por sua vez, eram odiados pelos druidas naturais, inimigos dos do enxame. Em qualquer lugar, os insetos viviam uma existência miserável.

Sombra confidenciou a Sistem que, depois de assassinar o velho druida, mudaria essa realidade. Queria que Sistem a acompanhasse e, juntos, mudassem o destino dos insetos.

Sistem recusou sem hesitar. Havia insetos demais naquele mundo; só de proteger suas formigas já se sentia exaurido. Almejar mudar a sorte de todos era impossível, até mesmo para o poderoso Soberano das Geleiras.

Contudo, Sombra, mesmo compreendendo e concordando com suas palavras, insistiu que tentaria regressar ao abismo, resgataria companheiros inteligentes e os traria até ele.

Ela falou longamente, determinada a fazer os insetos viverem felizes juntos.

Talvez porque Sistem, desde que chegara a esse mundo, jamais discutira com ninguém, acabou debatendo por muito tempo as ideias simplistas de Sombra.

Insetos jamais poderiam ser felizes juntos. Mesmo entre espécies semelhantes, como louva-a-deus, gafanhotos e lagartas de borboleta, havia predadores e presas na mesma cadeia alimentar.

Se gafanhotos e lagartas de borboleta pudessem viver felizes até o fim de seus dias, os louva-a-deus e grilos famintos inevitavelmente morreriam de fome.

Sombra entendeu e novamente concordou com Sistem. Ainda assim, teimava e propunha capturar aqueles druidas do abismo, como Fistandin, para usá-los em experimentos, dos quais ela mesma desconhecia os métodos.

Incapaz de vencer Sistem no debate, Sombra partiu, aborrecida.

Antes de ir, disse-lhe que, sobrevivesse ou não ao assassinato do velho druida, voltaria para encontrá-lo enquanto vivesse.

“Você é mesmo um rei.”

Deixando essa última mensagem mental, Sombra desapareceu.

“...”

Sistem olhou na direção em que Sombra sumira e balançou a cabeça, resignado.

Embora não tivesse aceitado a maior parte das propostas de Sombra, acabou, sem saber como, concordando em levar um casulo de borboleta por ela.

Pelas imagens transmitidas mentalmente, a cerca de sete ou oito quilômetros dali, na direção sudeste, havia um casulo especial de borboleta, com cerca de quinze centímetros, aparentemente imbuído de poder gelado — provavelmente uma borboleta em segunda metamorfose.

Sombra desejava que ele levasse o casulo.

Sistem avisou que, se o encontrasse, o devoraria, mas Sombra logo concordou, dizendo que bastava levá-lo; o que fizesse depois, não importava.

Sistem, então, não teve escolha senão aceitar.

“Fazer todos os insetos felizes?” murmurou Sistem, repetindo as palavras de Sombra. Em certo sentido, ela se assemelhava à Rainha Kun, ambas sonhando com utopias.

Por mais que Sistem contestasse os sonhos de Sombra, ele próprio não era diferente; apenas lhe faltava disposição e coragem para admitir.

Seguindo as instruções mentais de Sombra, Sistem e suas formigas ajustaram o rumo, seguindo para sudeste.

Após duas horas de descanso, suas formigas estavam revigoradas. Ao entardecer, Sistem e seu povo enfim chegaram ao local indicado.

Diferente do que vira pelas imagens, a árvore que sustentava o casulo estava agora coberta por uma camada de geada ainda mais espessa.

Em meio à floresta de troncos enegrecidos, aquela única árvore recoberta de branco destacava-se.

Sistem logo encontrou o casulo recoberto de cristais de gelo.

Segundo Sombra, o frio exalado por aquele casulo era tamanho que até ela sofreria leves queimaduras de geada ao tocá-lo.

Sistem, contudo, ao tocar o casulo com seus tentáculos, não apenas não se feriu, como sentiu um frio familiar, de mesma origem que o poder gelado em seu corpo.

Diferente dos gafanhotos e formigas, a borboleta adulta não possui mandíbulas, mas sim uma tromba para sugar néctar; Sistem não conseguia imaginar como um inseto assim poderia, apenas alimentando-se, passar por segunda metamorfose.

Aquela borboleta, sem dúvida, vivera alguma experiência extraordinária.

“Será que também foi tocada pelo sopro do Soberano das Geleiras, adquirindo poderes de gelo?”

Sistem quebrou a camada de gelo do casulo com suas mandíbulas e o envolveu com os tentáculos, examinando-o.

Percebeu que o poder gelado dentro do casulo era dezenas de vezes maior que seu próprio. Um cavaleiro formiga comum, ao tocar nele, logo teria o local congelado por uma camada de geada.

Somente ele, Shava — ambos de linhagem gelada — e a esfera de carne, estavam imunes àquele frio.

Como em todo casulo, a consciência da criatura em metamorfose era turva; mesmo através de transmissão mental, Sistem só podia sentir emoções vagas da borboleta adormecida.

Ainda assim, a intensidade emocional era muito mais fraca que a de um casulo comum — tal como acontecera com Shava, que, ferida, caíra em sono profundo durante sua segunda metamorfose.

Sistem hesitou diante do casulo, ponderando se deveria devorá-lo imediatamente, pois tamanha energia poderia ameaçar suas formigas.

Por fim, decidiu esperar.

Insetos em segunda metamorfose geralmente despertam com algum grau de inteligência; se, ao emergir, a borboleta não demonstrasse hostilidade, ele a libertaria.

Caso contrário, se ela representasse perigo, Sistem a eliminaria no momento de maior vulnerabilidade, assim que rompesse o casulo.