Capítulo Cinquenta e Dois - Apenas Porque Olhou Mais Uma Vez

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2636 palavras 2026-02-08 06:39:57

— Não há nuvens? Como pode haver neve então?

Systhem, voando, foi gradualmente desacelerando. Embora os flocos de neve continuassem a cair, a temperatura ao meio-dia permanecia quente; esses flocos se derretiam durante a queda, dissolvendo-se por completo ao tocar as folhas secas ou plantas no solo, transformando-se em água de neve.

Systhem bateu as asas e ascendeu aos céus. Queria investigar a origem desse fenômeno de gelo e neve.

Seja chuva ou neve, são formas de água, mas nevar num céu limpo, sem nuvens, era algo profundamente anormal.

...

Mesmo com os flocos caindo, a temperatura ao meio-dia quase não variou, sendo até mais amena que da primeira vez em que Systhem voou até as nuvens. Não havia vento na floresta naquele dia, e mesmo em grandes altitudes, o vento era suave. Os flocos atrapalhavam o voo, mas o clima favorável permitiu que Systhem ascendesse a milhares de metros sem grande esforço.

Acima do primeiro quilômetro, Systhem descobriu o segredo da formação da neve.

Sentiu uma atmosfera peculiar: fraca, profunda, e um tanto gélida. À medida que essa presença circulava pelo ar, partículas de gelo se condensavam de maneira quase mágica. Quando atingiam certo peso, começavam a cair, e, durante a descida, continuavam a se formar, transformando-se em flocos de neve de formas variadas.

No entanto, ao caírem, devido à temperatura, esses flocos começavam a derreter pouco a pouco.

Systhem, pairando no ar, estendeu um tentáculo e capturou um cristal de gelo recém-formado, levando-o à boca para provar. Além do frio sutil, não percebeu nenhum sabor especial; era igual à água comum. Mas, diferente da água normal, ao consumir esse cristal, notou um pequeno aumento em sua barra de experiência: evidentemente, havia uma força singular contida nesse gelo.

...

— Será que a neve deste mundo se forma assim?

Os últimos dias de planejamento e desenvolvimento de Systhem haviam sido tranquilos, mas ele esquecia que habitava um mundo repleto de poderes mágicos. Os princípios naturais de sua vida anterior talvez se aplicassem aqui, mas não completamente.

Essa primeira neve, originada por magia, era um aviso claro de que o inverno havia chegado, dois meses antes do que ele previra, desestabilizando todos os seus planos.

Agora, comandar os slimes para atacar os formigueiros já não era realista; se a neve continuasse, o frio só aumentaria.

...

Com o sangue gelado dos insetos, era impossível sobreviver ao frio exterior. Quando o sangue se congelasse, a morte seria inevitável.

Só lhe restava agir rápido: orientar a soldada Shava para que controlasse as operárias, transportando o máximo de comida para o ninho de inverno antes que o frio se instalasse de vez. Depois, só restaria passar a estação no abrigo.

Systhem bateu as asas, decidido a retornar e ordenar a Shava que iniciasse o trabalho sem demora.

Enquanto observava a floresta abaixo, algo peculiar chamou sua atenção: a vila dos goblins, a cerca de dez quilômetros de distância.

Na trilha próxima à vila, cinco goblins jovens e vigorosos, com expressões de euforia, traziam de volta um carrinho carregado de alimentos. Sobre o carrinho, Systhem avistou os corpos de três lobisomens.

Esses corpos estavam cobertos por uma camada de gelo branco, evidência de que haviam morrido congelados.

— Seria o Senhor das Geleiras?

Systhem olhou para as montanhas glaciais a milhares de quilômetros dali. O congelamento dos lobisomens e a neve súbita na floresta pareciam obra do Senhor das Geleiras, adorado pelos goblins.

— Mas, com o inverno tão rigoroso, como sobreviverão esses goblins?

Diante daqueles seres vestindo trapos e vivendo em condições precárias, Systhem não conseguia imaginar como resistiriam ao inverno. Talvez recebessem proteção do Senhor das Geleiras, mas seria realmente sábio adorá-lo?

Systhem não se demorou na reflexão; acelerou o bater das asas para regressar ao ninho.

À medida que os flocos caíam, sentiu a temperatura baixar um pouco. O tempo para preparar-se para o inverno era escasso.

Durante o voo de retorno, Systhem ouviu repentinamente um som misterioso e profundo. Não era alto, mas parecia ecoar ao seu ouvido.

Não se assemelhava à voz humana, mas sim ao rugido de uma fera — talvez tigre, talvez urso, mas ao pensar melhor, não era nada parecido. Parecia ser de uma criatura que Systhem nunca encontrara em sua vida anterior.

Aoooon—

Com o som ressoando novamente, Systhem avistou uma silhueta colossal vinda das montanhas glaciais. Surgiu no céu a centenas de quilômetros, voando tranquilamente. Se Systhem não estivesse enganado, tratava-se de um dragão.

Asas imensas, escamas prateadas cobertas de cristais azuis, boca cerrada e expressão majestosa: era o dragão dos mitos ocidentais de seu antigo mundo.

O corpo era longo, da cabeça à cauda tinha quase vinte metros. Mesmo à distância, Systhem percebia a elegância da criatura.

...

Mesmo Systhem, com seu forte autocontrole, não pôde deixar de contemplar o dragão por mais alguns instantes.

Ao observar, sentiu seu sangue tremer levemente. Era uma forma de vida de nível superior, capaz de influenciar seu corpo mesmo a centenas de quilômetros.

Systhem supôs que, caso esse dragão aparecesse, nem as formigas, que não temem a morte, ousariam se aproximar.

Com a chegada do dragão de gelo, Systhem percebeu que o ar ficava cada vez mais frio; parecia ser o causador da neve na floresta.

— Será este dragão o Senhor das Geleiras adorado pelos goblins?

Systhem lançou um último olhar ao dragão voando ao longe, decidido a ignorá-lo e concentrar-se em seus próprios assuntos.

Porém, esse último olhar lhe trouxe um problema inimaginável.

Systhem reparou nas escamas prateadas do dragão, cada uma maior que seu próprio corpo. Observou os chifres na cabeça, o vapor branco expelido pelas narinas, os olhos azul-gelo com pupilas de platina...

Dos olhos do dragão, Systhem sentiu uma expressão de nostalgia; era claro que possuía inteligência.

Enquanto olhava nos olhos do dragão, percebeu que eles giraram ligeiramente, encontrando seu olhar.

Assim como Systhem observava o dragão à distância, o dragão também o notou.

Seu coração disparou; percebeu que o dragão sumira subitamente de sua visão.

Após alguns segundos, ainda não encontrou vestígio do dragão, mas sua intuição lhe trouxe um sentimento de inquietação.

No instante seguinte, enquanto buscava pelo dragão, Systhem foi surpreendido: diante de si surgiu uma imensa cabeça dracônica, com um par de pupilas platinadas...