Capítulo 110: Quem elogia sempre agrada (Peço a primeira assinatura, peço assinaturas!)

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2645 palavras 2026-04-01 15:55:35

No dia seguinte.

Assim que o dia começou a clarear, Zhang Xuan levantou-se. Após lavar o rosto e escovar os dentes, levou o cachorro para uma última volta minuciosa pelo canteiro de obras e, ao retornar, conferiu a bagagem uma vez mais.

Nesse momento, Ruan Xiuqin já havia preparado o café da manhã, e Ouyang Yong e Zhang Ping chegaram pontualmente. Os cinco sentaram-se à mesa e fizeram uma refeição simples, comendo apressadamente.

Ao sair, Zhang Xuan afastou com o pé o cachorro que se esfregava em suas calças, montou na motocicleta e, olhando para trás, disse a Ruan Xiuqin e Zhang Ping:

— Mãe, irmã mais velha, estamos indo. Cuidem-se bem aqui em casa, não se esforcem demais e descansem bastante.

Ao ver o irmão mais novo partir para uma viagem longa, os olhos de Zhang Ping encheram-se de lágrimas instantaneamente. Segurando a mão dele, disse com simplicidade:

— Irmão, eu sei. Você também precisa se cuidar lá fora, não passe fome, não passe frio, e se precisar de dinheiro, peça para a gente...

Ai, meu Deus! Irmã, guarde essas lágrimas... Por favor, pare com isso. Estou indo estudar e ganhar a vida, não para um crematório!

Comparada à verbosidade da filha mais velha, Ruan Xiuqin foi mais direta. Fez um carinho na cabeça do filho e, antes da despedida, não esqueceu de sussurrar um conselho:

— Filho, se tiver oportunidade, conquiste logo a Shuangling. É melhor garantir o quanto antes para evitar complicações.

— ...

Zhang Xuan ficou sem palavras. Olhando para a própria mãe, que sorria com ternura enquanto dizia algo tão absurdo, ele só pôde se render. Não tinha mais forças para discutir! Será que as mães não deveriam oferecer palavras de conforto na despedida? Por que a sua estava ensinando-o a ser um patife? Mas, pensando bem, seu filho já era um patife por natureza, não precisava de lições!

O "homem maduro" em seu interior compreendeu que, à medida que se tornava mais bem-sucedido, a camarada Ruan Xiuqin estava ficando um pouco arrogante. Ela parecia insatisfeita com a altiva Ai Qing e queria que ele desse a volta por cima.

Ah! Quase retrucou dizendo que não gostava de comer comida mal cozida, mas, no fim, Zhang Xuan não disse nada e partiu sob o sorriso gentil de sua mãe.

Com os olhos marejados, acenou em despedida e deixou o cruzamento sem olhar para trás. Ele temia aquela cena de sua mãe observando-o partir; temia acabar chorando.

***

Quando a motocicleta chegou à cidade, as lojas ainda não haviam aberto, apenas alguns garis varriam o lixo das ruas com vassouras de bambu. Zhang Xuan e Ruan Dezhi pegaram um micro-ônibus até a sede do condado, pagando quatro yuans cada. De lá, fizeram uma conexão e pagaram mais sete yuans até a estação ferroviária de Shaoshi.

Ao descerem, a Sra. Hui, seu marido e Sun Fucheng já os esperavam na beira da estrada. A Sra. Hui veio ao encontro deles com um sorriso caloroso:

— Devem estar famintos depois de tanto tempo na estrada. Preparamos algo simples em casa; vamos comer antes de pegar o trem, ainda temos tempo.

Após cinco ou seis horas sacolejando no ônibus, ambos estavam exaustos e famintos. Diante da promessa de uma refeição quente, não havia motivo para cerimônia. Zhang Xuan agradeceu e aceitou prontamente, comentando sobre o cansaço da longa viagem de trem que viria a seguir.

Ao chegarem ao apartamento da família Hui, Zhang Xuan arregalou os olhos. A mesa estava farta, com doze pratos diferentes — carne, peixe, frango — uma verdadeira ceia de ano novo! Era um tratamento de alto nível. Ele trocou um olhar satisfeito com o casal; saber que seu tio era tratado com tanta deferência trazia prestígio a ambos. Afinal, neste mundo movido a dinheiro e sobrevivência, bajular alguém capaz de mudar seu destino era algo perfeitamente compreensível.

Como o trem partiria às treze e meia, comeram com rapidez e eficiência.

***

A estação estava lotada, com sacos de polipropileno por toda parte, uma visão de dar arrepios. Ao conseguirem abrir caminho pela multidão e entrar no vagão de leitos, estavam todos suados. Zhang Xuan sentou-se na borda da cama e começou a se abanar freneticamente com um leque de papel que a Sra. Hui lhe passara.

O calor em Shaoshi, em pleno agosto, era sufocante. Respirar ali dentro parecia um ato de afogamento. Uma senhora de camisa vermelha, muito elegante e falante, sentou-se ao lado. Inicialmente, encantada com a aparência jovial de Zhang Xuan, começou a bombardeá-lo com perguntas: de onde era, se tinha namorada, se era casado... Em poucos minutos, ela já havia investigado toda a sua árvore genealógica.

Observando a destreza daquela língua, Zhang Xuan sentiu que a senhora tentaria conquistá-lo ali mesmo. Sem saber como escapar, fingiu estar enjoado da viagem e fechou os olhos. A senhora ainda o observou por um tempo, suspirou decepcionada e, logo em seguida, começou a importunar Ruan Dezhi.

Vendo o tio isolado em sua própria batalha, Zhang Xuan soltou um risinho. Encostou a cabeça no vidro da janela, tentando imitar a estética melancólica das protagonistas de dramas coreanos. Mas, após alguns segundos, teve que recuar rapidamente.

Droga! Quase tive uma concussão. Como pude ser tão estúpido?

***

O trem partiu à tarde e chegou ao destino apenas na calada da noite. Ao desembarcarem, discutiram onde se hospedar, decidindo evitar o hotel da última vez. Foi então que Ruan Dezhi, até então silencioso, disse:

— Zhang Xuan, venha ficar em minha casa. Ainda faltam dez dias para as aulas começarem, não fico tranquilo sabendo que você está em hotéis.

Zhang Xuan hesitou. Lembrou-se da tia, Yang Yingman, e de sua atitude fria; não queria ter que lidar com aquele tratamento. Contudo, ao ver o olhar de expectativa do tio, seu coração amoleceu. Sabia que não tinha escolha. Seja por gratidão ao tio, que era um homem de família, seja pelo interesse próprio — afinal, ele ainda precisaria do apoio do tio no futuro —, Zhang Xuan não podia recusar.

Sem muita delonga, sorriu e concordou:

— Tudo bem, mas sinto muito por incomodá-lo, tio.

Ruan Dezhi, compreendendo o que não precisava ser dito, apenas deu um tapinha no ombro do sobrinho e seguiu em frente. Após se despedir da família Hui, Zhang Xuan seguiu o caminho, sabendo que, embora o futuro fosse incerto, aquele era o passo necessário a dar.