Capítulo 114: É só uma brincadeira (Por favor, assine!)
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17h30.
Ruan Dezhi largou pontualmente os relatórios, arrumou suas coisas e se levantou. Então disse gentilmente a Zhang Xuan, que lia o jornal:
— Zhang Xuan, vamos. Está na hora de irmos para casa.
— Ah, certo.
Zhang Xuan já estava farto de ler o jornal e esperava havia muito por aquelas palavras. Respondeu, largou o jornal e se levantou depressa para acompanhá-lo.
Ao saírem pelos portões da alfândega, Zhang Xuan percebeu que o tio seguia diretamente para casa, sem a menor intenção de passar pelo mercado.
Inclinou a cabeça e perguntou:
— Meu querido tio, você não disse que ia preparar um banquete para mim? Não vamos comprar os ingredientes? Eu não como frutos do mar, viu?
Ruan Dezhi ajeitou os óculos e respondeu com um sorriso:
— Não se preocupe. Sua tia já comprou tudo.
Não se preocupe, não se preocupe...
Como ele não haveria de se preocupar?
Ao pensar nos ingredientes comprados pela tia, a expectativa de Zhang Xuan em relação àquele banquete caiu imediatamente pela metade.
...
Quarto andar de um prédio moderno.
Conversando e rindo pelo caminho, os dois levaram pouco mais de vinte minutos para chegar em casa.
Depois de trocar os sapatos e entrar na sala de estar, Zhang Xuan percebeu que tinha imaginado coisas demais.
Então era isso que Ruan Dezhi queria dizer quando afirmara que cozinharia pessoalmente naquele dia?
Na verdade, havia convidados em casa.
Era uma família de três pessoas.
Um homem de meia-idade e uma mulher também de meia-idade.
E uma moça de vermelho, com cerca de vinte anos, que devia ser a filha do casal.
Era raro encontrar uma família de três pessoas tão agradável aos olhos. Zhang Xuan não conseguiu evitar alguns olhares a mais enquanto ouvia os cumprimentos calorosos trocados entre o tio e os convidados.
O homem de meia-idade chamava-se Su Jin. Sentado na sala, estudava de cabeça baixa um final de partida de xadrez chinês. De vez em quando, também trocava algumas palavras com as pessoas na cozinha. Falava cantonês com uma voz magnética; bastava ouvi-lo para perceber que era um homem muito culto e refinado.
A mulher chamava-se Qin Yueming. Ajudava na cozinha, tagarelando sem parar com Yang Yingman enquanto escolhiam, lavavam e cortavam os legumes. Pelo jeito, as duas eram extremamente próximas.
Ruan Dezhi soltou um suspiro pesado, colocou a pasta sobre a mesa de centro e cumprimentou a moça de vermelho, que estava sentada ao lado de Yang Manjing:
— Pequena Onze, você chegou! Hoje vai ter de beber comigo.
A Pequena Onze, sentada de pernas cruzadas no sofá, sorriu docemente:
— O tio Ruan foi promovido. Uma taça não basta. Hoje vou brindar três vezes ao senhor.
Ruan Dezhi riu satisfeito:
— Muito bem, gostei de ouvir isso. Vou preparar a comida primeiro; depois beberemos à vontade.
Palavra dada era palavra cumprida. Ruan Dezhi puxou Zhang Xuan, fez uma apresentação breve e realmente arregaçou as mangas para entrar na cozinha.
Sob os olhares de três pares de olhos — um grande e dois pequenos — Zhang Xuan sorriu educadamente. Depois, encheu um copo com água, bebeu-o devagar e entrou no quarto.
Não havia jeito: precisava tomar banho.
Naquele calor sufocante, passar o dia inteiro no depósito da alfândega o deixara encharcado de suor. Seu corpo inteiro exalava um forte odor.
Temia ficar tempo demais na sala e empestear o ambiente.
...
Escovou os dentes, lavou o rosto, tomou banho e lavou as roupas. Zhang Xuan levou mais de vinte minutos ao todo.
Quando voltou à sala, antes mesmo de se sentar, Su Jin ergueu a cabeça e lhe disse de repente:
— Dezhi falou que você sabe jogar xadrez chinês, e que joga muito bem. Venha, vamos disputar uma partida.
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Xadrez chinês?
É claro que sabia.
Aprendera ainda na terceira série do ensino fundamental. Naquela época, no campo, não havia muita diversão. Não era natural passar os dias observando os velhos jogarem xadrez?
Mas ele, um homem que vivera duas vidas, acumulara décadas de experiência. Só temia que o outro não conseguisse enfrentá-lo e acabasse chorando de vergonha.
Vendo a expressão cheia de expectativa do homem, Zhang Xuan abandonou a ideia de se esconder e sentou-se tranquilamente diante do tabuleiro.
Pensou consigo mesmo: se está procurando a morte, então eu o ajudarei a encontrá-la.
E de graça. Sem cobrar nada.
...
Os dois jogaram três partidas ao todo.
Na primeira, Su Jin claramente não levou a sério aquele rapazote. Movia as peças conforme lhe dava na telha, atacando e recuando com liberdade, demonstrando uma segurança majestosa, como se o céu fosse o primeiro e ele, o segundo.
No entanto, à medida que a partida avançava, Su Jin ficou apenas com um canhão.
Zhang Xuan, por outro lado, permanecia tranquilo. Assim que Su Jin fazia um movimento, ele respondia imediatamente, sem hesitar nem por um segundo.
Era como se estivesse apenas brincando.
Exatamente. Aquela despreocupação, aquela naturalidade harmoniosa e aquela desenvoltura só podiam significar que estava jogando por diversão.
Mas, ainda assim, conforme a partida avançava, Zhang Xuan continuava com uma torre, um cavalo e um canhão, dominando completamente o tabuleiro.
Su Jin ainda tentou resistir por mais dez jogadas. Então parou, baixou a cabeça, refletiu por um instante e se rendeu.
Na segunda partida, Su Jin foi muito mais cauteloso.
Mas isso não adiantou absolutamente nada.
Su Jin quebrava a cabeça para decidir cada movimento.
Zhang Xuan continuava igual. Logo em seguida, fazia um movimento com um estalo seco e respondia sem a menor hesitação. Jogava de maneira limpa e decidida, sem qualquer enrolação.
Su Jin ficou atônito. Ergueu os olhos para encará-lo por um instante, voltou a olhar para o tabuleiro e, depois de ponderar cuidadosamente, fez outra jogada.
Antes mesmo que sua mão se afastasse, Zhang Xuan respondeu novamente com outro estalo seco.
Su Jin: “...”
Yang Manjing: “...”
A Pequena Onze: “...”
Embora estivesse sem palavras, Su Jin ainda demonstrava grande perseverança e continuou estudando o tabuleiro de cabeça baixa.
A Pequena Onze inclinou a cabeça para observar o pai e, em seguida, lançou alguns olhares discretos a Zhang Xuan.
Em determinado momento, depois de esperar muito tempo sem ver o pai fazer sua jogada, a Pequena Onze se levantou, serviu duas xícaras de chá gelado e entregou uma a Su Jin e outra a Zhang Xuan.
Zhang Xuan ficou um pouco surpreso. Alguém realmente havia servido chá para ele?
Ele já fora muitas vezes à casa do tio, mas sempre precisara servir a própria água. Nunca ninguém lhe havia servido chá.
Ah!
Aquilo era algo que só se via depois de viver muito!
Seu primeiro chá gelado fora servido justamente por uma moça de fora. Que situação comovente.
Zhang Xuan lançou um olhar surpreso à Pequena Onze. Quando viu que ela sorria para ele, também sorriu, recebeu educadamente a xícara e inclinou a cabeça, bebendo de uma só vez mais da metade.
Chá gelado era mesmo muito melhor do que água: doce, refrescante e com um sabor persistente.
Que pena.
A estratégia da beleza não funcionava com ele!
Su Jin ainda estava condenado a perder — e terminou a segunda partida ainda mais depressa do que a primeira.
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No início da terceira partida, Su Jin pegou o lenço de papel que a Pequena Onze lhe estendia e enxugou as pequenas gotas de suor que haviam surgido, sabe-se lá quando, em sua testa.
Depois tomou um gole de chá, ajeitou a postura e passou a jogar com extrema seriedade.
Principalmente depois das cinco primeiras jogadas: a partir daí, Su Jin precisava refletir longamente sobre cada movimento, permanecendo imóvel por mais de cinco segundos antes de tocar em qualquer peça.
Aquela situação tortuosa era tão penosa que até Zhang Xuan não conseguia mais suportar.
— Puxa vida!
Com uma habilidade dessas, ainda se atreve a estudar finais de partidas?
Era várias categorias inferior até ao velho Huang Fugui, da aldeia. E ainda queria jogar contra mim?
Zhang Xuan estava entediadíssimo.
Além de jogar, precisava suportar os olhares silenciosos de Yang Manjing e da Pequena Onze, como se estivessem assistindo a alguma atração exótica. Era realmente entediante.
Dava vontade de ler o jornal enquanto jogava contra Su Jin.
Mas, para preservar a dignidade do anfitrião e respeitar aquela xícara de chá que a Pequena Onze lhe servira, Zhang Xuan conteve o impulso de ser cruel e continuou fingindo estar extremamente concentrado.
O homem ignorava os olhares ocasionais das duas moças ao lado. Sentado com os olhos voltados para o tabuleiro e a mente concentrada, apoiava o queixo na mão direita enquanto pensava:
Deveria deixar Su Jin recuperar a vantagem na terceira partida?
Afinal, ele era convidado do tio.
Pelas roupas e pelo modo de falar, parecia ser um homem bem-sucedido, e dos que haviam se saído particularmente bem na vida.
Além disso, havia duas espectadoras ao lado. Diante da própria filha, era preciso preservar um pouco de sua dignidade.
Mas...
Que inferno!
O homem à sua frente era simplesmente um desastre no xadrez! Zhang Xuan já não sabia mais o que fazer.
Ele já havia deixado escapar várias oportunidades de propósito.
Mas Su Jin conseguia evitar todas as saídas que Zhang Xuan lhe oferecia e insistia em se enfiar cada vez mais fundo num beco sem saída.
Em duas ocasiões, Zhang Xuan chegou a colocar deliberadamente uma torre à disposição para que Su Jin a capturasse. O homem, porém, hesitou, tocou a testa e, no fim, nem sequer ousou fazer o movimento.
Estava assustado demais para jogar!
Naquele momento, até o velho Zhang Xuan se sentia vencido.
Completamente vencido!
As peças continuaram a se chocar, e a batalha prosseguiu...
Su Jin cerrou os dentes e resistiu até a vigésima nona jogada. Ao perceber que Zhang Xuan continuava sem eliminá-lo, de repente compreendeu seus próprios limites.
Seu corpo, que estivera tenso o tempo todo, relaxou de uma vez. Ele suspirou, pousou a peça e declarou com franqueza:
— Impressionante! Realmente dizem que os jovens superam os mais velhos. Impressionante! Foi uma partida de tirar o fôlego.
Zhang Xuan sentiu uma pontinha de orgulho, mas limitou-se a sorrir com modéstia e elegância, sem responder ao elogio.
Afinal, aquela era uma situação difícil de contornar. Qualquer resposta acabaria ferindo o orgulho do outro.
Era melhor fingir timidez.
P.S.: A quantidade de assinaturas no primeiro dia ficou pouco acima de mil e trezentas. Não é ruim, mas também não é nada extraordinário.
A média de assinaturas, porém, está um pouco desanimadora: pouco mais de setecentas. Se eu publicar capítulos demais, provavelmente acabarei perdendo o bônus de assiduidade.
Obrigado pelo apoio de todos.
Além disso, hoje entrei no ranking mensal de votos dos novos livros. Talvez amanhã já não esteja mais lá, mas ainda assim estou muito feliz.
Espero que os velhos camaradas continuem me apoiando.
Por favor!
Peço seus votos mensais.