Capítulo Oitenta e Quatro: A Ordem dos Cavaleiros Formiga

A Lei do Enxame Nossa pequena adaga 2606 palavras 2026-02-08 06:42:27

Seja como gafanhoto, seja na forma atual de monstro tentacular, nada disso fazia diferença significativa para Sístemo. E, depois desta última metamorfose, Sístemo parecia ter perdido completamente a capacidade de se reproduzir com gafanhotos, não precisando mais se preocupar com a possibilidade de ter sua vida encurtada por um acasalamento súbito.

Ao sair do casulo, Sístemo deixou a câmara vazia e encontrou Sava, que montava guarda diante da sua porta, ainda com uma expressão de desalento. Era evidente que Sava ainda não se recuperara totalmente do fracasso ao desafiar o Senhor das Geleiras.

Os pensamentos de Sava eram simples, talvez até simplórios. Seu crescimento, de uma formiga soldado fraca até ali, fora rápido demais. Após a segunda metamorfose, adversários que antes pareciam invencíveis, como ratos, tornaram-se presas fáceis. Como uma criatura frágil, Sava tinha uma percepção distorcida dos seres poderosos do mundo, talvez também por falta de orientações adequadas de Sístemo.

Para Sava, um rato outrora invencível e um grande dragão eram quase a mesma coisa; o dragão era mais forte, mas, em sua visão, não era muito diferente de uma serpente ou de uma águia que devorasse ratos. Por isso, ela investira cegamente contra o dragão, convicta de que venceria no final.

Olhando ao redor, Sístemo notou duas formigas de aparência estranha. Eram duas entre as várias que haviam passado pela segunda metamorfose e já haviam rompido seus casulos.

Essas duas formigas operárias tinham cerca de seis centímetros, e, talvez por influência de Sava, seus corpos assemelhavam-se a uma versão simplificada dela. Suas cabeças eram menores, e, embora não tivessem lâminas como as de Sava, desenvolveram apêndices curiosos: uma tinha uma lança em forma de losango, a outra um gancho arqueado.

Observando mais de perto, Sístemo percebeu pequenas diferenças entre elas: a da lança tinha membros mais robustos, enquanto a do gancho possuía patas mais longas e delgadas.

Assim, confirmava-se sua hipótese: a segunda metamorfose dos insetos não era padronizada e gerava variações entre os indivíduos.

Quando Sístemo apareceu, as duas formigas estavam junto de Sava, imitando sua postura de guarda. Mas, ao contrário de Sava, ao seu redor havia pilhas de carne; comiam pedaços de rato sem parar, mesmo durante a vigília. Era claro que, como Sava, após a segunda metamorfose, entraram num período de rápido crescimento, necessitando de grandes quantidades de alimento.

Com base no ritmo de crescimento de Sava, em poucos dias essas formigas atingiriam doze centímetros, depois o ritmo diminuiria, e elas chegariam a até dezesseis centímetros.

— Não estou satisfeita.
— Ó rei, estamos felizes.

Assim que avistaram Sístemo, as duas formigas transmitiram mensagens mentais afetuosas. Após a segunda metamorfose, sua inteligência cresceu consideravelmente, equiparando-se à de Sava antes da segunda metamorfose, ou mesmo à da rainha Linda.

— Vocês adquiriram alguma habilidade? Ouviram a voz do mundo? — indagou Sístemo.

Ambas demonstraram confusão. Após um momento, uma delas respondeu, pensativa:

— Não sei.

O comportamento era idêntico ao de Sava após sua metamorfose: não percebia claramente que poder havia recebido. Entretanto, a formiga do gancho parecia ter percebido algo. Ela torceu a cabeça várias vezes, tentando expressar uma ideia.

Alguns minutos depois, ergueu seus ganchos. Com um leve zumbido, Sístemo viu faíscas azuis entre os ganchos. Ficava claro que a voz do mundo lhe concedera o poder do raio. Contudo, era um poder fraco; após poucos segundos, ela já estava exausta e não conseguia produzir mais eletricidade.

— Estarei eu formando uma ordem de cavaleiros? — pensou Sístemo ao observar as duas formigas, versões reduzidas de Sava. Era provável que as demais que passassem pela segunda metamorfose também se assemelhassem a elas.

A razão, calculava Sístemo, remontava a alguns meses antes, quando, ao fortalecer sua habilidade de transmissão mental, adquirira a capacidade de criar uma rede mental. Essa rede permitia conectar todos os pensamentos das formigas num raio de um metro, promovendo a comunicação entre elas.

Após a metamorfose de Sava, há dois meses, ela usou essa rede para transmitir repetidas vezes às outras formigas imagens da ordem de cavaleiros. Sístemo, pouco atento às conversas dessas formigas tolas, só percebeu a gravidade do ocorrido muito tempo depois.

Naquela época, várias formigas passaram a fazer gestos estranhos diante dele, deixando-o profundamente constrangido. Felizmente, após proibir formalmente tais brincadeiras e confiando na pouca memória das formigas comuns, em poucos dias apenas Sava persistia em brincar de rei e cavaleiro.

Mas agora, parecia que as imagens transmitidas por Sava permaneciam gravadas no fundo da mente dessas formigas, pois passaram a imitá-la.

— Que seja, então. Se tornarem uma ordem de cavaleiros, não faz mal.

Resignado, Sístemo dirigiu-se à câmara onde estavam os casulos da segunda metamorfose. Usando seus tentáculos para examinar os casulos restantes, verificou que três estavam prestes a eclodir; em dois ou três dias, novas formigas surgiriam. Os outros oito casulos ainda estavam tranquilos, mas, pelo ritmo dos demais, também romperiam em até duas semanas.

Apenas dois casulos de soldados permaneciam inalterados; como Sava, os soldados levavam muito mais tempo para completar a metamorfose.

Essas novas formigas-cavaleiras, após a segunda metamorfose, exigiam muita comida; sementes e frutas não eram suficientes. Consumiriam rapidamente metade do estoque de carne armazenada por Sístemo.

Caçar as larvas de borboleta criadas por ele não compensaria. Sístemo então lembrou-se de seu novo amigo dos últimos meses: o lodo gélido. Usar esse lodo como alimento seria o ideal; bastava encontrar mais um, e as treze formigas-cavaleiras estariam abastecidas por muito tempo.

Além de consumir ocasionalmente gelo e neve, o lodo gélido alimentava-se de galhos secos e matéria orgânica em decomposição, como os outros tipos de lodo. Raramente aparecia na superfície nevada, preferindo derreter a neve e criar grutas onde vivia, alimentando-se de folhas e plantas congeladas.

Por não ter predadores naturais nesse mundo gelado, o lodo gélido prosperava; a cada algumas centenas de metros, encontrava-se um exemplar. Contudo, como vivia enterrado sob a neve, até Sístemo precisava usar sua transmissão mental para sentir as oscilações emocionais e localizar esses seres.