Capítulo Trinta e Um: O Adultério das Formigas
— Rainha das formigas, ovos.
Comparado aos insetos comuns, o soldado formiga Grandão era na verdade bastante inteligente, pois a maioria dos insetos teria dificuldade em articular palavras por meio de uma ligação mental. Grandão, em apenas uma tarde, já conseguia enviar mensagens curtas para Sistemo; embora sua capacidade estivesse bem abaixo da rainha, ainda assim era um inseto de notável esperteza.
Dizer que Grandão era tolo não seria justo; ele era apenas de pensamento simples e direto, alguém que facilmente confiava nos outros sem questionar. Ele acreditava cegamente na história criada por Sistemo, de que ela era a rainha das formigas. Convencido de que era filho de Sistemo, Grandão cumpria todas as ordens que recebia com máxima dedicação.
— Traga-me uma larva de formiga.
Recebendo um ovo do soldado formiga Grandão, Sistemo prosseguiu com seus testes. Mandou-o roubar comida das operárias, entrar no formigueiro para furtar mantimentos, sair de lá levando ovos e larvas... Os testes se tornavam cada vez mais difíceis.
Sistemo percebeu que, se quisesse, poderia até ordenar que Grandão se sacrificasse, ou que se infiltrasse nas profundezas do ninho para assassinar a falsa rainha das formigas, e Grandão o faria sem hesitar. No entanto, essas ordens foram imediatamente revogadas assim que Sistemo as proferiu. Não havia sentido em perder Grandão, e, quanto ao assassinato da rainha no formigueiro, mesmo que Grandão tivesse sucesso, isso não traria vantagem alguma para Sistemo.
Escolhendo uma fenda entre pedras, Sistemo ordenou que Grandão transportasse comida para lá, e então saltitou deixando aquele formigueiro para trás.
...
A noite caía, e Sistemo explorava os arredores da floresta sob o manto escuro. Graças à Visão Noturna e à recém-adquirida Visão Aguçada, sua capacidade de enxergar na escuridão era agora superior à visão que possuía durante o dia. Herdando ainda o poder mental da Rainha dos Gafanhotos, seu Leitor de Informações podia ser usado por vários minutos seguidos, mais que triplicando sua duração anterior.
Na verdade, embora Sistemo já tivesse saído para caçar à noite, aquela era sua primeira verdadeira exploração noturna. O bosque fervilhava de mosquitos que dançavam em bandos, talvez em algum ritual de acasalamento.
A cada poucos metros, teias de aranha eram vigiadas por aranhas em posição de ataque. No chão, vez ou outra surgiam sapos de abdômen inchado, capturando mosquitos com rápidos movimentos de língua. A floresta à noite parecia perigosa e cheia de mistérios.
Não demorou para uma pequena morcego surgir nos céus, cruzando o ar várias vezes, fazendo Sistemo ficar em alerta para evitar esse predador de insetos. Mas, antes que pudesse reagir, percebeu que o morcego já o havia notado e se afastara, como se pressentisse perigo.
Sistemo compreendeu. Aquele morcego, de tamanho semelhante ao seu, não o via como presa, preferindo manter distância, claramente receoso. Ele já não era mais o pequeno gafanhoto de antes.
Ignorando o morcego, Sistemo seguiu explorando. Havia muitas opções de caça noturna, mas poucas o interessavam; se quisesse apenas caçar insetos comuns, roubar das formigas seria muito mais eficiente.
O que realmente buscava eram criaturas mágicas, como um slime, que pudesse devorar. Ao herdar o poder da Rainha dos Gafanhotos, também recebeu muitas de suas memórias. Era vaga sua lembrança sobre a transmissão mental e os sons do mundo, mas a imagem da planta que acelerou seu crescimento era claríssima.
Tudo começou quando ela comeu aquele fruto azul-claro; a partir desse momento, a Rainha dos Gafanhotos trilhou um caminho diferente dos outros de sua espécie.
...
Apesar de seu plano, procurar criaturas mágicas na floresta era como procurar uma agulha no palheiro. Sistemo passou a noite em claro, sem nenhum resultado.
Porém, ao retornar de sua infrutífera busca na manhã seguinte ao formigueiro onde Grandão estava, Sistemo fez uma descoberta surpreendente: encontrou um modo para passar o inverno em segurança.
Com esse método, Sistemo não precisaria mais correr atrás de criaturas mágicas para aprimorar-se rapidamente; afinal, encontrar um fruto azul como o da Rainha dos Gafanhotos era tão improvável quanto ganhar na loteria.
Bastava preparar-se com calma, aumentar seu nível de experiência pouco a pouco e, após a terceira metamorfose em poucos dias, atravessaria o inverno sem preocupação, mesmo que a neve cobrisse o solo por meses.
A surpreendente descoberta vinha justamente de Grandão. Durante toda a noite, ele havia enchido a fenda entre as pedras escolhida por Sistemo com alimento.
A fenda designada era enorme para uma formiga, com capacidade equivalente a uma lata de refrigerante. Grandão encheu tudo numa única noite, não por força, pois os soldados são apenas maiores, mas não mais fortes que as operárias no transporte de objetos.
Grandão, na verdade, mobilizou uma multidão de operárias! Quando Sistemo voltou saltitando de longe, havia quase uma centena de operárias indo e vindo perto da fenda, organizadas sob o comando de Grandão, depositando comida com eficiência.
Com a fenda já cheia, as operárias continuavam empilhando alimentos sobre o monte, enquanto Grandão desfilava orgulhoso entre elas, orientando o fluxo das que chegavam.
O desempenho de Grandão superara em muito as expectativas de Sistemo. Jamais pensara, mesmo com inteligência humana, em ordenar que um soldado comandasse operárias na coleta; mas Grandão, por si só, teve essa ideia.
Ao perceber que Grandão podia coordenar as operárias, Sistemo vislumbrou inúmeras possibilidades, inclusive utilizá-las para construir um abrigo de inverno.
Com essas habilidosas escavadoras, não apenas poderia construir uma toca subterrânea com facilidade, como também fazê-la luxuosa. Antes, pretendia apenas cavar um buraco de dois metros, suficiente para sobreviver ao frio. Agora, podia mandar as laboriosas operárias cavarem uma toca de cinco metros, com vários cômodos servindo de armazém.
Sistemo só precisava orientar as operárias, através de Grandão, para que abrissem um túnel largo o bastante para que ele pudesse entrar e sair livremente. E, para encher os armazéns, bastaria deixar as operárias coletarem alimento; se fossem lentas, poderiam ainda buscar diretamente dos depósitos do próprio formigueiro.
Assim, no inverno, não precisaria ficar imóvel como em hibernação, e sim poderia alimentar-se sem parar no subterrâneo, aprimorando-se ainda mais.